Insano Desastre
7 O que tinhas a dizer?
Notas iniciais
Capítulo Sete – O que tinhas a dizer?
Byakuya estava preocupado. Não que fosse demonstrar para alguém, era apenas o que sentia, ora. Renji não estava atrasado, é verdade. O Kuchiki que chegou cedo demais, tamanha a ansiedade. Patético, Byakuya. Quase podia escutar a voz de algum antigo líder do Clã. Não seu avô, ele sempre foi muito gentil consigo... Enfim.
O sangue parecia correr mais rápido, mas não era o único forte som presente. O tic-tac do relógio estava sempre ali, opressor. Em quinze minutos, o expediente estaria oficialmente começando. Oficialmente porque muitas pessoas sempre chegavam mais cedo para agilizar o trabalho, assim como o próprio capitão. O tempo corria e nada de Renji aparecer, que coisa. Isso já o estava deixando nervoso... O clique metálico e inconfundível de uma porta foi ouvido e o ruivo entrou, bem na hora.
– Achei que teria que providenciar outro tenente. – provocou o moreno, da forma rude de sempre, mas ainda assim educada a sua maneira. Frase medonha, concordemos. Renji desviou o olhar para o chão, claramente envergonhado.
– Perdoe-me, taichou. – Isso não surpreendeu Byakuya, que já esperava um pedido de desculpas pelo quase atraso e... – Eu fui muito imaturo quando decidi me afastar do trabalho como forma de vingança por me sentir tão usado. Imaturo e antiprofissional. – Ele curvou-se ainda mais, fazendo a reverência comum ao pedir perdão no Japão. Ok... Onde desliga o choque? Hum, tá.
– Renji, pare com isso. Se quiser tanto se desculpar, trabalhe direito como sempre. Vá. – Claro que estava surpreso, porém, não podia demonstrar. Céus, o orgulho não deixaria, nunca! Foi até sua mesa, decidido a ignorar os últimos acontecimentos. Começou tudo bem, estava produtivo como sempre. Ele, concentrado demais nos papéis, apenas não percebia que Renji o observava com atenção.
– Taichou... – Escutou o outro chamar e, sem tirar os olhos do papel onde praticamente desenhava as letras, respondeu:
– O que é, Renji?
– É que... Eu tenho uma proposta para fazer.
– Proposta, Renji?
– É...
– Estou ouvindo.
– O senhor uma vez me disse algo.
– Eu já disse muitas coisas pra você. – admitiu.
– Essa foi a mais marcante, tenha certeza. – murmurou, nervoso. – Bem, o senhor disse que jamais poderia me dar seu amor de forma plena. – Byakuya finalmente largou o pincel que usava para escrever para dar exclusiva atenção ao homem a sua frente.
– Você disse que seria mais profissional ou estou enganado?
– Eu sei, taichou. É que... – Respirou fundo, como se tomasse coragem. – Eu já disse, tenho uma proposta.
– Eu estou atento a isso também.
– Taichou, pode dizer que é presunção, mas eu lhe conheço. E muito bem. Sei que o senhor não está se sentindo bem – nada bem – com o que aconteceu entre nós. – a voz agora estava murmurante, como que compartilhando um segredo. – E eu queria recompensá-lo de alguma forma. – Byakuya fez um som amargurado e indignado que veio do fundo da garganta.
– Você já me violou, de que adianta o resto?
– Não sei realmente. Mas, vou confessar, foi bom. Foi ótimo. Eu... não me arrependo.
– Que ótimo; essa conversa acaba agora, volte aos seus afazeres.
– Eu ia pedir para o senhor ficar por cima, mas... – Levantou e foi lentamente até a própria escrivaninha. Espera. Quê? Renji ia pedir para Byakuya... Quê? Byakuya estava chocado, assustado, enfim, surpreso em geral. Quê? Era demais para processar. Ninguém jamais fez proposta tão obscena...
– Quê? – finalmente orou seus pensamentos.
– É claro, eu ia querer algo em troca. – O nobre estava começando a ficar irritado.
– Você chegou ao ponto de vender seu corpo? Que baixo... – sem querer, a frase soou levemente irônica, mas a lerdeza de Renji foi um empecilho na hora de entender.
– Claro que não! – Renji soou levemente ofendido. – Eu quero apenas... – Olhou para a própria mesa, constrangido demais para terminar o que começou. Mas, veja bem, isso não importa realmente a Byakuya.
– Nunca deixe as coisas pela metade, tenente. – a frase deveria ter sido uma dica, mas, soou mais como um incentivo.
– O senhor se lembra de quando estávamos na floresta? – começou hesitante. Byakuya lutava para não corar no momento, porém, esse não é o tipo de coisa que se controla.
– Provavelmente. – Nem fez esforço para dar a resposta mais ambígua possível.
– Eu perguntei se o senhor achava possível um dia me amar. – O ruivo tentava de tudo para ficar com a face como a de Byakuya: inexpressiva e indiferente. Contudo, ele não era uma pedra como o moreno parecia ser e seus dedos ainda o traiam da forma mais descarada, batucando na mesa.
– E daí...? Eu sei o que houve depois.
– Não é isso. Bem, é que eu lembro o que o senhor respondeu... – Certo. Alguém chegue com uma picareta e ajude Byakuya a cavar até que um buraco esteja fundo o suficiente para o mesmo se esconder. Ele pensara que Renji estaria bêbado demais para lembrar-se disso, céus! –... O senhor disse que não fazia ideia. Que tal um teste? – ele terminou, esperando agora uma resposta.
– Eu ainda não entendi aonde você quer chegar.
– Um pequeno teste. Se o senhor julgar impossível me amar pelo menos um pouco, eu desisto. Desisto dessa coisa que sinto e me consome e... – Ele parou de falar, parecendo finalmente perceber que havia falado demais, até. Byakuya estava paralisado, chocado, assustado, enfim, surpreso em geral. De todas as coisas que poderiam estar acontecendo e de todas as outras que um dia esperou ouvir, ainda não havia cogitado essa. Por quê? Que simples. Renji fez a proposta mais indecente que alguém já teve a coragem de tentar sequer imaginar! – E então? O que acha, taichou? Quem sabe um dia...
– Não! Renji, por favor, quem está colocando essas ideias malucas na sua mente?
– Ninguém. Eu apenas pensei que seria beneficente para nós dois.
– Eu não acredito nisso, sinceramente... – Manter-se impassível às vezes era tão complicado...
– E por que não tentar?
– Porque é estúpido.
– Taichou...
– Não. É definitivo. E aquele relatório? Termine logo, eu ainda tenho o que fazer.
– Taichou, eu realmente te amo e, se o senhor não for capaz de me amar de volta, qual o sentido disso tudo?
– O que você quer que eu faça? – perguntou, apenas para matar a curiosidade, esta que crescia cada vez mais.
– Responda a uma única pergunta, da forma mais sincera que puder.
– E qual seria a pergunta? – indagou, mesmo que desconfiasse do fundo da alma aonde isso iria dar.
– Quero apenas saber se pode me amar. Não importa quantas vezes precisemos sair ou dormir juntos, eu não ligo, eu apenas preciso saber se estou investindo em algo que vale a pena.
– E você confia que vou responder assim, do nada?
– É claro que confio. – Byakuya suspirou. Certo, sabia que o garoto merecia uma resposta e sabia que queria dar a mesma o mais rápido possível.
– Eu espero não me arrepender disso depois, Renji. – o tom de voz que usou deixou bem claro que estava falando sério. Mais que sério. Renji engoliu em seco antes de confirmar com a cabeça.
– Eu entendo, taichou.
– ótimo, veremos se um dia eu terei sua maldita resposta. – Renji sorriu. Por um instante, Byakuya pensou se poderia realmente fazer isso, afinal, já sabia a resposta.
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