Notas iniciais
Olá, gente! Vou tentar me regular em postagem uma vez por semana. Talvez toda quarta, ou quinta, ok? Estamos combinados?
PS.: Aconselham que leiam escutando com uma música de Florence ou Epica, bandas ótimas, ok?
Boa leitura!

Patch [n!]

Patch, de alguma forma que não podia explicar, sentia que algo estava para mudar. Ali, empoleirado em uma cadeira adornada por ouro, enquanto apenas olhava fixamente para o portão encantado, ele sabia que algo grandioso estava para acontecer.

Talvez tivesse sido aquele arrepio que lhe ocorreu, mas estava chovendo e ele poderia estar sentindo frio, não é mesmo? Patch sentiu-se levemente embargado, como se estivesse em alto mar, deixando-se levar pelas grandes ondas, quando começou a revisar tudo em sua mente.

Lembrou-se de quando os pesadelos dos humanos se tornaram realidade com a chegada dos Sombrios e Divinos há alguns anos. Impondo-se dentre a humanidade para ajuda-los contra o mau que eles conhecem, mal sabendo eles – os humanos – que os Sombrios e Divinos lutavam por um mau que os próprios não conheciam, por não terem o poder da divagação dentre este mundo e a fina camada do mundo sobrenatural, envolvendo-se no Mundo dos Imortais.

Com histórias de arrepiar qualquer humano consciente, os Sombrios e Divinos se instalaram, espalhando-se de todas as formas possíveis e trazendo seu grande Clã, o Alto. Para governar suas atitudes e mostrar-lhe aos humanos, e para protegê-los de algo que pensavam não existir.

Patch se lembrava do dia em que eles uniram os seres humanos de Manhattan, para dar-lhes a notícia. O Governo estava lá, ao lado deles concordando, com um sorriso no rosto, com tudo que decretavam e a polícia fazia a pequena barreira dentre eles e possíveis rebeldes que tentassem colocar suas ideias de alguma forma que ameaçasse. Um sorriso travesso surgiu nos lábios carnudos e bem-delineados de Patch quando ele se lembrou, dos pobres policiais suando frio ao olhar os seres que estavam ali para protegê-los. O sorriso de Patch diminuiu, quando ele se lembrou de crianças chorando, sentindo mais medo que segurança.

Patch fazia parte do lado Sombrio, imposto pelo Clã Alto. Os Sombrios e Divinos foram separados em dois Castelos. O Castelo Sombrio era negro e aparentava estar deteriorado por fora, apenas para afastar a curiosidade dos humanos, mas estes tinham consciência que não podiam passar dos portões Encantados. Aqueles portões só se abriam para Sombrios, autorizados ou as Almas Escolhidas e Transformadas por aquele lado.

O lado Branco impunha a mesma ordem, mas o Castelo deles, ao lado de fora e também de dentro, emitia um poder em que os humanos sentiam vontade de reverenciar. Luz própria vinha de dentro para fora e até durante a noite o Castelo Divino era iluminado por uma luz branca, translucida.

Inicialmente, Patch pensou que ao se separarem valeria a pena, mas notaram, tarde demais, o engano com a chegada de uma alma escolhida pelo Lado Divino. O nome da antiga Alma era Rixon, que se fez de bom samaritano inicialmente, mas que no final, usou da confiança do Lado Brando para tomar força própria e conhecimento abundante. Com isso ele criou seu próprio exército de Renegados que não foram aceitos pelo Lado Sombrio ou Divino, tanto em discordância de algo inaceitável, quanto durante o Ritual, entregando-se ao seu verdadeiro eu. Desde então, Rixon e seu exército vem tentando tomar posse de futuras Almas Escolhidas. Rixon jogava mentiras baixas na mente por um truque de seu poder, ou com palavras mentirosas. Mentindo sobre todos os lados serem maus. Ele dizia que ambos os Lados estavam mentindo sobre suas origens, contando calúnias apenas para tomar o Mundo no final e todo o sermão de maldade, ele dizia que seu exército de Almas Renegadas, que não aceitavam nenhum dos três destinos propostos, estavam se preparando para derrubar os Lados e trazerem a humanidade de volta.

Patch pensou consigo, rindo com o plano bobo de Rixon, rindo de sua cara e de como se fez de bom para seu lado, fingindo ser seu amigo. Um enorme exército de Renegados já estava formado, nisso Patch tinha de concordar. E todos os Imortais tinham receio deles ou do que os mesmos eram capazes. Sejam Sombrios ou Divinos. Lobisomens ou vampiros. Fadas ou elfos. Feiticeiros ou Bruxas. Anjos ou Caídos. E até as Sereias na mais pura tranquilidade das águas.

Os Lados recebiam muitas almas em massa que eram preparadas para adentrar os limites dos Castelos e fazer por merecer aquela imortalidade que lhe fora concebida. Patch se lembrava de todas as almas aceitas e de todos os rituais pelo qual passaram. Lembra-se do sangue jorrado na grama e nada de muito poderoso ocorrendo, mas apenas a mudança de um mundo para um submundo de Imortais. Patch também se lembrava, com certa tristeza, das Almas que foram devolvidas para suas famílias com um “sinto muito”, retornando com a parte secreta apagada de sua mente, aqueles que voltavam para sua origem, esqueciam-se de poderes secretos e das plantas com áreas protegidas dos Castelos. Os humanos sabiam que eles eram Imortais e com poderes sobrenaturais, mas aceitavam, de forma a acreditar que era para seu próprio bem.

Os olhos de Patch já estavam grudentos pelo sono que ousara invadir e pelo cansaço que se atribuiu em seus músculos, mas ele queria continuar a se lembrar de tudo. Como se sempre se lembrava.

Mesmo com tristeza, Patch se lembrou de que o Lado Sombrio não ganhava uma Alma há muito tempo, inicialmente Patch pensou que era por humanos terem medo daquele lado, causando um impacto distinto em suas Almas e levando-as ao lado Divino. Não que aquilo fosse decepcionante, e nem que fizessem parte de uma competição, pois eram ocupados em livrar os humanos dos lobisomens, e outros seres, que não se importavam para as ordens impostas em contrato pelo Clã Alto. Aquele que dita todas as regras que estes Imortais devem seguir sem sair da linha.

Os Sombrios e Divinos estavam aqui para se certificar da boa conduta de todos. Inclusive, para que não fizessem parte do exército formulado de Rixon, que procura pelos três itens de valor que transforma um humano em um da espécie daquele que comandar os três Instrumentos Colossais estrita e corretamente bem.

Patch era um dos Sombrios que mais lutava por todas aquelas regras impostas. Não deixava nenhum infrator livre, assim como não sentia pena por nenhum daqueles que matou com grande motivo. Bruto e certeiro em seus golpes, causando calos eternos em seus dedos, ele os matava sem piedade, apenas colhendo as informações necessárias para entender o que realmente estava acontecendo por trás das atitudes que infringiam as regras. Patch também matara muitos demônios que tentaram dominar corpos de humanos, ou que tentaram um juramento de sangue com algum Imortal ou mortal.

Um dos Instrumentos Colossais está no Lado Sombrio, protegido pelo Comandante, de todas as Almas que se dizem Sombrias, Kalona. Outro Instrumento era protegido pelo Comandante do Lado Divino, Hank. E o Instrumento mais importante estava protegido pela comandante de todos os Imortais e Nações, Laurel, no Clã Alto.

Os Comandantes cuidavam dos três Instrumentos em busca de paz dentre todas as subdivisões dos Mundos. Um forte Encanto os protegia. Mantendo-os em segredos e estratégias que só serão libertos com tamanha inteligência e aceitação de Alma, seja ela qual for. Os Clãs sofriam algumas tentativas de furto – falhas – de vez em quando.

Esta era uma das partes alarmantes, Patch tinha de admitir. Seu lado abrangia de tudo. Fadas, elfos, bruxas, caídos, nefilins, lobisomens, vampiros, feiticeiros e também as sereias. Cada um em uma ala distinta, separada e com contratos assinados, certificando que estão cumprindo as regras e não armando algo. Nem por este fato, estes são evitados nos lados em que nasceram, ou se transformaram.

Foi então que Patch assemelhou as coisas e os burburinhos que vinha escutando. Assemelhando frases e comentários diferentes. Os Imortais diziam de um novo importante Instrumento Colossal, que faria parte dos três já formados. Aquela seria uma Alma, mas diferente, jamais vista e também diziam que nunca mais existiria igual.

Patch ainda podia ouvir as vozes cantadas das Sereias, dizendo que esta Alma seria aceita em todos os locais. Clã Alto, Divino ou Sombrio. Moradia das fadas, dos elfos e mares das sereias. Mas, que com tudo isso ela deveria fazer a escolha certa e que se caso ela fizesse a errada, todos os Imortais e a humanidade estariam extintos para sempre. Então nosso futuro dependeria da Escolha de uma Alma única e importante, e conforme os burburinhos, Patch sabia que seria o escalado para cuidar daquela Alma e para guiar seus instintos para o caminho mais sábio e sinuoso. Kalona o convocaria, dizendo que ele era sedutor com as garotas humanas recém-escolhidas e que mesmo que ela fosse uma Branda, ele teria de tentar guia-la pelo caminho correto. Mas de alguma forma, Patch sentia, no fundo de seu peito, que não haveria necessidade para tal.

Uma imagem fugida surgiu diante dos olhos de Patch, olhos cinza sorridentes e cabelos negros voando, enquanto o corpo daquela Alma única corria em direção ao Castelo Sombrio, em busca de algo. De uma explicação, mal notando que o portão se abriria sozinho diante de seus olhos, entrando aos trancos e barrancos e encontrando o que não devia ter encontrado. Olhando abismada ao redor. Mesmo com felicidade em seus olhos, ele podia enxergar a dor profunda. E então ele sentiu o poder evidente que ela carregava. Foi com estes pensamentos que Patch dormiu sobre a cadeira desconfortável da varanda. Dormiu com um par de olhos cinza tempestuosos percorrendo seus pensamentos.

Notas finais
Me contem tudo! E obrigada por me acompanharem! O que acharam? Rixon como vilão meeeesmo! E Kalona e Patch do mesmo lado. E Hank do lado Brando, dá pra acreditar? Beijões, até semana que vem!