Notas iniciais
Esse desabafo pessoal do autor é dedicado à minha sereia, que trouxe a mim um incrível turbilhão de sentimentos e retornou para as profundezas do seu mar. Espero que você, leitor, aprecie.

Navegava destemido por mares traiçoeiros,
Sem rumo certo, só o desejo, inteiro.
Um oceano turbulento, bravo e feroz,
Me sacudiu, me jogou, sem ter mais voz.

Afundando na dança das ondas sem piedade,
Me entreguei àquele abraço, perdendo a liberdade.
No abismo líquido, afogado em desespero,
Uma sereia, de pele escura, surgiu primeiro.

Seu beijo lento, como uma melodia,
Fôlego renovado, naquela sinfonia.
Conhecendo cada parte desconhecida,
Ela era a musa, a mais intensa da vida.

Ela me trouxe vida, um sentimento único,
Um amor de sereia, mágico e simbólico.
Passageiro e sem sentido, como o mar,
Confiança que te faz criança, a sonhar.

Encantado, mergulhei na profundidade,
Mas logo quebrantado, na realidade.
Pois após sair das águas, ela some,
E a busca é como um sonho que consome.

Procurando, angustiado, a sereia perdida,
Encontrando o vazio, na despedida.
Mesmo fora do mar, meus pés na água ficam,
Na margem molhada, esperança que persistem.

A correnteza da saudade me chama,
Mas até quando? Só Deus proclama.
Nessa espera incerta, no limiar da dor,
Meus pés continuam molhados, à espera de amor.