Instrumento Tempestuoso.

7 1ª pt: Intensidade.


Notas iniciais
Uau. Que nome legal pra esta parte *-* Ai gente, espero que vocês gostem, não coloquei inteiro pelo fato de não ter acabado de escrever, ok? Estou revisando com essas músicas:
Turning Page - Sleeping At Last
Cry for The Moon - Epica
Boa leitura!

Sem abrir os olhos, notei que o ar ao meu redor era quente, mas não pesado e nem com paz imaculada como o Castelo Divino. Abri os olhos e foi então que toda a dor corporal me abateu. Olhos ardendo e embaçados. Cabeça pesada. Punho doendo pelo aperto do medalhão que foi se afrouxando aos poucos. Coração batendo lentamente, respiração entrecortada e boca extremamente seca. E sentia que se eu levantasse, iria diretamente para o chão, desmaiando novamente. Alguns pontos do meu rosto ardiam, assim como os feixes em cortes que aquela criatura deixara em minha mão.

O teto era negro e os lençóis abaixo de mim eram de microfibra. O quarto era espaçoso, com uma decoração máscula e negra. Estantes com livros, escrivaninha e uma porta dando para um closet. Tudo nos mínimos detalhes e bem cuidados e colocados pelo cômodo. A cama era tão confortável, que seria uma beleza passar a noite inteira lá, simplesmente deitada. O ar ao meu redor era gostoso e reconfortante, como se me estimulasse a continuar lá dentro, olhando ao redor.

Abri os lábios, tentando umedecê-los. Uma movimentação se fez ouvir em um canto do cômodo, virei meus olhos, procurando algo de soslaio.

— Como está se sentindo? – Patch indagou, chegando mais perto e averiguando meu rosto.

Seria loucura dizer que seus olhos me transmitiram paz? Mesmo no tom errado?

— Dolorida. – Disse por fim, prensando um pouco os olhos, tentando aliviar aquela súbita dor de cabeça que surgiu.

— Menos mal. – Sua voz estava baixa, e o resto do cômodo em puro silêncio.

Arqueei as sobrancelhas, sem entender absolutamente nada do que estava ocorrendo comigo. Ao menos eu me lembrava de Patch ter me deixado em casa, de eu ter subido as escadas e levado uma pancada muito forte na nuca. Depois, as imagens se misturavam, mas eu me lembrava daquele odor nojento e daquele rosto paralisado da criatura, e depois só me lembro de ter visto Patch e desmaiado.

Uma movimentação se fez perceber na entrada do quarto, uma porta em um canto próximo as portas do closet. Kalona entrou. Os cabelos negros controlados e novamente sem camisa. Engoli em seco. Minha garganta precisa de água... urgentemente.

— Olá, Nora. – Sua voz acariciou as palavras. – É um prazer revê-la. – Ele direcionou os olhos em direção a Patch, em pé ao meu lado. – Patch, busque um copo de água para a garota. – Ele pediu, chacoalhando a cabeça de maneira imperceptível.

Patch saiu pela porta do quarto. Ficamos sozinhos. E um desespero muito esquisito tomou conta de mim. Seria pela presença de Kalona? Ou pela falta da presença de Patch?

Os dois!

— Precisamos acertar muitas pontas soltas, agora. – Ele disse, se aproximando ainda mais da cama.

Ele parecia apressado, como se precisasse estar apenas comigo, para fazer o que queria.

— Você foi envenenada. – Ele informou. – E o demônio morreu por conta do seu sangue. O que era para ser ao contrário.

Demônio? Meu coração se arrebatou em milhões de cacos. Eu estive frente-a-frente com um ser maligno deste porte? Talvez pela minha expressão facial, ele se aproximou ainda mais e passou as pontas gélidas queimantes de seus dedos pela minha face, até deixar os fios da minha franja atrás da minha orelha.

— Era um semi demônio e isso faz parte da profecia, que encabeça a maldição. Precisamos confirmar. Você não pode mais voltar para sua casa. Lá não é um local seguro. Precisa ficar aqui. Seu sangue matou um semi demônio, enviado com um dos piores venenos para lhe matar, ou lhe resgatar.

— Mas. Espera. Você está indo rápido demais. – Pedi, pousando a palma da mão na testa.

Patch irrompeu pelo quarto, com um copo d’água em mãos.

— Tome. – Ele disse, colocando o copo diante de mim e uma mão sob minha nuca.

Ergueu minha cabeça e despejou a água aos poucos, até que toda a água acabasse, levando minha sede embora. Aquela sensação de afeto me reconfortou e me encheu de um calor de lar. Sorri internamente. Não querendo demonstrar aquela avalanche estranha de um sentimento que nem eu mesma entendia.

Você o conhece, provavelmente, a menos de um dia!

— Contou pra ela, não foi? – Patch indagou, depositando o copo em uma mesa de cabeceira.

— Contei, sim. Não somos injustos, você sabe disto, Patch. – Kalona respondeu.

Ambos se olhavam nos olhos.

— Precisamos de prova antes de tudo isso. Você sabe. Coisas estranhas aconteceram antes de fatos para a Profecia, Kalona. – Patch respondeu, certo com suas palavras. – Você se lembra do que ocorreu? – Patch se virou em minha direção.

— É claro. Ontem, quando você me deixou em casa, eu...

— Ontem? – Patch indagou, uma sobrancelha arqueada e outra abaixada. Que inveja, eu sempre tentei fazer aquilo.

— Isso. Quando voltamos daquele...

— Anjo. Isso foi há exata uma semana atrás. Você ficou desacordada por aproximadamente sete dias.

Como? Não. Não podia ser. Aquilo era muito tempo. Praticamente um coma.

— Estou de prova. Patch não saiu deste quarto durante este período. – Kalona confirmou com um aceno de cabeça.

Patch pareceu um pouco incomodado com a informação. Passando o peso do corpo de uma perna para a outra.

— Tudo bem. Tudo bem. – Aquilo era mentira minha, não estava nada bem. Eu estava desesperada. Como sete dias? E como meu sangue derrotou o tal do veneno se fiquei desacordada por tanto tempo? E Vee? E Scott, ou Harrison?

— E a Vee? – Indaguei, agora me sentando.

— Sem notícias ainda. Mas, agora temos certeza de que ela está com os Renegados. Mas a Ala deles é muito obscura para se entrar para um resgate. Estamos nos organizando junto aos Divinos. – Kalona informou.

— Temos muito trabalho pela frente. – Patch informou.

Eu já estava cansada só de pensar.

— Mas, vamos aos poucos. – Ele disse. Um sorriso de canto surgindo em seu rosto.

— Vou deixa-los a sós. Depois leve-a até meus aposentos para conversamos todos. – Kalona pediu, andando em direção à porta e fechando-a atrás de si.

A atmosfera ficou bem mais leve com sua saída e somente com o cheiro maravilhoso de menta emanando de Patch.

— É melhor ir se lavar. O seu cheiro ruim está se alastrando pelo quarto.

Bufei, indignada com sua fala. Ruborizei, pelo fato de realmente me sentir suja. Uma semana sem me mover.

Patch estendeu sua mão diante de mim, e olhei em direção a ela. Dedos delicados e calejados. Me apoiei no calor de sua pele e desci. Minhas pernas bambearam e depositei mais do meu peso em sua mão. Senti minhas roupas largas e minha cabeça pesada. Minhas pernas oscilando, ameaçando me derrubar a qualquer momento.

Patch desistiu de me segurar apenas pela mão e abraçou minha cintura com os músculos do seu braço. Suspirei. Aquela proximidade pareceu me empurrar mais em direção ao precipício.

Depois, notando que minhas pernas estavam tremendamente fracas, ele passou o outro braço por baixo dos meus joelhos e me ergueu em seu colo. Fiquei sem onde colocar as mãos e me lembrei vagamente de cenas de filmes, enrolando ambos meus braços em seu pescoço.

— Tem uma banheira lá. – Ele informou.

Sua respiração não estava nem um pouco resfolegada por estar me carregando. Nem seu rosto.

— Você anda passando fome, Anjo? Posso sentir seus ossos me espetando. – Ele fez uma careta, movendo os lábios.

Soltei um riso fraco e Patch também.

— Vou chamar Shaunee para te ajudar, tudo bem? – Ele indagou, empurrando a porta que dava para um banheiro espaçoso com o pé.

Havia uma banheira – como avisado – em um canto. Um espelho alto e um boxe ao lado da banheira. Uma pia revestida em bege ficava diante da porta. Ele me colocou de pé e apoiei minhas mãos na parede.

— Pode ir agora. – Disse um pouco abalada.

— Não quer que eu fique? – Ele indagou, movendo as sobrancelhas.

— É claro que não. – Me indignei, aspirando o ar com força.

— Tudo bem. Desta vez não vou ficar. Vou ir chamar a Shaunee. – Ele disse com um sorriso provocador nos lábios e saindo pela porta.

Notas finais
Desculpem pelo capítulo ser tão curto.
E aí? O que acharam dessa atitude de Kalona? E no que acham que toda essa situação levará? hm