Insomnia
4 O Exército
Em uma imensa cobertura, uma mulher morena dona de belos olhos cor de ônix andava de um lado para o outro até que ouve o barulho da campainha e resolve abrir a porta, para deparar-se com um belo moreno usando calças de couro e sem camisa, com diversos cortes e arranhões por todo o corpo.
– Sasuke-sama! Demorou dessa vez. Como foi a luta esssa noite? — perguntou Shizune enquanto pegava uma garrafa contendo um líquido vermelho despejando o conteúdo dentro de um cálice e entregando-o para Sasuke.
O homem pega o cálice e o leva aos lábios sorvendo aquele líquido como se fosse a coisa mais maravilhosa do mundo e misteriosamente todas as feridas que se encontravam em seu corpo se fechavam. Aliviado ele vai até uma sala onde há uma espécie de trono em estilo Medieval e se senta ali, sendo seguido por Shizune que para diante dele esperando que ele conte as novidades.
– Péssima, Shizune. Um verdadeiro desastre sem você e Kurenai lá. Não sei como vou dar a notícia, mas tivemos mais uma morte e dessa vez foi o Azuma. — respondeu o moreno.
A mulher na mesma hora leva as mãos a boca e arregala os olhos em uma expressão de choque, que faz com que o homem fique ainda mais furioso e frustrado com o resultado daquela última batalha.
– Oh não! o Azuma? Kurenai vai ficar arrasada, ainda mais estando nesse estágio tão avançado de gravidez. Eu teria lutado para ajudá-los se não tivesse que ficar aqui cuidando dela. É mesmo uma pena que aquele pequeno vá nascer sem pai. Azuma certamente é uma grande perda. — lamentou a morena com os olhos tristes.
– Essa situação não pode continuar assim! O exército deles é pequeno, mas forte e eles não aceitam um acordo de paz. Se as coisas continuarem como estão, nossa espécie acabará desaparecendo. Primeiro foi o meu irmão e agora o Azuma. — Sasuke de repente deu um soco no braço da cadeira, não o suficiente para quebrá-la, mas demonstrando sua frustração.
– Precisamos de mais alguém com força o suficiente para superarmos ainda mais eles em número. Talvez possamos emboscá-los, não sei, mas precisamos fazer alguma coisa! — dizia Shizune com revolta nos olhos.
Sasuke de repente levantou-se do trono de forma que chegou a assustar aquela que era sua amiga e também sua fiel serva.
– E VOCÊ ACHA QUE JÁ NÃO FIZ TUDO O QUE PODIA, SHIZUNE? Por acaso pensa que é fácil achar gente da nossa espécie e recrutar assim do nada pra lutar pela nossa causa? Acabei de dizer que estamos em extinção. Pode até ser que exista um ou outro descendente em alguma parte desse mundo, mas achar algum seria como achar uma agulha em um palheiro. E a maioria morre no mesmo ano em que inicia a transformação, pois não chega a provar sangue. — explicava Sasuke em um rompante de fúria.
A morena não disse uma palavra sequer, com medo de irritar mais ainda seu Líder. Tratou de enxer novamente o cálice do homem com o líquido da garrafa e ele bebericou um pouco antes de prosseguir com seu desabafo.
– Ninguém mais do que eu odeia aqueles desgraçados da Raíz. Danzou matou a minha família e aquela puta daquela Sawaii matou o meu irmão, enganou ele seduzindo-o com a promessa de um falso acordo de paz. Se eu pudesse já teria aniquilado todos aqueles porcos. mas não é tão fácil, Shizune. — explicou o jovem.
– Mas você vai, Sasuke. Confio em você. Sabe que pode contar comigo para qualquer coisa. — disse a morena acariciando a mão de seu amigo e líder em um gesto que poderia muito bem ser mal interpretado por outra pessoa que não os conhecesse, mas a verdade era que ambos eram como irmãos.
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Haruno Sakura desceu do avião e tomou o primeiro táxi para a República onde iria morar. Sentia um frio na barriga que era um misto de medo com ansiedade. Sua aparência ainda não era das melhores, pois a pele continuava muito branca e pálida, ainda tinha dificuldade para se alimentar e agora recentemente sentia-se incomodada toda vez que era exposta a luz solar, mas a animação que estava sentindo por finalmente realizar seu sonho e fazer aquela viagem era maior do que tudo.
Olhava as ruas de dentro do carro e achava tudo lindo e maravilhoso. Observava as pessoas até que finalmente o táxi a deixou na porta da República onde iria morar.
Pagou o homem e desceu do veículo carregando suas malas até que adentrou na casa que parecia ser uma residência normal como todas as outras tirando o letreiro que informava que era uma República para jovens alunos de intercâmbio.
Tocou a campainha e logo a porta foi aberta por uma garota ruiva que usava um par de óculos de fundo de garrafa, vestida com uma blusa lilás curta deixando a barriga de fora e um short minúsculo. Havia um contraste incompreensível para Sakura nos modos da garota de se vestir, pois da cintura pra cima ela parecia uma nerd mas da cintura pra baixo parecia o que Yamanaka Ino poderia chamar de "periguete".
A garota olhou para a Haruno de cima abaixo com desdém, perguntando-se mentalmente o que uma pessoa tão pálida e com aparência de doente estava fazendo ali naquela república, torcendo para que não fosse mais uma interessada nos homens daquele local, já que os disponíveis estavam ficando cada vez mais escassos.
– O que você quer? — perguntou a ruiva com grosseria.
Sakura estranhou a apresentação nada calorosa daquela garota tão estranha, mas optou por ser educada já que não queria começar uma inimizade no primeiro dia.
– Oi, eu sou Haruno Sakura, a nova intercambista. Acabei de vir do aeroporto. — explicou estendendo a mão que a ruiva apertou a contra gosto.
– Sou Karin, monitora daqui e veterana. Entre. — disse a garota dando um passo para o lado cruzando os braços para que Sakura pudesse entrar.
Assim que adentrou o local, a Haruno notou que na casa não tinha nada demais, havia uma sala de estar com sofás, uma televisão de plasma e algumas almofadas pelo chão onde estavam outras duas garotas sentadas lixando as unhas com cara de tédio.
– Pessoal, chegou a novata, o nome dela parece que é Sakura. Sakura, essas aqui são Hana e Kohana, sei que não parece mas são gêmeas bivitelinas. Aquela outra loira ali que está na cozinha fazendo nosso lanche é a Sabaku no Temari e a que está colocando a mesa é a Matsuri, que também é caloura. — explicou Karin de um jeito que lembrava um militar de exército enquanto apontava para a cozinha americana que tinha no local.
A casa era bem fofa apesar da simplicidade, mas a Haruno não foi com a cara de Karin e nem das tais gêmeas que lhe foram apresentadas, já que elas limitaram-se a olhá-la com uma cara de nojo.
Temari foi quem largou o que estava fazendo para falar com Sakura, cumprimentando-a com dois beijinhos.
– Oi Sakura, seja bem vinda! Karin, pode deixar que eu levo a Sakura pra conhecer o quarto. No meu quarto tem mesmo uma cama sobrando e acho que é melhor ela ficar comigo e com a Matsuri, assim ficamos três a três. — disse Temari com simpatia puxando Sakura na direção do corredor.
– Está bem, mas vê se não vai queimar a comida! — gritou Karin enquanto se juntava as metidas do sofá.
– Não ligue pra Karin, ela é igual cão, ladra mas não morde, bem, pelo menos na maior parte do tempo. — explicou Temari enquanto mostrava o quarto onde havia uma cama e um beliche. — A cama é onde eu durmo e a Matsuri dorme na parte debaixo do beliche, você tem algum problema com alturas?
A pergunta deixou implícito que Sakura teria que dormir no beliche de cima, mas ela não se importou já que não tinha problema nenhum com alturas.
– Não, pra mim está ótimo. — disse sorrindo.
– Bem, agora tenho que voltar pra terminar de fazer o lanche, já que é a minha vez. Aqui nós dividimos as tarefas assim. Cada dia uma é responsável por fazer a comida e duas dividem a limpeza da casa, com excessão dos quartos onde quem dorme é quem limpa. — explicou Temari.
Sakura balançou a cabeça em um gesto afirmativo e em seguida ofereceu-se para ajudar Temari com a comida, já que parecia que havia gostado da loira e achava que poderia ser sua amiga.
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