Insano Desastre
2 Reações
Capítulo Dois – Reações
Byakuya estava desesperado. Não sentia/tinha a mínima vontade/condição de trabalhar, mas julgava necessário. Arrumou o kimono da melhor forma que conseguiu, fechando as roupas e passando as mãos, tentando em vão tirar os amassados da mesma. O problema é que as peças escuras não queriam colaborar. E, para completar sua desgraça, ainda cheirava a álcool. Teria que voltar para casa se quisesse manter o que sobrou de sua dignidade. Olhou o relógio, o expediente no quartel começaria em vinte minutos, quanta sorte. Óbvio, não arriscaria sua reputação de forma tão descarada saindo pela porta da frente. Abriu à janela, sua sala ficava no quinto andar. Não houve problemas para chegar ao solo e usar shunpo para chegar até sua casa. Quando chegou, teve o cuidado de verificar se Rukia estava no lugar ou se havia alguém no caminho. Entrou em seu quarto, já se despindo com pressa e passando direto para o banheiro. Foi logo girando o registro do chuveiro, a água fria lhe faria bem.
Ah, não tinha tempo para banhos na jacuzzi, então ficaria naquilo mesmo.
As gotas gordas de água batiam em seu corpo, o frio clareava sua mente. Enquanto pensava em tudo que aconteceu na noite anterior, algumas questões não eram esclarecidas e as duvidas estavam começando a fazer mal: por que não resistiu aos toques de um homem? Um subordinado? O Renji?!
Era assustador pensar nisso, mas, por qualquer coisa, estaria Byakuya Kuchiki ficando louco? Pior ainda, teria Byakuya Kuchiki gostado daquilo? Oh, não, com certeza foi efeito da bebida. Lembrou-se das mãos de Renji passando por seu corpo e estremeceu.
Sim, foi efeito da bebida...
Passeou com a mão que segurava a esponja pelo abdômen, suspirando em seguida. Não era para nada disso está acontecendo. Byakuya, plea primeira vez em muito tempo, se sentiu idiota. Se não tivesse aceitado o convite de Renji, não estaria em uma situação tão complicada. Estremeceu. O banho não podia demorar, ou ele pensaria demais. Por que Renji mesmo sendo tão burro e transparente conseguia ser tão complicado? Perguntas sem respostas.
...
Os vinte minutos foram muito mal aproveitados, ou seja, chegou atrasado. Não que isso importasse quando se é um capitão, porém, esse é Byakuya, ele odeia atrasos. Entrou em sua sala, deparando-se com o que menos queria ver e, ainda assim, pensava constantemente. Renji estava sentado no sofá que Byakuya passou a noite, a postura meio tensa, os cotovelos apoiados nos joelhos, a cabeça abaixada. O Kuchiki ficou encabulado. Não achava que Renji ainda tivesse coragem de olhar em seu rosto depois da noite anterior, onde quase... Um rubor que quando visto de fora o fazia adorável subiu para suas bochechas assim que pensou nisso.
– O que faz aqui? – perguntou com verdadeira curiosidade, embora esta fosse perfeitamente camuflada por seu tom de voz desprovido de emoções. Renji olhou com o mesmo olhar vago de antes.
– Eu trabalho aqui. – respondeu de forma seca.
– Depois do que fez ontem? – indagou, virando a cabeça levemente.
– Sim. – a voz de Renji mais parecia um desafio. Mas, Byakuya disse a si mesmo que iria ignorar isso.
– Entendo... – Encaminhou-se para sua mesa, tentando em vão ignorar o outro. Depois daquela noite estava alerta demais, consciente demais. E parecia quase um desafio, esse negócio de Renji querer ficar perto de si depois de tudo. Lembrou-se do que o outro disse. Algo como "Vamos transar quando você quiser, só quando você quiser, apenas se você quiser". Caso não fosse quem era, riria de escárnio da forma mais histérica apenas para ser chato. Não iria se entregar a Renji, que este desistisse dessa ideia absurda.
É.
A culpa de não conseguir ignorar a presença do outro era unicamente sua.
...
O horário de trabalho estava passando normalmente, de forma milagrosa. Cada um se ocupou demais com pilhas enormes de relatórios em suas mesas para dar a alguém atenção desnecessária. Até o momento que um dos dois precisasse de algo.
– Renji, passe esse carimbo. – Estendeu uma das mãos pra frente e quase deixou o objeto cair quando sentiu os dedos do ruivo tocando os seus de forma tão simplória quanto instigante. A pele era quente e áspera se comparada a sua. Perguntas desordenadas e sem respostas surgiram em sua mente. Será que foi de propósito? Será que Renji estava trabalhando duro para que seu chefe sucumbisse à loucura? Ou sucumbisse ao desejo insano de tocar naquela pele? Esperava jamais descobrir, ainda tinha honra afinal, que coisa. Era definitivo, estava ficando burro (nunca, em hipótese alguma, em toda sua existência pensou que algo assim passasse por sua cabeça). Olhou para frente e viu que Renji o observava de forma atenta.
– O que há?
– Nada.
– Renji...?
– Sim?
– Tudo o que disse ontem...
– O que tem? – Finalmente uma expressão mais forte do que as que adornaram sua face pela manhã toda apareceu. Ele parecia genuinamente surpreso.
– Era verdade?
– Ora... Eu esperava que o senhor se lembrasse de algo a mais que as minhas palavras, já que estava bêbado. – O tom quase debochado fez Byakuya corar. Ficar vermelho de forma crítica numa hora dessas... Será que poderia ser mais patético? Respirou fundo, estava ficando com raiva, precisava se acalmar. Estreitou os olhos antes de declarar:
– Preste muita atenção, tenete Abarai. Você ainda é meu subordinado, então me deve respeito. Se eu lhe perguntei algo, responda de forma direta e sincera.
– Ótimo! – Renji também parecia com raiva. – Eu falei a verdade, não minto, que droga! — O Kuchiki se assustou com a explosão repentina do outro. E se assustou ainda mais por ter sentido uma ponta de satisfação por essa declaração. Renji já estava do seu lado assim que terminou de falar e, antes que pudesse impedi-lo, teve os braços agarrados de forma brusca.
– O que pensa estar fazendo, Renji? Solte-me ou farei uso da força. – alertou com a mesma voz fria de sempre. Aquele homem precisava saber seu lugar.
– Pode fazer. Eu gosto. – Quando Byakuya exerceria o que disse fazer, Renji pôs uma mão na nuca do menor e levou sua boca de encontro à outra. O moreno ficou parado, esperando que esse... essa coisa parasse. Mas, veja bem, não parou. Renji apenas aprofundou mais os toques, ficando cada vez mais ousado. Sentia toques quentes passando por todo o seu corpo. Era tudo tão novo... Só fez sexo (e foi amor) com Hisana e, mesmo assim, não foi nem de longe tão intenso. Queria isso, mesmo com essa ponta de insegurança lhe corroendo por dentro.
Desgrudou o beijo para respirar, sentindo os lábios de Renji em seu pescoço. Céus... Como podia se sentir tão excitado apenas com beijos? De um homem? De um subordinado? De Renji?! É, já havia tido essa luta interna antes, mas, parece até que agora a culpa era (MUITO) menor. Porém, isso é impossível... certo? Ah, nossa... Mãos apressadas abriram seu kimono na parte de cima e logo Renji estava passando a língua desde o pescoço até o torax, dando apenas um simples toque. O Kuchiki suspirou. Não sabia que o ruivo era tão eficiente com esse tipo de coisa.
Espera...
Onde Renji aprendeu isso, pelo inferno?
Nem completou sua linha de pensamentos sem noção quando viu o maior ajoelhado na sua frente. Compartilharam um olhar tão cheio de significados que era quase sufocante. Sentiu o mesmo toque quente e úmido na pele abaixo do umbigo. Contraiu o abdômen em expectativa, querendo saber para onde Renji levaria aquela língua habilidosa de forma quase obscena. Inclinou a cabeça para trás, apenas um pouco, o suficiente para continuar olhando para o outro. Renji subiu as mãos por sua barriga em um carinho simples e encostou o nariz ali, apenas um roçar. Era tão instigante... Ele beijou a barriga lisa e levantou-se. Seu tenente tinha essa mania estúpida e besta de fazer tudo o que quer com seu corpo e não terminar. Agora, entenda, isso irritava Byakuya da forma mais profunda.
– O que pensa estar fazendo? – sua voz saiu fria e controlada.
– Lembra do que eu disse ontem, taichou? – Agora, sim, o moreno estava zangado.
– Não interessa.
– Eu farei o senhor se lembrar agora, então. – Ele aproximou-se apenas o suficiente para sussurrar no ouvido do outro. – Eu não quero apenas fodê-lo até a exaustão, apesar de parecer uma ótima opção. Eu quero fazer amor. E eu farei o senhor pedir, Kuchiki taichou... –Byakuya empurrou Renji com força para longe de si depois dessa. Que ousadia, que absurdo!
– Você é idiota? Eu devia te matar depois dessa. Seu sangue será a única coisa que limparia minha honra. O lógico é te matar... – dizia isso enquanto levava a mão ao cabo da Zanpakutou, pronto para estilhaçar aquele menino retardado quando pensou melhor. – Não o faço porque traria problemas para mim, apenas isso. Agora, saia. – Quando o outro ia responder, fez um gesto de desprezo com uma das mãos, dispensando a resposta. – Saia. – concluiu por fim. O maior fez uma reverência, virou-se e passou porta afora. Byakuya ainda esperou um pouco para se recompor.
Renji, que grande porcaria você está fazendo comigo?
{···}
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