Notas iniciais
É... esse é o último, não extamente o último. Depois desse, eu farei um extra, aí sim acaba. É, eu estou um pouco triste por estar finalmente terminando um projeto que tanto foi especial pra mim. Eu conheci pessoas, aprendi coisas, e, se não fossem pelas dicas e opiniões de vocês, eu teria desistido no capítulo três. Não vou mentir, eu ainda me sinto insegura sobre tudo o que eu escrevo, mas, isso melhorou muito graças a vocês. Obrigada por virem até aqui comigo. Capítulo revisado.

Capítulo doze – Inquebrável

A situação poderia ser super engraçada se não fosse mais do que constrangedora. Para os dois. O silêncio que em nada ajudava foi quebrado por um pigarro de Renji.

– Taichou...? – Byakuya olhou com certa estranheza. – O senhor não tinha algo a me dizer? – completou. Byakuya esperou um pouco antes de responder.

– Eu tenho. – confirmou. – Sobre o que aconteceu. – mesmo que não parecesse, estava engasgando com as palavras muito mais que contraditórias. Estava quase mudando bruscamente o texto já ensaiado em sua cabeça, ele era incrivelmente idiota... Mas não podia ser assim e voltar atrás em suas decisões. – Está tudo errado. Você vai me dizer o porquê de ter terminado tudo antes mesmo de eu conseguir dar uma resposta para a sua maldita pergunta. – O ruivo piscou surpreso. Sinceramente, esperava qualquer outra coisa.

– Nossa, taichou, eu esperava que estivesse tudo bem claro. – Byakuya olhou com sua expressão fria arrepiante e Renji sentiu a necessidade de se corrigir. – Quer dizer, o senhor sabe que te amo. – O semblante de Byakuya piorou, se é que é possível. Qual o problema de Renji para terminar e vir com um papo de amor? Ele queria deixar Byakuya mais confuso? Bem, a mente falha e o QI abaixo da média do Abarai talvez estivessem sendo superestimados desde o começo... É, Byakuya sabe que é maldoso às vezes, não precisa você jogar na cara dele. – Eu apenas acho que o senhor não me ama.

– E por que acha isso? – Se tem uma coisa que deixa o Kuchiki irritado, essa coisa com certeza é quando o tratam como bobo previsível, assim como Renji parecia estar fazendo.

– Ora, o que um homem como o senhor veria em mim? – E a desgraça riu como se fosse apenas algo banal. E, vai ver que na mente maluca dele, era.

– Renji, por que você insiste em se desvalorizar tanto? Outro qualquer fazendo isso já me irrita, mas vindo de você... – Renji sorriu afetado.

– Enfim, Taichou. O que eu quero dizer, é que o senhor não precisa se forçar a ar alguém como eu e...

– Calado. – Para a surpresa do ruivo, Byakuya (finalmente) se irritou de verdade, ao menos externamente. – Pare com isso. Por que eu não poderia te amar e o que significa "alguém como eu"?

– Taichou, o senhor pode ter tem quiser, um tenente não serviria para...

– Já disse para ficar quieto. Deixe-me terminar, idiota. Eu vim aqui porque... porque finalmente me decidi.

– Decidiu sobre o que, taichou? – Byakuya olhou com indiferença, apenas com o recado "fique quieto" na expressão.

– Eu quero ter certeza de que não estou enganado... – ele falava enquanto se aproximava devagar, fazendo Renji recuar como um gatinho assustado.

– Eng... que... hein? Taichou? – Atrás de Renji havia apenas uma porta, que por acaso estava fechada e impedindo a passagem do Abarai, que só queria, mais que qualquer coisa no mundo, fugir daquele olhar esquisito, que ele não sabia dizer ser predador e maníaco ou apenas indolente. Talvez um pouco diferente do usual.

– Eu quero dar a mim mesmo a certeza que você parece ter. – Caso não fosse impossível, a proximidade seria inexistente.

As respirações mornas se chocavam, os dedos de ambos pareciam formigar, ansiando pelo toque da pele do outro. Mas, essa nunca foi a intenção de Byakuya. Ele queria apenas, desde o início, conversar com Renji sobre os malditos sentimentos que o assombravam. Alguma coisa que apertava seu peito sempre que pensava sobre deixar o outro ir, algo que o fez refletir o quanto era incrivelmente idiota pelas malignas duas semanas sem Renji... Era algo que, mesmo quando se escondia, estava lá, de alguma forma. Há quanto tempo este algo estava lá, ele não podia responder, nem saber, na verdade.

– Que... certeza?

– A de que não sou tão estúpido. Porém, parece impossível. – Renji arregalou os olhos. Kuchiki taichou bem que podia parar de falar em meias palavras... Renji já estava confuso o suficiente, saiba disso.

– Não é isso, eu... – sua frase mal formulada foi bruscamente interrompida quando Byakuya realizou os desejos mais desesperados dos dois.

O de finalmente poder tocar, pelo menos nas últimas duas semanas, um ao outro. Os lábios se encostaram levemente, e era assim que Byakuya pretendia ficar, sabe-se lá o porquê. Talvez para aproveitar o contato tão gostoso, ou para sentir ao menos a textura da pele... mas, não foi bem assim. Tenha em mente que nenhuma relação da vida de ambos foi baseada apenas no sexo.

Nem no começo, nem no fim. Todavia, parecia que era sempre assim: o maldito sentimento estava presente. Parecia ser sempre desse jeito, inclusive quando atendiam ao que parecia a necessidade do contato físico. Mesmo que se misturasse a outras coisas e deixasse no lugar do sentimento mais puro uma massa destrutiva de emoções muito mais caóticas e estranha, era inconfundível. Parecia fora de lugar no começo, mas agora... nunca esteve mais certo.

O encostar de lábios, suave e inocente, evoluiu. Culpa de Renji, que não entende certos perigos. Ele abriu a boca lentamente, deixando Byakuya usar, além do tato, o paladar. Que grande idiota... Foi justo Renji que perdeu o controle, e olha que ele nunca quis realmente isso.

Agarrou com as mãos os cabelos negros e sedosos do outro, trazendo-o para mais e mais perto. As mãos pareciam insatisfeitas com o pouco contato que estavam tendo com os corpos, ambos apalpavam e sentiam a matéria e a presença do outro, era quase surreal. Tudo estava muito fora de controle. Byakuya, com certo teor de dificuldade, separou-se de Renji.

– O que você está fazendo? Eu já disse que tenho algo a falar. – Renji quis rir. Ah, fala sério. Ele não foi o único culpado. Se Kuchiki taichou não tivesse aquela boca irresistível... 'Tá, que desculpa mais esfarrapada, essa dele.

– Sim, desculpa.

– Eu sinto algo, imagino que você também sente... Por um tempo, eu achei que isso seria suficiente. Apenas sentir. Eu queria que as coisas pudessem ser assim, que covarde... O que eu quero dizer é: eu não sei se correspondo os seus sentimentos da forma plena os dedica a mim. Eu nem sei se é da forma que eu deveria. O resumo é: eu... – Ele respirou fundo, e Renji sorriu. Sorriu abertamente, como uma pessoa faz apenas quando está feliz. Ele até pode ser um pouco lerdo, mas, apenas com as meias palavras, percebeu três coisas de importância extrema (ou não): 1 — O orgulho do Kuchiki está acima de tudo, Renji teria que conviver com o maldito. 2 — Os seus estúpidos e inúteis sentimentos eram correspondidos, que maravilha. 3 — Renji era um shinigami idiota e manipulável.

Sem perceber, abraçou o nobre pelos ombros, sentindo o cheiro de chuva que ele exalava no momento, diferente do cheiro comum dele: algo doce, sem perder a essência masculina. Ainda assim, perfeito.

– Eu entendi... Não precisa dizer mais nada. – Byakuya retribuiu o abraço, rodeando Renji com seus braços delgados.

– É bom ouvir isso.

...

Quem andasse pelo dormitório provavelmente se assustaria com o estado do lugar. Roupas espalhadas por todo lado, como se pessoas tivessem se despido às pressas e jogado tudo para qualquer lado. Alguns móveis virados, certos papéis espalhados, como se tivessem batido neles enquanto andavam às cegas. E na verdade tudo isso aconteceu.

O cenário da cama dependia totalmente do ponto de vista. Dois homens deitados lado a lado, um lençol cobrindo a nudez parcialmente. Eles olhavam para o teto, sem ter realmente um foco, em um silêncio, que mesclado a certa aura, era confortável. Até que um deles quebrou o silêncio.

– Taichou? – ele chamou, queria matar a curiosidade sobre certo assunto.

– O que há?

– Como foi?

– Bom. – Era apenas isso que Renji precisava ouvir.

– Taichou...?

– Sim.

– O que vamos fazer a partir de agora?

– Veremos.

– Estaremos juntos?

– O que você acha? – Renji apenas riu. Ele sabia das respostas. Daquele dia em diante, não precisaria fazer perguntas idiotas. Ou precisava, afinal, ele é o Renji. Ele é idiota.

{···}