Insano Desastre
9 Esquecido
Notas iniciais
Capítulo Nove – Esquecido
Oh, era isso. Byakuya Kuchiki estava ficando louco. Muito louco. Seu corpo pegava fogo, a sensação era sufocante. Os lábios de Renji desceram por seu pescoço, fazendo um arrepio gostoso cobrir sua espinha.
Era perfeito.
Byakuya desceu a boca pelo pescoço do outro, que gemeu. É, parece que Renji gostava de ser tocado ali. Interrompeu seu ato lascivo quando a língua de Renji passou por sua pele, apenas para gemer.
Oh, essa miscelânea de sentimentos...
Os beijos passaram do pescoço para sua clavícula, e Renji – ele não podia evitar, não o recrimine – observava cada reação do outro. Parou com tudo o que fazia e voltava a dar atenção aquela boquinha perfeita.
... é tão ameaçadora...
Era tudo maravilhoso: o cheiro, o gosto, a cor. Era tudo sob medida. Sabia aonde aquilo daria e nem ligava. Passou a última semana, hum, lendo coisas no quarto do Kuchiki depois do expediente. Ao que parece, Rukia não desconfiou de nada. Até porque Byakuya não se deu ao trabalho de contar.
... e ao mesmo tempo tão... tão...
Gemeram em uníssono quando, sem querer, os quadris entraram em atrito. Mais um "turno de leitura" só o faria viciar mais naquele homem. Já estavam sem a parte de cima das vestes, o calor era algo palpável, as coisas estavam indo pelo rumo esperado e então...
Um som foi ouvido vindo do corredor. Estalidos e passos, com certeza.
... tão previsível!
Renji desgrudou o próprio corpo do corpo alheio e sentou-se na cama, de repente alerta.
– Taichou...? – Sussurrou preocupado. Nem precisou de concentração, conhecia aquela energia tão bem quando a sua própria: Rukia, a garota que no momento incomodava, chegou mais cedo que o previsto em casa e, veja bem, isso era um problema. – E agora, Taichou? – Renji também percebeu e era só questão de tempo para que Rukia descobrisse o babado do século. Tá... E agora, hein? Byakuya também queria saber desse negócio aí. Um kidou não daria tempo... Se esconder em um armário, como nos livros do mundo dos vivos...? Impensável. E ainda estavam seminus!
– Coloque a roupa! – ordenou em um tom de voz urgente, quase demonstrando o desespero do momento. Enquanto os passos e a presença de Rukia se aproximavam, já estavam quase totalmente recompostos. Byakuya usou um shunpo e, em um movimento rápido, jogou uma pilha de papéis que estavam na mesa encima da cama, apenas para ter uma desculpa pela bagunça. As paredes eram de madeira e as portas de papel e bambu... Era em momentos como esse que Byakuya se arrependia de não ter reconstruído ao menos seu quarto em estilo ocidental com isolador de som. Fica pra próxima.
A garota estava em frente ao quarto de ambos, e parece que hesitou por um instante em frente ao quarto de Byakuya, sabendo que Renji estava ali. Byakuya se sentia cada vez mais encurralado. O que faria se ela descobrisse? Cometer suicídio até seria uma boa opção se não tivesse Renji ali... Falando sério, às vezes Byakuya pensa cada coisa... Com a expressão constantemente indiferente, abriu a porta e Rukia quase deu de cara no chão com o susto.
Quando finalmente se recuperou, começou incerta.
– Nii-sama... – parou, duvidosa. Queria perguntar, mas seria ridículo. Só que Renji estava ali e a curiosidade ardia... – esqueceu alguma coisa aqui?
– Sim. Um relatório muito importante.
– Ah, certo...
– E você, o que faz aqui essa hora, Rukia?
– Também esqueci algo importante.
– Pegue logo, então.
– Sim... – Byakuya nunca foi do tipo que esquece as coisas, mas parece que sempre há uma primeira vez. Olhou o irmão de forma mais atenta. Ele estava bonito como sempre, bem arrumado, mas faltava alguma coisa... Ah, o cachecol. Ainda não havia se acostumado com a falta do cachecol, aquela peça que sempre adornava o nobre e lhe dava um ar estiloso e... hã...? Que é que...? – Nii-sama? O seu pescoço...! – Sem perceber, ela analisava a pele que antes era branca e imaculada. Agora? Faz-me rir.
– O que tem? – Ele rapidamente levou uma das mãos ao local indicado. Ela ficou constrangida por falar o que ele tinha no pescoço. Estava incrivelmente marcado e ela podia imaginar o porquê.
– Nada... Impressão minha. Eu vou indo, até o jantar, nii-sama. – Nem se deu ao trabalho de responder. Estava mais preocupado com o que quer que ela tenha visto. Assim que sentiu a reiatsu se afastando, virou-se para Renji, tirando novamente a parte de cima das roupas.
– O que foi, taichou? Está tão necessi...?
– Quieto. – Byakuya interrompeu. – Não é nada disso. – Foi até o espelho mais próximo – que estava no lavabo – e quase caiu pra trás com o horror da cena. Tá, não exagera. Porque foi exagero, ele não cairia pra trás com tão pouco. Ou nem tão pouco assim. Minha nossa, tornou-se tão pervertido deste modo nas últimas semanas? – Renji... – chamou, analisando o resto do próprio corpo.
O tenente colocou-se na soleira da porta e, assim que viu o corpo do moreno parcialmente despido e bem iluminado pela forte luz do banheiro, não sabia se sentia culpa ou excitação. Marcas de mãos desciam pelo abdômen e na linha do quadril, deixando imaginar até onde elas iriam. O pescoço estava coberto por hematomas arroxeados que ia até a nuca e desciam pela clavícula. A pele antes sem marcas estava... estava... um caos e, para piorar, sabia que nada disso foi causado por uma batalha. Ou foi, depende do ponto de vista.
– Uau, taichou... Me desculpa?
– Esse não é o problema. A minha irmã, sua amiga inclusive, viu isso.
– Mas ela não sabe quem foi...
– O que é pior ainda. Já parou pra pensar que ela está achando que estive dormindo com alguma prostituta de luxo?
– Por favor, nem fale algo do tipo...
– O que tem? – Renji se tirou todas as vestes, nem querendo saber onde elas ficariam depois disso. Estava mais preocupado com outra coisa. Encostou o corpo nu ao de Byakuya, desamarrando o resto das roupas do nobre e deixando um bolo de tecidos no chão.
– Eu gosto da ideia de apenas eu... – sussurrava, insinuante. –... tocar esse corpo,... – Desceu as mãos grandes e calejadas pelo constante manejo de espada pelo pescoço, peito e barriga do outro, tendo as mãos de Byakuya sempre encima das suas. –... essa pele,... – Tocou as marcas nos quadris e nas coxas, acariciando mais demoradamente ali. Cheirou os cabelos negros que desprendiam aquele aroma maravilhoso. –... esse rosto... – Tocou a face levemente corada de Byakuya, este que parecia até ter se esquecido da ideia principal da conversa. Na verdade, esqueceu até do próprio nome, que idiota. E, pra completar a imbecilidade total do momento, virou-se e abraçou Renji. Beijou o ombro alheio e afastou os cabelos ruivos.
No momento, não existia Hisagi, Rukia, prostitutas de luxo, desconfianças, medos e inseguranças. Havia apenas uma coisa que circulava sua mente e descia por seu corpo, aquecendo tudo, mais ainda seu peito, sempre que pensava ou estava com Renji. Tocou as tatuagens com as pontas dos dedos, sempre atento sobre onde encostava. Queria conhecer aquele corpo da mesma forma que conhecia o próprio.
– Vamos continuar de onde paramos, taichou? – o fukutaichou perguntou com voz sensual e provocante no ouvido do outro, sempre forçando o contato. Byakuya não respondeu, apenas colou os lábios nos do outro, sentindo a textura e o sabor da boca alheia, misturados com o gosto da satisfação de saber que era desejado por aquele homem da mesma forma que o deseja. E, bem, não era apenas desejo. Era algo mais, algo que o Kuchiki desconhecia o nome... ou apenas se esqueceu.
E parece que é isso. Sempre soube que a presença de Renji na sua vida acarretaria algo mais. Ódio? Rivalidade? Admiração? Não... Algo mais forte e quente que Byakuya Kuchiki apenas não recorda o nome.
{···}
Fale com o autor