Instrumento Tempestuoso.

19 1ª pt: Suspiros afogados.


Notas iniciais
Uhul, amei o nome. A escolha da música se deu pelo início dela. Pq, no início, dá para escutar umas risadinhas, mas como se elas estivessem emergidas, falou? Beijões e boa leitura!

Madam, my dear, my Darling Tell me what are all this sighing's about. (Only if for a Night – Florence + The Machine).

Não era fácil para Patch ver Nora tão machucada internamente o quanto estava naquele momento. Ele se sentia mais tendente à dor também. Principalmente a dor em seu coração. Todos ao seu redor estavam dormindo, perdidos em seus próprios sonhos. Patch se ofereceu como o primeiro para vigiar. Ele não sentiria medo se algum Renegado surgisse e nem acordaria ninguém para propor ajuda, ele se viraria sozinho. Tinha experiência de milênios de anos para matar um Renegado com a força de seu pensamento. Era prazeroso vê-los tirando sua própria vida. Era tirar a vida de alguém que não merecia viver, sem se sujar com sangue. E nada era pior que o cheiro metálico de sangue.

Patch abanou a cabeça, afastando a proporção que os pensamentos o tinham levado. Esfregou as mãos umas as outras, e fitou Nora dormindo sobre um cobertor macio diante de si. Durante o sono, algumas borboletas encantadas pousaram em seu corpo, lhe proporcionando a falta de sonhos e de enxergar qualquer outra coisa que lhe perturbasse. Patch, pela primeira vez em toda sua vida, agradeceu àquele minúsculo ser. Seu lábio estava repuxado para um lado, fitando o passivo rosto de Nora ao dormir.

Seus olhos estavam semicerrados, os cabelos emaranhados ao redor dos seus ombros e cabeça, alguns deles caiam por seu rosto, entrando em um belo contraste com sua pele tão clara, quase translúcida. Seus seios, mais cheios por conta do corpete vermelho-escarlate, subiam pausadamente com a respiração controlada que seu sono calmo proporcionava, em um impulso, Patch saiu da pedra em que estava sentado, e sentou-se sobre a terra úmida pela neblina. Ele nunca havia sentido tanta necessidade de tocar em alguém, como sentiu naquele momento. Ele sabia que aquele toque lhe proporcionaria choques de alerta pelo dedo, mas também sabia que já tinha enfrentado dores piores, por motivos menores. Então, sem hesitação, percorreu o indicador pela mecha que cobria parte de seu rosto, e afastou-a para trás da orelha, tendo uma bela visão dos lábios entreabertos de Nora, as narinas se dilatando pelo ar que embalava seu sono, enquanto os braços estavam emaranhados ao seu redor.

Repentinamente, os olhos cinza tempestuosos de Nora o fitaram e ele engoliu em seco, não querendo que ninguém o visse naquelas condições. Sem fronteiras, barreiras ou sem sua arrogância habitual. Quando estava com Nora, ele perdia isso tudo, e estranhamente, adorava a sensação...

- Olá, dorminhoca. Ainda estamos no meio da madrugada. – A voz rouca de Patch, anunciou em um sussurro. Ele ouviu Nora suspirar.

- Não consigo dormir. Fico tendo sonhos esquisitos e de repente eles param. – Ela anunciou, se erguendo nos pulsos e se sentando de forma desajeitada, cruzando as pernas e enlaçando algumas das faixas em torno das mesmas.

Patch se lembrava dos critérios que utilizara para escolher o vestido que ela usava no momento, e o escolheu por dar maior conforto em correr e mover as pernas. E que pernas, pensou Patch.

- Você está olhando para as minhas pernas. – Patch retornou os olhos para os de Nora, encontrando seu rosto quente pelo sangue que lhe subira a face.

- É claro. São belas demais para não serem notadas. – Patch respondeu, com uma piscadela. Principalmente porque sabia que aquilo lhe derretia por dentro, e lhe deixava vermelha por fora, de alguma maneira, Patch encontrava um prazer infindável naquilo que Nora sentia.

Nenhuma garota o fizera se sentir assim antes. Muito menos Dabria.

Repentinamente, a língua de Patch coçou para que perguntasse algo, e ele não mediu esforços: — Porque escondeu sobre o Medalhão?

Ele queria saber e também merecia. Faziam parte daquela estória de Maldição, e mesmo que soubesse que o fim não seria bom, ele precisava entender os meios.

E então, logo depois que Nora ruborizou descaradamente o som de passos apressados surgiu. Muito ao longe, a tempo de acordar os outros. Todos os Escolhidos, treinados a isso, se levantaram de súbito olhando ao redor e coçando os olhos. Cameron encarou Patch de longe.

Shaunee, instantaneamente aos sons, transformou-se em forma de vagalume, por ser uma espécie mais comum à noite. Daniel abriu suas asas de maneira suave e em poucos passos, ele estava voando, sumindo no céu noturno. Cameron já estava ao seu lado ajudando Nora a se levantar. Os passos estavam mais próximos... o dono dos passos sabia que havia algo ali.

Patch já estava de pé, o sangue de batalha correndo em suas veias. Cameron o fitou, agarrando Nora pelos braços, enquanto a mesma olhava confusa ao redor, provavelmente não escutando os passos ao longe.

- Eu vou com ela. Você precisa ficar aqui, era o único acordado. – Cameron garantiu, e Patch não podia discordar, apenas acenando com a cabeça e dando uma última olhada em Nora.

Rápida e graciosamente, Cameron empurrou Nora para cima de uma árvore com folhagens grandes, depois subiu atrás dela e ambos se esconderam dentre as folhas. Patch voltou o olhar para a floresta e cinco segundos depois, Rixon, o Comandante dos Renegados, surgiu. Fazia tempo que não o via. E para Patch, ele estava diferente. Parecia estar mais forte, propenso a um destemor que Patch nunca vira em suas feições. Mas ainda assim, sabia lidar melhor com ele do que o contrário. Sabia seus segredos e conhecia suas fraquezas.

- Ora. Patch. – Rixon disse, as mãos fundas nos bolsos e nada da aparência de um Renegado em seu semblante.

- Rixon. – Patch cumprimentou apenas, chutando uma minúscula pedra de seu caminho.

- Dentre o meu caminho, mais uma vez. Sabe que aqui dá para a trilha que leva até o Castelo Abandonado, não sabe? – Rixon indagou.

Patch levantou o rosto, fingindo pouco se importar com as informações que Rixon dera de bandeja. Patch deu de ombros, encarando o moreno âmbar a sua frente. – Vou anotar suas informações, pro caso de eu precisar.

Rixon riu.

- Eu o conheço. Sei que está tramando algo. – Rixon vociferou em um baixo nível de voz.

Ele não podia falar qualquer coisa da conversa de ambos em voz alta. Não podia revelar, não podia...

Então, os olhos de Rixon transbordaram para cima da cabeça de Patch, e o mesmo sabia que já era tarde demais, apressou seus calcanhares e empurrou o homem pelos ombros. Atrás de si, com um salto, Cameron pousou sobre o peito de Rixon, puxando-o pelo colarinho da camiseta, pisando firmemente sobre o abdômen do rapaz.

Patch chegou por trás, encontrando o olhar satisfeito de Rixon.

- Que merda você fez com ela? – Cameron gritou contra o rosto do homem caído.

Patch se virou e Nora estava com os olhos inteiramente brancos, com veias marcadas no pescoço; e cabelos voando, assim como seu corpo fazia.

*

Eu não sabia o que estava acontecendo. Era uma dor lancinante. Meu corpo flutuava, enxergando o sorriso contido de um homem de cor âmbar. Enxergando o olhar desesperado de Patch e a raiva nos ombros de Cameron. Eu não sabia como parar ou controlar, só sabia que algo bania a dor completa.

Algo, mas algo que eu não encontrava em mim. Em uma descida lenta, meus pés tocaram o chão e pousei com os joelhos flexionados, impedindo o choque. Eu realmente me sentia capaz, me sentia capaz de mata-lo se quisesse. Era como se eu não precisasse de treinamento. As tatuagens dos braços estavam rodopiadas pelo brilho incessante. E então, Rixon empurrou Cameron pelos ombros, que com seu descuido fez com que Rixon ficasse de pé e corresse em minha direção, em um movimento calculado Patch estendeu o braço com o punho cerrado, atingindo-o contra a face de Rixon, derrubando-o contra o chão, enquanto Cameron, sem cessar, chutava a cabeça do rapaz.

- Corra! – Cameron ordenou e sem mais nem menos ou olhar para trás, eu corri.

Corri sem pensar no que poderia me seguir. Minha respiração descompassada, acompanhando as batidas descontroladas do meu coração. De alguma forma, eu sentia que o tal de Rixon não estava sozinho. Eu sentia uma presença espessa de mais alguém. E não teria como me esconder com tanta facilidade. O suor escorria por minhas costas e umedecia minha testa. Meus lábios estavam entreabertos, procurando mais ar do que estava conseguindo. Meus joelhos poderiam ceder a qualquer momento, e o cheiro da mata entrava por minhas narinas. O som dos grilos cantando era o único murmúrio apaziguado.

- Ali, ela está ali. – Ouvi alguma voz máscula dizer.

Merda, merda, merda. Eu nunca era de xingar, nem verbal ou mentalmente. Mas estava desesperada, com as veias doendo em antecipação ao que poderia ocorrer. Parei abruptamente diante de um rio que se abria para diferentes proporções da mata. Agora, no momento desesperador, eu ouvi os passos próximos. Ouvi os movimentos bruscos que eles traziam e senti as áureas más que carregavam. Sem raciocinar eu pulei na água, mergulhando e banhando todo meu corpo.

Qualquer lugar era melhor que aquele onde eu estava cinco segundos atrás.

Eu afundei na água, olhando para cima, em busca de qualquer movimentação estranha. Rostos ficaram nas bordas, flutuando acima de mim. Eles ficaram por um tempo, me vendo, mas provavelmente esperando que eu subisse em busca de ar.

O tempo estava passando. Eu soltava bolhas pelo nariz, mas aquilo só apertava mais meu peito e arranhava minha garganta. O fundo da mesma queimava e meu cérebro protestava por ar. Eu não aguentei mais e abri os lábios pra inspirar...

E fui recompensada por uma lufada de ar. Que entrou em meus pulmões e me relaxou. Foi quando olhei ao redor. Foi quando escutei. Risos baixos, opacos e trêmulos. E foi quando vi os fios de diferentes cores flutuando ao redor de rostos. Caudas coloridas, conchas segurando seios. Sereias.

Elas estavam sorrindo, os olhos inteiramente de uma cor que representava todo o corpo. Combinando com cabelos e caudas. Elas se aproximaram suavemente e me rodopiaram. Uma delas cochichou ao ouvido de outra, e todas olharam para baixo, para as minhas pernas. Estranhamente, eu conseguia respirar. Puxando o ar entre os lábios, ou eu não precisava respirar. Meu peito não doía em chamas por falta de ar, minha cabeça não doía. E não havia ar sob a água. Eu só... não precisava respirar. As sombras dos homens acima de nossas cabeças sumiram.

E um rosto conhecido surgiu dentre as sereias. – Chegada turbulenta, não? – Ariane indagou, seus cabelos negros rodeando seu pálido rosto. Corações minúsculos salpicavam sua pele e uma cauda longa dividia-se na cor dourado e negro. Uma Sereia... – Vamos. – Ela chamou.

Nadou ao meu redor e subiu na água, depois, sua cauda foi substituída por pernas esbeltas e torneadas e eu a segui, realmente confiando nela.

Após sairmos das águas, as sereias voltaram para os fundos daquela água.

- São poucas as que ficam aqui. – Ariane explicou, torcendo o cabelo como um pedaço de pano. – Mas os Renegados não podem invadir a área de nenhum de nós do Submundo, ao menos sem ser convidado. Estranho você ter conseguido. – Ela comentou. Um short vestia seu corpo na parte de baixo e um top dourado segurava seus seios. Ela já estava inteiramente seca e eu tremendo de frio e inteiramente úmida.

- Toma. – Me virei ao som da voz de Cameron, que me estendia uma tolha. Peguei-a e comecei a me enxugar automaticamente. – Eles fugiram. Boa ideia se jogar na água e quase morrer afogada. – Cameron alertou, dando um peteleco no meu braço.

- Ela respirou sob a água. Só faltou a cauda de sereia. – Ariane disse, me olhando com as sobrancelhas erguidas. – Isso foi divertido!

- Vamos. Estamos perdendo tempo. – Patch anunciou, pegando a toalha de meus dedos e enrolando-a em meus ombros.

Shaunee e Daniel surgiram depois e recomeçamos a caminhada com uma companhia falante à mais: Ariane.

Notas finais
Me contem o que acharam! Ela está perto dos Renegados, ein?!?!?!? Té mais! ♥