Instantes Poéticos

2 Concessão do afogado


Notas iniciais
Cada pessoa passa por um processo de depressão distinto, enfrenta ansiedades diversas e encontra alívio ao descobrir um porto seguro. É um ciclo desafiador para superar, exigindo a renúncia ao conforto habitual para abrir caminho para a mudança.

Em meio ao constante desafio de respirar, encontro-me submerso nos mares de cimento que permeiam meu cotidiano. Caminho com passos longos e pesados, ocultando habilmente o turbilhão de emoções náuticas que tumultuam meu interior. Sou refém de uma depressão que se assemelha a um oceano, vasto e implacável.

Minha embarcação, adornada com luzes ansiosas, reflete a imagem que exibo exteriormente. Contudo, vislumbro um farol distante, símbolo de esperança para uma costa segura, afastada da tempestuosa resseca que a coragem líquida de uma garrafa de vinho tenta empurrar-me em direção ao abismo.

Neste abismo, conhecido intimamente, tenho navegado ao longo desta vida e em passagens anteriores. A cada jornada, uma parte de mim se perde nas profundezas do breu interminável do nada. Mesmo na ausência de tudo, encontro-me possuidor de tudo que posso ser, à medida que o sino ressoa o amanhecer, irradiando a oportunidade de desembarcar em um porto seguro diferente.

Refazer a esperança em pequenos passos, submisso à perseverança e às demandas da vizinhança. Chegou o momento de partir para longe, distanciando-me daquilo que me faz mal. Reflexões sobre novas cartas de navegação são feitas, buscando avançar sem objeções, certo, minha tripulação?

— Sim, meu capitão.