A noite caíra pesada e silenciosa sobre Forks. Na ampla sala de sua casa, Renesmee estava em pé diante da janela, observando a garoa constante riscar a vidraça. Após se reconciliar com o pai e encontrar a paz nas conversas com Seth e Claire, ela finalmente sentia que o tempestuoso passado ficara para trás. Seu coração, antes despedaçado e incerto, agora estava pronto para a verdade que sempre lhe pertenceu.

​Ela pegou o celular sobre a mesa e discou o número que conhecia de cor.

​Três toques depois, a voz grave e sobressaltada de Jacob ressoou do outro lado da linha:

​— Nessie?

​— Jake... você pode vir aqui? — perguntou ela, a voz suave, firme e carregada de uma doçura que ele não ouvia há quatro anos. — A gente precisa conversar.

​— Estou indo agora mesmo.

​Menos de quinze minutos depois, os faróis da caminhonete iluminaram a entrada da propriedade. O som dos passos apressados de Jacob pela varanda precedeu as batidas firmes na porta. Quando Nessie abriu, encontrou-o arfando levemente, os cabelos negros úmidos da chuva e os olhos queimando em uma expectativa quase dolorosa.

​— Entra — disse ela, abrindo espaço.

​Jacob cruzou o umbral, e o silêncio da casa os envolveu. Ele virou-se para ela, a expressão conturbada por uma mistura de esperança e medo.

​— Eu esperei por essa ligação todos os dias desde que você pediu um tempo — disse Jacob, a voz rouca caindo para um sussurro. — Eu não queria te pressionar, mas ficar longe de você sabendo toda a verdade estava me matando por dentro, Nessie.

​Renesmee deu passos lentos na direção dele, fechando a porta e parando a centímetros do seu peito largo.

​— Eu precisava de tempo para colocar a minha alma no lugar, Jake — explicou ela, erguendo o rosto para encará-lo nos olhos. — Eu precisava perdoar o meu pai, precisava saber que a Claire e o Seth ficariam bem... Eu não podia construir o nosso recomeço em cima de ruínas. Mas agora tudo se ajeitou. Não existem mais fantasmas, não existem mais segredos e nem desculpas entre nós.

​Jacob engoliu a seco, os olhos brilhando com o peso daquela revelação.

​— Isso quer dizer que... você me perdoou por tudo? Por todas as crueldades que eu te disse desde que você voltou?

​— Eu te perdoei no segundo em que vi a sua dor — respondeu ela, tocando suavemente o rosto dele com a palma da mão quente. — E eu nunca deixei de te amar, Jacob. Nem por um único segundo daqueles quatro anos no Canadá.

​O impacto daquelas palavras fez a respiração de Jacob falhar. Ele fechou os olhos por um segundo, saboreando a cura daquela confissão, e quando os abriu, a paixão reprimida por anos explodiu em seu olhar.

​— Meu Deus, Nessie... — murmurou ele, segurando a cintura dela com as duas mãos e puxando-a para junto de si. — Eu achei que tinha te perdido para sempre.

​— Você nunca me perdeu — sussurrou ela, na ponta dos pés, selando a distância final entre eles.

​O beijo que se seguiu foi uma tempestade avassaladora de alívio, saudade e desejo represado. Os lábios de Jacob devoraram os dela com uma fome desesperada, e Nessie respondeu com a mesma intensidade, enlaçando o pescoço dele e enterrando os dedos em seus cabelos negros. A raiva, a dor e o exílio acumulados dissolveram-se naquele contato profundo.

​Jacob a ergueu nos braços sem quebrar o beijo, e Nessie envolveu a cintura dele com as pernas, entregando-se completamente ao toque. Ele a carregou pelo corredor iluminado apenas pela penumbra da casa até o quarto principal.

​Ao pousá-la com extrema delicadeza sobre a cama ampla, Jacob ficou sobre ela, admirando o rosto da mulher que sempre fora a dona da sua alma. As roupas foram retiradas com uma pressa respeitosa e urgente, revelando a pele quente e dourada sob a luz fraca dos abajures.

​Cada toque da pele de Jacob contra a de Renesmee trazia de volta o fogo daquela única noite no apartamento no passado, mas agora despido de qualquer medo ou culpa. O calor do corpo dele envolvia o dela perfeitamente. Os suspiros, sussurros de amor e juras reestruturadas preencheram o quarto enquanto eles se entregavam de corpo e alma um ao outro. O amor deles, maduro e purificado pelas provações, consumou-se em uma entrega completa, apaixonada e inesquecível.

​Horas mais tarde, o silêncio sereno da madrugada dominava o quarto.

​Renesmee estava deitada com a cabeça apoiada no peito largo e despido de Jacob, escutando o ritmo tranquilo do coração dele. O lençol cobria parcialmente seus corpos entrelaçados. Jacob mantinha um dos braços fortes envolto na cintura dela, acariciando suavemente suas costas com a ponta dos dedos.

​— Em que você está pensando? — perguntou ele baixinho, inclinando o rosto para beijar o topo da cabeça de Nessie.

​Ela sorriu, descansando o queixo no peito dele e olhando-o com os olhos brilhando em paz.

​— Estou pensando que valeu a pena — respondeu ela com a voz doce e aveludada. — Valeu a pena esperar, sofrer e lutar... porque nós finalmente estamos no lugar onde deveríamos estar.

​Jacob sorriu, puxando o rosto dela delicadamente para selar seus lábios em um beijo calmo e prolongado.

​— Nós estamos em casa, Nessie — prometeu ele, segurando o rosto dela com amor. — E daqui para frente, nada nem ninguém vai nos separar de novo.