O vento frio da manhã soprada pelas ruas de Forks trazia o cheiro de terra molhada e pinheiros. Renesmee caminhava distraidamente pelo centro da cidade quando viu Claire vindo na direção oposta, carregando uma sacola pequena de farmácia.

​Nessie parou instantaneamente, o coração dando um salto de apreensão. Ela esperava qualquer reação de Claire — raiva, mágoa, ou até mesmo que a ignorasse por completo. No entanto, Claire parou a poucos passos de distância, olhou para ela e esboçou um sorriso calmo, embora melancólico.

​— Oi, Renesmee — disse Claire, com a voz surpreendentemente suave.

​— Oi, Claire... — respondeu Nessie, a garganta apertada, as palavras quase sumindo. — Olha, eu sei que você não tem nenhuma obrigação de falar comigo, mas... eu sinto muito. Por tudo.

​Claire suspirou profundamente, balançando a cabeça em um gesto compreensivo.

​— Quer saber de uma coisa? Não adianta a gente ficar carregando esse peso — disse Claire, dando um passo à frente. — Quer tomar um café? Tem uma cafeteria logo ali na esquina. Acho que nós duas precisamos conversar de mulher para mulher.

​Surpresa e tocada pela maturidade da outra, Nessie assentiu com os olhos marejados.

​Sentadas em uma mesa isolada no fundo da cafeteria, com duas xícaras fumafegantes de café com canela entre elas, o gelo inicial foi se quebrando aos poucos. Renesmee abriu o coração, contou sobre a dor do exílio no Canadá, a chantagem de Edward e o quanto ela mesma havia sofrido tentando enterrar o que sentia por Jacob. Claire ouviu tudo em silêncio, prestando atenção em cada detalhe, sem demonstrar qualquer resquício de julgamento.

​— No fundo, eu sempre soube que o buraco era muito mais embaixo, Nessie — disse Claire, mexendo o açúcar na xícara sem olhar diretamente para ela. — Quando eu ouvi a conversa do Edward com o Jacob, tudo fez sentido. O Jacob nunca esteve totalmente comigo porque o coração dele nunca saiu de você. No começo, eu quis odiar nós dois... quis odiar você por ter voltado. Mas hoje eu percebo que nenhuma de nós tem culpa de amar quem ama. O erro foi do Jacob e do Edward por terem nos usado como peças em um jogo de orgulho.

​— Você é uma mulher incrivelmente forte, Claire — murmurou Nessie, segurando a mão dela sobre a mesa por um instante. — Eu admiro tanto a sua coragem.

​— Nós duas sobrevivemos, Nessie. E agora temos que olhar para frente — disse Claire, sorrindo de forma sincera. — O Jacob está livre para viver o que ele deixou para trás, e eu vou criar o meu filho com toda a paz do mundo. Está tudo bem entre a gente. De verdade.

​As palavras de Claire tiraram uma tonelada de culpa dos ombros de Renesmee. Aquele encontro selou uma paz inesperada, transformando velhas rivais em duas mulheres unidas pela resiliência.

​Mais tarde, quando o sol já começava a se esconder atrás das montanhas, Claire desceu do carro em frente à sua casa em La Push. Ao se aproximar da cerca de madeira, viu uma silhueta conhecida encostada no portão.

​Seth esperava pacientemente, segurando uma pequena caixa de doces em uma das mãos. Ao vê-la chegar, o rosto dele se iluminou com um sorriso caloroso.

​— Oi, Claire. Fiquei sabendo que você tinha ido resolver umas coisas no centro e decidi passar aqui para ver se você voltou bem — disse Seth, aproximando-se com cuidado.

​Claire sentiu o peito aquecer de uma forma que não sentia há semanas.

​— Seth... que surpresa boa. Você não precisava ter o trabalho de vir até aqui — disse ela, abrindo o portão da entrada. Mas, em vez de mandá-lo embora, ela o encarou com um brilho novo nos olhos. — Quer entrar? Acabei de fazer um chá fresco.

​Os olhos de Seth brilharam.

​— Eu adoraria.

​Poucos minutos depois, os dois estavam sentados confortavelmente no sofá da sala, conversando animadamente sobre amenidades, rindo de piadas bobas e compartilhando histórias leves que faziam o tempo voar. A sintonia entre eles era leve, fluida e totalmente natural, sem o peso do passado ou as sombras de antigos relacionamentos.

​Em um momento de pausa na conversa, enquanto Claire ria de uma brincadeira que Seth fizera sobre suas habilidades culinárias, o olhar dele desceu involuntariamente para a barriga sutilmente marcada sob a blusa dela.

​Seth hesitou por um segundo, o sorriso suavizando-se em uma expressão de profundo respeito e carinho.

​— Claire... posso? — perguntou ele em um sussurro, estendendo a mão aberta na direção do ventre dela, pedindo permissão com os olhos.

​Claire sentiu o ar faltar por um instante. Ela olhou para a mão de Seth, depois para o rosto dele, e assentiu lentamente com a cabeça, um rubor leve colorindo suas bochechas.

​Seth aproximou-se um pouco mais e apoiou a palma da mão quente sobre a barriga de Claire com extremo cuidado. No exato segundo em que o toque se firmou, um pequeno movimento — um chute tímido e perceptível — respondeu do outro lado da pele.

​Os olhos de Seth se arregalaram, brilhando com lágrimas de pura emoção, enquanto Claire soltava um suspiro surpreso, cobrindo a mão dele com a sua.

​Naquele silêncio repleto de significado, enquanto as mãos deles permaneciam unidas sobre a nova vida que crescia, algo sutil, terno e inevitável começou a nascer entre os dois.