Insano Desastre
8 Sentimento Misterioso
Notas iniciais
Capítulo Oito – Sentimento misterioso
Então é isso. Faleceu. Renji morreu bem ali. Mas, não tão rápido, felizmente para você.
Piscando devagar, olhou para o esparramado — ainda estavam deitados — Byakuya, que não parecia querer olhar qualquer um agora. Ainda estava processando o sentido da frase. Se a resposta foi sim, quer dizer que...? Certo...?
– Hã? – Só conseguiu balbuciar alguma coisa sem sentido algum, tamanha a surpresa. Falando sério, esperava que fosse expulso do quarto do homem assim que um dos dois – Byakuya – se sentisse satisfeito.
Byakuya não era o tipo de homem que faz esse tipo de coisa, pois se fizesse, Renji não seria tão louca e irremediavelmente apaixonado. Pois bem. Renji não viu, mas o Kuchiki revirou os olhos. Bem, sempre soube que seu subordinado era um pouco lerdo, vai ver que isso é lerdeza dupla, efeito colateral do pós-sexo. Ficou vermelho ao pensar nisso. Ainda bem que a vermelhidão podia ser associada aos efeitos do pós-sexo...
Céus, alguém ajuda essa alma que está se corrompendo na perversão? Agradeço desde já.
– Renji, eu não vou repetir. Se você ouviu, tudo bem. Se não ouviu, tudo bem também. – Ele não demonstrava, mas estava aborrecido. A verdade é que as palavras vieram com fluidez surpreendente (pós-sexo) e, fala sério, Renji estava estragando todo o seu esforço, agora.
Por outro lado, Renji estava satisfeito com o rumo que as coisas estavam tomando. Apoiou-se com o antebraço na cama, o suficiente para ver o rosto do outro. A expressão era indiferente como sempre, mas, com aqueles olhos fechados e aquela face solene e frágil (pós-sexo), não resistiu. Pegou uma mecha dos cabelos negros e sedosos entre os dedos, alisando. As sobrancelhas que pareciam naturalmente franzidas de Byakuya estavam mais franzidas ainda.
– O que há, Renji? Eu quero dormir. – Ah, Renji tentou, ele jura! Mas, aquela voz grave e aveludada falando daquele jeito era tão erótico... Ele fazia de propósito, só pode. Tocou o pescoço alvo com a ponta do nariz, um movimento suave, instigante, sem sentido. – Renji...?
– Não acabou, taichou. – sussurrou.
– O quê não acabou? – a indagação pode parecer inocente a seu ver, mas ele desconfiava saber exatamente do que Renji estava falando.
Pervertido...
– Certeza absoluta de que está satisfeito? – Renji respondeu com outra pergunta.
– Você tem que parar com isso. Todos os sintomas apontam para ninfomania. – declarou.
– O senhor se importa muito com isso? – perguntou maliciosamente.
– Na verdade, não. Eu até gosto. – Renji sorriu. Sabia bem aonde aquilo iria dar.
...
Estavam finalmente se vestindo, depois de um banho demorado que retirou todos os resquícios do que fizeram.
Byakuya tem algo muito importante para confessar: um Renji nu, uma cama, quatro paredes e a disposição de um capitão é a melhor fórmula para o êxtase. Certo, pode parecer que ele seja tarado (se você pensou nisso, está invertendo os papéis), mas, pelo menos é um tarado sincero. Renji também não se cansou rápido da brincadeira, deixando Byakuya se aproveitar – e muito – de... deixa pra lá.
Os dois iriam sair, queriam apenas caminhar. Byakuya queria respirar algo diferente do ar daquele quarto. Entendam, Byakuya detesta sentir-se preso e caminhar parece trazer uma liberdade inédita, mesmo que passageira. Além disso, precisava de algo. Não iria contar isso para ninguém. A verdade é que o bocó ainda está em estado de negação consigo mesmo... ok, ok, desculpa.
Byakuya Kuchiki não contará isso para mais ninguém, então aproveite. A verdade é que queria sim a companhia de Renji, mesmo esta sendo barulhenta e diferente de tudo o que idealizava para o que uma companhia deveria ser. A caminhada seria pela Seireitei, até o alojamento, para que Renji pudesse se despedir direito. Tá, sabemos que eles poderiam ter se despedido muito bem na casa de Byakuya, mas, se ele queria caminhar, deixa.
A estrada principal foi a escolhida, afinal, mesmo que nenhum dos dois quisesse que o relacionamento ficasse as claras, um capitão e um tenente andando juntos não é uma anomalia, pelo contrário. Em alguma parte, já podiam avistar o quartel do sexto esquadrão. De repente, de alguma parte do caminho, Hisagi fukutaichou apareceu.
– Oe, Renji! – ele chamou. Mas, parece que finalmente viu Byakuya. – Boa tarde, Kuchiki taichou. – Byakuya acenou com a cabeça. Ele estava começando a ficar impaciente. – Não é o seu dia de folga?
– Ah, é sim. – respondeu Renji, coçando a cabeça. – Encontrei o taichou por coincidência.
– Hum, tá. Então, faz tempo que não saímos juntos, vamos hoje? O Kira e a Rangiku-san também vão. – A verdade é que ambos estavam com saudades dos tempos que bebiam juntos como bons amigos, e faz uma eternidade que não o faziam (mentira, faz duas semanas).
– Ah, podemos ver isso se...
– Não. – a voz de Byakuya interrompeu a conversa, e, falando sério, eles até esqueceram-se da presença do homem ali.
– Hein? – perguntaram em uníssono.
– Renji e eu temos muito que fazer hoje, já que surgiu um imprevisto. – inventou a mentira mais rápido do que imaginava conseguir.
– Ah... é uma pena, então. Fica pra próxima, Renji. – Shuhei não parecia nem um pouco convencido, mas quem liga?
– Ok... – Renji ainda observava a cena, um tanto surpreso. Hisagi se despediu e pegou o próprio caminho. – Taichou... o que foi isso?
– Vamos para o seu dormitório de uma vez. – respondeu seco. E, bem, o ruivo não teve outra escolha além de concordar.
...
Estavam no dormitório de Renji no alojamento, o ruivo sentado na poltrona e o moreno em pé, claramente chateado com algo. Mas Renji é tapado demais para perceber, pedras nele.
– Taichou...? – Renji chamou, observando o rosto mais fechado que o normal do outro.
– Eu não quero isso.
– Isso o quê? – Estava ficando incrivelmente confuso.
– Essa sua intimidade com outras pessoas.
– Que intimi...? Tá falando do Hisagi? Ele é meu amigo. Além disso... – calou-se. Não podia revelar os sentimentos do amigo pela tal pessoa, afinal. –... eu gosto mesmo de outro.
– Não era o que parecia quando combinou de praticamente passar a noite com Shuhei Hisagi.
– Passar a... hã? Ele me chamou pra beber!
– Vocês pareciam íntimos demais.
– Isso é o quê?
– Não é nada. Mas, eu quero que algo fique bem claro. Quando você fez aquela proposta, deixou muitas lacunas. Vamos preenchê-las. Eu não quero ter que dividir você com ninguém.
– Igualmente, mas,... por que isso agora? Taichou... o senhor está com ciúmes? – Renji ficou mais chocado do que deixou expressar nas poucas palavras, enquanto Byakuya ficava vermelho de constrangimento.
– Não é isso. Eu só quero ter certeza de que deixei isso bem claro. – Renji levantou-se, ficando de pé na frente do nobre. Pegou uma das mãos do outro e levou ao próprio peito. A pulsação do coração era forte e frenética.
– Isso é o que eu sinto quando estou perto do senhor. Quando olho para o teu rosto, até mesmo quando sinto o teu cheiro ou quando há algo associado a ti. Chega a ficar tão rápido que eu sinto medo de começar a sangrar. – Byakuya ficou vermelho na hora.
– Renji, eu entendi, não precisa fazer isso...
– E isso... – Levou a mão que ainda estava em seu peito até seu baixo-ventre. Agora sim, Byakuya estava estarrecido, chocado, envergonhado e sem fala. É certo que fizeram coisas, hum, comprometedoras, mas não estavam falando de sentimentos há quinze segundos? Enfim. Assim que Renji pôs sua mão naquele local, sentiu a rigidez do órgão que estava se despertando. Um tarado insaciável? Talvez. – Isso nunca acontece quando penso em qualquer um. Eu só preciso me lembrar da última tarde que passamos juntos... e acontece como mágica. – Ele finalmente soltou a mão de Byakuya, que a puxou para perto do corpo, como se Renji queimasse.
– Eu não perguntei sobre nada disso.
– Eu sei. Apenas senti a necessidade de deixar claro que sou teu. Tão teu que nem sou mais meu.
– É confortável ouvir isso. – Passou os braços magros pelos ombros de Renji em um abraço, puxando o outro para si. – Só espero que seja verdade.
– Acredite, é sim. – E, mesmo deixando isso escondido e implícito, acreditava. Com toda a sua alma, acreditava que pertenciam sim, um ao outro.
{···}
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