Insonia
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Chegamos enfim há um novo capítulo!!! Coisas boas reservam aos nossos personas( e a voces também é claro!).
Boa leitura a todos!!!!
" Dá-me passagem ò barqueiro maldito! Não tenho dinheiro para pagá-la, mas posso lhe pagar com histórias que você jamais ouvirá nem inferno e nem no paraíso."
Ah Deus, o senhor não sabe o quanto estou grato por ele estar bem! Rogou aos céus, em ver o filho bem. Os olhos dele ainda tinham o brilho da inocência, e isso fez Daniel se encher de uma alegria jubilosa. Tentou não entrar em detalhes com o filho, era melhor ele deixar falar o que acontecera na escola.
- Ué você não se lembra filhão? Disse sentando ao lado dele na cama. Olhava fixamente nos olhos do garoto.
- Bom pai, — ele foi se levantando lentamente da cama, se sentado – eu me lembro que eu tava na aula de natação com a turma,e a professora tinha pedido pra gente colocar as bóias nos braços para gente entrar na piscina.
- Certo filho, continue.
- Daí, o Adriano tinha me falado que ia subir no trampolim e dar de ponta lá de cima. Foi aí que, que...
Os olhos de Jhon encheram de lágrimas, e ele abaixou a cabeça, tentando esconder a imagem que veria a seguir. Parou de falar, e começou a chorar. Daniel, comovido com a situação, abraçou o filho, passando a mão na cabeça dele.
- Calma filho tá tudo bem agora.
- Tá tudo bem mesmo, papai?
A porta do quarto bateu repentinamente, e um vento fantasmagórico percorreu o quarto. Uma mancha negra começava a se espalhar na parede ao fundo da cama, tomando conta das outras paredes, janelas e por último o chão. O ar tornou-se frio, e da boca de Daniel saía uma fumaça branca. Novamente sentiu a presença daquela criatura que invadira o corredor da sua casa.
Aqui não. Não com junto com o meu filho!
Os biombos voaram ao teto, dançando freneticamente, e as folhas de PVC que os adornavam foram arrancadas. Ouviu novamente aquela gargalhada sinistra próxima à porta do quarto. O mesmo quarto pareceu se aprofundar, e um cheiro podre surgiu de todos os lados.
- Como vai Daniel? Já faz um tempinho que nos falamos! E novamente a gargalhada ecoou. A voz da criatura era inconfundível, e os ouvidos de Daniel automaticamente os registrara como “inimigo a espreita, tome cuidado”.
- O que você quer de mim? Deixe meu filho e eu em paz, eu lhe peço.
Os olhos de Daniel estavam tremendo, os lábios remexiam nervosos na boca, e abraçou Jhon tão forte e com os olhos fechados, que nem se preocupou se o filho estava protegido por ele, ou sendo sufocado.
- Ora Daniel, quanta rudeza de sua parte comigo – e a criatura riu novamente – eu não pretendo fazer nenhum mal à você, pelo menos por enquanto. Daniel não queria dar ouvidos ao que ele dizia. Queria tapar os ouvidos, mas se fizesse isso, deixaria Jhon desprotegido. – Eu só queria saber, porque você está abraçado tão fortemente com esse boneco velho.
- Não fale assim do meu filho seu monstro – disse ainda com os olhos fechados. – O que quer que você deseja, não vai conseguir de mim. Suma daqui e me deixe em paz!
- Papai, pode abrir os olhos. Não tenha medo – e a voz de Jhon era firme agora. Até alguns minutos anteriores, ouvia só um gemido do filho. Como era possível isso!
Daniel abriu os olhos, e conforme o que o monstro negro dissera, ele estava abraçado há um boneco encardido, do tamanho de Jhon. Não podia acreditar no que via, um boneco sujo, faltando o olho direito. Mas a pele era igual à de um ser humano. Atirou ele pra longe, sem se importar em qual direção. Olhou em volta procurando por Jhon, e o quarto estava entregue à treva. As paredes agora pareciam que respiravam, e ele imaginou dentro de um coração velho e cansado de trabalhar. Líquidos de cores negras, vermelhas e verdes, escorriam delas, fétidos e gosmentos. Teve vontade de vomitar. A frente, um pouco à direita dele, conseguiu ver uma espécie de altar. Não, não era um altar. Era um trono, com um respaldar bem alto. Por incrível que pareça, Daniel enxergava naquele escuro profundo.
- Onde você está Jhon? Responda filho – e ele andou na direção da cadeira-altar ao fundo. Algo o empurrava( ou puxava) para ela, e tinha certeza que o monstro usava seus poderes.
- Eu to aqui papai – e a voz de Jhon vinha da mesma direção que a da cadeira.
Ao poucos a imagem foi formando a sua frente, e ele quase gritou de surpresa. Um ser alto, coberto por um manto negro, estava sentado na cadeira e no colo dele, viu Jhon com seu sorriso inocente. Conhecia aquele sorriso do filho, e ele o dava quando em seus momentos mais felizes. O monstro brincava com Daniel, e ele não estava gostando mais daquilo. Tinha que dar um basta, e seria naquele momento.
- Quem você pensa que é para usar meu filho dessa maneira seu demônio! Disse enquanto caminhava rapidamente em direção dos dois.
Em três passos ele estava aos pés da cadeira- altar e via nitidamente, crânios de pessoas entalhados em volta dela. O manto balançava, e Jhon não mostrava incomodo, sentado no colo do monstro.
- Ora acalme-se Daniel, eu não quero fazer mal a ninguém! E ele levantou o braço direito coberto, sinalizando para que ele parasse. – Eu só quero brincar com o Jhon, não é Jhon?
- É sim papai, disse o menino, que olhava para a criatura e virou-se para Daniel – ele é uma boa pessoa, e quer ser seu amigo. Não é moço?
- Isso mesmo Jhon – e a voz do monstro mudou para uma de um homem comum, por volta de trinta anos de idade – eu só quero ser amigo do seu pai, mas ele não quer minha amizade! O cinismo, seguido de uma risadinha conjunta com Jhon, despertaram uma raiva crescente no interior de Daniel. Queria avançar e esmurrar aquela coisa, mas não poderia fazer isso enquanto o filho estivesse no colo dele.
- Filho vem cá no pai, vem – e estendeu os braços para que Jhon descesse do colo do monstro – tenho que te contar uma coisa.
Jhon começara a descer do colo do novo amigo, indo ao encontro do pai. Daniel viu que, no braço direito do filho, havia um arranhão de mais ou menos uns sete centímetros, o que o levou a crer que fora feita pelo ser.
- O senhor vai ser amigo dele também papai? E olhou para o pai, com sua inocência ímpar.
Olhou para o filho com doçura, deu um sorriso, e tentando manter a calma disse a ele: — Eu vou pensar na proposta Jhon.
- Ta bom pai, mas você não pode demorar ok! Ele é muito ocupado, assim como o senhor.
- Sei – e seus olhos encontraram duas órbitas vermelhas que brilhavam de dentro do capuz negro. Ele colocou Jhon atrás dele, com a intenção de protegê-lo.
- O que você quer comigo? E estranhamente, percebeu que sua voz ganhou o tom de quando ele a usa para negociar com os clientes da empresa.
- Ora Daniel eu quero propor negócios com você. Nada mais! Levantou os braços novamente, como que convidando para se aproximar.
Havia algo errado em tudo aquilo, e Daniel lutava com sua mente para tentar descobrir, mas nada plausível se formava. Eram cenas sem sentido, dúbias, sem nexo até. Preferiu encarar novamente a criatura, e arriscou usar seu lado profissional.
- Eu posso até negociar algo com você, mas primeiro, como eu faço com qualquer “cliente”, eu preciso saber o nome com quem eu estou lidando.
- Ah perfeitamente! E ele se levantou, fazendo os crânios no espaldar e nas pernas da cadeira-altar mudarem as expressões – pode me chamar de Lucas. Prazer em conhecê-lo. – estendeu a mão direita para cumprimentá-lo.
- Lucas? E a surpresa no rosto de Daniel foi tão evidente, que o ser logo perguntou:
- Algum problema com o meu nome?
Mesmo pego de surpresa, Daniel tinha certeza que aquele ser estava rindo dele por trás do capuz negro. A surpresa foi tão grande, que Daniel teve os pensamentos desordenados. – Acalme-se Daniel, você está em um negócio de alto-risco. Não pode colocar seus sentimentos à mostra, disse para si mesmo.
- Não há nada com o seu nome. Só que ele é igual ao nome...
- Do seu filho mais velho, completou ele. – É verdade, o meu nome se parece com o do seu filho. Mas eu não tenho o gênio dele, se é que pode me compreender. Novamente a gargalhada reverberou no lugar.
- Bom não posso perder meu tempo. O que você quer de mim afinal? Disse sem dar brechas para o ser vasculhar-lhe a mente, na procura de suas fraquezas.
- Gosto do seu modo de tratar os problemas Daniel. É direto, seco e sem rodeios. É disso que procuramos.
- Tem mais alguém? A pergunta saiu automática, sem pensar.
- Tem sim, mas isso é para o segundo ato da nossa peça. Ele caminhou na direção de Daniel e Jhon, e Daniel pode perceber que, a cada passo dado, ficava marcado no chão negro a pegada com sangue e larvas nadando trôpegas naquilo. Voltou o olhar novamente para o rosto coberto pelo capuz. Não podia abaixar a guarda agora.
- O que quero que você faça Daniel, é que você tente arduamente, apagar da sua mente, tudo aquilo que algum dia te magoou ou te feriu. – Deu uma volta completa pelos dois, e passou a mão sobre a cabeça de Jhon, que lhe retribuiu com um sorriso. – Há alguns traumas guardados na sua mente, e para que você sirva ao nosso propósito será necessário retirá-los daí de dentro.
- Não estou me lembrando de nenhum no momento. – E houve sinceridade na resposta.
- Mas é claro que você não se lembra. Sua mente fez questão de escondê-los de você! E é por isso que eu serei seu guia nessa busca por seus segredos mentais. – Virou-se bruscamente para Daniel, e dando um cutucão com seu dedo asqueroso e cadavérico na testa de Daniel, quase o jogou no chão.
- Eu já te disse, não tenho nada para te contar! E dessa vez ele gritou, não se preocupando com a reação da criatura.
- É mesmo! E o cinismo foi idêntico ao do filho. – Então você deve ter esquecido do seu velho tio Eduardo não é mesmo?
Daniel não sabia aonde ele queria chegar. Como ele sabia do seu tio Eduardo? Como ele sabia até o nome do tio? Perguntas começaram a ser formuladas em sua mente, procurando respostas. Foi aí que ele sentiu um fogo percorrer seu corpo. Uma imagem foi se formando em sua frente, e viu a si mesmo, um moleque ainda, brincando na casa de sua avó. Seu tio estava sentado na sala assistindo há um jogo de futebol na tevê. Podia até sentir o calor que vinha pela janela. Ficou estático. Começava a se lembrar terrivelmente daquela cena do passado. Colou as mãos nos ouvidos, na esperança de apagar tão tórrida imagem, mas não conseguia.
- Vejo que você está começando a se lembrar agora, não é Daniel? Disse à meia-voz, calma e sussurrante. Aproximou o capuz bem perto do ouvido dele, e continuou suas insinuações. – Você se lembra do que ele gostava, não se lembra Daniel?
- Não, eu não quero me lembrar disso! Sua súplica era em vão, e viu que Jhon estava preocupado com ele, puxando a calça do pai para chamar-lhe a atenção. Viu que o garoto gesticulava “ O que está acontecendo papai?” , mas não ouvia a voz do filho. Não sabia o que fazia, se dava atenção ao filho, ou se olhava para a cena. Lucas (esse monstro desgraçado à sua frente), andava em sua volta, nervoso, eufórico com as expressões que ele fazia. Quando não estava mais suportando aquilo, agarrou o filho, e gritou, pedindo para que ele parasse de torturá-lo.
- Mas está só começando Daniel. E ainda vem coisa pior por aí seu desgraçado!
Avançou sobre os dois, mas Daniel não tentou revidar. Fechou os olhos, e abraçou Jhon com todas as suas forças. Sentiu a mão do monstro apertar seu braço, e nesse momento ouviu uma voz familiar. Teve medo ( e esse sentimento estava se tornando recorrente nas últimas horas), mas não podia conter o desejo de abrir os olhos para confirmar quem era.
- O que você está fazendo com o Jhon, Daniel?
Ele abriu os olhos, e nesse momento viu que se encontrava novamente no quarto branco, levantou o rosto e Lucas, seu filho prepotente e arrogante, segurava seu braço.
Notas finais
Ah gente já ia me esquecendo!!!! Gostaria de pedir a vocês que, como podem ver, minha fic ainda não tem uma arte/figura para ilustrá-la. Por isso, proponho que vocês escolham uma imagem para ela!!!
Pra isso, basta mandar um link com uma imagem que tenha alguma coesão com a fic, como MP pra mim blz! Dae a cada dia(ou a cada 2 ou 3 dias), eu vou alterando a imagem, para q todo mundo que mandar pra mim veja ok!! Dae eu coloco o nome do leitor que mandou a imagem!!
Aproveitem e comentem sobre a iniciativa ok! Abraços pra todos.
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