Insonia
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Bom gente, como demorei um pouco pra postar esse capítulo, tenho que dizer q a conclusão dele virá no próximo( pra não deixar ele muito extenso ok!).
Espero que gostem. Críticas, sugestões e reclamações, por favor no review blz!!!
Boa leitura...
Um homem caminhava e meio à um jardim imenso, coberto de flores de todos os tipos, cores e tamanhos. Borboletas o rodeavam, dançando enquanto ele seguia em direção a um grande casarão ao fundo. De repente, a imagem mudou para dentro da casa, escura, janelas quebradas, algumas com pedaços de madeira tentando inutilmente bloquear a luz do sol que entrava. Ouviu passos vindo das escadas, que alcançavam o segundo andar da casa. Teve medo.
Um ser aparecera no topo, portando um objeto brilhante na mão esquerda. Não dava para identificar o que era. Desceu o lance de escadas rapidamente, e de súbito, correu na direção do homem que tentou detê-lo erguendo as mãos para frente. Fechou os olhos para não ver o que iria acontecer. Um, dois, cinco segundos e nada. Já era para ter sido golpeado( ou ter sido lançado pra trás com o tamanho do homem armado), mas isso não aconteceu. Abriu os olhos e o que viu foi aterrador. Estava no meio das ruínas de uma cidade. Prédios arruinados, carros revirados nas ruas. Não havia ninguém. Olhou para cima e viu uma saraiva de meteoros descendo furiosamente na direção dele. Reparou que estava usando óculos escuros. Tirou-os dos olhos. Voltara para a sala da sua casa, onde sua mulher e seu filho adolescente estavam curiosos pra saber o que ele vira. – Eu vi o futuro com os meus olhos, disse entre dentes.
Havia terminado o último comercial dos três que foram preparados para a campanha das TVs. As luzes foram acesas a pedido de Daniel, e ele viu espanto no rosto dos clientes.
- Bem senhores, esperamos que tenham apreciado o que criamos para a empresa de vocês, disse polidamente. – Nós da Visual Graphics, trabalhamos nos últimos dois meses projetando esses três comerciais para televisão e mais cinco comerciais visuais para outdoors, banners e jornais. Espero que tenham apreciado.
Os homens que estavam ali não podia acreditar no que Daniel foi capaz de criar. Não era à toa que ele era um dos melhores na área. Eles venderiam milhares de TVs com aqueles comerciais, solidando o nome da empresa no país.
- Estamos chocados com o que você desenvolveu para nós Daniel, — disse um senhor que estava sentado entre dois outros homens mais jovens- e pode ter certeza que a Ivision está satisfeita com o resultado final dos seus projetos. Ele se levantou e começou a bater palmas, seguido pelo restante dos homens que o acompanhavam.
- Nós da Visual Graphics agradecemos pela abertura que os senhores nos deram para sermos objeto de divulgação do produto de vocês, disse em resposta e caminhando na direção do senhor de terno azul marinho estendeu a mão direita para ele e lhe perguntou: — Então o negócio está fechado?
- Fechado, senhor Daniel. Aonde assino? disse apertando a mão direita de Daniel, como sempre fazem o cavalheiros.
- Eu os levarei até o escritório, para assinar toda a papelada. E mais uma vez, obrigado por terem confiado em nossa empresa.
Daniel foi na frente, enquanto que o restante do pessoal ia logo atrás dele. Roberto era o último, e sua expressão não era das melhores. Cruzaram quase todo o segundo andar, até que chegaram na sala de negociação, e Daniel abriu a porta, convidando a todos para se sentarem. Foi aí que seu celular tocou.
Ia a passos lentos pelo grande corredor, sem se preocupar com o que o aguardava. Lucas já sabia o que a diretora iria dizer: — Eu não sei mais o que faço com você Lucas! Quantas vezes eu já te pedi para ser mais tolerante com os professores? Se você não se comportar, vou ter que ser obrigada a suspendê-lo por uma semana!
O foco dele era a apresentação da banda que aconteceria no sábado. Gisele não estava muito bem por causa da TPM , e o maluco do Trevor( o apelido do Normano) ainda veria se os pais iriam deixar ele tocar. – Eu tenho que resolver tudo sozinho! Até parece que eu é que sou o dono da banda!
Chegara na sala da diretora, e ela se encontrava ao telefone, descarregando uma enxurrada de frases rápidas para alguém. Ela fez um gesto para que ele se sentasse na cadeira e aguardasse um momento. Ele se sentou e, logo em seguida, a rabugenta da professora Regina entrara na sala, portando o livro que ele estava lendo. Ela ficou de frente para a diretora ignorando a presença de Lucas. Ele adorava aquilo.
Colocou o fone no gancho, e olhando para a professora em pé a sua frente, ela lhe perguntou: — O que foi agora Regina?
- Ah Luise o de sempre. A imprudência do Lucas em minhas aulas! A impaciência era nítida nos gestos e expressões da professora. – Dessa vez, o nosso amigo aqui estava lendo MacBeth na minha aula, o que foge totalmente ao assunto que eu abordo.
- Isso é verdade Lucas? Perguntou a diretora desviando os seus olhos para o fundo da sala onde ele estava sentado em um sofá de couro marrom.
- Sim é verdade Luise, respondeu ele indiferente. A aula dela estava cansativa, por isso resolvi ler um pouco de Shakespeare, pra relaxar a mente. Deu um sorriso torto, o que deixou Regina ainda mais furiosa. – Estou ganhando dela dessa vez de goleada, pensou.
A diretora não sabia mais o que fazer com ele. Era reincidente por suas atitudes de indiferença com certos professores( seu principal alvo era a professora de História), e seus pais foram chamados diversas vezes à escola para explicarem a situação dele. Sempre inventavam uma desculpa, e na maioria das vezes, era a mãe que atendia o telefone e dava a mesma resposta de que “ Vou ter uma conversa com ele, e pegarei pesado dessa vez”. Parece que essa conversa séria, estava sendo leve demais.
A diretora apertou os lábios e arqueou uma das sobrancelhas, tentando pensar em alguma solução para o novo caso de Lucas.
– Muito bem, disse ela, só me restam duas alternativas para resolver esse problema. A primeira é que eu posso suspendê-lo novamente, sendo a sua segunda suspensão em menos de dois meses, e se houver uma terceira, você será expulso desta escola. E segundo...
Ela pigarreou, limpando a garganta que há anos recebia várias tragadas de cigarro diariamente, na tentativa louca de saciar seu vicio. – E segundo, eu posso ligar para o seu pai, para que tenhamos uma conversa muito franca entre eu, você, a professora Regina e ele.
Lucas olhou para ela sombriamente. Não gostava de colocar o pai em seus assuntos particulares, e aquele era particular demais para Daniel saber. No mínimo, ele ficaria sem poder usar o computador e ir aos ensaios da banda por uns três meses. Seria a marcha de casa-escola/ escola-casa. Sem contar que seria bombardeado com sermões típicos do pai como: “A escola é tudo na vida de um ser humano”, “ Sem conhecimento você não vai a lugar algum” ou o melhor de todos “ Se você quer aparecer tanto assim para o mundo, vista uma roupa com luzes florescentes e saia pelas ruas dizendo que é Jesus Cristo!”. Por outro lado, se ele pegasse uma suspensão agora, seria pior, pois ele ficaria uma semana em casa, trancado sem poder sair( aniquilando a sua apresentação com a banda no fim de semana). Daí ele voltaria na semana seguinte para a escola, ele não iria agüentar ficar mais do que dez dias sem alfinetar a querida professora de História, o que o levaria a tomar a terceira suspensão e imediata expulsão do colégio. Daí além de ser trancafiado em casa, e ter que escutar os sermões do pai, certamente ele será colocado em um colégio só para homens. E isso seria uma vergonha geral para um jovem de dezesseis anos, que faz parte de uma banda de rock e tem uma vida quase livre! Seria um absurdo.
- Tudo bem então Luise, eu direi para ele vir amanhã à escola, disse por fim.
- Receio que ele terá de vir hoje ainda Lucas, e sua voz agora estava mais grave. – Eu vou ligar para ele, e você e a professora Regina ficarão depois das aulas para aguardarmos a chegada dele. Agora se me dão licença, tenho muita coisa para resolver.
- Mas luise, meu pai está no trabalho e...
- Sem nada de mais Lucas – agora ela estava irritada – já disse que eu ligarei para que ele venha até aqui para termos uma conversa. Ainda falta um horário para acabar as aulas, e tenho certeza que uma hora do intervalo do almoço dele, poderemos resolver esse assunto. Estão dispensados os dois.
O telefone tocou novamente sobre a mesa dela, e seu rosto estava vermelho de raiva agora.
Cíntia estava em casa preparando-se para a maratona de pegar os meninos na escola, ir ao banco pagar algumas contas, e passar na casa da mãe dela para ver como andava as coisas. Seu pai estava de cama por causa de uma gripe que pegara, e várias vezes ela o advertira para tomar a vacina contra a doença. E como sempre, seu teimoso pai, insistia que aquilo era bobagem, que se pegasse uma gripe, era só tomar um chazinho quente e um antitérmico para abaixar a febre. Estava há cinco dias na cama. Saiu do banheiro, e tinha terminado de passar um batom nos lábios. Pegou sua bolsa que estava sobre a cama, e quando estava chegando às escadas, veio ao seu encontro Carla, a empregada que organizava a sua vida doméstica.
- O telefone da senhora está tocando dona Cíntia – disse polidamente- daí eu resolvi trazê-lo para senhora atender.
- Muito obrigada Carla, agradeceu ela, enquanto olhava para o número que aparecia na tela. Era da escola do Jhonatan.
- Alô?
- Eu gostaria de falar com Cíntia Alcântara! Disse uma voz feminina. Parecia aflita.
- Pois não é ela quem está falando.
- Senhora Cíntia, precisamos que a senhora compareça urgentemente à escola. É sobre seu filho Jhonatan.
- Ai meu Deus, o que aconteceu com meu filho? Sua voz agora se tornou um grito de preocupação. Desceu as escadas da casa correndo, sem dar atenção a empregada, que perguntava a ela o que devia ser feito para o almoço. Abriu a porta da sala apressada, e correndo para a garagem, para pegar o carro, perguntou: — Ele está bem? Ai meu Deus do céu! Responde?
Ela percebeu que a mãe estava aflita. Precisava acalmá-la, senão ela teria um ataque ao saber que o filho estava em estado de choque indo para o hospital. Era melhor deixar ela vir à escola. Quando chegasse explicaria o que realmente acontecera ao filho dela. – Bom senhora, o Jhonatan teve uma discussão com um colega de classe, nada demais – mentiu para ela- mas nada de tão grave assim. Eu só pedi urgência para a senhora, porque talvez estivesse fazendo algo não tão importante.
- Ah é isso! O alivio foi imediato na voz dela. Ah meu Deus, pensei que fosse algo muito grave. O que não deixa de ser grave não é, porque o Jhonatan é tão calmo! Elogiou o filho.
- Então senhora, estamos aguardando a sua presença. Assim que chegar venha primeiro à diretoria, que a diretora estará esperando a senhora tudo bem?
- Sem problemas, chego aí em meia hora.
Já estava a caminho da escola, e o trânsito estava normal pra uma quarta-feira. Chegaria em vinte minutos, caso não pegasse congestionamento.
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