Insano Desastre
4 Agressivos
Notas iniciais
Capítulo Quatro — Agressivos
Estava se sentindo culpado. Pelo quê? Ah, culpado por tantas inexplicáveis coisas. Por usar Renji da forma mais descarada e repulsiva, principalmente por gostar de fazê-lo.
Por ser covarde. — gritou seu consciente.
Certo, ainda não se sentia pronto para admitir isso em voz alta agora ou um dia, mas, é isso, essa era a verdade. Byakuya Kuchiki é um grande covarde. Não conseguiria encarar seu tenente de novo, de forma alguma. Não sem ter que fechar os olhos e se concentrar para não corar, gritar e lembrar-se do que houve. Principalmente este último.
Porém, devia lembrar quem era e o que era; o profissionalismo deveria fazer parte de sua personalidade e de seu trabalho. Ou seja, infelizmente era parte de sua obrigação como capitão e como líder do clã Kuchiki fingir que aquilo não havia acontecido. Céus! Não podia ser algo mais fácil?! Como, sei lá, matar o brutamonte capitão da décima primeira divisão?!
Bem, faria isso de bom grado, mas...
Foco, foco!
Respirou fundo e fechou os olhos, massageando as têmporas em seguida. Renji ainda não chegou, percebeu com surpresa. Durante esse tempo como tenente, ele jamais havia se atrasado antes, nem por poucos minutos. Resolveu relevar. Seu tenente deve estar confuso, magoado e querendo sua morte acima de tudo neste momento. Sentou-se e começou organizando os relatórios por importância. Depois ia verificando as lacunas e faltas de shinigamis em missões. Estava se saindo bem como sempre, contudo, em algum momento, precisou de um documento importante que era parte de um relatório mais importante ainda. Seus reflexos agiram mais rápidos que sua memória.
– Renji, passe o relatório da missão designada pelo comandante. – Estendeu uma das mãos com impaciência, esperando o tal papel. – Renji... – Tirou os olhos de sua mesa e preparou-se para advertir o outro sobre a atípica desatenção. — Ren... – O nome ficou preso em sua garganta assim que se deparou com a escrivaninha frente a sua vazia. Lembrou-se do que aconteceu na noite anterior e da provável razão do outro ter faltado. Levantou-se e foi até a mesa do outro, procurando entre as grandes pilhas de documentos a porcaria do relatório. O problema é que ninguém além de Renji entende aquela bagunça, então logo desistiu. Suspirando, pensou em como era cansativo ser Byakuya Kuchiki.
...
Uma batida na porta de seu dormitório no alojamento tirou sua atenção do livro de Kidous e Bakudous que estava lendo – muito concentrado até. Quem seria? Seus amigos estavam trabalhando e os do mundo real não foram e nem seriam cogitados, por favor. Descansou o livro na mesinha que ficava ao lado da cama – na qual estava sentado – e foi do quarto até uma parte que poderia ser a sala, onde ficava a porta. As batidas se tornaram mais insistentes.
– Já vai! – Assim que abriu a porta, teve a surpresa do século. – Kuchiki taichou?
...
Byakuya estava se sentindo envergonhado e irritado. Envergonhado por coisas que nem ele mesmo conseguia entender (suas ações na última semana, suas ações agora), irritado pelo que Renji estava fazendo.
Esse menino não percebia o quanto era difícil já estar ali sem fazer alguma coisa e ainda parecia querer provocar mais ficando lhe observando da porta como se fosse uma aberração. Não ia pedir para entrar, claro.
– O senhor quer entrar, taichou? – Byakuya nem esperou um convite mais formal. Apenas passou pelo lado do tenente sem olhá-lo e já estava dentro do simples dormitório. Simples, porém organizado. Pelo que podia ver, estava em uma sala que continha duas poltronas e uma estante com antigos livros do tempo da academia shinigami e outros mais novos, livros de literatura do mundo real. – Taichou, o que houve?
– Cale a boca.
– Quê?
– Cale-se. Por que não está indo para o trabalho, idiota?
– Porque ficou claro que lá não é o meu lugar. – respondeu com indiferença fria.
– Você bateu com a cabeça? – Estava começando a zangar-se com o estúpido diálogo iniciado apenas porque Renji é um tolo.
– Enquanto estávamos transando? Oh, não. – Renji, apenas para ser inconveniente, abusado e atrevido, sorriu. Agora as frutas vermelhas sentiam inveja da cor de Byakuya.
– Ponha-se no seu lugar! Eu sou o seu capitão!
– Ótimo! Não é mais! Eu estou pedindo transferência!
– E quem disse que estou disposto a dar?
– Não pode me obrigar a ficar. – Byakuya refletiu no que estava acontecendo e percebeu a verdade nas palavras do outro.
– Você tem razão. Eu tenho que ir agora. – Virou-se pronto para sair dali e assinar a transferência do ruivo quando seu braço foi segurado e foi puxado para dentro do local com brusquidão. Ouviu a porta batendo, o que indicava que havia sido fechada. Seu corpo foi jogado na poltrona com força desnecessária. Quando Renji achou que o capitão estava indefeso, Byakuya fez alguma coisa que não podia ser vista por olhos destreinados e desatentos e de repente estava com Renji abaixo de si no chão. – O que você pensa que está fazendo? Ainda não me superou, criança. Tem que fazer muito mais que isso.
– Que bom. – Renji sorriu com escárnio, como sempre fazia para provocar os inimigos. – Agora sei que estive... – Baixou a voz até um sussurro suave. –... dentro do senhor apenas porque o senhor quis... – Byakuya abaixou o rosto até o pescoço do outro e tocou levemente com as pontas dos dedos frios. Não se sabe quem fez o primeiro movimento, provavelmente foi Byakuya. Logo, ambos estavam se atracando no chão, as espadas esquecidas, apenas uma luta corpo a corpo em que o Kuchiki parecia obter a vantagem. Quando pararam, Renji tinha um machucado em alguma parte da cabeça, de onde saia um filete de sangue e Byakuya estava incrivelmente descabelado.
– Saia. Daqui. – o Abarai disse tudo pausadamente com a voz carregada de ódio. O moreno se levantou e arrumou tudo o que pôde nas roupas.
– Sem problemas. Eu quero você no esquadrão amanhã ou eu mesmo te substituo.
– Pode fazê-lo. Eu não ligo. – E foi aí que Byakuya perdeu os resquícios de paciência que lhe sobraram. Agarrou Ranji pelo braço e o jogou na poltrona. Logo estava encima dele, seus lábios grudados movimentando-se um por cima do outro. Renji até tentou reagir, mas o capitão da 6° divisão o empurrou, colocando-o paralisado. Quando pararam o beijo, estavam ambos ofegantes. A boca de Byakuya estava vermelha e inchada. Ele a aproximou do ouvido do outro, não resistindo à tentadora vontade de provocar.
– Você liga sim. Quero você lá amanhã... para trabalhar muito... – Saiu de cima do estático Renji, indo até a porta e a abrindo. O Sol da tarde bateu em seu rosto, causando certo incomodo. – Amanhã, tenente Abarai. – O ruivo se recuperou do susto e respondeu, com a voz falha.
– Sim, taichou.
{···}
Fale com o autor