Insonia
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Mais um capítulo tipo "água-com-açucar" para voces!!! hehehe
No próximo capítulo, o terror vai rodear nosso amigo.
Aguardem. Em breve eu posto o novo.
Boa Leitura à todos.
" As trevas existem para dançar com os braços quentes da luz. Contudo, nem sempre a luz é um bom parceiro para certas danças noturnas."
A antiga escola primária onde Jhonatan estudava, era uma das mais renomadas da cidade. O valor da mensalidade era condizente com os serviços oferecidos pela instituição, e Cíntia fazia questão que os filhos tivessem o melhor ensino oferecido. Lucas estudava em uma escola excelente, com professores qualificados e um ambiente aconchegante e moderno. Dizia orgulhosa às amigas, o quanto seus filhos eram inteligentes e respeitosos. Mas o respeito só era dedicado à ela, por parte de Lucas. Já para Daniel, esse era quase inexistente. – Preciso ter uma conversa séria com o Lucas hoje. – dialogava em pensamento consigo mesma, enquanto estacionava o carro na porta da escola- Ele está muito mal-educado com o pai ultimamente, e isso eu não admito.
Entrando na escola, viu que na recepção, uma secretária estava sentada atendendo uma ligação, e outra mulher entrara na sala. Se prontificou, e foi até ao balcão para atender Cíntia. – Em que posso ser útil?
- Ah sim, eu sou Cíntia a mãe do Jhonatan da primeira série, e recebi uma ligação daqui da escola pedindo para que eu viesse para conversar com a diretora.
- Sim! Deu um sobressalto a mulher atrás do balcão de nome Divina.- A diretora Magda a aguarda na sala dela. Pode me acompanhar por favor.
- Obrigada.
Seguiu a secretária até à sala da diretora e chegando à porta, viu que lá dentro estava sentada a diretora, e de frente pra mesma, Cíntia viu que era a professora de natação. E percebeu que ela estava chorando copiosamente, soluçando sem parar.
- Bom dia Magda – disse a secretária- essa aqui é a mãe do Jhonatan, a senhora Cíntia.
- Ah sim, obrigada Divina- agradeceu a diretora- Pode nos deixar a sós agora.
A moça indicou uma das cadeiras para Cíntia se sentar, e ela se sentou do lado esquerdo da cadeira onde a professora de natação estava sentada. Viu que os olhos da professoras estavam vermelhos de tanto chorar e retirou um lenço da bolsa e inclinou para ela. – Está se sentido bem? Perguntou enquanto entregava o lenço.
- S-sim...obrigada. É que, é que...
A diretora tomou a dianteira da conversa, e olhando para Cíntia disse: — Ela está bem Cíntia. Tivemos um acidente com um dos alunos da turma do Jhonatan há mais ou menos meia hora atrás na piscina.
- Espero que o garoto esteja bem- disse Cíntia preocupada- Não foi nada grave, foi?
- Bom Cíntia, é sobre isso que eu quero falar com você.
- Comigo? Pensei que fossemos falar sobre a discussão que meu filho teve com um dos colegas de classe!
- Bom é quase isso – desviou-se a diretora – Bom, na verdade o Jhonatan também se envolveu nesse acidente.
A expressão de Cíntia se alterou de um sorriso descontraído, para uma preocupação crescente.
- Digam-me o que aconteceu com o meu filho? Agora a aflição era nítida no olhos dela.
- Calma Cíntia- apaziguou a diretora- a professora Priscila aqui está muito abalada com o que aconteceu, e por isso eu vou lhe relatar os fatos.
A diretora olhou profundamente nos olhos da mãe que estava sentada ali na sua frente, e tinha certeza que, quando lhe contasse o que acontecera com o filho, ficaria descontrolada. Por isso, tinha pedido para que a psicóloga da escola fizesse parte da conversa também. Mas ela estava demorando demais.
- Bom Cíntia, com eu tinha lhe dito, um dos alunos da sala do Jhonatan sofreu um acidente na piscina agora à pouco. Ele bateu a cabeça na prancha do trampolim e cortou a cabeça, desmaiando em seguida. A Priscila o retirou da água, e imediatamente ele foi levado para o hospital ao qual temos convênio.
- Sim, mas onde o meu filho entra nisso tudo! Foi ele quem empurrou o menino do trampolim? pode falar Magda. Foi o Jhonatan que fez isso? O desespero tomou conta dela. As mãos tremiam descompassadas, e os olhos saltavam das órbitas.
- Peço que tenha calma Cíntia. E não foi isso o que aconteceu.
- Então diga logo pelo amor de Deus! Já não agüento mais esse mistério.
- Quando o aluno foi retirado da água...
- Quando eu saí da água com o Adriano – interrompeu a professora de natação, que tentava controlar o choro e os soluços- eu o coloquei deitado na borda da piscina e pedi pra Letícia chamar o zelador. Eu fiquei desesperada ao ver que saía sangue na cabeça do Adriano e que ele não respondia às minhas perguntas. Comecei a fazer massagem cardíaca, porque parecia que o coração dele tinha parado. Não adiantava, e comecei a chorar e as crianças também se exaltaram, chorando e gritando. Foi aí que o Jhonatan deu um grito alto e entrou em choque.
- Em choque! Ai meu Deus, onde está meu filho agora gente. Preciso ver meu filho agora! Ela se levantou da cadeira e foi em direção à porta, na esperança de encontrar o filho em algum lugar da escola, talvez na enfermaria. Sempre tinha uma enfermaria nas escolas e de certo ele estaria lá deitado, implorando por ela.
- Ele não está aqui Cíntia – e a diretora se levantou da cadeira, e segurou a mãe pelo braço direito- Ele foi para o hospital também, só que na condição que você está, eu não vou deixá-la dirigir.
- Mas é o meu filho que está no hospital Magda! Ele precisa de mim, não compreende isso?
- Compreendo, e é por isso que eu vou levá-la até lá.
Magda se comovera com a dor que Cíntia estava passando, e se dispusera a levá-la ao hospital. Ela amava o que fazia, e sempre que surgia alguma situação dessa natureza, ela se prontificava a resolver, independente de quem fosse. Era mãe também, e se encontrasse em tal situação, toda ajuda seria bem-vinda.
- Venha comigo Cíntia, vamos no meu carro- disse enquanto segurava o braço de Cíntia- e você Priscila, vá para casa e descanse. Eu te libero esses dois dias pra você se recuperar e aproveite e converse com a psicóloga.
- Obrigada Magda- choramingou- Vou fazer isso. E me avise quando tiver noticias das crianças tudo bem?
- Pode deixar minha querida. Agora vá descansar.
Daniel ia apressado em direção à sua sala, depois de ter deixado os clientes da Ivision fechando a negociação. Como sempre, conseguira mais um cliente fiel, e com certeza novos projetos seriam pedidos por eles, consolidando o nome da Visual Graphics ainda mais no mercado. “ Esse ano com certeza vamos ganhar o Prêmio de empresa do ano” pensou enquanto chegava à sala. Seu telefone tocou, e pelo toque sabia quem era. Cíntia, de certo ligando pra falar para ele que “achou uma bolsa divina e barata”. Nunca era barata. Nada dela era barato. Mas não se importava, com tanto que ela não ficasse enchendo o saco dele.
- Pronto querida, o que foi? Disse em sua voz mais calma.
- Daniel o Jhonantan está no hospital em choque. Ele, ele...- não conseguiu mais falar. Começou a atropelar as palavras e soluçar, os olhos turvando pelas lágrimas.
- O que aconteceu com o Jhon? Gritou, e as pessoas que estavam próximo a ele, se espantaram à pergunta que ecoou. Reparou que as pessoas pararam pra ver o que estava acontecendo, e ele deu um sorriso amarelo, e se encaminhou para a sala. Bateu a porta rapidamente, e voltou ao questionário com Cíntia.
- Cíntia acalme-se querida – disse tentando tranqüilizá-la- O que aconteceu com o Jhon? Pra qual hospital ele foi?
Ele ouviu que a voz de Cíntia ficou distante. Logo ouviu outra voz saindo do telefone.
- Daniel, aqui quem fala é Magda, diretora da escola do Jhon. Eu estou levando a Cíntia até o hospital para ver seu filho – ela deu uma pausa para ver se ele estava ouvindo o que ela estava dizendo- Você está aí Daniel?
- Sim estou Magda.- respirou e tentava organizar as informações na mente- Mas o que aconteceu com Jhon pra ele estar em choque?
- Veja bem Daniel, não vai ter como eu entrar em detalhes com você agora, porque estou dirigindo, e a Cíntia está um pouco nervosa com tudo o que está acontecendo.- Ela olhou para Cíntia, que chorava incontrolavelmente e teve pena dela.- É imprescindível que você vá ao hospital onde o Jhon está que é o Sagrado Coração de Maria. Você sabe onde fica?
Ele não podia acreditar no que estava escutando. Seu dia estava entre começar no inferno no café da manhã em casa, ir para o trabalho infernal e entregar um trabalho divino; e agora esse inferno novamente perturbador o rondava novamente.
- Sei onde fica sim Magda. Chego lá em meia hora.
- Certo Daniel, estarei esperando você com a Cíntia.
- Muito obrigado Magda, por acompanhar minha esposa- disse já saindo apressado de sua sala, atravessando o corredor que dava de frente com os elevadores.
- Ora não tem o que agradecer Daniel. Agora se apresse, e tome cuidado ao vir para cá tudo bem!
- Pode deixar.
Lucas estava queimando de ódio por dentro, enquanto caminhava de volta para sala atrás de Regina. Sua vontade era de estrangulá-la por ela ter levado o caso para Luise. – Papai não irá gostar nem um pouco de ter que vir aqui para conversar com a diretora- pensou ironicamente- Vou ter que inventar uma excelente fábula para ludibriá-lo. Posso dizer que estou arrependido e terei bons modos de agora em diante, e na certa ele vai cair – Deu uma risadinha baixa, para que a megera não escutasse- E depois eu continuo o meu plano de acabar com essa desgraçada.
Chegando na porta da sala, Lucas teve um calafrio. Algo percorreu seu corpo, fazendo ele eriçar os pelos da nuca. Não gostava muito daquilo. Era sinal de que algo ruim estava para acontecer à qualquer um. Geralmente era com seus inimigos. Mas as vezes, a roda de maldições girava para o lado contrário. Desviou o pensamento em algo mais importante agora: tinha que reunir o pessoal da banda para discutirem o repertório de sábado, e ver quem iria sem falta à apresentação.
Daniel entrou no carro afoito, girou a chave bruscamente no volante quase quebrando-a, e saiu apressado em direção ao hospital. Suava frio pelas têmporas e nas axilas, e seu pensamento se voltou exclusivamente para Jhon. Que se danasse os clientes da Ivision. Que se danasse seu emprego. Tudo agora girava em torno da segurança de Jhon, e nada o impediria de chegar ao hospital agora. Parou num sinal fechado em um cruzamento, e parecia que os vinte segundos que o mesmo impedia os motoristas de continuarem suas rotas, se tornara em horas de desespero. Seu telefone tocara novamente, e num impulso ele atendeu, sem se preocupar que estava dirigindo.
- Alô? Disse rápido, esperando uma resposta à altura.
- Bom dia, eu gostaria de falar com o senhor Daniel por favor! Uma voz de mulher saia do aparelho, doce e afável.
- É ele quem está falando, quem é? Havia rudeza e pressa em sua voz.
- Bom senhor Daniel, eu me chamo Luise, sou diretora do colégio onde seu filho Lucas estuda e...
- O que ele aprontou senhora? Interrompeu ele, aflito.
- Bom senhor, para falar a verdade seria bom se o senhor viesse pessoalmente ainda hoje, se possível no término da aula dele para conversarmos. É fundamental a sua presença.
Não dava. Era inconcebível ele ter que deixar Jhon no hospital fora de si, para tratar dos problemas fúteis do Lucas. E sem contar que Cíntia estava muito abalada também no hospital. Sem chance. Poderia esperar para outro dia.
- Olha senhora, lamento, mas não poderei comparecer à essa conversa hoje. Estou indo para o hospital nesse momento ver o que aconteceu com o meu outro filho. Ele está em estado grave.
- Oh meu Deus! — Assustou ela- o que aconteceu com o seu filho?
- Nem eu sei senhora – e ele foi sincero – estou indo pra lá agora para saber o que aconteceu. Por favor, avise ao Lucas que o irmão dele está no hospital Sagrado Coração de Maria. Peça para ele entrar em contato com...- ele parou abruptamente. Se pedisse pra ela falar pra ele entrar em contato com o pai, ele daria sua risada cínica. Não iria deixar ele ganhar de novo.
- Peço para ele entrar em contato com o senhor? Disse ela, tirando ele dos devaneios.
- Peça para entrar em contato com a mãe dele por favor. Obrigado.
Desligou o telefone, e jogou o mesmo no banco do passageiro do carro.
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