Insomnia

3 Castelo de Cartas


No banheiro de sua casa, Sakura aguardava ansiosamente pelo resultado do teste, sabia que sua vida poderia mudar para sempre caso desse positivo e seus sentimentos eram contraditórios enquanto ela marcava os minutos no relógio de pulso quando finalmente chegou a hora e ela retirou o teste do pote contendo urina enquanto prendia a respiração.

Apenas uma listra rosa apareceu no exame, que significava um resultado negativo. Não estava grávida no final das contas e isso lhe causou uma sensação de alívio, pois era jovem demais pra ser mãe embora também teria gostado de ter um filho com cabelos ruivos de Sasori.

Passado o susto, decidiu deitar-se na sala para ver um pouco de televisão, uma vez que não tinha mais nada para fazer. Aquela foi sua última prova, se as respostas que Gaara passou para Ino estavam corretas, não teria mais que voltar para a escola, já que não ficaria de prova final e torcia para que isso acontecesse, uma vez que sentia-se cansada demais.

O filme que assistia era bem antigo, mas era um que ela gostava. Acabou pegando no sono do sofá da sala e acordou escutando o barulho do interfone tocando. Com preguiça levantou-se calçando os chinelos e foi atender.


– Alô, Sakura? Aqui é o Sasori, você pode descer pro play pra conversar um pouco? — perguntou o namorado.


Ela estranhou o fato dele não ter usado o apelido "Cerejinha" que tanto gostava, mas apenas quando era Sasori que a chamava assim, se outro usasse aquele apelido ela não seria nada delicada ao tratar a pessoa.


– Claro, tô descendo. — disse desligando o interfone.


Antes de sair do apartamento, tratou de dar uma olhada no espelho, sua aparência não estava muito melhor do que estava de manhã cedo, apesar de ter recuperado o sono perdido.

Vestiu um short jeans com franjas, uma camisa baby look branca com detalhes em preto e chinelos de dedo. Os cabelos decidiu deixar presos, já que eles não estavam em seu melhor dia, então desceu para o playground do prédio.


Sasori a aguardava no banco de sempre, não havia mais ninguém naquele lado do play, pois era o lado onde os casais de namorados costumavam ficar, mas haviam algumas crianças brincando na piscina ali perto e fazendo barulho.


Assim que avistou o ruivo, Sakura foi andando até ele para lhe dar um beijo, mas Sasori a parou, segurando-a pelos braços e afastando-a de si.


– Não Sakura, nós precisamos conversar. Senta aqui. — disse com um tom de voz sério.


Um alarme disparou na mente da Haruno, que soube que havia alguma coisa errada, só não sabia o que seria, pois jurava que Sasori estava normal, mas da noite para o dia começou a ficar estranho. Primeiro faltou ao encontro de ambos e agora recusava um beijo seu e dizia que precisavam conversar.


A jovem engoliu em seco e sentou-se ao lado do namorado preocupada.


– O que está acontecendo? — perguntou.


Sasori soltou um suspiro e encarou a jovem Haruno, o que ele estava prestes a dizer não era uma coisa fácil, mas ele sabia que era o certo a se fazer.


– Olha, Sakura. O que eu tenho pra dizer não é fácil, você não vai gostar e talvez fique chateada comigo, mas eu não posso mais continuar fazendo isso com você. Olha, eu tô gostando de outra garota, não sei dizer como foi que aconteceu, nem porquê, mas eu quero terminar com você. — ele disse.


Primeiro Sakura ficou alguns minutos parada sem reação, pensando que talvez fosse algum tipo de piada de mal gosto. Esperava que do nada ele fosse começar a rir e dizer que era brincadeira, mas ele continuava sério fitando-a.


– Como assim? Você me diz isso do nada, da noite pro dia? Quem é ela e por quê? Quando isso aconteceu? — Sakura perguntou sentindo raiva.


Era como se um nó estivesse em sua garganta, mas aquilo não estava sendo fácil para Sasori também, que sentia-se mal por estar magoando Sakura.


– Não Sakura, já tem um tempo que isso está acontecendo. Ela é da minha escola e começou quando começamos a fazer um trabalho juntos. Eu lutei contra isso, porque estava namorando você. — explicou o ruivo sentindo-se sem graça.


– Você me traiu com ela? — perguntou a Haruno com a respiração um pouco ofegante, seu coração batia rápido e forte dentro do peito e suas mãos estavam trêmulas.


– Não, eu jamais faria isso. Tenho me segurado justamente porque não quis magoar você, só que não estou aguentando mais. É por isso que eu quero terminar. — explicou o ruivo com sinceridade.


Sakura levantou-se sentindo-se zonza, era como se todo o seu mundo tivesse ido por água abaixo. Todos os seus sonhos, os sacrifícios que tivera que fazer por Sasori como por exemplo abrir mão da viagem que tanto sonhava em fazer. Ela que pensava que iriam construir uma família juntos, a poucas horas atrás havia até pensado estar grávida dele e agora do nada ele lhe dizia que não a queria mais porque estava gostando de outra garota?


– Por quê? Hein? O que ela tem que eu não tenho? Eu não sou bonita o suficiente pra você? NÃO SOU BOA O SUFICIENTE, HEIN? O QUE EU FIZ DE ERRADO PRA VOCÊ ME JOGAR FORA PRA FICAR COM ESSA VADIA? — descontrolou-se a Haruno gritando no meio do playground.


As crianças que brincavam ali de repente pararam para prestar atenção no que estava se passando e alguns vizinhos fofoqueiros colocaram a cabeça para fora da janela na intenção de presenciar a briga.


Sasori levantou-se, tentando se explicar. Não esperava essa reação de Sakura e sentia-se constrangido com tudo aquilo.


– Não Sakura, você é uma garota linda, maneira e é ótima. Foi uma boa namorada pra mim, mas é que agente não manda no coração. É só que o que sinto por ela é diferente, acho que você agora eu gosto como amiga. Eu ainda quero ser seu amigo. — disse o jovem, mas só conseguiu piorar as coisas.


Sakura começou a dar uma gargalhada histérica fazendo uma expressão no rosto que era um mixto de ironia e loucura, chegando a assustá-lo pois nunca havia visto a jovem daquele jeito.


– Hahahaha, amigos? Vai se fuder, Sasori! Amigos é uma ova! Quer saber? Fica com essa vagabunda qualquer e tomara que ela te chifre ou te dê o fora e trate de nunca mais olhar na minha cara, seu babaca! — disse empurrando Sasori fazendo-o cair sentado no banco e correu dali, pra pegar o elevador.


No caminho, as lágrimas desciam por seus olhos e assim que ela chegou em casa, deu um soco na parede chegando a machucar sua mão, mas não se importou.

Ela não sabia o que estava acontecendo consigo mesma, não era de dizer palavrões e sair gritando com as pessoas, muito menos agredi-las, mas sentiu ódio da frieza com que de uma hora pra outra Sasori havia terminado o relacionamento por causa de outra garota. Onde estava o amor que dizia sentir por ela? Como uma qualquer podia aparecer na vida dele e ser o suficiente pra matar esse amor? E por que Sasori sequer se dera o trabalho de prepará-la antes para aquele término, soltando a bomba assim do nada? Como ele podia ser tão insensível.


Sentiu-se machucada e teve fantasias de que ele se arrependeria, pediria perdão e desistiria da outra, mas isso não aconteceu naquele dia e nem no outro.


Uma semana se passou desde o término do namoro e nada do Sasori ligar ou deixar mensagem, então chegou o dia que ela teve que ir até a escola pegar seus resultados, descobrindo que havia passado direto em todas as matérias e na volta do caminho pra casa ela o viu de mãos dadas com uma garota de cabelos cor de uva caminhando alegremente e conversando.

Tratou de se sair logo dali antes que os dois a vissem, pois estava com vergonha. A garota não era tão bonita assim e talvez fosse até uma pessoa legal, mas Sakura a odiou só pelo fato dela ter-lhe roubado o namorado. Além disso, sua aparência estava péssima, pois continuava trocando a noite pelo dia, sua insônia não tinha passado e pra piorar ainda sentia dificuldades para se alimentar apesar da hipótese da gravidez ter sido completamente descartada depois que sua menstruação havia descido.


Ao chegar em casa teve a certeza de que sua vida havia desmoronado, como um castelo de cartas. Todos os planos que fizera para o futuro estavam acabados, tinha suas amigas, mas cada uma seguiria sua vida dali por diante, então olhou em sua bolsa e achou o panfleto da viagem de intercâmbio.


– Então é isso, pelo menos ainda está em tempo. O idiota do Sasori pelo menos me fez um bem em terminar comigo de uma vez ou invés de ficar enrolando. Pelo menos agora não vou perder a oportunidade de viajar por causa dele. — falou e pela primeira vez em vários dias deu um sorriso.


Estava decidida, quase perdera a oportunidade por causa de um homem que não lhe deu valor, mas agora estava decidida: iria viajar.


Notas finais
E aí, gostaram?