Insane
3 Light as the breeze or gross like horse
Notas iniciais
Bom, desculpem os inconvenientes e boa leitura!
– James, você precisa ser mais responsável, já está na hora de crescer! — Pisquei lentamente enquanto observava os padrões de desenhos da parede. — James! James, está me ouvindo? – Pisquei com força dessa vez e balancei a cabeça.
– Sim, estou sim — Murmurei balançando a cabeça.
Ouvi meu pai suspirar pesadamente em minha frente. Tentei controlar a vontade de bocejar, mas a vontade de controlar foi bem menor que a vontade de fazê-lo.
– Eu e Barbara vamos procurar casas, devemos demorar uns quatro dias. — Ele passou a mão no rosto e depois a bateu numa das coxas — Vamos ver como se vira — Soou irônico.
Eu devo ter ficado muito mais tempo encarando o nada depois que ele marchou subindo as escadas.
– Eu nem consigo pensar — Sussurrei antes de me colocar de pé. — Sóbrio demais, sóbrio demais. — Murmurei passando pela porta.
As ruas estavam movimentadas. Cheias de gente usando o mínimo de roupa e conversando animadamente. Aqui não tem essa de fim de semana, as pessoas parecem viver em férias eternas.
Bufei. Aquele sol do caralho já estava me irritando.
É, eu deveria começar a usar cores claras.
Ou parar de andar na rua.
Suspirei aliviado quando parei a soleira da porta branca. Tudo parece branco ou amarelo nesse caralho de cidade.
– Johnny — Gritei olhando para a janela no andar de cima — Johnny!
Consegui ouvir uns barulhos de coisas quebrando e Johnny xingando baixo.
– Tá bem? — Gritei novamente, franzindo o cenho pelo sol.
– Tô, tô. Já vou descer, caralho — Ele gritou.
Estalei a língua e virei-me para a rua.
Coloquei as mãos nos bolsos procurado meu celular. Nada a não ser alguns papéis.
Bufei.
– Johnny, faz o seguinte: me encontra na praia, no lugar de sempre, ok?
– Porra, eu já vou descer — Ele disse.
– Eu preciso ir num lugar antes — Gritei em contrapartida — Me espera lá, puto. — Completei.
Pus-me a andar em direção a escola. Com certeza meu celular não tava em casa, então só poderia estar lá no auditório onde a nossa querida diretora nos fez ver uma palestra de quase duas horas sobre drogas.
Puf, como se alguém fosse seguir aquela porra toda.
Passar pelos portões também não fora nenhuma dificuldade, e eu nem olhei para os lados. Ninguém se importava, tanto é que aquela escola era mestra em ser vandalizada.
Definitivamente, a escola não era um lugar ruim. Ruim eram as pessoas dentro dela. Cheguei a essa incrível conclusão ao andar pelos corredores vazios e observar o quão aconchegante aquilo ali ficava. Eu poderia morar num daqueles corredores. Hm, pelo menos o chão é geladinho.
Parei em frente ao meu armário e revirei os olhos. Tinha fechado o armário com o fone de ouvidos meio que pra fora, provavelmente estaria quebrado agora e com certeza também estaria plugado ao celular.
Abri o armário e comecei a puxar o fio a fim de encontrar o aparelho. O achei depois de algum custo para afastar a bagunça e depois fechei o armário de qualquer jeito.
12 chamadas perdidas, todas do Johnny. Revirei os olhos e enfiei o celular no bolso largo.
Corri até o fim do corredor, quando ouvi uma melodia extremamente bonita e forte.
Parei por um instante para identificar a música e de onde vinha e constei que era do auditório.
Subi a escada de oito degraus e parei em frente a porta que tinha umas mini janelas de vidro.
Senti meu queixo cair com a cena.
Lá estava o inspetor Collins comendo a diretora O'nell em cima de um amplificador.
Mentira. A cena era outra, mas mesmo assim que fez ficar de boca aberta (e provavelmente babando).
A melodia vinha de um violino elétrico, mas isso não é o ponto alto e sim quem o tocava. Brooke.
Como ela conseguia ser tão... incrível?
Sua calça estava levantada até os joelhos e calçava sapatilhas pretas de Ballet.
Os pés aguentavam seu pouco peso nas pontas e ela girava de um jeito encantador e ainda assim conseguia tocar.
Parecia um punk psicodélico e dali que eu tirei que aquilo era Ballet contemporâneo. Ela abusava do col legno* e não deixava o som ficar muito agudo, era perfeito. Era incrível a forma que conseguia se equilibrar, até mesmo nas execuções mais fortes.
Senti-me hipnotizado ao abrir a portinhola e me colocar em frente ao palco.
Aquilo era, definitivamente, muito mais interessante que a palestra sobre drogas — em que eu dormi — e conseguia ser melhor até que o Collins comendo a O'nell (coisa que eu tinha certeza que acontecia).
Brooke deu um pirueta sobre um dos pés e parou bruscamente ao me mirar. Arregalou os olhos.
Seu cabelo estava grudado no rosto pálido com olheiras profundas e bochechas rosadas pelo esforço, e eu tive vontade de tirar uma foto de seu rosto.
– O que você faz aqui? — Ela perguntou grosseiramente.
Tirou o violino de sua clavícula e abaixou a mão que segurava o arco fielmente.
Pisquei forte e olhei pra baixo — podendo perceber uma pedaleira -, sem conseguir a encarar de volta.
A ouvir bufar e virar as costas. Guardou o violino rapidamente e jogou-se de bunda no chão para tirar as sapatilhas.
– É... — Balbuciei — Desculpe. E-eu ouvi um barulho e vim ver... — Consegui dizer.
– E então ficou encarando? Sei... — Ela murmurou.
Suspirei.
– Você é sempre assim? — Deixei escapar entre os lábios enquanto a via pegar a mochila cinza.
– Assim como? — Perguntou despreocupadamente, pegando o case do instrumento.
– Esquiva. — Respondi. — Tem medo das pessoas? — Cerrei os olhos.
Ela parou de andar por um momento e pareceu pensar.
– Medo? Não, medo eu tenho de mim. — Sussurrou. — Mas também não confio nas pessoas. — Disse antes de andar rapidamente e sair dali deixando-me parado, apenas com sua figura dançando e tocando em mente e tentando entender o significado de suas palavras bruscas.
Notas finais
Eu tentei gravar um cover no violino para ajudar na imaginação de vocês, mas a acústica da minha casa é péssima e eu tô de férias do trabalho e não queria fazer vocês esperarem mais...
Ah, deem uma olhadinha na one que eu fiz, quero a opinião de vocês http://www.fanfiction.com.br/historia/249164/Bitterness/ c:
E, hm... Pra quem lê minhas outras fics, os capítulos devem sair pela semana que vem, farei o possível pra não demorar aqui também, dependendo da repercussão do capítulo...
Hm, me digam nos reviews se eu mereço reviews. eowiewoe
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