Insólito
7 Capítulo 6
Notas iniciais
CAPÍTULO 6: O ÚLTIMO RASTRO DE PUREZA
Takeru apertou as folhas de papel entre as mãos, encarou a campainha e respirou fundo. Estendeu a mão para apertar o botão, mas parou na metade do movimento, a coragem parecia ter-lhe abandonado. Encarou mais uma vez a plaqueta com o nome Yagami colada sobre a campainha e pensou por que justo ele tinha de estar ali.
Hikari ficara gripada e perdera vários dias de aula. A representante de classe da menina pediu que o loiro fosse até a casa da garota entregar os trabalhos e atividades desenvolvidas para que ela não ficasse atrasada com a matéria. Para Takeru aquilo era uma espécie de conspiração do destino, afinal de contas, eles nem estudavam na mesma turma, e a obrigação de ir até a residência da garota era da representante (“Vocês são amigos, e você deve estar preocupado, como vai lá para vê-la, aproveite e leve as anotações de aula”). Ele até tentou passar a função para Daisuke, mas o ruivo tinha treino de futebol.
Takeru tocou a campainha, o barulho soou longo e distante, e o garoto rezou para que fosse a amiga a atender a porta. Desde o beijo, o adolescente vinha evitando encontrar com Taichi de todas as formas que podia, até inventara desculpas esfarrapadas para não ir à reunião de estudos realizada na casa da garota para não correr o risco de encontrar o mais velho. Ele havia pensado seriamente em não entregar as atividades, mas isso prejudicaria os estudos da amiga e ele não queria causar nenhum problema a ela.
O garoto tocou a campainha novamente e aguardou. Estava quase desistindo e indo embora quando a porta se abriu. Taichi apareceu, a roupa amarrotada, fones de ouvido pendurados no pescoço.
“A Hikari está?” Perguntou antes que o moreno pudesse dizer qualquer coisa, os olhos procuravam qualquer coisa para focar que não fosse o rosto do garoto e as mãos se remexiam tanto que os papeis que trazia estavam amassados.
“Ela está dormindo” respondeu.
“Ela está melhor?” Nunca reparara que os ladrilhos do corredor eram amarelos e que eles estavam displicentemente desalinhados.
“Sim, ela só precisa de mais alguns dias de repouso.”
“Que bom. Você pode entregar a ela?” Estendeu os papeis na direção do mais velho e esperou que ele os pegasse. Mas sentiu a mão envolver seu pulso e com um puxão o levar para dentro do apartamento.
Taichi fechou a porta atrás de si, puxou as folhas da mão do loiro e as atirou sobre uma mesinha próxima a porta. Fazia dias que pensava em uma maneira de abordar o garoto para conversarem, não iria deixar escapar a chance.
“Nós precisamos conversar” anunciou, sério.
“Taichi-san, eu estou com pressa” e deu um passo em direção à porta, mas o maior se colocou entre ele e o objeto, a mão envolvendo a maçaneta.
“Você está chateado com o que aconteceu?”
“Não” desviou o olhar, sentiu o rosto incendiar ao lembrar-se do beijo. “Taichi-san, eu preciso mesmo ir” deu mais um passo em direção à porta e estendeu a mão até a maçaneta, mas parou ao ver que o moreno não fizera nenhum movimento para impedi-lo. Os olhos buscaram o rosto do outro esperando algum tipo de reação, mas o garoto estava imóvel, os olhos colados no menor, um discreto sorriso nos lábios.
“Você gostou?” provocou.
“O quê? Claro que não.” Sentiu o rosto ficar vermelho e as palavras saírem atropeladas. Não iria deixar Taichi dominá-lo. Colocou a mão sobre a do moreno e tentou girar a maçaneta, mas sentiu outra mão empurrar seu corpo contra a porta. Quando deu por si, Takeru estava preso entre a porta e o corpo de Taichi, que estava colado ao seu.
O moreno levou seus lábios ao ouvido do rapaz. “Diga que você gostou” repetiu em um sussurro sensual. Takeru jurou a si mesmo que nunca mais pensaria em Taichi ou no beijo, mas agora suas pernas fraquejavam como naquele dia, e sentia a vontade de resistir esvair-se do seu corpo. As mãos do moreno percorriam lentamente o corpo do menor, um rastro fino de saliva demarcava o pescoço alvo.
“Taichi... não.” Takeru havia se convencido de que o beijo não passava de uma brincadeira infeliz. Passou dias tentando afastar qualquer tipo de pensamento que tivera relacionado ao beijo, mas quanto mais tentava esquecer, mais vivas as sensações lhe pareciam. E agora seu corpo provava todas elas novamente, e enquanto sua mente dizia que fugisse, seu corpo implorava para que ficasse.
As mãos do moreno subiram por dentro da camisa do menor, acariciando o peito magro. Os lábios corriam pelo pescoço, analisando cada centímetro. Taichi tinha uma namorada, não fazia sentindo agir dessa forma. Ao se lembrar da garota que o acompanhava no dia dos namorados, sentiu seu estômago revirar, e um misto de raiva e inveja invadi-lo. Não era possível que estivesse enciumado, se assim fosse isso só significaria uma coisa, e não, Takeru tinha certeza, não estava apaixonado pelo líder. Tudo o que sentia por ele era admiração, pura e simplesmente.
Se assim era, por que não conseguia resistir ao assédio do maior? Era só empurrá-lo para o lado e ir embora. Um gemido saiu de seus lábios quando Taichi esfregou o corpo contra o seu. Os pelos se eriçaram e as pernas ficaram bambas. Sentiu o maior o envolver com um abraço apertado e arrastá-lo dali, seus pés se moveram sem sua permissão, e os braços desobedientes, enlaçaram o pescoço do moreno.
Taichi abriu a porta do quarto e acomodou o loiro na cama debaixo do beliche. Antes que pudesse levantar, Taichi deitou o corpo sobre o seu e selou o encontro com um beijo apaixonado. O moreno sentiu que se arrependeria no dia seguinte, de como as coisas estavam indo rápido demais, mas sua mente não pensava em nada, era o desejo que o movia.
“Agumon...” os olhos azuis vasculharam o cômodo.
“Tailmon e Agumon estão com o Koushirou. Hikari ficou preocupada que eles pudessem ficar doentes também” respondeu, enquanto acariciava os cabelos claros do rapaz.
“E a Hikari? Se ela acordar...” Taichi o silenciou com um beijo, as mãos passeando sob a camiseta. Sentiu o menor puxar-lhe violentamente os cabelos, o que deixou o moreno animado, a mão percorreu o peito magro até chegar a barriga, habilmente desabotoou a calça e deslizou por dentro do tecido. Takeru cessou o beijo.
“Taichi-san, por favor” gemeu num misto de excitação e desespero. Beijos eram uma coisa, mas aquilo ia muito mais longe do que ele poderia imaginar.
O maior analisou as feições infantis e assustadas do adolescente e não pôde deixar de sorrir. A mão se moveu desobediente sob o tecido, arrancando um suspiro do menor.
Takeru tentou resistir, afastando-o de si, mas seus braços pareciam não ter força suficiente para movê-lo. Sentiu o moreno puxar sua camisa e percorrer seu tórax com os lábios, a mão movia-se mais rápida e intensamente. Os olhos azuis se fecharam lentamente, em seu corpo pareciam correr várias descargas elétricas.
Um som de zíper sendo aberto trouxe o loiro de volta a terra. Os olhos encararam o moreno com as calças abaixadas até a altura dos joelhos deslizando pretensiosamente entre suas pernas.
“Taichi, não” ele tentou afastar o maior de si, sem sucesso.
O líder se posicionou, alinhando seu quadril com o do garoto, ajeitou o corpo sobre o do menor, abraçando-o firmemente.
“Não me peça para parar” gemeu o maior. Moveu os quadris para frente, deslizando para dentro do loiro. Takeru arqueou o corpo, as mãos agarram desesperadamente o lençol, os olhos se encheram de lágrimas e mordeu os lábios para não gritar. Nunca sentira dor tão grande.
Taichi invadiu a boca do menor, o beijou até sentir ficar mais calmo e seu corpo relaxar. Movia os quadris lentamente, aproveitando cada segundo da companhia do adolescente. Takeru sentia-se desconfortável, mas a dor havia diminuído e uma sensação prazerosa o invadia, lentamente.
“Taichi... por favor... não” seu pedido saiu entrecortado com seus próprios gemidos, traindo-o. Seu corpo estava em chamas, sua mente vazia. “Eu... não posso...” mal foi ouvido entre seus gemidos e o ranger da cama. Ele sentia como se uma grande energia estivesse se acumulando dentro dele. Suas pernas abraçaram os quadris do moreno, aproximando ainda mais seus corpos. Taichi não podia resistir, embora os lábios infantis gemessem que não queria aquilo, seu corpo pedia por mais. O moreno aumentou a velocidade, ouviu o ranger da cama, os gemidos do loiro e seus próprios preencherem o quarto. Um gemido delicado e infantil atravessou os demais, alto e sensual. Taichi fez um dueto com seu próprio gemido, preenchendo e aquecendo o corpo do menor.
Takeru sentiu o corpo pesado cair sobre o seu, exausto. Os corpos suados se colavam e completavam. O loiro sabia que o outro estava com um sorriso satisfeito nos lábios, embora não pudesse ver suas feições. Sentiu o rosto corar ao se dar conta do que haviam feito, e desviou o olhar para a janela, o céu estava azul e podia ouvir os pássaros cantando em alguma árvore próxima. Ouviu Taichi gemer alguma coisa em seu ouvido, mas estava tão cansado que adormeceu instantaneamente.
=8=
Takeru estava atordoado, os olhos se abriram lentamente, fitando a janela aberta, a cortina balançava lentamente ao sabor do vento, deixando o quarto arejado. O céu estava alaranjado, anunciando o início da noite. A franja loira, incômoda, estava caída sobre o rosto e o corpo melado, grudava desconfortavelmente nos lençóis da cama. Seu corpo estava dolorido. Sentia-se sujo e imoral. Sabia que o que tinha feito era errado, mas esse sentimento se digladiava com outro, uma sensação de êxtase, de preenchimento. E esse sentimento prazeroso o fazia sentir-se ainda mais culpado e errado.
Ouviu o som de teclas sendo digitadas, o som era baixo e distante, e ele não teve muita certeza se realmente estava desperto. Virou o rosto para o lado aonde vinha o som e viu uma silhueta sentada na escrivaninha, digitando algo no computador. Não podia ver com clareza, mas conhecia a silhueta grande e forte, os braços torneados e bronzeados, os cabelos castanhos, muito bagunçados. O pavor o invadiu, não saberia como reagir após o que tinham feito, sentia-se envergonhado e frustrado, pensou no que seus amigos falariam se o vissem assim, pensou na Hikari, dormindo no quarto ao lado, pensou na reação do irmão.
Voltou o rosto para a janela e fechou os olhos, fingindo dormir. Após alguns minutos os sons das teclas cessaram e o jovem sentiu um peso sobre a cama. Os braços fortes o envolveram e mãos brincaram em seus cabelos. Uma respiração quente aproximou-se do seu rosto e ele sentiu lábios serem roçados contra os seus. O jovem sentiu o rosto corar, e o corpo se aquecer enquanto seu amante cobria seu pescoço e peito com beijos demorados. Mordeu os lábios tentando reprimir um gemido, quando o moreno envolveu seu sexo com lábios. O mais velho percebeu que seu jovem amante estava acordado, sorriu maliciosamente e o virou de barriga para baixo. O loiro protestou fracamente, mas não tinha forças ou real desejo de resistir, naquele momento percebeu que cederia a qualquer pedido do amante.
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