Insano Desastre
3 Insatisfeitos
Notas iniciais
Capítulo três — Insatisfeitos
Byakuya não aguentava mais, essa situação quase podia se passar por tortura. Renji por acaso havia posto seu nome em alguma aposta idiota em que devia lhe conquistar em uma semana? Porque era o que parecia... Não que ele estivesse lhe conquistando tão rápido, mas...
Não, imbecil. Ele mesmo disse que te ama. E que não mente. – retrucou seu subconsciente, a única parte de Byakuya que não estava à beira do histerismo. Todo o resto de seu ser, desde os fios de cabelo escuros até a ponta dos pés, ansiava por Renji e por seu toque tão viciante quanto alguma droga do mundo humano. Fechou os olhos, expulsando os pensamentos mais imorais, daqueles que fariam uma senhora conservadora se arrepiar de nojo, de sua mente. Tinha que esquecer isso a menos que quisesse que esse fosse o caminho para a sua ruína.
...
Byakuya queria gritar de frustração. Veja bem, se houvesse mesmo o tal destino, ele devia lhe odiar. É claro que fica muito mal explicado o porquê. Afinal, nunca fez nada contra o infeliz.
Havia simplesmente saído para andar por aí, porque, de forma inexplicável, seu jardim pareceu muito pequeno e sufocante, tudo o que não o era. Andava por uma parte qualquer da Seireitei, não esperando que fosse ser encontrado ou reconhecido.
Mas, como dito anteriormente, o destino devia lhe odiar com todas as forças. Ouviu vozes altas e enroladas vindas de perto. Logo Matsumoto, Kira, Hisagi e Renji estavam em seu campo de visão, todos claramente bêbados. Sentiu vontade de virar de costas e fingir que não viu, vai que dava certo. Porém, o Destino – vamos fingir que o imbecil é alguém abstrato. – não queria colaborar. Matsumoto o viu e, com aquela voz escandalosa que apenas os bêbados (ou Matsumoto) possuem, praticamente gritou:
– Hey, Kuchiki taichou! O senhor veio para beber conosco? Ou veio atrás de mim? – ela fez questão de temperar a voz com malícia, o que não deu muito certo por estar fazendo um esforço considerável apenas para falar. O moreno fechou os olhos e respirou fundo, reunindo paciência. Por fim, retrucou do modo mais firme, frio e solene que conseguiu.
– Dispenso. – E, com uma única palavra, Byakuya Kuchiki criou o Polo Sul, ponto para o mesmo. Virou-se pronto para partir sem dar maiores respostas, e assim o fez. Já andava há alguns minutos quando alguém chegou ao seu lado. Até sentiu medo de ver quem era. Mas, nem foi preciso.
– Taichou. Pode ser perigoso andar por aqui sozinho. – Byakuya nem se deu ao trabalho de olhar para o dono da voz.
– Quem você acha que sou? – Tomou cuidado para não parecer indignado.
– Quem disse que seria perigoso para o senhor? – Renji fez um tom de brincadeira. Logo, pode ouvir um longo suspiro. Sentiu-se um tanto apreensivo pelo que viria a seguir. – Taichou... Desculpa. Desculpa por ser um idiota. Desculpa por exigir algo que nunca me pertencerá. Desculpa por... todo o resto. – Por ser bronzeado, seria difícil de perceber, mas, como estavam perto, Byakuya pode ver o exato momento em que um rubor subiu por todo o rosto do Abarai, mostrando seu constrangimento perante este momento. Agora sim, o moreno estava surpreso. Surpreso, na verdade, é até eufemismo. Estava quase – que termo pejorativo – chocado.
Então alguém aqui finalmente admitiu ser culpado de algo? Bem, se algum desconhecido visse isso, pensaria até que Byakuya é uma pura e inocente vítima dos abusos de Renji, e, veja só, a situação não é exatamente essa.
Contudo, obviamente, não admitiria seu erro nem sob tortura.
– Quer que eu o leve à sua casa?
– Não precisa.
– Ah, Taichou, sua casa é perto do alojamento. Então aceite apenas como uma companhia de caminhada. – O Kuchiki percebeu que não adiantava discutir com um bêbado. Seus argumentos mais que válidos seriam sempre rebatidos com algo mais bobo, apenas por teimosia.
Não fez nenhum sinal que permitisse Renji andando a menos de alguns quilômetros de distância de si, porém, o outro não parecia ligar para a aura fria que parecia ter se estabelecido ali, ao redor do moreno.
– Taichou... Por algum momento o senhor achou que seria possível me amar? – Byakuya assustou-se com a pergunta tão sem noção. No entanto, ele confiou na bebida e em sua capacidade de deixar as pessoas lembrando-se de coisas recentes apenas como cenas confusas, borradas e distantes. Ficou pensativo por alguns instantes, pesando suas palavras.
– Não faço ideia. – respondeu-lhe por fim.
– O senhor quer apenas sexo, não é mesmo? – O capitão ficou constrangido, demais até. O ruivo estava indo muito bem depois daquele pedido de desculpas estranho, não havia necessidade de estragar tudo com uma única frase, que coisa.
– Vá para onde deve ir, eu vou pra casa. – Virou-se, pronto para voltar para a mansão Kuchiki sozinho e deixar Renji com um gelo que de tão frio queimaria; mas, quem disse que seu tenente iria colaborar?
– Taichou... – O Kuchiki nem se deu ao trabalho de responder. Renji sabia que ele estava escutando, então continuou. – Que tal simplesmente nos satisfazer sem compromissos? – Byakuya piscou atordoado.
Não esperava uma proposta tão obscena quanto essa saída da boca de seu tenente. Um furacão de sentimentos parecia ter se formado dentro de si. Era muito denso e confuso, porém, pôde sentir satisfação se juntando ao mesmo. Mas,... não seria possível estar gostando de ouvir algo desse gênero, certo?
Não seja bobo, Byakuya. Você sabe da verdade.
Seu subconsciente parecia estar sempre mais atento que todo o resto.
– Volte ao alojamento, você está bêbado.
– E por que não? O senhor está com medo? – Ah... Renji, seu tonto, você falou bobagens. O moreno voltou-se para o outro com algo semelhante à raiva – se é que não o era – nos olhos.
– Você sabe muito bem com quem está falando.
– Não terá problema. – Renji dizia cada palavra com certo prazer. E, a cada suave movimentar de lábios, ele se aproximava mais. Byakuya podia pará-lo – com uma única mão na verdade – mas, não queria fazer isso. – Será um segredo... nosso. – E o mundo desabou de vez. Os lábios de Renji estavam sobre os seus e já nem ligava mais sobre estar no meio de uma floresta desconhecida onde qualquer um podia aparecer. Era uma situação incrivelmente excitante, fala sério. Renji se abaixava devagar, trazendo o capitão junto. Logo estava sentado no chão com Byakuya em seu colo. Tirou a capa de capitão que o outro usava (o porquê ninguém sabe) e forrou o chão com a mesma. Em seguida, com as mãos atrapalhadas e apressadas tratou de tirar o kimono e as roupas íntimas, deixando o outro – finalmente – nu. Deitou o menor em cima do haori e começou. Byakuya gemeu de forma abafada. A boca de Renji estava em sua intimidade, imitando um beijo.
Por qualquer coisa, onde ele aprendeu isso?
Já estava ficando duro e por tão pouco, céus, que vergonha. Sentia a respiração alheia batendo lá de forma instigante. Prendeu a respiração. O beijo desceu junto com os dedos de Renji.
Byakuya ia levar a mão até a própria ereção. A sensação era confinante demais, seu corpo ansiava por mais daquela sensação tão boa que seu corpo parecia ter esquecido. Porém, Renji parou, frustrando suas expectativas. Uma das mãos dele veio em rumo ao seu rosto, acariciando.
Os dedos passaram por sua boca, fazendo movimentos sugestivos. O Kuchiki não gostou muito da ideia no início, mas relevou. Segurou o braço dele pelo pulso e pôs alguns dedos — três — na boca, contornando-os com a língua. Renji estava adorando aquela cena tão erótica. Imaginava que poderia ser outra coisa naquela boquinha perfeita... retirou os dedos e os levou para o canal estreito e virgem do capitão, adorando a ideia de ser o primeiro. O beijou de leve, quase um roçar de lábios. Isso porque queria que ele se acalmasse para o que estava por vim.
Primeiro, um dedo. Byakuya se remexeu, incomodado. Depois, outro. Um suspiro foi ouvido. Renji remexeu os dedos e Byakuya realmente quis ficar quieto. Agora eram três. Os gemidos ficavam mais audíveis. E era todos de dor, o que deixou Renji apreensivo. Queria que fosse tudo perfeito para o outro. Byakuya soltou gemeu uma oitava acima de qualquer som que já tenha feito na presença de Renji, que acertou um ponto em especial. Ele até tentou estrangular o som muito alto que saiu de sua garganta, mas, foi forte de mais para simplesmente abafar. Renji levou a língua para o peito, estimulando. Agora sim, Byakuya estava ficando louco. Depois de mais alguns carinhos, tudo parou. O mundo e seu coração, até o tempo, tudo pareceu congelar. Renji deitou-se por cima de si, exercendo uma pressão gostosa por seus membros.
– Taichou... enlace suas pernas em minha cintura. – Byakuya o fez. Pôde sentir que o membro de Renji buscava passagem por lá, de forma calma. Depois de algum tempo tentando e sendo repelido pelo canal, finalmente estava dentro de Byakuya Kuchiki. Os dois gemeram, um som estrangulado e cru. Byakuya de dor e Renji de prazer. Os músculos daquele homem eram rígidos em todo lugar, senhor? Esperou alguns minutos até o outro se acostumar. Então, finalmente começou a se mover, primeiro devagar, observando cada reação, o rosto pintado com aquela expressão tão impudica. Mas, ainda assim não aguentou aquilo, mesmo que fosse muito bom, por muito tempo. Foi mais, forte, mais duro, mais difícil e o Kuchiki, em momento algum, reclamou. Byakuya na verdade gemia com cada vez menos compostura, nem se importando se alguém ouviria.
Um ponto em especial parecia estar sempre sendo atingido por aqueles movimentos frenéticos e isso era a melhor parte. Uma mão de Byakuya foi para os cabelos de Renji enquanto a outra desceu pelas costas nuas e musculosas, rígidas e no momento, suadas. O esforço fazia ambos suspirarem. A mão esquerda de Byakuya desceu mais ainda, parando na base da coluna. A mão livre trouxe o rosto de Renji para mais perto. Seus lábios se encontraram, apenas um roçar. Byakuya não fazia ideia de que era complicado dar um beijo direito estando consciente. Parecia errado. Continuou beijando o ruivo, se desafiando internamente em conseguir dar um toque mais aberto. Os lábios se entreabriram e o contato entre as bocas se tornou finalmente possível.
Suas mãos deixaram a pele amorenada e o corpo forte, tocando o chão plano. As unhas curtas arranhavam a terra, deixando marcas. Os dois corpos estavam suando com o esforço de fazer aquilo durar. Renji se concentrava no pescoço e capturava os lábios. Mordia a pele branca até ficar vermelha, sabendo ficaria roxo pela manhã. Todavia, não havia problemas sobre esse fato. Queria que o seu capitão – sim, seu – se lembrasse dessa noite, mesmo que apenas quando olhasse essas marcas. O que ele não sabia é que isso era desnecessário. Byakuya não conseguiria esquecer essa noite, de forma alguma. Pensaram em coisas diferentes, diziam coisas sem nexo e proporcionavam prazer um ao outro, até não conseguirem mais. O gozo veio com calor e êxtase, deixando ambos ofegantes e cansados.
...
Quando percebeu o que havia feito, já era tarde. Honra... virtudes... orgulho. O que fez com o legado da família, pelos céus? Levantou-se com pressa, logo se vestindo. Renji dizia alguma coisa, mas Byakuya tratou de ignorar, até perceber que o outro desistiu. Milhões de coisas passavam por sua cabeça e remorso era uma delas. Olhou para Renji, que estava com uma expressão confusa e angustiada. O Kuchiki pesou as palavras para saber exatamente o que fazer.
– Foi muito bom, obrigado. – Sentiu que poderia engasgar com as amargas palavras, porém, precisava tentar. – Eu e você conseguimos o que queríamos. – Renji de repente carregou um semblante tão confuso e sombrio que Byakuya quase se arrependeu por aquelas palavras duras e sujas. – Esqueça isso. Saiu com nenhuma pressa, sabendo ter destruído Renji de tal forma que não seria possível uma junção de cacos. Agora, a pergunta que não quer calar: por que parece ter doído mais em si mesmo que em Renji?
{···}
Fale com o autor