Notas iniciais
OLÁ! Vamos inciar os trabalhos, nesse capítulo quero continuar a falar das lendas que rondam esse local, SEM PERIGO A VISTA, por enquanto. Por isso, aproveitem.

A festa continuou tranquilamente, todos animados com a orquestra de músicas agitadas, mas tinha uma pequena parcela de pessoas que estavam mais reservadas em seus cantos, muitos cansado da estrada ou com o bucho tão cheio que só queriam dormir um pouco agora. E como a entrega de materiais tinha acabado já, muitos ficaram só pra conversar, no meio de tantas pessoas finas, os Alquimistas nativos se destacavam por ser os mais “exóticos” digamos assim, os demais, bruxos ou outras classes, eram da clássica sociedade cheia de impedimentos e cláusulas, avistar um rapaz sem camisa ou o uso de penas e mantos, era algo extremamente “selvagem”.

Um rapaz que estava ali, e não gostando muito da festa ou daquele olhares julgadores, era Poraquê, um índio meio baixo pra sua idade, mas conservava uma feição de carranca, ele estava sem camisa, já tinha se livrado no meio do caminho, era como se fosse algo que o sufocava, suas calças ainda davam uma certa liberdade, mas não gostava daquilo. Logo seus ombros desnudos foram cobertos por um manto escuro.

— Que? — Ele olha pra quem colocou. — Amorim, eu já disse que não gosto desses panos no meu corpo.

— É só uma manta. — Disse o rapaz de roupas escuras, um colete formal e uma camisa roxa, calças sociais e sapatos finos, era louro e de aparência inocente, olhos eram castanhos claros e tinha uma leve costeleta precoce no rosto, carregava na mão um rosário de contas brancas que lembravam pérolas. — Não gostou da camisa que te dei.

— Eu não sou branco igual a você, não preciso ser tratado como tal.

— Crendeuspai, Poraquê. — Amorim fica sentido. — Presentes não são pra ser jogados fora, e aqui no sul é mais frio que o comum. Não podes ficar com o torso nu, amostra ao sereno, vais ficar doente assim.

— Certo, sei reconhecer que foi algo ruim de minha parte jogar fora sua camisa, mas não preciso disso. — Ele tenta devolver a manta.

— Não, podes ficar, insisto. — O clérigo devolve delicadamente, e abre um sorriso tranquilo. — Isso não desmancha a imagem que tens de nós. Mas nem todos são ruins como pensas.

Amorim se afasta a passos devagar. Durante o caminho, ele e Poraquê tiveram discussões meio pesadas, a religião chegou no Brasil de forma muito disfuncional, tentando apagar o que os índios acreditavam, isso criou vários conflitos de origem, muitos pajés e bispos se enfrentaram em debates religiosos Brasil a fora. O jovem clérigo era muito sentimental no sentido de ser pacífico em suas ações e falas, a discussão só parou quando Poraquê notou que o jovem na sua frente na diligência estava chorando.

O alquimista olhou pro manto de tons azul marinho e pensou muito em aceitar ou não, só se levantou e foi andando para fora dali, queria sair daquele local. Só que quando chegou na porta que dava acesso a fora do local, foi cercado por sacis que começaram a pular nele lhe dando chutes e puxando seu cabelo meio curto. Até que Jaci Jaterê apareceu e acalmou os sacis.

— Nananinanão, rapazote. — Comentou o Jaci batendo o cajado de leve no joelho do alquimista. — Onde pensas que vai?

— Pra qualquer lugar, e não vai ser um filho de Tau que vai me impedir. — Disse Poraquê já se voltando pra porta.

— Ninguém lembra da minha mãe? Ela era uma princesa linda, gentil e doce. Não, só lembraram do meu pai, o demônio sedutor. — Jaci montou no ombro de Poraquê, como se fosse uma criança pequena no ombro de alguém mais alto. — Ah, lembrando, minha mãe foi amaldiçoada por Jaci, a Deusa da Lua, e ainda teve a decência de por o nome da madrinha no filho mais bonito dela, ou seja, eu.

— Quer sair de cima de mim, seu…

— Fala, só fala, pra você ver se não te apago aqui e agora. — Jaci ameaçou, brotando diante de Poraquê e o afastando da porta. — Estou aqui pra proteger esse local, e não vai ser um revoltadinho que vai me impedir de apagar alguém.

— Certo. — Ele respira fundo e tenta um golpe rasteiro pra pegar o cajado de Jaci, mas ele foi mais rápido.

— Atrevido! Tentou roubar meu cajado pra que eu ficasse a mercê do seus comando, inteligente, mas depois que a gente passa por isso umas 60 vezes, a gente aprende uns truques novos. — Ele lança uma piscadinha pro rapaz. — Escute, bravo guerreiro, volte pra sua mesa, tem tanto a aprender lá.

— Tem algum lugar que eu possa me sentir em casa? — Perguntou.

— Depois da festa, te indico um bom lugar. — O Duende foi embora com seus sacis.

Não gostando muito da resposta, ele só aceitou a resposta e voltou pra sua mesa. Camillo estava em sua mesa, quando avistou suas amigas voltando da pista de danças, se é que podia se intitular amigo delas, mas depois que se passa vinte e quatro horas em uma diligência, falando besteiras e contando causos, isso facilita e muito a amizade.

— Que coisa boa. — Kathe sorriu e se sentou na mesa, tinha uma jarra de suco de tutti frutti, o qual ela pegou um copo e virou. — Esse suco é muito bom sabiam? Um gosto de manga com morango e misturado junto de alguma fruta cítrica tipo laranja ou limão só que bem mais leve que o comum e deve ter melancia junto…

— Respira, antes que você atropele sua língua. — Comentou Poranga fazendo os dois na mesa soltar um riso aberto.

— Eu me empolgo às vezes. — Kathe criou um leve rubor. — Millo, você não quis ir dançar? Música animada são raras.

— Não sou acostumado com festas, fui em poucas na minha vida. — Disse o rapaz que tinha um tom tranquilo na voz. — Eu estava admirando as duas, são forças da natureza.

— Obrigada, não chega a ser tanto. — Disse Kathe olhando pro copo, desviando o olhar.

A Índia que estava na mesa mal se expressa a fala de Millo, seu olhar foi além da conversa, seus olhos eram tão atentos e sabiam reconhecer pessoas. Viu que um rapaz de torso nu e calças escuras estava ali perto, sua feição bruta a fez lembrar de um grupo que era aliados da sua tribo em São Paulo. Uns anos atrás, ela o viu levando um amigo ferido até a tribo mais próxima, o pajé curou aquele rapaz, Poranga lembrou da marca distinta de quem trouxe o rapaz ferido, um amuleto chamado Muiraquitã em formado de uma enguia elétrica que os Tupis chamavam de Poraquê.

— Gente, eu já volto. — Disse Poranga saindo da mesa com uma leve presa, chegando perto do rapaz que estava de costas.. — Poraquê!

Ele estava cabisbaixo, mas ao ouvir a voz que soava conhecida para o alquimista, lançou um olhar sob os ombros, se virando calmamente, e então avistou Poranga com suas roupas mais “sociáveis”, mas isso aos olhos dos brancos.

— Poranga, o que faz por aqui? — Questionou o rapaz com uma certa frieza.

— O mesmo que você, estudando para mudar o futuro de meu povo. — Ela encara o rapaz. — Ainda agindo como bicho do mato?

— Melhor que trair as tradições. — Ele encara ela. — Ainda aceita a minha revanche? Eu não estava bom naquela época.

— Você ainda acha que perdeu pra mim, foi empate. Nossas forças são iguais, e assim deveria continuar. Ninguém é melhor que ninguém.

— Certo, isso tenho que concordar, Icamiaba. — Ele provocou com um leve sorriso sem mostrar os dentes.

— Quem dera, ser uma das Amazonas misteriosas e fortes. — Poranga cruzou os braços. — Parece que vai voltar a ser o que sempre tenta ser valoroso diante de todos.

— Só preciso ser valoroso diante do meu pai e de meu avô.

— Não decidiu ainda? Se vai ser pajé ou cacique? Olha, pouquíssimos tem essa escolha. Bem, eu estou em outra mesa, falando com Monstros terríveis que você deve odiar, são dois brancos civilizados! — Era vez de Poranga soltar um sorriso meio debochado.

— Vai ver se eu to comendo açaí na mata, vai. Eu não gosto é dos brancos que querem nosso mal, acabar com nossas terras pra criar pasto de gado, desses eu não gosto. — Ele se sentou na mesa. — Pelo menos, você não perdeu seu jeito.

— Nem você. — A moça comentou antes de se afastar um pouco. — Quando der, vamos tomar a sua revanche.

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A tarde chegou, houve um passeio de apresentação do local, e depois a apresentação das cabanas, os clérigos tinham quartos reclusos na catedral, mas os demais iriam dormir naquelas belas e decoradas cabanas, meninas de um lado e garotos de outro. No centro das cabanas tinha a Fogueira de Angra, com mesas que faziam círculo a ela. Angra era a Deusa do Fogo Tupi, e por suas chamas é que indicavam possíveis perigos próximos, mas nos últimos 5 anos, ela se manteve com chamas claras, ou seja, sem nenhum sinal de perigo.

Durante a noite, quem tomava conta dos campos e do instituto eram as Comadres Fulozinhas, entidades que durante o dia eram lindas fadas que moravam nos campos abertos e nas copas dos ipês floridos, mas que ao cair da noite, tomavam uma forma fantasmagórica horrenda, cobertas por cabelos longos embaraçados até os pés, você só vê os braços mortificados delas. Se fores pego perambulando pela escola depois da meia-noite, elas te pegam, te imobilizam e te jogam pó de urtiga pelo corpo, só quem sentiu a coceira infernal, diz que é como se tivesse com vontade de arrancar a pele do corpo. Por isso, o aviso aos demais alunos, mas uma dica foi dado a todos.

— Se por um acaso, só em caso de muita urgência, precisar se locomover pelo instituto de madrugada, levem oferendas a elas. — Disse Jaci Jaterê durante uma reunião à noite.

— Algo em específico? — Perguntou um aluno.

— Doces, papa de aveia, fumo ou mel. — Disse Jaci com calma. — Isso funciona com os meus sacis também. Quando agradecidas, elas podem te deixar em paz, ou faz uma caça aparecer, e até desfaz alguma travessura que uma delas fez. Lembrem-se, esse é o terreno delas, então até na área do dormitório, se alguém for pego depois da meia-noite, o risco de receber uma surra de cabelos ou ficar com o corpo coberto de urtiga, é bem grande.

— Credo. — Kathe sentiu um arrepio correndo pelo corpo.

— Não fiques com medo, prenda. Com o doce do teu olhar, já faz essas criaturas ficarem no lugar delas. — A voz era um pouco mais grave e com sotaque da Capital da casa Rio Grande.

Kathe encarou o fulano, era um rapaz de cabelos escuros e lisos, um bigode ralo e precoce no rosto, olhar malicioso assim com um sorriso soberbo no rosto, um chapéu de aba larga preto com roupas escuras como seu sobretudo de lã e lenço vermelho no pescoço. Um caçador reconhece o outro.

— Agradeço com lisonjeiro a sua palavras, mas seria bom guardá-las pra você mesmo. — Respondeu Kathe, o que fez alguns responderem com buchichos e chiados.

— Não falei menos do que o óbvio. — Ao seu lado tinha uma coruja buraqueira de pupilas grandes e tamanho pequeno, o rapaz se levantou e foi na direção de Kathe com um leve olhar crítico. — Perdão se lhe ofendi, não foi a minha intenção. Me chamo Otávio e essa é Felícia, minha guardiã de Luz.

— Não ofendeu, foi só inconveniente. — Respondeu Kathe de modo gentil. — E essa coisinha é muito fofa, e aliás, me chamo Katherine, muito me chamam de Kathe.

A coruja vira a cabeça pra Otávio e ele solta um riso momentâneo, normalmente os guardiões de luz tinham uma conexão telepática com seu protegido, a coruja deve ter comentado algo.

— Felícia concorda contigo, fui inconveniente e agradece seu elogio a ela. É que meu pai sempre ensinou que se achamos uma moça bonita, não devemos perder a chance de lhe falar algo. — Agora o rapaz parecia menos hostil.

— Como funciona sua ligação com um guardião de Luz? — Perguntou Kathe com curiosidade.

— Infelizmente, é quando perdemos um ente querido e próximo de nós. Felícia era minha madrinha e tia, sempre cuidou de mim e foi alguém que me viu crescer, mas morreu em uma guerra civil que ocorreu no Condado dela. — Otávio fazia carinho no topo da cabeça da coruja. — Eles reencarnam como animais para nos proteger dos males de alguma forma.

— Nossa, é triste, mas ao mesmo tempo é fascinante.

— Verdade, bueno, você é caçadora de pesadelos assim como eu, amanhã vamos começar nossos treinos. Quero ver como se sai usando esse par de revólveres.

— Aposto que melhor que muito que já conheceu.

— Entonces veremos, até amanhã, senhorita Katherine.

Otávio faz uma leve reverência com a aba do chapéu e Felícia parece repetir o mesmo gesto, o que Kathe achou incrível. Alguns ali tinham a companhia de animais, boa parte com pelagens brancas, já que os guardiões de luz eram literalmente almas encarnadas, então tinham esse tom meio albino pra representar a luz de suas almas.

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Aula de Alquimia Nativa

Uma construção alta que tinha perto do prédio principal era a cabana dos alquimistas, um local feito de bambus e madeira, o teto era de palha ou folhas de palmeira secas. Lá dentro tinha alguma bancadas, parede repletas de folhas secas, potes repletos de ervas diferentes, garrafas e tubos de ensaio espalhados por mesas, cambucas e potes cheio de pós com cores diversas. No centro da sala tinha a pira de fogo com um caldeirão de ferro, perfeito para a criação de poções.

O professor era Moacir, um filho de índios Caingangue, famosos pelo conhecimento astronômico e previsões do futuro pela queima das grimpas de araucárias. Ele era alto, pele morena escura e olhos negros como jabuticabas maduras, cabelos curtos e de franja, carregava no peito um colar de penas de gralha azul, no rosto algumas pinturas em tons escuros. Tinha um poncho de lã com vários desenhos diversos, usava roupas comuns de pano surrado, mas bons.

— Anauê! Para todos. — Ele disse alto para todos ouvirem e responderem. — É bom ver caras novas e conhecidas aqui. Me chamo Moacir e estou aqui para orientar vocês na criação de novas fórmulas e conhecimento sobre a Alquimia Nativa.

A aula era a apresentação de algumas ervas e fórmulas, como a Poção de Cura, feita com camomila, cachaça como aditivo e punhados de ervas mistas, que tinha carqueja, erva doce e outras tantas que é algo fundamental para as lutas futuras ou para quem iria virar curandeiro e pajé.

— Alguém está com alguma mal? A poção só funciona para doenças que afligem a gente por momento, não algo que nascemos com isso, como cegueira, surdez e coisas que veio junto de nós no parto. — Explicou Moacir.

— Eu estou com espirros e meu nariz está coçando muito. — Disse uma moça de voz fanha e que fungava muito.

— Isso é bom, digo, não para nossa amiga de classe aqui. — Brincou Moacir. — Temos dois métodos para resolver isso, um é a Poção, e alguém sabe a outra?

— Queima de ervas. — A voz séria e imponente brotou de uma das bancadas, era Poraquê.

— Certíssimo, rapaz. A queima de ervas pode liberar caminhos do nariz, fazendo a pessoa cuspir todo o acúmulo de essência que trava o nariz dela. — Moacir foi andando até uns três ramos de folha. — Aprendam, a secagem de folhas é boa para esses métodos, pois pega fogo com muita facilidade, mas não é bom para fazer poções, só infusões de óleo e pós.

Ele bota as folhas secas dos ramos em uma cambuca e pega um graveto da pira de fogo e acende as ervas que pegam fogo rapidamente, as cinzas que sobraram expeliam uma fumaça fina, e a garota tragou o cheiro forte das ervas e começou a tossir, indo na direção da janela e cuspir algumas vezes, quando voltou, respirou fundo. Curada da Rinite. Poraquê prestava atenção em tudo, apesar de não estar confortável com estar enclausurado em uma sala, ir em bosque e buscar as suas ervas de conta própria, isso era sua essência.

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Aula de Bruxaria

Poranga e Camillo eram da mesma sala, e graças a essa breve conexão, era melhor do que ficar em uma sala com desconhecidos. A sala era a típica de uma escola dessa época, mesas conjuntas para até três alunos, em dois corredores. A sala tinha paredes escuras, tochas ou candelabros de velas nas paredes, janelas grandes e um grande quadro negro para anotações. Um grupo de gatos entra na sala, todos com pelagens e cores diferentes, um gato preto de olhos verdes e pupilas grandes veio até a mesa onde Poranga, Camillo e outra moça, Millo olhou pro animal e seus olhos brilharam ao vê-lo, um dos seus animais favoritos estava diante do seus olhos e ao alcance de seus cafunés.

Nisso a porta que foi aberta para os animais, vem uma mulher de corpo gorducho e curvas corpulentas, usando um vestido de tons roxo e brancos, um xale de tricô branco no seus ombros o cabelo arrumado em um coque cheio de cachos e seu distinto óculos de aro redondo. Professora Cassandra era uma mulher doce mas incrivelmente didática.

— Bom dia a todos. — Ela sorriu animada. — Vejo que meus amiguinhos vieram cumprimentar vocês. Já vou deixar claro o projeto inicial de nosso ano. Esses gatinhos vão ser foco de magia, eles serão como os Guardiões de Luz dos Caçadores, só que com um diferencial. Astolfo, venha cá.

Um gato angorá pulou de uma mesa dos alunos e foi até a frente de Cassandra e ela segurou seu pingente de um cristal polido em tons verdes claros e escuros. Ela mirou seu dedo na direção do gato e uma onda de filetes de luz verde envolveu o animal que começou a virar uma espécie de tigre dente de sabre muito peludo que rugia para todos os alunos, e em um estalo de dedos, voltou a ser um adorável angorá.

— Seus gatinhos precisam ser seus defensores ou serem manipulados de forma adestrada para obedecer comandos. Vamos evoluindo aos poucos, primeiro, quero que vocês tentem fazer seus gatinhos obedecerem ordens simples, como sentar, falar, rolar e coisas desse tipo.

— Podemos dar nomes ou eles já tem? — Perguntou Camillo.

— Bem, eu os chamo de qualquer nome e eles obedecem, então dêem um fixo a eles, para compreenderem melhor seus dizeres a eles. — Disse Cassandra. — Manipulação de Comandos, pode ser atribuído a uma forma de Hipnose.

Camillo prestava atenção na aula, mas seu olhar caiu sobre seu anel, e a pedra dele estava mudando de cor, ficando em um azul mais claro do que azul escuro, isso devia ao fato de que a pedra estava absorvendo um efeito diferente nele, um sentimento verdadeiro que poderia estar sendo confundido com outro, isso acontecia vez ou outra. Cassandra explicou um dos jeitos mais comuns de hipnotizar com magia para acalmar emoções ou aplicar sugestões ao seu alvo, essa magia não afetava outros bruxos.

— Use gatilhos de ativação, estalos de dedos, barulhos com a boca, palminha de dama, qualquer coisa que faça um som específico. O controle vem da sua voz, seja manso, calmo e manipulador, encare nos olhos do ser e faça com que ele se concentre na sua voz e na sua pedra brasiliana.

— Já sei, que tal chamá-lo de Félix? — Perguntou Camillo a Poranga.

— Nome esquisito, mas por mim, pode chamar até de Mandioca. — Respondeu Poranga de foram direta.

— Eu adorei. — Comentou Poliana de forma retraída, ela era uma moça de cabelos negros e encaracolados, sua pele era negra e olhos brilhantes, era bem nova e tinha uma varinha de teixo cravejado de pedras roxas.

— Obrigado, Poliana. Então ele se chamará Félix. — Comentou Millo sorridente e fazendo carinho no animal que ronronava aos toques carinhosos. — Professora Cassandra, eles vão ficar com a gente?

— Sim, vocês vão ter que cuidar deles, e em retribuição, eles cuidarão de vocês. Lembrem, eles são o projeto de magia de vocês, se eles morrerem por negligência, fugirem ou algo do tipo, vocês perderão pontos importantes pra evolução de Magia.

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Aula de Caçada

Os alunos Caçadores de Pesadelos pareciam soldados do exército, todos enfileirados com armas carregadas, aparência bem arrumada e em posição de estátua. O local parecia uma casa de armas, uma sala ampla sem cadeiras, só bancadas com mosquetes, revólveres e espingardas, aljavas repletas de espadas, mostruários com lanças e outras tantas armas, era uma oficina armamentista.

O professor deles era um homem conhecido por ser meio irritadiço, Hector era forte, pele bugre e olhos castanhos, barba cheia e cabelos levemente longos, vestia sempre uma capa preta, bombacha gaúcha, botas com esporas que fazem um tilintar infernal, nas costas carregava uma carabina Winchester, na verdade, uma imitação brasileira feita pela fábrica Rossi Talentin.

Ele passou por todos com um olhar crítico, fazendo algumas arrumações na posição dos alunos.

— Pés juntos. — Disse pra um. — Peito pra fora e barriga pra dentro. Queixo reto e cabeça ao horizonte. Saibam, o nosso trabalho perante a coroa real brasileira de todas as casas é simples, exterminar seres que são risco para todos nós. Demônios, criaturas belicosas, e em até casos indiretos, seres humanos que tem mal uso de poderes ou são riscos eminentes a sociedade.

— Senhor, isso não é trabalho pra guarda real ou dragões de capitania? — Perguntou um aluno.

— Excelente pergunta, é sim trabalho deles, mas em muitos casos, essa “pessoa” pode ser um vampiro, ou um ser com forma humana indistinguível aos olhos humanos destreinados. Bem, sem mais enrolação, vamos ao treino.

Ele foi em marcha do casebre de armas para o lado de fora, tendo sua tropa de alunos atrás deles. Chegaram em um grande campo aberto e amplo, vários alvos em lotes de feno, espantalhos feitos de madeira e sacos recheados com palha, fora os espantalhos de tora para lutas manuais.

— Certo, vamos testar suas capacidades de combate, já que são seus maiores potenciais. — Hector sacou seus revólveres, e puxou o cão das armas. — Foco, mira e concentração. O mundo pode estar caindo a sua volta, se você não tiver uma das palavras que disse, você se perde. Foco no alvo, Mire no alvo, Concentre-se e então ataque.

Ele se virou pra trás rapidamente e no balançar da sua capa disparou com precisão dois disparos em um dos espantalhos que estava a 100 metros de distância, pegando precisamente na cabeça e no peito do espantalho. Deixando alguns boquiabertos e outros com olhos arregalados. Hector devolveu seus revólveres aos coldres do cinturão dele e encarou os alunos.

— Com o tempo, esse método vira um reflexo seu, tão natural quanto respirar. A Evolução faz parte do seu ser. — Disse Hector. — Quero ver seus métodos.

Kathe estava com um sorriso, pois finalmente iria mostrar para o que veio, ela sentiu algo pousando na sua cabeça, ao olhar pra cima, avistou Felícia e logo uma voz de trás dela surgiu um pouco zombeteira.

— Ora, Ora, senhorita Katherine, finalmente verei seu dotes de caçadora? — Era Otávio com seu sorriso debochado e mão no queixo. — Pena que eu não sou muito de tiros, sou mais de lenhar.

— Como assim? Usas machado? — Ela comentou divertida.

— Chicote, pra dar no lombo de quem não obedece. — Otávio afasta a aba do seu sobretudo, mostrando o instrumento feito de couro torcido, abaixo dele tinha um coldre com um revólver.

— Mas você atira também. — Kathe levantou um ar desafiador. — Isso indica que podemos entrar em um desafio, certo?

— Pode ser uma aposta?

— Valendo o quê? Não seja atrevido de me propor algo íntimo.

— Não creio, leu minha mente. — O rapaz se fez de desapontado. — Tá, que tal um favor? Se um dia eu precisar de algo ou você precisar de algo, que possamos obedecer, usaremos esse favor. Feito? — Ele estende a mão.

— Hum… Tentador. Feito. — Kathe apertou a mão dele com força.

— Boa sorte, guria.

— Boa sorte, piá.