Instrumento Tempestuoso.

16 2 ª pt: Beijo Aceso.


Notas iniciais
Estou aqui a pedidos de Stella. Como estou lendo Cidade das Cinzas, a inspiração com Jace cresceu em mim e quase coloquei-o na minha estória nesse capítulo. Mas ele ficaria muito malvado e eu não aguentaria ver o moço de olhos dourados como mau demais! Enfim. Para as apaixonadas por Patch, nós o temos aqui. Para as que gostam do Damien, ele também aparece. Para quem ama Cam - Sim, Stella, isso é pra ti - ele aparece muito aqui. E pra quem odeia Dabria - tanto quanto eu - ela também tá aqui. Deu pra sentir o drama? Bora ler!

All my agony fades away, When you hold me in your embrace (All I Need – Within Temptation).

- Desliga a porra da música. – Eu ordenei sem restrição alguma.

- Não tem porra de música ligada, anormal. – Aphrodite respondeu em um murmúrio do outro lado do quarto.

Mas a canção estava ficando cada vez mais alta. Eu já tinha coberto minha cabeça com o travesseiro e pensado em outras canções, mas ela continuava a soar. Lembrando-me do que ocorreu lá fora há poucos minutos. Eu não sabia onde Patch estava; eu só sabia que meu corpo formigava pela vontade de ir até o Castelo Sombrio, escondida de todos, é claro.

Mas o som infernal da música não diminuía. Ela começou de forma rasteira e a cada nota distinta ela ia aumento. Só então notei que era a música referente a sete demônios tocando dentro da minha cabeça. Não era possível. Ela deveria significar algo e sempre que ela tocava...

Meus olhos se arregalaram com a constatação. Ela tocou quando eu fui a primeira vez até o Castelo Sombrio. Tocou quando os Sete Tronos apareceram no meu quarto. Tocou quando Zoey surgiu. Sempre tocava quando algo “sombrio” ocorria. Será que ela estava tentando me avisar algo agora?

Meu coração estava acelerado e meus cabelos úmidos pela chuva esquentaram em torno de mim. Era como se eu estivesse onde meu corpo não gostaria de estar. Era doentio e doloroso. A cama não parecia confortável e eu me sentia inquieta por dentro e por fora. Tocando a todo instante o bolso do meu jeans, para me certificar de que o Medalhão estivesse lá.

A inquietação aumentou, enquanto a música continuava a me instigar para fora do Castelo, afinal, ninguém notaria. Ninguém nunca notaria.

*

Alguns minutos depois eu estava respirando o ar gélido de Manhattan. O Castelo Sombrio estava bem diante de mim, nada me ocorreu no caminho e caminhei mais depressa do que o normal para humanos. Não sou mais normal ou humana. Respirei fundo, ainda olhando a antiga construção, sabendo que os portões se abririam para mim. Caminhei dentre a grama alta, sentindo-a molhar minhas pernas desnudas. Ouvindo o canto dos grilos perdidos por ali e vendo a lua alta, acima das torres do Castelo, repentina e rapidamente, me passou pela cabeça que eu nunca tinha ido até uma delas e uma vontade repentina de conhece-las me abateu.

Continuei caminhando adiante e cheguei diante do portão, minimamente receosa e eu o assisti abrir e o escutei ranger em suas dobragens enferrujadas. Eu sorri, me sentindo realmente importante e especial e agradeci mentalmente por poder passar e também por poder abrir a dupla porta de madeira pesada diante de mim. O Castelo estava em um silêncio puro, não fosse por um grupo de meninos rindo alto em um canto e chutando algo jogado ao chão.

Me aproximei e notei que era outro garoto largado ao chão. O nariz sangrando e os olhos vermelhos, pelas lágrimas que ele provavelmente segurava no fundo da garganta. Seus cabelos negros como a noite sem luar estavam bagunçados e seus olhos castanhos encontraram os meus. Eu senti algo inexplicável quando nossos olhares se encontraram... era como se eu precisasse sair do Castelo Divino para encontra-lo aqui. Era como se a música me pedisse isso, pois agora, finalmente, ela havia cessado, deixando-me apenas com o som das batidas não ritmadas do meu coração.

Prontamente, eu passei entre cinco rapazes que iriam partir para cima dele novamente. Me abaixei e o puxei pelos braços meramente finos, mas ainda assim com músculos em construção lá dentro. Ele tinha uma beleza comum, mas que se tornava única pelo brilho no olhar e a boca carnuda que ele tinha, bem vermelha, pedindo para ser beijada.

- Qual é, Damien. – Um dos rapazes acima de nós chamou por seu nome e seus olhos se abaixaram ainda mais, eu vi medo ressurgir nos obscuros cantos do seu rosto. – Vai deixar uma garotinha proteger você?

- Cara. Fica quieto. – Outro deles, com a voz mais moderada, disse.

- Uma ova que fico. – O mesmo de antes respondeu, enquanto eu passava meu dedo pela fina linha de sangue do nariz de Damien e o ajudava a se sentar, mostrando-lhe com o olhar que não deixaria nada acontecer a ele. Alguma linha invisível tinha surgido entre nós. Eu sorri com os lábios, mostrando compreensão de alguma forma.

- Você viu quem ela é? – Outro deles sussurrou e só então me virei, pouco me importando com o rapaz atrás de mim.

Ele falou de mim como se eu fosse um bicho. Estranhamente, eu já estava de pé, encarando um a um. Olhos castanhos, azuis e verdes olharam para mim. Quatro deles engoliram em seco, enquanto um continuou sorrindo de maneira nada amistosa na minha direção.

- Sua marca de andorinhas não me espanta, novata. – Ele pronunciou a última palavra com extremo nojo. Seus cabelos e olhos castanhos me encaravam sem pudor algum, como se nada pudesse derruba-lo.

Senti ambas as tatuagens se erguerem em seu interior, protestando pelas palavras. Meus cabelos se abanaram e eu mordi o lábio inferior. – Deveria espantar. – Respondi erguendo uma sobrancelha, realmente sentindo que algo de estranho estava ocorrendo comigo.

Ele riu. E aquele fora o som mais nojento que escutei depois de tanto tempo. Ele foi a coisa mais nojenta que vi depois do dia em que vi um demônio cara-a-cara, dentro da minha casa.

- Acha que seu beijo aceso me espanta? Nunca! Não tenho medo do que a maldição diz. E não confio em você porque a Profecia diz que você nos salva do fim. – Ele vociferou, sentindo raiva por algo que eu desconhecia.

Eu não sabia que tinha o poder de desmoronar com tudo. Mas também não sabia do poder de cura para todas as dores e receios. Eles esperavam algo de mim e eu não tinha nada a oferecer.

Como que para comprovar suas palavras e acabar com meu silêncio, ele ergueu a perna e chutou Damien atrás de mim. Instantaneamente, eu apressei meus pés a irem para frente. Empurrei-o pelos ombros e ele atingiu uma enorme distância de mim, batendo as costas na parede e gemendo de dor.

- Vamos! Façam. – Ele ordenou aos outros com raiva e eu vira aquela cena em filmes.

Eu sabia o que aconteceria a seguir e meu corpo tremeu pela antecipação. Não houve tempo para correr na direção dele e arranhar seu rosto, puxar seus cabelos ou chutar suas bolas. Os quatro rapazes me seguraram. Um nos ombros. Dois pelos braços. E outro puxou os cabelos, parando meu rosto com força e dor extrema. Ardendo no couro cabeludo pelos fios que eram puxados sem piedade.

Garras. Patas. Eles estavam me machucando. Então, o outro rapaz avançou e senti dor no estômago quando ele começou a desferir socos em minha barriga... como se eu fosse um monstro. Como se eu fosse um inimigo.

Vi Damien sair correndo e única palavra na qual consegui pensar por cima da dor, fora: “covarde”.

O rapaz continuou, dando socos em flechas na minha barriga, enquanto eu ficava sem ar. Berrando e me debatendo com dor. O momento passava em câmera lenta. Eu via o suor escorrendo pelo seu rosto. Eu via seus olhos vermelhos e a raiva como fogo...

Eu sentia o sangue escorrer pelo meu nariz como fogo, para completar ele me deu um tapa na face, enquanto os outros rapazes riam, cercando minha carne com seus apertos sobrenaturais, quase como algemas. Quanto mais eu me mexia, mais eles apertavam os dedos. Quase como fogo...

O calor começou, forte... quase como fogo...

E então, as chamas começaram a flamejar por todas as direções. Os socos pararam e quando abri os olhos, a única coisa que vislumbrei foi o fogo... algo aceso. Os rapazes me soltaram, berrando pelos braços queimados, arrancando as roupas que queimavam em suas peles. Olhei para meu corpo banhado em chamas azuis e laranjas. Quase como o fogo...

Mas era fogo. Fogo percorrendo o meu corpo sem me queimar. Uma raiva indestrutível domava cada parte do meu corpo. Gritando para que eu agisse e mostrasse a ele que deveria sentir medo sim do que eu podia ou não fazer. Assim que tomei a iniciativa de correr em sua direção, um braço agarrou minha cintura. E eu gritei por alguém ter me parado.

- Me solte! – Minha voz saiu raivosa.

Com raiva de Patch. Da droga da Maldição. Do beijo aceso. Dos rapazes que batiam em Damien sem piedade e com raiva do Damien covarde, também. Mas que...

E então me ocorreu, como alguém poderia me segurar enquanto eu brotava chamas? Quem poderia ser aquele?

Então sua voz sussurrou ao pé do meu ouvido, trazendo a calma de volta ao meu corpo. Apagando as chamas. – Estou aqui, Anjo. – Ele prometeu, enquanto os rapazes seguiam com Kalona até o corredor e Cameron os acompanhava atrás.

Patch me segurava contra seu peito, pressionando as partes certas do meu corpo. Pela primeira vez na noite, eu relaxei de verdade.

- Pronto. – Ele continuou sussurrando, enquanto caminhava e minhas pernas balançavam, penduradas.

Eu tive vontade de manda-lo me largar, mas sabia e sentia que aquele contato – mesmo que doloroso – era necessário.

Repentinamente eu me vi em um apertado banheiro. Patch me colocou delicadamente no chão, mas manteve contato me segurando pelos cotovelos.

- Está com sede? – Ele indagou, avaliando meu rosto de maneira rude, eu chacoalhei a cabeça em um não com convicção, ou pelo menos tentei.

Ele me soltou um pouco e molhou suas longas mãos, enquanto eu olhava seu movimento mecânico e rude para lavar as mãos, notei que seus braços estavam normais, sem queimaduras, ou algo que lembrasse aquilo. Arqueei as sobrancelhas, com o coração muito acelerado pelo pavor do novo para apagar qualquer dúvida. Ele caminhou até estar atrás de mim, e de maneira sensual, afastou os cabelos do meu ombro, eu não queria ter sentido aquele arrepio, mas ele surgiu de qualquer forma. Ele se inclinou na minha direção, enquanto eu observava tudo de soslaio e com a respiração descompassada, por tê-lo tão próximo as minhas costas.

Seus dedos gélidos tocaram a minha nuca, esfriando meu corpo e clareando minha mente. Ele massageou o local, esfregando minha pele nos locais tensos e só parou quando notou que os nós desapareceram.

Enxugou as mãos em uma tolha de papel e depois jogou a mesma no lixo. Eu coloquei a mão na maçaneta para abrir a porta. Mas ele me impediu, me virando bruscamente de frente para ele e me presando contra a porta com seu corpo que parecia uma muralha. E então, sem mais nem menos, ele colou a testa na minha, misturou nossas respirações.

Eu sabia que aquele era um tipo de pedido de desculpas. Minhas mãos subiram instantaneamente, segurando a parte de trás da sua cabeça, tocando seus cabelos sedosos e acariciando-os lentamente, prensei meus olhos, incapaz de encarar a escuridão que os seus representavam, ele me apertou ainda mais contra a porta e esfregou seu rosto no meu. Um choque percorreu meu rosto e eu soube que seria daquele jeito dali por diante. Eu sentiria dor toda vez que ele me tocasse com extremo carinho, mesmo que aquilo fosse difícil para alguém como Patch.

As lágrimas encheram meus olhos e transbordaram deles. Os polegares de Patch passaram por elas. – Não gosto de desculpas. – Meu coração acelerou com sua respiração próxima ao meu pescoço. – E não vou pedir desculpas. – Eu não sabia se estapeava seu rosto, ou se o beijava ali mesmo. Pois, eu senti vontade de fazer os dois com suas palavras cortantes. Aquilo era tão... Patch.

*

Estávamos todos sentados nos sofás do cômodo de Kalona, que minutos antes repreendeu os garotos a podarem toda a grama que nunca fora podada e também diminuiu o grau de avanço deles para o Grande Ritual.

- Eu nunca vi um. – Sussurrei, falando alto demais para alguém que estava com aquilo apenas em pensamentos.

Os olhos gelados de Kalona passearam por mim, até encarar os meus profundamente. – O que, minha jovem?

- Um Grande Ritual. – Respondi, erguendo o queixo.

- Nem queira assistir. – Cameron indicou, piscando para mim quando fitei seus olhos verdes. – É completamente... ridículo. A pessoa passa por momentos vergonhosos na frente de qualquer Imortal que surgir lá. – Ele riu, como se as palavras te trouxessem memórias engraçadas.

- Espero que não ria quando o meu acontecer. – Disse, com os lábios retorcidos, tentando amenizar o clima pesado que se formou. Patch assistia a conversa de longe, com os braços cruzados sobre o peito, sem querer e nem demonstrar nada. Trocando os olhos entre Cam e eu, a cada momento que um dizia ou expressava algo.

- Ah, eu vou estar preocupado com outras coisas. Mas posso levar meu IPhone para gravar tudo e depois postar no Imortube. – Ele piscou, com um riso preso na garganta.

Não me contive e cai na risada na frente dos três. Rir para mim não era uma coisa muito atraente. Era o que Vee sempre dizia e parei de rir subitamente. Notando, que aquela era uma das únicas risadas que dava depois de seu sumiço.

- É estranho. – Patch começou, como se não tivesse ocorrido aquela conversa descontraída entre Cam e eu. Sim, ele era... legal. – Como você saiu do Castelo Divino e eles só souberam quando Kalona entrou em contato? – Patch falava de nós como se não estivéssemos lá.

- Eu saí sem avisar... – Tentei diminuir a barra de Daniel, provavelmente, que não estava lá quando sai sorrateiramente pela entrada que todos utilizavam.

- Isso deu para perceber. Não tente defende-los. – Cameron deu de ombros.

- O que ele está fazendo aqui? – Patch repentinamente indagou, como se notasse Cameron pela primeira vez.

- Vocês... – Kalona tentou intervir com sua voz superior.

Mas Cameron parecia não se importar com sua superioridade, pois, ainda assim, atropelou-o com sua voz sarcástica. – O mesmo que você. Cuidei dos garotos e você da garota.

Um silêncio desconfortável surgiu, como se eles estivessem conversando entre si pela mente e me ocorreu que aquilo realmente estava ocorrendo.

- Ei. Parem de falar assim. – Eu pedi, jogando verde no detalhe de que eles poderiam estar conversando por mente.

Bingo! Era aquilo mesmo, eles me olharam assustados e pigarrearam na tentativa de disfarçar. Kalona segurou um riso divertido com os lábios.

- Nora, querida. – Kalona chamou minha atenção com sua voz que silenciaria qualquer recinto. – Acho que já percebeu que seus poderes... se manifestam com seus sentimentos. Esse é um dos piores, querida.

Eu acenei em positivo. Me lembrando da repentina tempestade e...

- Você estava parecendo uma fogueira lá fora. – Cameron comentou, olhando pela janela.

Eu sorri, achando seu comentário realmente hilário.

- Retomando. – Kalona, de maneira discreta, pediu silêncio. – Só basta descobrir o que mais você pode fazer. Precisaremos conversar a respeito disso. E você também terá de se acostumar com o Castelo Divino.

- Eu... entendo. Mas estava incomodada lá e se não tivesse fugido para cá, aquele Damien poderia ter... morrido. – Eu disse, lembrando-me da cena novamente. De seus olhos e seus cabelos.

- Só para constatar, foi ele quem nos chamou. – Kalona interveio, interrompendo minhas memórias.

- E eu pensando que ele tinha sido um covarde. – Comentei, erguendo as sobrancelhas e sentindo o sangue seco no meu nariz.

- Minha nossa, Patch. – Kalona pegou um dos castiçais que fazia com que sombras de luz dançassem ao nosso redor. Ninguém tinha notado o sangue. – Você nem limpou o sangue da garota.

Eu sorri encabulada, nem me lembrando disso quando estávamos no banheiro. Como uma flecha, Cameron estava ao meu lado com um pano umedecido, e sem pedir permissão ele o pressionou na parte de baixo do meu nariz. Sem pedir espaço, ele se apertou no espaço ao meu lado do sofá, me empurrando para o canto e cuidou de mim, na frente de todos.

Enquanto Patch precisava do cuidado de não ser pego, Cameron fazia aquilo com naturalidade diante de todos. Eu não quis olhar para Patch naquele instante. Para não encarar seu par de olhos negros raivosos para nós. E também porque queria olhar para Cameron naquele momento.

Eu gostei de como seu toque parecia doce demais para alguém como ele, que me deixou tão receosa com sua estranha chegada. Ele removeu todo o sangue seco e molhava a tolha em algum compartimento que não estava ao alcance dos meus olhos. Então, o pano estava bastante úmido quando tocava a minha pele e completamente fresco. Seus olhos esmeraldas não abandonavam os meus. Por fim, ele molhou todo o pano e o torceu.

“A blusa.” Disse apenas, dentre o turbilhão dos meus pensamentos.

Tomei o pano de seus dedos e deixei-o sob minha blusa no meu abdômen, refrescando e diminuindo um pouco a dor enorme que se instalou ali.

- Nora. – Kalona então me chamou, e me virei em sua direção, abandonando os olhos de Cameron, que se levantou junto com o compartimento prata. – Acho melhor ir com Patch agora. Tomar um banho. Comer algo e dormir, temos bastantes assuntos para amanhã.

Eu acenei em positivo. – Obrigada.

Agradeci por ele me liberar e por me aceitar novamente sem nenhuma pergunta na ponta da língua.

*

Mais ou menos uma hora depois, eu saia do banheiro do quarto de Patch com uma toalha enrolada na cabeça, para secar os cabelos e um pijama improvisado que Stevie e Shaunee me arranjaram de última hora. Elas ficaram preocupadas com o lado direito do meu rosto roxo e em como eu estava mancando pela dor no abdômen, mas Patch não deixou espaço para interrogatório, me arrastando pelo pulso até o quarto e fechando a porta do banheiro na minha frente.

Foi quando eu a vi de novo. Cabelos loiros sedosos até a cintura, rosto esticado em um sorriso e deitada sobre a cama de Patch, como se eu não estivesse no banheiro ao lado. Como se eu não fosse dormir ali. Patch estava imóvel e indiferente com sua presença, mas ainda assim estava com ela.

Ambos os olhos se ergueram quando saí do banheiro, Dabria bufou ao lado de Patch e despencou sua cabeça loura no meu travesseiro.

- Que atraente. – Ela comentou.

Enrubesci. Patch sabia o que poderia ocorrer se minha raiva crescesse e eu também sabia. Não esperei ninguém fazer nada. Lancei as roupas sujas de sangue na lareira e puxei meu travesseiro que estava sob sua cabeça. Ela gritou, tentando agarrá-lo da minha mão, mas – mesmo sentindo dor – apertei-o contra meu peito.

Sem dizer uma palavra e escutando os passos apressados de Patch atrás de mim, eu fechei a porta em um baque ensurdecedor.

Gritei assustada quando esbarrei meu rosto no peito de Cameron. Ele me segurou pelos ombros e me chacoalhou, até que eu o encarasse nos olhos.

Eu não disse nada e ele também não. Bastou ele erguer o olhar e ver Patch abrindo a porta e provavelmente ver Dabria lá dentro que ele entendeu o que tinha ocorrido. Em seguida, ele me arrastou até seu quarto. Sem medo. Pudor. Ou vergonha de estar comigo. Fechando a porta atrás de nós. Mantendo-nos numa bolha, afastando-nos do Mundo lá fora. E do Submundo também.

Notas finais
E aí? Gostaram do cap longo? Da música? Acharam que combinou? E essa Nora, ein?!?!?! To gostando!!! Patch, não curti u.u E Cameron meu amor, me leve pro seu quarto também!!!!!