Instrumento Tempestuoso.
1 1ª pt: Prólogo.
Notas iniciais
Bom, pessoal. Eu dividi, porque a próxima parte vai ser muito explicativa, o que vai acabar ficando bem cansativo.O que acharam da capa? E sejam bem vindos novamente, ok!?
Manhattan, há um bom tempo.
Blythe A cadeira de balanço ia para frente e para trás, conforme as pernas de Blythe permitiam. Sua pequena menina estava embalada em uma coberta de caxemira rosa. Ela passava seus dedos calejados pelas feições delicadas da garota. Uma lágrima escorreu por seu olho direito e pingou, marcando a pele da menina, no centro de sua testa, que como por mágica, abriu seus olhos azuis e fitou a mãe. Desde pequena, a mulher tinha de admitir, ela já emitia um poder grandioso até aos olhos dos humanos. Seus grandes olhos azuis olhavam tudo ao redor com certa mágica. Seus dedos pequeninos, mesmo agarrando brinquedos, eram fortes e precisos. Seus fios louros pareciam filetes de fios de ouro, adornados caprichosamente percorrendo seu couro cabeludo. O telefone, em uma mesa pequena próxima, soou, acordando-a de seu breve devaneio. Blythe atendeu no meio do terceiro toque, com certa cautela ao se movimentar com o bebê em seus braços. Formou-se silêncio do outro lado da linha. Ela esperou ouvir a voz melosa de um antigo amigo, mas uma respiração abafada é que foi escutada. — Precisamos nos encontrar com urgência. – O ar faltou aos pulmões de Blythe, deixando-a momentaneamente sem chão e ar, somente a quentura do bebê em seus braços era evidente. – Em quanto tempo chegará aqui? A voz atravessou os poros da pele de Blythe como um sussurro vindo dos mortos. Passara muito tempo desde que ela ouvira aquela voz pela última vez. Aqueles tempos poderiam ser chamados de ótimos e românticos, e que ainda faziam seu coração fazer uma descida prazerosa, em busca da quentura do amor. Lembra-se do mesmo rejeitando o primeiro bebê que tivera dele, dizendo que não permitiria um Sombrio em seus dias, percorrendo pelos corredores de sua casa, e foi exatamente isto que aconteceu. Sem nenhuma hesitação, ele fez com que seu primeiro filho, ainda pequeno, fosse para o Castelo Sombrio. — Alguns minutos. – Sua voz saiu vacilante, o telefone ficou em um tu, tu, tu constante do outro lado da linha e ela discou um número que já sabia de cor. Harrison atendeu ao primeiro toque, provavelmente por reconhecer o número de sua grande, na verdade melhor, amiga. — O que houve? – Ele perguntou alarmado e Blythe quase sucumbiu à tristeza que sentiu e ao choro que rasgou preso em sua garganta. — Preciso que fique com ela, por favor... — Não precisa pedir, por favor, Blythe. Estou indo já para aí. – E o telefone fez o mesmo tu, tu, tu. Era aquela confiança inabalável que mantinha Blythe de pé. Sem saber o que esperar, ela se levantou rapidamente e deixou seu bebê em um amontoado arrumado de almofadas. Limpou o suor que escorreu de sua testa e as lágrimas salgadas que se gotejaram em sua boca. Os segredos do passado entraram em contraste com a paz do último ano. Dizendo-lhe que aquilo nunca seria possível dali em diante. Ela sempre ficava ansiosa a cada vez que o telefone tocava e tinha de admitir que sempre se decepcionava ao ouvir a voz de Harrison do outro lado da linha. Mas, naquele momento, os ossos de seu corpo estavam tensos. Ela percorreu a pequena sala rústica com os olhos e os pousou na pequena criatura que protegeria até a morte e lutaria por aquilo mesmo depois de morta. Olhou para seus cabelos lisos e louros como ouro polido. Olhou seus pequenos lábios entreabertos para melhor respiração. As pequenas narinas dilatando-se de vez em quando e um suspiro escapou dos lábios da pequena, mostrando um sono profundo. Blythe foi até a cozinha e encheu um copo com água com a intenção de bebê-lo. Mas um gosto amargo percorria os cantos de sua boca fazendo-a jogar todo o líquido na pia limpa. Estava escuro lá fora e a chuva batia contra o vidro com força, formando uma camada fina de água. Aquele afronte fez com que ela se lembrasse de Branco e Preto. Divinos e Sombrios. Fez com que se lembrasse de seu próprio passado e das coisas erradas – aos olhos dos outros – que fizera por um pequeno sentimento. Arriscara e destruiu um destino fabuloso por ele; e ele destruiu o resto de sua vida. Não havia restado mais amor, mas sim compaixão por seus planos horrendos e arrepiantes. Blythe não entendia seu ponto de vista e nunca entenderia. A campainha soou e Blyhte correu depressa para ver Harrison com uma capa preta. Eles nada disseram, apenas se abraçaram e como que por costume, Harrison divagou com suas mãos os cabelos escuros de Blyhte. Tudo soara como uma despedida dolorosa. Ele beijou as dobras de seus dedos e Blythe pensou ter sentido um calor errado percorrendo suas entranhas.Blythe estacionou o carro simples ao meio-fio do ponto de encontro. Vendo o vapor de sua própria respiração, orou pela filha, sentindo-se escutada por Deus, por um Deus maior que as maldades que percorriam a Terra. Estava tudo planejado, desde antes do nascimento de sua pequena garota. Havia se passado três anos desde que colocara os pés naquele terreno límpido e bem cuidado. Ainda hesitante, Blythe, desceu do carro e caminhou por baixo de chuva até ficar empoleirada no tronco de um carvalho, apenas esperando. Blythe começou a olhar desconfiada ao redor, sentindo uma massa densa percorrer o ar e alterar a neblina. O ar espesso pregou em sua garganta, dificultando a respiração. O gelo do tronco atrás de suas costas transmitia correntes gélidas pelos seus pelos corporais.
— Você foi seguida? – Blythe se assustou com a voz, ali tão perto de seu ouvido. Prensou os olhos e respirou fundo. — Não. — Me entregue a garota Blythe, caso contrário o pior acontecerá. Ela se virou e seus corpos estavam divididos pelo carvalho, as feições continuavam as mesmas. — Não vou entrega-la. — Comigo ela estará em segurança. – Disse com cautela. — Não. Minha filha está segura comigo, não deixarei que nada aconteça com ela, o mesmo que ocorreu com nosso... — Não me fale no nome daquele bastardo! – Blythe pensou ter sentido saliva em seu rosto, mas era apenas suor, emitido por todos os poros. — Se algo lhe acontecer ela ficará exposta. Você não entende, não é? Não a trataria como filha, ela apenas estaria segura. Quando crescer, o cheiro de seu sangue vai se espalhar pelos arredores de Manhattan e todos os Imortais surgirão. — Não permitiremos. – A mulher disse com os lábios prensados, incapaz de ouvir a verdade, mas sem querer derrubar lágrimas. — Você ainda está com aquele semi-humano. – O homem disse entredentes. Blythe não respondeu, mas foi exatamente o silêncio que lhe entregou. — Ele pode ajudar em algo. O cheiro dele estanca o dela e a manterá escondida. Mas, se ela escolher o lado errado, estará perdida. Blythe balançou a cabeça de um lado para o outro, incapaz de aceitar tudo que lhe fora dito. O Clã Alto não permitiria que algo de tamanha maldade ocorresse, não era mesmo? Ou Blythe estava pensando aquilo, apenas para se acalmar? E conseguir ritmar as batidas de seu coração? Nem a própria sabia. — Porque me procurou? – Indagou com a voz embargada. — Para pega-la de volta. Você saiu e algo ficou exposto, Blythe... Blythe viu um sorriso perverso surgir no rosto do homem que amara outrora. Blythe não entendeu de início, mas logo depois conciliou as coisas e se desencostou com pressa do carvalho que os dividia. Blythe correu dentre o descampado com borboletas sinuosas e brilhantes afagando a pele de seu rosto. Blythe corria com a respiração descompassada e o coração em desespero. Ela se perguntava como não conseguiu pensar que tudo fora uma armação, como pôde ser tão tola? Iriam pegar sua menininha agora e leva-la para longe de seus braços. Sem ver nada, Blythe tropeçou sobre os próprios pés e se virou sobre as costas. Quando olhou para cima, notou que havia alguém vestido completamente de negro. A chuva caia pesada, atravessando o céu e molhando tudo ao seu alcance. Ela não conseguiu ver o rosto do rapaz, mas viu fios louros, dourados, como os de sua filha, saindo pela aba do capuz de moletom desbotado de negro. Mesmo deitada, Blythe fez força nas pernas, o carro não estava muito longe, logo ali, estacionado ao meio-fio. Só precisava de alguns passos, sair correndo, qualquer coisa e suas mãos estariam no volante pronta para voltar para a filha. As lágrimas jorraram de seus olhos quando o rapaz, lentamente, retirou uma arma do cos da calça. Apontou o cano da arma em direção ao rosto de Blythe e a mesma ficou confusa. Quem era ele? Nunca havia visto os traços firmes da boca em um sorriso travesso, aqueles fios louros, ou os olhos verdes. Nunca havia visto nada igual. Ainda em dúvida, Blythe viu algo se acendendo no fundo do cano e soube que sua hora havia chegado. O sorriso de sua pequena foi a última coisa a tomar forma em sua mente.
Notas finais
Ficou melhor que a outra? Menos pesada? Mais explicativa? Com mais suspense? Quero todas as opiniões e primeiras-impressões, ein?! Beijos e até o próximo.PS.: Nessa fic, provavelmente postarei apenas duas vezes por semana, para a 'Apenas Meu' acabar mais rápido e eu me dedicar inteiramente a esta.
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