Insano Desastre
5 Proposta Indecente
Notas iniciais
Capítulo Cinco – Proposta Indecente
Como combinado, Renji havia ido ao trabalho, o que deixou o outro mais tranquilo em relação a... tudo. Não teve problemas sobre isso, o problema foi o que veio depois. A tarde na Seireitei parecia normal e os outros esquadrões faziam as mesmas banalidades (ou não) de sempre. Mas, o que acontecia no sexto esquadrão era um pouco diferente.
Byakuya estava paralisado, chocado, assustado, enfim, surpreso em geral. De todas as coisas que poderiam estar acontecendo e de todas as outras que um dia esperou ouvir, ainda não havia cogitado essa. Por quê? Que simples. Renji fez a proposta mais indecente que alguém já teve a coragem de tentar sequer imaginar!
– E então? O que acha, Taichou? Quem sabe um dia...
– Não! Renji, por favor, quem está colocando essas ideias malucas na sua mente?
– Ninguém. Eu apenas pensei que seria beneficente para nós dois.
– Eu não acredito nisso, sinceramente... – Manter-se impassível às vezes era tão complicado...
– E por que não tentar?
– Porque é estúpido.
– Taichou...
– Não. É definitivo. E aquele relatório? Termine logo, eu ainda tenho o que fazer. – Com as sobrancelhas franzidas de irritação e constrangimento, Byakuya voltou sua atenção para os papéis, os malditos papéis. Sua cabeça, no entanto, estava em outro lugar, totalmente diferente. Como Renji conseguia ser tão imprevisível? E que tipo de proposta imbecil foi aquela? Suspirando, mexeu os ombros de forma quase imperceptível, em uma falha tentativa de aliviar a tensão.
Enquanto isso, Renji trabalhava na porcaria dos relatórios.
Por que Kuchiki Taichou era sempre tão... mente fechada? Tá, talvez tivesse exagerado um pouco naquela proposta, porém, não era pra tanto escândalo. É, Renji, nem foi TANTO escândalo. Olhou pelo canto do olho o capitão. Este fazia uma expressão pensativa incrivelmente linda e estava tão claramente centrado no trabalho que nem percebeu que estava sendo observado.
Ou, era isso que o Abarai achava.
O Kuchiki estava sim olhando para a mesa como se algo ali lhe interessasse. Só olhando, mesmo. Percebeu que o ruivo estava lhe observando com atenção. Atenção demasiada, até. Não ia conseguir se concentrar direito com as palavras que foram proferidas por Renji mais cedo se repetindo em sua mente. Pegou uma caneta e pôs-se a assinar os relatórios pendentes e a começar os que deveriam ser entregues ao comandante. Sua letra sempre tão perfeita saia aos borrões e isso estava o deixando frustrado. Respirou fundo, continuando o que estava fazendo. De que adiantava sair de um problema para entrar em outro? Sinceramente, Byakuya, você já fez coisas menos imbecis... Descansou a caneta na mesa com um baque surdo e cruzou as mãos embaixo do queixo.
– Renji...? – a voz saiu insegura por um ínfimo de instantes. Pigarreou, como que para limpar a garganta e tentou de novo, com a voz confiante e ao mesmo tempo indiferente de sempre. A verdade é que nem foi preciso. Renji já estava atento e não parecia ter percebido a insegurança momentânea do outro. Na verdade, o lerdo não percebeu mesmo. – Renji, sobre aquilo. Ainda está de pé? – O outro sorriu com algo próximo à felicidade expressa no rosto de traços fortes.
– Ué, para o senhor, a resposta é lógica: sim, sempre. – As maçãs do rosto de Byakuya esquentaram no momento em que o sangue pareceu ter se juntado todo ali. Amaldiçoou-se por ruborizar (mesmo que de forma adorável, na opinião de Renji) em um momento tão crítico. Não é como se não tivesse entendido o duplo sentido matante – essa palavra nem existe – na frase. Depois da noite que passou com Renji, tudo pareceu ganhar um quê de malícia e, fala sério, isso era ruim. Antes poderia até ser considerado a Virgem Maria nem tão virgem! Tá, não exagera.
– Pare com isso, já disse. – ordenou, mesmo que sua voz tenha saído um tanto cansada. – Estou falando sério.
– Eu também. – o outro respondeu. Byakuya pensou por alguns segundos, refletindo se aquilo era mesmo certo. Mas, afinal, o que é certo? Sua esposa se foi há muito tempo e tudo o que restou daquele amor simples e puro (pelo menos de sua parte) foram as saudosas lembranças. Sua irmã parecia estar sempre ocupada "cuidando daquele idiota que precisa de uma mulher responsável e pulso firme por perto" (palavras dela se referindo ao Kurosaki Ichigo... e Byakuya não discordava em nenhum ponto). Não devia realmente satisfações sobre o que fazia a alguém... Não era comum, mas não era errado... Ou seja, a verdade é que podia aceitar a tal proposta de Renji (mesmo esta sendo muito obscena) sem medo. Seus lábios repuxaram um pouquinho para cima, criando a sombra do que seria um sorriso (não era exatamente sua culpa não conseguir sorrir).
– Eu espero não me arrepender disso depois, Renji. – o tom de voz que usou deixou bem claro que estava falando sério. Mais que sério. Renji engoliu em seco antes de confirmar com a cabeça.
– Eu entendo, taichou.
– Vou deixar você fazer o quer... esta noite.
– No meu dormitório.
– E por que não na minha casa?
– O senhor se sentiria confortável lá? – a pergunta transmitia incredulidade.
– Obviamente. – e a resposta transmitia segurança.
– Então, eu não vejo problemas.
– Ótimo. Porque, se visse algum problema, iria entender que será lá. – Um olhar atravessado mostrou-se no rosto do outro e mais uma sombra de um sorriso passou pelo rosto do nobre. Ah, Renji... Aguarde. A vingança de Byakuya pelo que virá está apenas trancada naquela mente diabólica. Por enquanto.
...
– Então, esse é o seu quarto? – Renji olhava tudo com certa admiração, afinal, era ali que dormia a pessoa que amava e, veja bem, isso não é qualquer coisa. Cada cantinho parecia ter o cheiro perfeito, a cor adequada.
Uma grande cama de casal com dossel no estilo ocidental ocupava quase nada do enorme local. Havia também poltronas, uma mesa com um jogo de xadrez no centro e cadeiras ao redor, tudo de marfim, além de estantes com vários tipos de livros, desde aventuras e romances até histórias do mundo real e da Seireitei. Em uma das paredes, existia uma porta que deveria levar ao closet e ao banheiro. Renji estava admirado, é verdade. Admirado até demais. Entretanto, também estava intimidado. E muito. Muito mesmo.
Não que esperasse algo menor do atual lider do clã Kuchiki, de jeito nenhum, é que... Hisana já esteve ali com aquele mesmo homem, talvez em um momento em que estivessem prestes a fazer o que Renji vai fazer com Byakuya. Fechou os olhos, em um sentimento de insegurança que parecia uma droga tomou conta da situação: se espalhava pelo corpo até chegar às pontas dos dedos com uma dormência. A diferença é que não obtinha êxtase como obteria com as drogas. Sentiu mãos em seus ombros, frias e finas, e, se olhasse, estariam cobertas por luvas que deixariam de fora os pálidos e longos dedos. A voz chegou sussurrante e sensual em seus ouvidos, como tudo naquele homem parecia ser.
– Vamos começar... – As mãos desceram por seus braços em um carinho suave, deixando-o arrepiado. – Tenente Abarai? – Desse jeito, quem é capaz de resistir? Bem, Renji não é, que bobo.
{···}
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