Insensível.
18 Capítulo 18.
Os meses voam rapidamente, já que o tempo não espera por ninguém. Ele é como um imenso pássaro de asas abertas, pairando sobre as pessoas e observando suas vidas se desenrolarem velozmente enquanto lutam para sobreviver.
Para ela, a situação também não era diferente. Estava responsável por treinar a equipe de torcida para os próximos campeonatos. Seu compromisso era levar a sua escola, Asaki High, ao pódio.
— Um, dois, três… Um, dois, três… Um, dois… Ei! Por que pararam de me acompanhar? — Questionou a garota ao notar suas amigas abandonando os alongamentos para observar algo além.
— O time de basquete está ali… — Disse a primeira, com rubor nas faces.
— Eles são tão incríveis! — Exclamou a segunda, quase derretendo de paixão.
— Óh, por favor, Hika. Deixe-os ficar mais um pouco por aqui… — Suplicou a terceira, obtendo a concordância unânime da equipe.
— Deixem disso, é apenas o time de basquete, não é como se fossem ídolos e…
— Para nós, eles são! — Exclamaram imediatamente, em conjunto.
— Hein? Calma…
— Olhem, olhem! O capitão está vindo até aqui!
— Hikari. — Ele chamou. — Estou atrapalhando seu treino? Se sim, peço desculpas antecipadas. Olá, meninas.
— Olá, Hashimoto! — Responderam elas em uníssono.
— Só aceitarei suas desculpas se for algo extremamente importante para ter interrompido o treino, Ren. — Retrucou Huryome. — Caso contrário…
— Caso contrário, você me perdoará da mesma forma. — O capitão riu. — Mas sim, é algo relevante. Preciso da sua colaboração amanhã. Eu e o time de basquete.
— Hum? Colaboração? No quê, exatamente?
— Poderia nos passar algumas orientações?
— Você sabe que não faço mais isso… Não costumo mais ajudar outras equipes.
— Eu sei, Hikari. Mas, por favor, ouça o meu apelo. Nosso time terá uma partida amistosa contra uma escola que tem um membro da antiga Geração dos Milagres.
— O quê!?
— Exatamente. E, como temos você, pensei que…
— Epa, epa! Como assim “temos você”? Eu não concordei em participar disso…
— Mesmo que eu faça tudo o que você pedir depois, Hika?
— Nossa, como ele é próximo dela, não é mesmo? — Sussurrou uma das garotas.
— Sim, estou tão surpresa quanto você…
— Ei! Não sou próxima de ninguém! — Respondeu imediatamente a garota azulada. — Veja só o que você me arranja, Ren!
— Peço desculpas mais uma vez. — Expressou seu característico risinho sedutor. — São algumas dicas para o nosso time. Além disso, acredito que gostaria de encontrar um antigo amigo, não é? A última vez não foi na Copa de Inverno? Você até pode nos acompanhar no jogo, se quiser.
— Ah, foi sim… Seria bom rever o Kuroko, o Kagami… Ou talvez o Midorima, ou…
— Então isso foi um sim?
— Está bem, você venceu. — Ela disse, após suspirar. — Mas aceito apenas para que deixe minha equipe treinar agora, certo?
— Sabia que podia contar com você. Obrigado, Hikari. Nos vemos?
— Sim, nos vemos.
— Beleza! Ah, ainda não revelaram o nome da escola adversária, mas aparentemente será a Kaijo. Tchau, meninas!
— Kaijo… A escola do Ryota, interessante. Tchau, Ren.
— Tchau, Hashimoto! — Responderam todas elas.
— É impressionante como vocês o respondem instantaneamente. Agora, podemos voltar ao treino?
— Sim, Hikari. — Elas concordaram, mesmo sem estarem totalmente preparadas para isso.
* * * * * *
O ônibus que levaria a equipe de basquete da Asaki High já estava esperando do lado de fora da escola. Era sábado e o dia estava ensolarado. Mesmo sendo fim de semana, os membros da equipe acordaram cedo para treinar e ouvir as sugestões de Huryome para melhorar.
Logo depois, por volta das 9h30, eles embarcaram no ônibus. Estavam prestes a partir para o amistoso agendado.
A garota desejava que sua escola se destacasse, participasse dos próximos torneios e campeonatos, e ainda trouxesse um troféu como reconhecimento para todos eles futuramente. Estava contente em poder auxiliar.
— Estou impressionado. — Hashimoto analisava os papéis que ela havia preparado. — Você conseguiu obter todas essas informações da Kaijo?
— Sim. Não foi tão complicado, considerando que os vi jogar na copa de inverno e conheço um pouco das técnicas do Ryota. Claro que eles devem ter evoluído bastante nesses meses, mas, por ora, isso deve ser o suficiente.
— Incrível. O que seria da nossa equipe agora sem você, senhorita Huryome.
— Bobagem. Quero que o time tenha um bom desempenho, afinal de contas.
— De qualquer forma, muito obrigado. — Ele refletiu por um instante, olhando para o rosto gentil da garota. — Ei… Eu estava pensando se não gostaria, depois do jogo…
— Hashimoto! — Chamou o técnico. — Preciso nos ajude com uma questão.
— Não consigo ter um momento de tranquilidade… — Ele suspirou ao se levantar.
Hikari o observava atentamente. O que ele diria se tivesse mais tempo?
De qualquer forma, ela agora se concentrava em encontrar uma maneira de neutralizar a habilidade de imitação de Kise. Olhou pela janela e viu a paisagem em constante transformação conforme o ônibus avançava. Alguns minutos se passaram até chegarem ao destino.
— TIME! Temos um anúncio para fazer. — Todos se voltaram para Ren. — A escola Kaijo teve problemas e não jogará mais contra nós.
Um murmúrio de desapontamento percorreu o ônibus. Todos queriam enfrentar Kise Ryota, um membro da Geração dos Milagres.
— Que pena… Eu adoraria rever o Kise. — Lamentou a garota.
— Mas não se aborreçam. Até agora estávamos buscando resolver o problema, e conseguimos. Outra escola concordou em realizar um amistoso conosco e também tem um ex-membro da Geração dos Milagres. — Prosseguiu o aviso. — E o melhor é que o enfrentarei diretamente. Nosso amistoso será contra a escola Rakuzan. Encararemos Akashi Seijuro.
Levou um tempo para ela processar aquilo. No entanto, quando aquele nome ressoou em sua mente, ela retornou à realidade. Não de uma forma agradável, porém.
— O que houve? Não está contente?
— Ren, eu aceitaria interagir com qualquer um, menos ele, por favor, eu quero voltar para nossa cidade.
— Você sabe que não podemos voltar, Hikari. São horas de viagem. — Tentou acalmá-la. — Por que aceitaria qualquer um, menos ele?
— Eu…
— Chegamos. — Anunciou o treinador. — Peguem suas mochilas e preparem-se para o jogo.
Assim que se aproximou da janela, pôde imediatamente notar a imponente estrutura à sua frente. Tratava-se, sem dúvida, de uma escola de renome. Em sua vasta fachada, destacava-se o nome da instituição que conquistara o segundo lugar em toda a competição de Inverno: Rakuzan High.
* * * * * *
— Eu devia ter continuado no ônibus…
— Você sabe que não podia, ele tinha outro destino e voltará para nos buscar depois. — Ren explicou, enquanto seguiam pelos corredores em direção ao ginásio.
— Eu poderia ter ido com ele.
— O que houve, Hikari? Você estava tão animada antes. É por causa das informações que nos forneceu? Não se preocupe, as utilizaremos outro dia. Ainda temos um jogo contra a Kaijo pela frente.
— Não, não é isso. Está tudo bem, Ren, eu já estou melhor. — Ela disse, observando ao redor para evitar surpresas adicionais naquele dia.
— Vocês são o pessoal da escola Asaki? — Saudou um homem à entrada do ginásio.
— Sim. — Confirmou o treinador.
— É um prazer conhecê-los. Estou encarregado do jogo de hoje. Por favor, entrem e sintam-se à vontade. Nossos jogadores já estão se aquecendo no local. — Com essas palavras, ele abriu a porta.
Naquele momento, o coração da garota acelerou. Ela sabia quem estava do outro lado. Tinham se despedido em circunstâncias nada agradáveis, e apesar do tempo que se passara desde então, ela não estava totalmente preparada para revê-lo.
— Olhem ali! — Exclamou um dos membros da equipe. — São os reis sem coroa! Impressionante.
Reo Mibuchi, Kotaro Hayama e Eikichi Nebuya estavam treinando passes quando viram a porta se abrir, revelando a equipe adversária.
Hikari olhou ao redor, um tanto ansiosa, mas percebeu que ele não estava lá.
Ao encarar os reis sem coroa, apenas acenou com a cabeça, gesto retribuído, apesar dos sussurros sobre a figura feminina conhecida da Winter Cup.
— Vai ser demais. — Exclamou o capitão da equipe Asaki, cheio de entusiasmo. — Mas cadê o ás da Rakuzan?
— Não faço ideia. — Respondeu Hikari.
— Ouvi dizer que o Akashi está doente. — Murmurou alguém na plateia. — Há boas chances de ele não comparecer hoje.
— É sério? Bem que não o vi na escola.
— Ah, queria tanto vê-lo jogar. Ele é incrível.
Hashimoto virou-se para Huryome, e ela percebeu sua desilusão ao saber que o capitão da Rakuzan não estaria presente. Mesmo que tentasse esconder, ela se sentiu aliviada naquele momento.
— Não tem problema, Ren. Outras oportunidades virão, não é?
— É, talvez você tenha razão. Não era para ser agora.
— O momento certo chegará. — Afirmou, sorrindo. — Bom, eu vou ao banheiro antes do jogo começar. Ajudarei vocês a enfrentar os reis sem coroa. Já volto, combinado?
A garota de cabelos azuis dirigiu-se à porta no momento em que Kotaro se aproximou da equipe adversária. O loiro apreciava bater papo e avaliar, por meio das conversas, o nível de energia que empregaria e com quem lidaria.
— Hey, hey! Olá, equipe Asaki! — Cumprimentou.
— Uau! Você é o Hayama, não é? Seu Drible Relâmpago é incrível na quadra! — Elogiou um membro da equipe adversária.
— Obrigado pelo elogio. Vocês parecem ser adversários à altura também.
— Receber elogios de você é uma honra! — Admirou-se a equipe.
— Ouvi dizer que o capitão da Rakuzan está doente. — Começou Ren. — Espero que não seja grave e um dia possamos jogar contra ele.
— Hm? Doente? Akashi? Ele só foi buscar algo no armário dele, deve aparecer em breve. — Explicou Kotaro.
— Como? Quer dizer que ele jogará?
— Com certeza, e mesmo que estivesse doente, ele daria um jeito de acompanhar a equipe.
— Aposto que Hikari ficará feliz com isso. — Ele chamou-a antes que ela pudesse abrir a porta. — Tenho novidades!
— Novidades? — Ela dirigiu-lhe o olhar. — Posso ouvir quando voltar?
Ao girar a maçaneta, a porta cedeu facilmente, pois já estava sendo aberta do outro lado. Quando o obstáculo finalmente se dissipou, seus olhares se encontraram imediatamente. Ela parou, sentindo seu coração acelerar.
— Hikari.
Ela ouviu o chamado, mas não vinha do garoto à sua frente, já que estavam ocupados demais se reconhecendo e tentando conter a saudade que surgia em momentos assim.
— Hikari! Por que está tão abalada? Parece que viu um fantasma. — Finalmente, ela despertou de seus devaneios, olhou para o lado e avistou Ren, que voltou seu olhar para a porta. — Ei, você não é o capitão da Rakuzan? Akashi Seijuro, não é?
— Você é do colégio Asaki? — Perguntou finalmente, desviando o olhar da garota. — Sim, sou eu.
— Exatamente. Prazer em conhecê-lo. — Cumprimentou estendendo a mão. — Me chamo Ren Hashimoto, capitão da equipe. Quase desanimei quando ouvi que estava doente e talvez não viesse.
— O prazer é meu, Hashimoto. — Retribuiu o cumprimento. — Estive resfriado, mas já estou melhorando. Não perderia um amistoso por nada.
— Isso não vai impedi-lo de mostrar suas habilidades, com certeza. — Sorriu confiante. — E aí, Hikari, contente em rever seu velho amigo? Tenho certeza de que sim.
— Ren, você precisa organizar o time para o início do jogo, não é? — Huryome encarou o moreno ao seu lado.
— Ah, é verdade, já vai começar. Quando voltar do banheiro, lembre-se de que seu lugar é no banco da nossa escola. Nada de torcer para o time adversário, mesmo que Akashi esteja presente. Te espero lá. — Ren retornou para sua equipe.
Ela inspirou profundamente.
— Contra mim outra vez? — Ele simplificou.
— Não antecipei isso. — Respondeu.
Ele adentrou o ginásio, segurando a porta para que ela passasse.
— Obrigada. — Ela falou, avançando rapidamente, tentando se distanciar quanto antes.
— Disponha. — Seijuro a observou antes de fechar a porta e se dirigir à sua equipe.
* * * * * *
O primeiro quarto começou após os jogadores se cumprimentarem no centro da quadra. Como previsto, a posse inicial pertenceu a Rakuzan. Com a bola, Akashi distribuiu os passes com menos intensidade do que o habitual, permitindo que Asaki participasse plenamente do jogo.
No entanto, apesar da redução na intensidade, obviamente não facilitaria para o oponente. Jogando em conjunto com Kotaro, eles conseguiram marcar os primeiros pontos.
— É incrível, não é? Estamos competindo contra eles. — Murmurou Ren para o colega.
— Sim. Marcar o Hayama será um desafio, por ser muito veloz. E os passes precisos do Akashi são de uma habilidade incomparável.
— Sim, de fato. Apesar de difícil, não é impossível. Vamos, Asaki!
— Vamos! — Respondeu o time em coro.
Hikari observava o jogo do banco de reservas, buscando identificar pontos estratégicos para neutralizar a força da Rakuzan. Mas sempre que tentava se concentrar, sua atenção se desviava para o garoto de cabelos rosados. Sua destreza era excepcional. E agora, jogando unido à equipe, estavam mais sincronizados que nunca.
No entanto, não era apenas isso que a atraía. Ainda se recordava da última conversa que tiveram, quando se despediram. Mas será que realmente desejava se manter afastada daquele que estava diante de si?
Enquanto refletia intensamente, desviou seu olhar para Ren. Com um gesto rápido, ela apontou uma vulnerabilidade na defesa da Rakuzan, algo que ele logo compreendeu e aproveitou, marcando um ponto para seu time. Após marcar, piscou para a garota, que sorriu em resposta.
Akashi observava a interação entre os dois. Havia algo que o perturbava, no entanto, não conseguia identificar exatamente o que era. Talvez estivesse incomodado com a habilidade de Ren em descobrir falhas em seu jogo, sabendo que ele tinha a ajuda dela. Mas, ao ponderar sobre isso, sorriu confiante. Encontraria maneiras de desafiá-la a demonstrar mais de suas habilidades analíticas, apenas para captar sua atenção por alguns minutos.
Mibuchi executou o seu arremesso ardiloso. Um dos marcadores adversários infelizmente caiu na armadilha, resultando em uma jogada de quatro pontos.
Recordando atentamente o confronto com a Seirin, Hikari tentou buscar as dicas de Hyuga. Ao solicitar uma pausa, ela destacou os pontos a serem examinados nos arremessos de Reo.
— Esse arremesso dele é tão enganador. — Disse um dos integrantes, irritado.
— Sim, é complicado, pois Mibuchi pode simular e mudar o tipo de arremesso a qualquer momento. Você precisa ficar de olho nos movimentos do corpo dele. Existem variações distintas, mas a posição em que ele se encontra indicará como você deve reagir.
— Que bom que você está aqui, não é? Se não estivesse, ia ser complicado lidar com a Rakuzan. — Ren disse, se aproximando dela. — Apareça em mais jogos, vou me dedicar ainda mais para que torça por mim. — Ele sorriu, estendendo a mão para que ela tocasse com um “tapinha”.
— Não seja convencido, Ren. — Ela tocou enquanto sorriu.
Seijuro, mesmo do outro lado, mirava-os de soslaio.
— Posso utilizar de meus arremessos vazios? — Mibuchi perguntou, mas ao não receber resposta, ficou curioso para saber o que estava chamando a atenção do capitão. — Sei?
— Sim, Mibuchi? — Ele respondeu finalmente, tomando água de sua garrafa.
— Está tudo bem? Parece que você está mais distraído hoje. Sua febre voltou?
— Não, estou bem. Pode usar de seu arremesso mais complexo sim. Apesar de Asaki aparentar calmaria, são fortes adversários.
— Certo, vou encontrar uma maneira de aumentar a vantagem.
Ao reiniciar o jogo, nada mudou, exceto por um momento: era capitão contra capitão.
— Ei, Akashi! Vai com calma comigo, por favor.
— Não terei piedade de alguém que possui algumas dicas sobre meus passes. Cuidado, Hashimoto, pois posso surpreendê-lo a qualquer momento. — O de cabelos rosados sorriu confiante.
— Não há nada melhor do que ser surpreendido pelo ex-capitão da Geração dos Milagres. — Ele avançou, tentando roubar a bola.
O número 04 da escola de uniforme branco simplesmente o driblou. Sua velocidade havia aumentado, passando facilmente por Hashimoto, que, apesar das dicas da amiga, não conseguiu contê-lo. O capitão da Rakuzan logo pontuou.
— Ele driblou… De forma diferente da que costuma driblar sempre? — Refletiu Hikari. — Não imaginava que o Akashi pudesse…
Ao cruzar olhares com o responsável pelo drible, notou que ele também a encarava.
Estaria ele a desafiando?
Ela não conseguiu conter o sorriso e ele retribuiu com um sorriso similar ao perceber que ela compreendera suas intenções.
Estranho era ver que, apesar da despedida, os dois ainda sabiam lidar um com o outro.
O primeiro quarto chegou ao fim. Ao retornar ao banco, Ren notou as trocas de olhares e sorrisos entre ambos.
* * * * * *
Com o andamento do segundo quarto, Hashimoto percebeu que esses gestos entre os dois se intensificaram. Isso já começava a irritá-lo, mesmo ciente de que a garota conhecia o oponente de tempos atrás.
Numa outra tentativa de confronto entre os dois, ele se esforçou ainda mais para roubar a bola, porém Akashi mostrou ser astuto e driblava com facilidade a cada investida. Esse fato, também contribuía para aumentar sua irritação, especialmente ao perceber que a atenção de Hikari não estava nele, mas sim no capitão do time da escola oponente.
Quando isso ocorreu de novo…
— Akashi. Você está jogando pela sua escola ou apenas se exibindo? — Ren questionou de repente.
Seijuro o encarou, sem se deixar afetar.
— O fato de não conseguir roubar a bola de mim te incomoda?
— Não. O que me irrita mais é você tentar chamar a atenção da Hikari em vez de focar no que realmente importa.
— Você está enganado. Não estou buscando chamar a atenção de ninguém. — O imperador o encarou com firmeza. — Qual é a sua relação com ela, Hashimoto, para ficar tão incomodado?
— Isso não é da sua conta. — O capitão avançou, mas a bola já tinha sido passada para Kotaro. Contudo, o apito do juiz soou. O moreno cometeu uma falta, chocando-se no adversário.
Huryome se levantou imediatamente, mais preocupada com Seijuro do que com Ren.
— Você não deveria jogar se não consegue controlar suas emoções em quadra. — Akashi falou de forma áspera.
— Está tudo bem? — Questionou o juiz ao se aproximar. — Preciso retirar alguém da disputa?
Ren pensou que seria afastado do jogo, mas Seijuro prosseguiu.
— Está tudo bem — Respondeu, olhando para o responsável. — Contanto que ele demonstre suas habilidades apenas jogando e não pense que isso é uma briga de rua, por mim, ele pode continuar. Porém, não permitirei que isso se repita. Esteja avisado. — Os olhos rosados possuíam autoridade.
— Você fará isso novamente? — Indagou o juiz, dirigindo-se a Hashimoto.
— Não.
— Ótimo, teremos um intervalo e depois iniciaremos o terceiro quarto. Esse está encerrado.
* * * * * *
Enquanto o rapaz voltava para o banco, a amiga perguntou o que estava acontecendo com ele.
— Nada.
— Como nada, você nunca agiu assim!
— E você está preocupada comigo ou com ele, Hikari?
— Ren, que pergunta é essa?
— A pergunta que posso fazer após observar vocês dois.
— Chega. Vem comigo.
A azulada dirigiu-se à porta do ginásio e ficou à espera do lado de fora. Quando ele apareceu, ela fechou a porta.
— Não faço ideia do que está pensando, mas não aprecio ser controlada.
— Não estou tentando te controlar.
— Então, não me faça perguntas como se estivesse. Não há nada acontecendo entre mim e ele.
— Que você não quer admitir, não é verdade?
— Ren, eu já disse…
— De qualquer forma, isso não justifica o que fiz em quadra, admito. Desculpa.
— É tudo? Não pedirá desculpa para mim?
— Pelo que exatamente? Em todo esse tempo você não percebeu ainda?
— O que eu deveria perceber?
— Que gosto de você. Quero namorar você, Hikari.
As palavras de Hashimoto escaparam-lhe ao mesmo tempo que a porta se abria e Seijuro surgia do outro lado. Os três calaram-se. Diante da declaração, a garota ficou demasiado surpresa. Ao olhar para a porta, percebeu que Akashi também estava perplexo. As palavras desvaneceram-lhe na boca, impedindo-a de falar naquele momento.
Os dois se encararam antes de o de cabelos rosados falar:
— O terceiro quarto está prestes a começar.
— Se possível, quero uma resposta sua ainda hoje, Hikari, sobre o que acabei de declarar. — Hashimoto passou por Akashi e retornou à quadra, inspirando fundo.
Por algum tempo, os dois permaneceram em silêncio.
— Você está bem depois do que aconteceu na quadra? — Ela perguntou, olhando para baixo.
— Estou.
— Que bom. — Ela entrou novamente, passando por ele também. — Cuide-se.
Seijuro não queria admitir, mas a declaração o incomodou. Parecia que um espinho o feria e ele não conseguia retirar, só penetrava cada vez mais fundo em sua pele. Relutava em admitir, mas algo a mais existia em seu coração pela garota que teve a audácia de se despedir na última conversa deles.
Ele simplesmente retornou à quadra em silêncio.
* * * * * *
O terceiro quarto passou voando. Hikari estava absorta em seus próprios pensamentos, mal acompanhando o jogo.
Em quadra, os capitães estavam se enfrentando diretamente. Apesar dos ânimos exaltados, o jogo prosseguiu sem mais interrupções por faltas. No entanto, Akashi não perdeu a oportunidade de fazer o oponente cair com seu movimento habilidoso, o "quebra-tornozelo".
Apesar dos esforços de Asaki em criar problemas para Rakuzan, a equipe experiente lidava facilmente com qualquer adversidade apresentada. Agora, com Huryome longe demais para o embate, as estratégias para neutralizá-los não estavam surtindo efeito.
O terceiro quarto acabou e deu lugar ao quarto.
Era o último momento em que ela poderia ver o capitão da Rakuzan em ação. Mesmo que houvesse mais jogos programados, ela não estaria presente. Era necessário se desligar de Akashi de alguma maneira.
Ela estava realmente considerando a declaração de Ren.
O jogo chegou ao fim. Rakuzan marcou 82 pontos, enquanto Asaki fez 74.
Os times se cumprimentaram e foram descansar em seus respectivos bancos.
— Hikari… — Começou, levando a mão ao lado do rosto dela em um gesto carinhoso.
Os olhos azuis fixaram nos olhos verdes de Hashimoto. Ela estava surpresa, mas logo desviou o olhar para Seijuro. Sentia um arrepio percorrer seu corpo e um frio na barriga sempre que olhava para aqueles olhos rosados.
Akashi observava o momento com seriedade.
De repente, Hikari afastou o rosto da mão do amigo. Ele a olhou surpreso.
— Te espero lá fora, Ren.
Foi tudo o que disse antes de se dirigir à saída.
* * * * * *
Estava quase anoitecendo quando o ônibus chegou. Todos se organizavam para entrar e retornar a Nagoya, a cidade onde moravam. No entanto, duas pessoas ainda estavam do lado de fora, perto da entrada da escola Rakuzan.
— Hikari, em primeiro lugar, me desculpe. — Hashimoto começou. — Não queria que as coisas chegassem a esse ponto, não queria ter falado com você daquele jeito ou forçado uma resposta. Apenas expressei o que sentia. Eu…
— Acredito que tem o direito de receber uma resposta, não é? ― Ela dirigiu-lhe o olhar. ― Pelo menos, se eu estivesse na sua posição, gostaria de saber.
— Sim, claro. Então…
— Refleti sobre a sua declaração mais cedo.
— Antes de mais nada… É tudo verdade. Desde o momento em que começamos a interagir, venho ponderando sobre isso. Já nos conhecemos há tanto tempo… O que sinto é genuíno.
Hikari sorriu.
— Fico contente com as suas palavras. ― Disse, embora não demonstrasse felicidade em sua expressão.
— Você não parece estar.
— É porque não desejo te magoar.
Naquela resposta, ele já compreendia que não era correspondido.
— Ren, quero que entenda que gosto de você também.
— Gosta…?
— Gosto. Mas não o suficiente. E eu…
— Não o suficiente para te fazer esquecer outra pessoa.
Ela o encarou e então ele prosseguiu.
— Sei que houve um tempo em que você teve uma história com Akashi e, mesmo que não queira me contar, não precisa, Hikari.
— Peço desculpas…
— Não tem problema. Deveria ter percebido quando você falou no ônibus que poderia interagir com qualquer um, menos ele.
— Escuta…
— Era isso e eu nem tinha percebi-
— PARE! Pare, Ren! — Ela gritou. — Pare de focar em coisas sem importância agora. Você não entende? Eu me despedi dele porque queria me libertar, encerrar isso, mas não consigo. Não me culpe por isso! Você acha que eu não desejei já tê-lo esquecido?
Hashimoto apenas escutava.
— Apesar de muito tempo sem vê-lo, uma simples troca de olhares é o bastante para me abalar. Eu não consigo, Ren. Simplesmente não consigo me interessar por mais ninguém. Akashi Seijuro foi meu primeiro amor e, mesmo que ele tenha feito coisas no passado que ainda me doem, continua tão presente na minha vida quanto eu gostaria. — Algumas teimosas lágrimas escaparam dos olhos da garota. — Pensei muito em você, considerei a possibilidade de nos dar uma chance, mas sou incapaz de nutrir sentimentos por qualquer outra pessoa que não seja ele. Levará muito tempo para cicatrizar essa ferida…
— Posso esperar por você, Hikari. — Ren assegurou. — Posso tentar…
— Eu não quero que você se machuque por minha causa. Quero que você viva. Preciso cuidar das minhas próprias feridas. Preciso enfrentar isso sozinha, para não ferir outra pessoa. No momento, meu coração está indisponível.
— Exceto para ele.
Ela permaneceu em silêncio por um momento, e ele captou essa mensagem também.
— Eu só peço desculpas. Sinto muito por não compartilhar dos mesmos sentimentos que você. — Disse ela.
— Isso vai passar. — Acrescentou, olhando para o céu antes de se encaminhar para o ônibus. — Vamos, precisamos seguir em frente. No ônibus, colocaremos a cabeça no lugar.
Ela concordou, enxugando as lágrimas com as mãos.
— Sim. — Murmurou.
Antes de partir, ela lançou um último olhar à escola.
— Que seja a despedida, Akashi Seijuro. O meu coração não suporta mais. — pensou.
O ônibus partiu sem demora, levando embora a garota dos cabelos azuis.
O que ela não suspeitava era que, ao se afastar, alguém saiu sorrateiramente de trás da porta. Seus olhos rosados seguiram o ônibus, esperando que ele pudesse trazê-la de volta após ter escutado a conversa.
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