Insane
2 A blue dot on my head
Notas iniciais
*Ah, eu fiz um tumblr meio que dedica à avenged então...
http://almostin-sane.tumblr.com/
E então, finalmente, havia chegado o intervalo.
Eu já estava sentado numa das mesas do refeitório à um bom tempo; uma vez que os professores me preferiam fora da sala de aula e eu, sinceramente, preferia assim também.
- E aí, cabeça de rato — Johnny deu-me um tapa na cabeça e se sentou na minha frente.
Eu não olhei para ter certeza, apenas o senti fazê-lo enquanto olhava impacientemente para os lados.
- Se você está procurando seu amante de noites quentes, ele faltou a aula hoje — Completou.
- Hein?! — Indaguei distraidamente.
- O Matt, ele faltou hoje. Brigou com a mãe, de novo. — Falou entediado.
- Hum, que novidade. — Retruquei ironicamente, erguendo as pernas e sentando do modo certo, voltando minha atenção pra ele de verdade.
O sinal tocou estridente, fazendo-me enfiar um dos dedos na boca e começar a roer as unhas já curtas.
Uma, duas, três, quatro vezes e eu já tinha uma fileira de pedaços de unha em cima da mesa, organizado por mim mesmo, obrigado.
- Cara, o que você tem hoje? — Johnny perguntou, fitando as unhas na mesa.
Emiti um estalar com a língua e a coloquei pra fora, tirando o pedaço de unha que estava nela. Nesse ponto, o refeitório já estava cheio. Coloquei a unha mordida ao lado das outras, seguindo fielmente a fileira.
- Nossa, que nojento. — Brian disse enquanto sentava-se ao lado de Johnny, em minha frente.
- Não te perguntei nada, viado — Resmunguei com a mão na boca. Quem diria que o "viado" viraria meu melhor amigo daqui a alguns meses... É, as coisas podem realmente mudar.
Novamente, coloquei a unha no lugar e parei de roê-las quando vi um ponto azul do outro lado do refeitório.
A garota olhou-me por um segundo, mas não parecia realmente ver. Depois simplesmente virou e se colocou a andar no corredor.
- Johnny, Johnny — O sacudi, sem tirar os olhos das costas dela.
- Ai, caralho, que é?
- Você sabe quem é aquela? — Apontei. — A do cabelo azul — Especifiquei.
Brian riu.
- Louca — sussurrou pra si mesmo e fez um gesto negativo com a cabeça.
- Porque eu saberia? — Johnny ralhou.
- Não sei... Talvez porque ela não é da nossa turma, e o pirralho aqui é você — Ralhei entredentes, todo o meu bom humor — já inexistente — indo por água abaixo.
Zacky e Matt Wendt chegaram rindo de algo e logo se esparramando perto de nós.
Entre os integrantes da banda, apenas Zacky dava-se razoavelmente bem com Wendt; provavelmente por ser o mais racional de nós e se conter a cada vez que tem vontade de limpar a bunda com a cara dele.
- Ih, olha só quem chegou. Aquele que vai ser descartado assim que que vocês perceberem que eu tenho muito mais talento — Johnny referiu-se a Wendt, que lhe deu uma resposta nada educada.
- Ow, Johnny, dá pra se concentrar no nosso papo? — Pedi, fazendo-o revirar os olhos.
- O nome dela é Brooke, e ela louquinha da silva — Ele disse entediado.
- Louca? Como você acha que nós somos conhecidos por aqui? — Rebati ironicamente.
- Não, seu imbecil. Não desse tipo. Ela é louca mesmo. — Brian intrometeu-se.
- É, diferente de nós. — Johnny sussurrou, fazendo-me notar que eu já me debruçava sobre a mesa. Droga, e desorganizava a fileira de unhas
- Ano passado ela teve um ataque epilético na sala. Eu faltei nesse dia, mas, óbvio, as pessoas comentam. — Johnny completou.
Revirei os olhos.
- Fofoqueiros — Resmunguei. — O que mais? — Perguntei já colocando outro dedo na boca.
Johnny elevou uma sobrancelha ceticamente.
- Cara, você não lembra? Ela estuda aqui desde.... sempre. Repetiu o ano passado por faltas. Na verdade, ela não estuda, mas os professores a passam de ano quando ela vêm as aulas. — Deu de ombros. — Eu tenho algumas aulas com ela, acho — Observou.
- O que ela tem, exatamente? — Perguntei.
- Não sei. Mas deve ter muitas coisas, pelo visto. Parece que até alucinações e sei lá mais o que. Dizem que ela sempre se isola, vai para a debaixo da arquibancada da quadra mais afastada e tem surtos, sei lá.. — Fez pouco caso. — De qualquer forma, não me interessa.
- Hum, qualquer coisa você me diz — Falei.
Johnny levantou-se e franziu o cenho.
- Que? — Indagou. — Ah, deixa pra lá. — Fez um breve aceno com a mão e saiu dali depois de mais algumas provocações ao Wendt.
(...)
- James, a sr. Magolli quer lhe ver na diretoria — Disse Cooper, o zelador que cuidava da parte do pátio.
- Essa mulher... — murmurei me levantando — Ela está apaixonada por mim. Ela me ama, Cooper, isso é um fato — Balancei a cabeça.
- James, James... — Ele murmurou em um tom de negativa, fazendo-me rir.
Caminhei pelo corredores e só parei quando cheguei na pequena saleta que ficava antes da coordenação. Na verdade, não passada de um corredor razoavelmente largo repleto de cadeiras de forro azul escuro.
Lá estava tal de Brooke, sentada numa das cadeiras. Os olhos encarando insistentemente a parede amarela e roendo as unhas de um jeito bruto.
Voltei a andar para me sentar ao seu lado, meu tênis fez um chiado agudo e irritante pelo atrito no chão, chamando sua atenção.
Pude ver que seus olhos eram de um castanho bonito, meio dorado e meio verde escuro.
Ela tirou um dos dedos da boca, depois se ajeitou no assento e colocou as mãos espalmadas na coxa, voltando a encarar a parede.
Observei que todos os seus dedos tinham as pontas feridas, além de vários arranhões no braço que pareciam ser feitos por unhas curtas.
Franzi o cenho.
Joguei-me na cadeira ao lado da dela e comecei a fitar a parede também, talvez ela falasse algo... Nada, absolutamente nada.
- Hm, a Kátia te chamou também? — Perguntei ainda encarando a parede.
Ela emitiu um estalar de língua.
- Quem? — Perguntou em sussurro, sua voz era rouca, mas não de um jeito que parecesse um travesti. Na verdade, era bem bonita, soava bem pra mim.
- Sr. Magolli. — Expliquei.
- Não, eu que vim falar com ela. — Encarei-a esperando que falasse um motivo ou sei lá... Mas ela só me ignorou, sem tirar os olhos da parede. Definitivamente foi bem frustrante pra mim.
- Sou Jimmy — Estendi minha mão para ela.
Brooke me olhou, sem tirar as mãos da coxa e levantou uma sobrancelha.
- Legal — Murmurou apesar de não parecer achar legal.
- Essa é a parte que você diz seu nome — Ri, mas ela não me acompanhou.
Suspirou pesadamente.
- Brooke — Disse apenas.
Eu estava quase implorando para que ela falasse mais, apenas para que eu pudesse ouvir mais da voz dela, quando Sr. Magolli abriu a porta e de lá saiu um garoto loiro, olhos verdes e com problemas de pele, Mike.
- James — Ela me chamou formalmente. — Depois trato de você, Brooke. — Apontou para a garota que apenas assentiu com a cabeça, sem olha-a.
Levantei-me e fui abortado por Mike, fizemos um toque estranho qualquer e depois eu entrei sobre o olhar negativo da diretora.
- Ai, ai — Murmurei antes de me jogar na cadeira em frente a mesa de mogno — Kátia, querida, o que foi dessa vez? — Cruzei as mão na barriga e estalei a língua.
Sr. Magolli deu a volta na mesa e sentou-se em seu lugar. Massageou as têmporas e suspirou.
- Fiquei sabendo que seus pais pretendem se mudar. De novo — Ela começou.
Fiz que sim com a cabeça.
- E? — Indaguei.
- E que nós precisamos ver sua situação, James
- Kátia...
- Sr. Magolli — Interrompeu-me com a correção.
Sorri.
- Kátia, não se preocupe comigo — inclinei-me sobre a mesa e afaguei sua mão — Como nas outras vezes, eu irei ficar.
- Mas eles não vão para a cidade vizinha dessa vez, James. Você sabe disso. — Ela retrucou.
Reprimi a vontade de bufar.
- Minha mãe está providenciando minha emancipação — Menti rapidamente — Eu deixo você a par da situação, ok? Agora... Tchau. — Praticamente corri para fora da sala e senti meu meio sorriso presunçoso desfazer ao não encontrar Brooke do lado de fora.
Suspirei e segui para a ultima aula, decidido a saber tudo sobre a garota de cabelos azuis.
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