Insane

1 Prólogo - Assombrado


Notas iniciais
Bom dia pra vcs :) já começa tenso :)
Uma noite chuvosa e fria de outubro. Katherine estava deitada na calçada, jogada no chão e rindo histericamente, como se fizessem cócegas nela.

A vizinha inteira se assustou. Fazia alguns meses que ela estava se comportando diferente. Uma senhora chamou a polícia e eles levaram Katherine, ensopada e ainda rindo, para a delegacia.

Um dos policiais sorriu amigavelmente para ela

-Oi, meu nome é Ryan- ele se apresentou e ela acenou, ainda rindo descontrolada.- Pode me dizer porque você ri tanto?

Ela chamou ele para mais perto e quase em seu ouvido, falou

-Eu fiz algo ruim- ela voltou ao seu lugar inicial e começou a rir de novo.

-Ruim quanto?- Ryan já havia percebido que a menina loira de 17 anos estava fora de seu normal.

-Muito- ela gritou e ficou séria, segurando firme nos braços da cadeira, cravando suas unhas na madeira antiga.- Foi muito ruim. Mas foi tão legal...- ela suspirou e voltou a rir, aliviando a tensão de seu olhar.

-Poderia falar o que você fez?

-Claro. Eu matei um cara. Paul. Ele era chato. Então eu me cansei e matei ele- ela riu insanamente.- Não é hilário? Eu matei um cara porque eu me cansei dele- ela ria mais a cada minuto.

-Sabe, Kathe. Tem um lugar que você deveria ir... tem várias pessoas lá. E você terá novos amigos também.

-É a escola?- ela saltou da cadeira ficando de pé.- Não gosto de escola. Paul estudava comigo.

-É diferente de escola. Não tem Paul lá- Ryan disse e saiu da sala. Voltou em seguida voltou, a levando para seu carro.

Eles demoraram para chegar no prédio de tijolos envelhecidos à mostra e ela olhou animada

-Hogwarts? É uma escola mas é legal- ela saltitou no banco do carro.

-Não é Hogwarts. É o st. Meredith institute. E você precisa ficar aqui por uns tempos. Vai ter seu próprio quarto e pessoas para te distrair.

-Parece um acampamento de verão no meio do inverno...- ela riu de leve e os dois foram para dentro da construção que precisava de reformas internas e externas.

Uma mulher de roupas muito estranhas os atendeu e Ryan conversou com ela enquanto Katherine andava pela sala principal cumprimentando a todos. Alguns pareciam normais, outros atentos demais e outros muito na deles. Ryan a chamou depois de alguns minutos e a entregou o uniforme cinza, com um par de pantufas cor-de-rosa e dois homens que pareciam armários a levaram até o quarto 136, o mais escuro de um corredor amarelado no segundo andar do prédio.

Ela entrou e começou a rir.

Passou a noite toda, ela havia se trocado e dormia, rindo.

Na manhã seguinte, foi acordada pelo seu próprio riso.

Perto do meio dia, ela se calou e todos no corredor que ouviam sua risada estridente se preocuparam. Os guardas se reuniram para decidir quem entraria no quarto em que, há 2 anos, um garoto loiro de 16 anos havia morrido sozinho. Uma hora ele gritava e batia na parede inquieto, na outra ele estava quieto e não respirava.

Todos os guardas se colocaram em uma função que os tirasse da obrigação, a não ser Carlos, novato que não sabia da história e riu quando todos tentaram se livrar da obrigação.

Ele bateu na porta do quarto e a abriu. Katherine se revirava na cama, sentada, abraçando seus joelhos. Ela se arranhava o tempo todo e seu rosto, pescoço e mãos estavam cheios de marcas.

Carlos segurou seus punhos e a olhou nos olhos. Não conteve um sorriso e ela parecia com medo

-Oi- ele falou baixo e ela tentou se soltar.- Sou Carlos. Como você está?

-Ele mentiu. Um mentiroso. Ryan é um mentiroso. Não confie nele- ela disse se encolhendo perto da parede.

-Quem é esse?- Carlos sentou perto dela e ela tentava se afastar.

-O policial que me trouxe aqui. Ele me disse que aqui era diferente. O que é esse lugar.

-É onde trazem as pessoas que precisam de ajuda para superar algo na cabeça delas. E por que um policial te trouxe justo aqui no st. Meredith? Aqui é para...- ele ia falar mas se calou. Deixou que ela explicasse.

-Eu matei um cara que me irritava muito. Eu estava rindo de alegria de ficar longe dele. Ver ele sentir dor foi ótimo- ela sorriu com o olhar frio de novo.- Eu não devia estar aqui. Meus pais devem estar me procurando. Preciso ver eles.

-As pessoas aqui não vão te deixar sair. Sinto muito por isso- ele baixou a cabeça e sentia que devia ajudar ela. Se livrou desse pensamento. Ela era como todos ali. Assassinos que não tinham noção de seus próprios atos.

Ele a olhou novamente e ela riscava a mão com suas unhas, alternando com o cabelo, que era puxado constantemente

-Está com fome?- ele falou. Ela concordou com a cabeça.- Vou trazer comida para você.

Ele sorriu e tirou a imagem da garota se machucando sem nenhum motivo. Ou teria um motivo oculto...

Os dias foram se passando, Carlos a visitava o tempo todo e ela estava voltando ao normal, com seus remédios e terapia de choque, a qual Carlos odiava. Sua querida Katherine saía perturbada da sala no subsolo do prédio, de onde ninguém ouviria os gritos dela. Ele a levava para o quarto, dava um beijo em sua testa e a ajudava a dormir, então continuava seu trabalho de vigia, impedindo que pacientes tentassem fugir ou matar os outros.

Após duas semanas, Katherine estava em plenas condições mentais. Não precisava mais tomar os remédios mas ainda a levavam para o quarto subterrâneo onde ela sofria diariamente.

Carlos sentia algo por ela. Mais do que o afeto de uma amizade ou a necessidade de cuidar dela. Ele amava a pequena assassina. Tentava evitar que a levassem para o tratamento mas nunca conseguia.

Um dia, resolveu entrar na sala. Ele viu os primeiros dois segundos e então, tentou fazer o enfermeiro parar aquilo à força.

Com raiva de Carlos, o homem aumentou a tensão para algo que seria insuportável para ela. Carlos tentou a soltar mas chegar perto da cadeira onde ela estava já era motivo para receber uma descarga elétrica junto. Ele não conseguia desligar a máquina e tentou até perceber que ela não respirava mais.

O lindo rosto dela estava pálido e sem vida, as mãos estavam geladas. O enfermeiro responsável pela máquina fugiu do st. Meredith no mesmo segundo.

Carlos desligou a máquina e tentou reanimar a menina que já não tinha mais chances de voltar.

Ele a carregou até o andar onde ela ficava e a colocou na cama, deixou ela ali como em todos os dias: a acompanhar e fazê-la dormir; então foi falar com o enfermeiro-chefe, dr. Andrews

-Ela está morta- ele falou segurando o choro.- Você vai deixar isso assim? VAI CONTINUAR COM ESSAS SESSÕES DE CHOQUE NOS OUTROS? QUER QUE TODOS MORRAM DO MESMO JEITO? O ÚNICO ASSASSINO MALUCO É VOCÊ, QUE TEM CONSCIÊNCIA DO QUE FAZ MAS CONTINUA.

Carlos chorava enquanto cuspiu as palavras no homem de 52 anos, que o olhava surpreso

-Então me mostre o que você viu o Cooper fazer de errado.

Eles voltaram ao quarto de tortura e dr. Andrews riu de Carlos quando ele contou tudo

-Pequeno aprendiz, eu poderia me sentar nessa cadeira e te garantir que sairia vivo.

-Então prove- Carlos falou incrédulo.

Dr. Andrews se sentou e as travas no pulso se fecharam, seguidas das travas no tornozelo e na cabeça

-Me solte- ele falou para Carlos, que tentava apertar o botão de destravar mas não funcionava.

"Ligue" a voz de Katherine soou calma em seu ouvido e ele se sentiu hipnotizado.

Fez o ordenado e dr. Andrews gritava por ajuda.

"Mais forte" a voz dela o mandou novamente e ele obedeceu. Colocou no máximo e começou a rir assim como Katherine fazia.

Dois enfermeiros tiraram Carlos de lá e desligaram a máquina. O chefe já estava morto e Carlos continuava rindo.

A partir de agora, seu lar seria ali.

Os enfermeiros o jogaram no quarto onde Katherine estava e seu corpo, sem vida, se sentou na cama.

Ela virou a cabeça para Carlos

-Muito bem. Obrigada. Mas ainda vou voltar para pegar todos eles- ela disse, soltou uma gargalhada e seu corpo caiu de novo na cama.

Carlos sentiu o pulso dela. Morta. Nesse minuto, ele teve certeza que seria assombrado pelo espírito de sua única e verdadeira paixão durante sua sanidade.

Notas finais
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