Inocência Ultrajada

17 Capítulo 17 O CÍRCULO DOS CONDENADOS...


Notas iniciais
Bem, demorou mas aí está! Perdoem-me a demora, mas agora creio que a postagem ficará mais rápida devido ao tempo que estou tendo. Obrigada pela paciência, pela amizade e por acompanharem a fic. Bjs, XD!!

A caverna que se assemelhava a uma pequena fortaleza, incrustada na pedra, possuía vários ambientes. Um deles era o local dos rituais, cuja pedra dura e alva usada para o sacrifício onde Kanon selara o acordo, ainda mantinha resquícios de sangue que se juntavam aos símbolos de consagração...


Também havia uma vasta biblioteca, onde prateleiras abarrotadas de objetos e livros antigos evidenciava a cultura do homem que, agora, refletia a luz dos archotes sobre o profundo tom azul de sua túnica de veludo.


Sentado em uma cadeira que se assemelhava a um trono, Radamanthys olhava para uma grande mesa repleta de pequenas estatuetas. Algumas eram pintadas, outras, apenas modeladas em argila, sem detalhes que as identificassem como masculinas ou femininas. Estavam todas dispostas em lugares determinados em uma área circular e pareciam mostrar sua função e lugar num estranho jogo de tabuleiro.


Aquele era o seu jogo e as peças adquiriam o status e o valor que ele os atribuía. O Círculo dos Condenados era sua ferramenta mais contundente, seja para manipular, destruir ou chegar, sutil e rapidamente, aos seus objetivos. Através dele, podia antecipar movimentos, escolher as peças vivas e levá-las a aceitar o jogo e adentrar o abismo por sua livre e espontânea vontade.


Voltando seus olhos para a imagem central, uma peça cuidadosamente modelada em argila branca, o mago franziu o cenho e a tomou nas mãos. Era chegada a hora. A hora crucial de enfrentar o seu próprio sangue...


Sim, sabia que seus servos haviam tido contato com um Antigo tão fatal e, igualmente, poderoso quanto ele. Os gêmeos seriam um teste apropriado para ver até onde iria o poder de seu filho.


A certeza do encontro levou-o a lembrar-se dela...


Brieanna, a mulher que possuíra e que gerara seu filho era uma Devanae, sem o saber. Muitas mulheres nasciam com dons sobrenaturais e acabavam usando-os para ganhar a vida ou adquirir poder. Porém, uma Devanae não tinha somente visões do passado ou futuro, era um tipo especial de poder que a capacitava a interferir nas linhas do tempo, criando novas possibilidades.


Infelizmente, poucas tinham a chance de apropriar-se de seus dons. A grande maioria era subjugada pela ignorância religiosa que lhes atribuía a alcunha de bruxas, enquanto outras, simplesmente, não possuíam estabilidade emocional e psíquica para suportar tal poder...


Tinha sido assim com Brieanna, a bela esposa de lorde Adham. Nascida nobre, ela fora dada em casamento para unir clãs com interesses políticos em comum. Entretanto, os constantes delírios e crises nervosas fizeram o lorde chamar Radamanthys para ajudá-lo.


O mago, ao colocar os olhos nela, reconheceu seus dons e tentou ajudá-la, ensinando-a a dominar as visões, explicando que ela tinha sido abençoada com um dom. Fragilizada, ela sentia-se detentora de uma maldição e não de bênçãos.

Ajude-me! Livre-me desta loucura! Implorou-lhe, ela.


E naquele dia, quando encarou-a no fundo de seus olhos azuis, ele a seduziu, usando magia sexual para fazê-la entender, abrir sua visão para que soubesse do que desejava abrir mão.


Quando a penetrou, a mente de Brienna se expandiu e ela viu todas as possibilidades, todos os futuros possíveis... Mas, ao invés de ajudá-la, o ato trouxe-lhe o caos, a culpa e a loucura.


Quando a alvorada chegou, Radamanthys deixou a Fortaleza Branca e sua semente no ventre da bela e frágil mulher. Brienna fechou-se em seu mundo e quando o bebê nasceu ela fez com que todos acreditassem que havia tido uma menina, sua bela criança loira, seu raio de sol...

Não deixarei que façam mal a você minha pequena... Vou dar-lhe o nome da deusa da beleza, Afrodite... Você será minha companheira, você me livrará da dor! Eu sei! Eu sei! Repetia Brienna para si mesma, usando seus últimos resquícios de lucidez para manter a criança perto de si.


Se soubessem que Afrodite era um menino iriam afastá-lo dela, levá-lo para treinar e ser um cavaleiro... Então, em sua loucura, ela pensava proteger a criança, ao mesmo tempo em que se agarrava a ela como um último apoio para o que restava de sua sanidade...


Radamanthys! Chamara ela um dia, quando a febre chegara trazendo mais visões. Nosso filho... Não permita! Por favor, proteja-o!


Ele a ouvira, sentira a sua dor, e usara sua influência para que anos mais tarde mercenários invadissem a Fortaleza Branca e matassem lorde Adham. Deixou que seu filho trilhasse outros caminhos na certeza de reencontrá-lo um dia quando poderia compartilhar suas ambições com ele ou enfrentá-lo.


Brienna tinha sido a única mulher que o tinha atraído e também, a única por quem sentira algo próximo do amor... Porém, sua ambição era maior e mais poderosa. Era dela que retirava forças e era dela que precisava. A escolha tinha gosto de veneno, porém, quando se tornasse o senhor daquelas terras, o sabor seria mais doce que o mel e o amor... apenas, uma fraqueza que acaba, quando o ser amado se vai.


Sem dar-se conta, a lembrança fez o mago apertar com tanta força a imagem que ela se despedaçou. O pó branco e fino dissolveu-se no ar e Radamanthys levantou-se da cadeira. Um sorriso perverso adornou seus lábios.


“Está na hora!” Disse para si mesmo.



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Milhares de fogueiras pipocavam como pontos luminosos, enchendo o ar com uma neblina fumacenta. Havia homens com lanças longas, outros com espadas e outros experimentando capacetes e camisas de cota de malha. Os arqueiros encaixavam penas nas flechas e podia-se, também ouvir, risinhos de mulheres que seguiam os guerreiros para confortá-los antes e depois da batalha.


A Bandeira, agora negra e dourada, do clã dos gêmeos, tremulava alto, enquanto torres de assalto eram empurradas por vários homens fortes. O céu negro prenunciava chuva e o aríete, imponente, parecia um dragão pronto para a batalha.


Em sua tenda, Saga bebia uma taça de vinho, enquanto Kanon estava parado à entrada e fitava o céu.


– O que procura nos céus, irmão? – perguntou Saga depositando a taça sobre uma mesa e pegando um pedaço de carvão junto com um pergaminho.


– Apenas observo. E você, o que pretende fazer com isso? – disse Kanon apontando para o material nas mãos do irmão.


– Quero que fique nu e deite-se ali. – respondeu Saga.


– O quê?


– Quero desenhá-lo, antes da batalha.


Kanon riu. – Não pode estar falando sério! Saga, estamos em um acampamento de guerra, faltando poucas horas para seguirmos para o ataque.


– Por isso mesmo, meu querido irmão... quero eternizá-lo antes de vê-lo encharcado de sangue...


– Acha que eu vou morrer? – perguntou Kanon franzindo o cenho.


– Não! Mas sei que vai matar muitos... – respondeu Saga sorrindo.


– Pois eu tenho outra ideia... – disse Kanon se aproximando de Saga.


Empurrando-o sobre o estrado coberto com peles, Kanon despiu o irmão com urgência, rasgando o tecido da camisa e levando a boca aos mamilos do outro, sugando-os, apertando-os entre os dedos.


– Mais forte! – ordenou Saga, tomado por uma excitação urgente.


Kanon fechou os dentes em torno de um, mordiscando-o com tanta volúpia que um filete de sangue insinuou-se e, foi de imediato, acolhido pelos lábios que se tornaram rubros.


Saga gemeu e sorriu arqueando o corpo, encostando o corpo nu ao do irmão que estava, completamente, vestido. O atrito da camisa de lã contra a sua pele, o cinto e os metais cravando-se nela só fez aumentar sua excitação.


Kanon beijou-o com violência, mordendo-o, unindo a língua a dele enquanto erguia os pulsos do amante acima da cabeça e tomava posse dos lábios, do pescoço, do lóbulo da orelha... Os gemidos de ambos misturaram-se aos sons dos homens rudes que também bebiam e aproveitavam as últimas horas antes da batalha.


Camadas de desejos se acumulavam nos corpos de ambos. Não havia nada de sutil ou terno nas carícias que trocavam naquele momento.


As mãos fortes de Kanon se fecharam nas nádegas de Saga, pressionando-as, marcando-as, enquanto continuava a mordiscar a pele salgada, lambendo-a com tanta volúpia que o ar tornava-se quente e pesado dentro da tenda.


– Quero possuí-lo... Sempre exultei tê-lo dentro de mim... Mas hoje, quero sentir-me dentro e tão fundo que jamais se esquecerá. – sussurrou Kanon com uma voz profunda e rouca.


Saga nunca permitira ser possuído por ninguém. Era o dominante, aquele que jamais permitia ser controlado. Em um gesto automático de insurreição, afastou as mãos e as espalmou sobre o peito largo do irmão.


Kanon olhou-o bem dentro dos olhos. Havia desejo e tristeza disputando o brilho flamejante que se instaurara neles. Um sorriso obscuro curvou os lábios sensuais de Saga e ele puxou Kanon para si.


– Então faça... Faça-me gritar, irmão! – disse ele enterrando a face na curva do pescoço de Kanon, inspirando a fragrância da pele quente.


Despindo somente a parte de baixo da roupa, Kanon posicionou-se e preencheu Saga por completo em uma rápida e profunda investida fazendo-o cerrar os dentes e ofegar.


Saga pensou que os movimentos seriam vigorosos e velozes, mas aquele não era o estilo de Kanon. Em vez disso, ele moveu apenas uma vez os quadris, enquanto olhava para o irmão com luxúria e uma emoção perversa em tê-lo sob o seu corpo.


Enlouquecido de desejo e sentindo uma espécie de frustração, Saga arqueou o corpo para frente tentando mostrar sua necessidade de mais vigor.


– Não se mova... – gemeu Kanon deslizando uma das mãos por trás do joelho de Saga para lhe erguer a perna e colocá-la sobre um de seus ombros. Em seguida, fez o mesmo movimento com o outro joelho. A posição pareceu fundir os corpos de ambos, aumentando o contato e aprofundando a penetração lenta e sensual.


Kanon inclinou a cabeça para morder a curva do pescoço do irmão, ao mesmo tempo em que imprimia um novo ritmo às investidas. Mais rápido e vigoroso, fazendo com que Saga sentisse dor e prazer dilacerando sua carne e também se esvair o controle de sua mente.


Enlouquecido, Saga agarrou-se ainda mais aos ombros largos e cravou as unhas no tecido da camisa que os cobria. Um grito lancinante de prazer se formou em sua garganta, enquanto o falo do irmão arremetia-se num vai e vem intenso, possuindo-o tornando-se um com ele...


O som e a expressão afogueada serviram apenas para que Kanon o penetrasse ainda mais fundo e com mais força até que a mente de Saga embotasse e ele fosse acometido pelos tremores do gozo.


Quando o corpo de Kanon se enrijeceu, prenunciando o clímax que se aproximava, ele beijou Saga com violência e disse rouco:


– Seremos sempre... você e eu. Ninguém mais!


Com um tremor brutal, Kanon gozou derramando-se dentro de Saga, enquanto o apertava junto ao corpo com tanta força que seus dedos deixaram marcas roxas na pele suada.


Por alguns instantes, permaneceram colados um ao outro, exaustos e suados. Em seguida, Kanon abaixou as pernas que se encontravam pousadas em seus ombros, beijando alternadamente na curva de cada joelho, o único gesto terno em meio ao sexo tumultuado que manchara ambos de sangue e sêmen...


Rolando para o lado, levou Saga consigo, apertando-o contra o peito arfante. Depois olhou para o seu próprio falo e perguntou som um sorriso malicioso:


– Era assim que imaginava ver-me encharcado de sangue?



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Quando Ikki abriu a porta da Casa das armas, viu homens e mulheres caminhando em uma espécie de procissão. Imóvel como uma entidade fantasmagórica, Hilda era carregada em um andor parecendo uma escultura viva. A madrugada já cedia às pálidas luzes do amanhecer, porém nuvens de um cinza chumbo retardavam a sua passagem e ainda faziam permanecer a escuridão.


– Afrodite! O que pode dizer sobre isto? – perguntou Ikki.


– Permita-me dizer que prefiro agir a falar sobre isto milorde. – respondeu Afrodite adiantando-se.


Shaka percebeu que os seguidores de Hilda eram, em sua maioria, aldeões que havia acolhido dentro da Fortaleza e que o líder era Burn, um antigo servo dos tempos de seu pai.


– Deixe-me falar com eles, não quero machucar gente inocente. – disse Shaka.


– Eles estão como uma expressão estranha... Não parecem... Bem, não me parecem inocentes. – disse Milo apertando a mão de Kagaho.


– O senhor Milo tem razão, Shaka. Afrodite?- falou Ikki, enquanto tocava no ombro do senhor da Fortaleza.


– Estão possuídos por uma ilusão coletiva. Veem-na como uma espécie de santa e farão de tudo para protegê-la.


– Pode fazer algo em relação a isso? –questionou Ikki.


Um sorriso de escárnio curvou os belos lábios de Afrodite.


– Sua pergunta, milorde, é totalmente desnecessária. – respondeu o loiro abrindo passagem e deixando seus companheiros para trás.


Hilda aconchegou-se no andor, perdida nas dobras de um manto vermelho que a cobria da cabeça aos pés, com a face pálida sob o capuz. Elevou-se, assim que os que a carregavam colocaram-na no chão e permaneceram à sua frente para protegê-la.


– Como pode ver, milorde... Ainda estou viva e dançarei sobre o cadáver de seus amigos e sobre o seu. Meus acólitos prepararão a chegada dos lordes gêmeos... Sinto ter que destruí-lo! – disse Hilda com um tom de voz melodioso.


Afrodite sorriu e olhou para os aldeões que a cercavam. Alguns eram magros, outros tão rechonchudos quanto os barris de carvalho. Em sua maioria, eram homens acostumados ao serviço doméstico. Porém, agora, empunhavam lanças e forcados num lamentoso espetáculo...


– Sim, está viva... Porém, continua sendo apenas o peão de um mago. Usar esses pobres coitados não irá impedir-me, feiticeira.


– Feiticeira?! Ousa comparar-me a estas mulheres sem poder real, cheias de truques baratos que usam para enganar? Eu tenho o verdadeiro poder, milorde. Também há em mim o sangue dos Antigos! Se não o tivesse, como ainda estaria aqui?- gritou Hilda e agora num tom estridente, quase histérico.


– Permaneces, porque és um joguete, um peão de Radamanthys para ganhar tempo. Vou ser generoso... desista deste plano e deixo-a ir embora.


Hilda soltou uma gargalhada.


– Vai me deixar ir? Mas que gentileza, milorde... Pena que tenho de declinar do vosso convite!


Elevando os braços, Hilda murmurou algo baixo e os homens estremeceram como que sacudidos por algo invisível e poderoso. De imediato, suas expressões se modificaram e não só eles, mas todos que estavam fora da casa de armas, como os sentinelas e batedores foram possuídos por uma agressividade primitiva que os fez avançar, rapidamente, em diversas direções da Fortaleza. Como demônios, foram quebrando estruturas, matando animais que por ventura estivessem em seu caminho, pisoteando alimentos, espalhando o caos...


Afrodite tocou a bainha da espada e ouviu a gargalhada que ela soltou em resposta, profunda e gutural. Então, sem qualquer expressão que denotasse medo ou surpresa, o jovem mago cravou sua espada no chão, à frente de si e fechou os olhos murmurando palavras tão antigas que nem mesmo Hilda soube precisar o que era.


Uma linha azul brilhante surgiu em volta da arma e espalhou-se como uma onda, fazendo cair todo aquele que fosse atingido pela pálida luz. Um a um, homens comuns e soldados tombaram inconscientes, como bonecos sem vida, enquanto o círculo luminoso ia desaparecendo após cumprir seu papel.


Depois, voltando-se para Hilda, viu que ele o encarava sem rir. Ela permaneceu em silêncio e voltou a erguer os braços. Desta vez, nenhum homem foi solicitado. Ela entreabriu os lábios e fixou os olhos frios nos de Afrodite.


Uma nota longa e aguda irrompeu, quando Hilda abriu a boca, criando um desconforto que transcendia os limites da audição. Dentro da Casa de armas, todos levaram as mãos aos ouvidos sentindo tanta dor que suas cabeças latejavam como se fossem estourar.


Um cavalo relinchou, galinhas pularam cacarejando e durante um instante pareceu que junto com o som, a Fortaleza inteira estremecia e congelava como se uma bruma fria e mortal tivesse descido dos céus.


Um filete de sangue escorreu pelo nariz de Afrodite que, mesmo assim, se manteve impassível e inspirou. O ar que entrava por suas narinas parecia uma névoa eletrificada, ao mesmo tempo em que seu corpo elevava-se do chão.

Tola, não aprendeu a lição ainda? Crê que evocar o poder de uma *banshee vai derrotar-me? Disse Afrodite sem mover os lábios.


Hilda estremeceu e gritou ainda mais alto. Seu corpo começou a vibrar e sangue escorreu de seus olhos, nariz e boca. Preparou-se para erguer a mão, mas não conseguiu. Seus dedos se crisparam, a pele pareceu envelhecer como se estivesse sendo absorvida pelos ossos. Tampouco conseguia desviar o olhar do de Afrodite que agora parecia ter duas esferas de fogo branco e frio ao invés dos belos olhos azuis.


Os cabelos loiros do mago tornaram-se tão alvos, que doía observá-los a olho nu. E foram deles, que brotaram filamentos brilhantes e finos que tocaram Hilda como se fossem gavinhas enrolando-se em seu corpo pálido.


Por um instante, Hilda contorceu-se envolta pelos filamentos e sua voz emudeceu. O silêncio desceu tão bem-vindo quanto o cessar da vida no corpo de Hilda. Com os olhos abertos contendo uma expressão de horror, ela desabou por sobre o manto. De imediato, pingos de chuva caíram dos céus como lágrimas a banhar-lhe o corpo.


Afrodite teve apenas um instante para olhar para ela, antes que seus companheiros viessem ao seu encontro. Máscara da Morte foi o primeiro e, ao chegar, desembainhou a espada e desceu-a sobre o pescoço de Hilda, decepando-lhe a cabeça com um corte preciso e limpo. Depois olhou para os companheiros e falou sorrindo:


– Bem, agora temos a certeza que ela não vai retornar do Inferno!



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O ar estava cheio de fumaça acre quando todos se organizaram para a batalha. Embora o céu ainda estivesse escuro, sabiam que era o momento da formação e dos últimos preparativos. Radamanthys já havia deixado sua caverna e agora se mantinha ao lado dos gêmeos. Seu grande garanhão vermelho usava focinheira e testeira negros. Uma seda dourada envolvia os quartos traseiros do animal e a sela elevada era também negra, assim como a túnica que vestia.


Saga e Kanon montavam garanhões negros, assim como suas armaduras, elmos e escudos. A única exceção era a figura circular que jazia no centro dos escudos. Um dragão vermelho rodeado de minúsculos desenhos hieroglíficos, a insígnia do clã somado aos símbolos de proteção esculpidos pessoalmente pelo mago.


Levando seus cavalos a descrever um círculo, os gêmeos observaram a massa de soldados que tinham sob a sua liderança. Eram mercenários, em sua grande maioria, aliciados pelo mago, que os fizera juramentar suas espadas aos seus serviços. Em troca lhes prometera ouro e propriedades.


Agora, tanto os gêmeos quanto o mago olhavam-nos como quem avalia animais para o abate. Tudo o que ambos desejavam era tomar Virgo e submeter Shaka. Matá-lo! Gritava uma voz dentro da cabeça de Kanon.


Um homem grotesco com uma parte do rosto desfigurada e a outra parecendo ainda mais animalesca aproximou-se dos gêmeos e saudou-os.


– Me chamo Carniça! Eu e meus homens estamos prontos, senhores!


– Muito bem, ordene que entrem em formação. E, não se esqueça de montar armadilhas para os batedores do inimigo. Quando os pegarem, enforquem-nos e pendure os corpos nas árvores diante da Fortaleza! – disse Saga.


– Sim, milorde.


– Acha que tiveram tempo de enviar alguém? – perguntou Kanon.


– Talvez. Shaka nunca combateu, mas Aiolia e esse Fênix são guerreiros experientes. Precisamos desestabilizá-los, fazer com que os aldeões dentro da Fortaleza tenham medo da própria sombra e o loiro... também!


Kanon soltou uma gargalhada.


– Pelo visto, irmão... parece que a fera despertou dentro de vós. Terei algo a ver com isso? – falou Kanon com os olhos cintilando de malícia.


– Verá a fera quando esta batalha acabar... Vou possuí-lo tanto que não poderá mover-se por meses. – respondeu Saga puxando Kanon para um beijo possessivo e ardente.


Radamanthys aproximou-se dos dois, ignorando a cena sensual. Olhou para a centena de homens que se moviam e esporeou seu cavalo.


– Vamos, senhores, a Fortaleza Virgo os aguarda!- disse o mago, enquanto sentia perder mais um peão de seu jogo.



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Enquanto todos se preparavam para a batalha, Ikki desdobrou a pele macia com lugares marcados e indicações de distância. O mapa da região mostrava florestas densas em contraste com pradarias limpas e abertas.


O único batedor que Ikki tinha enviado voltou com a informação que os gêmeos detinham mais de mil homens sob seu comando. Era um rapaz franzino, que jamais poderia ser classificado como um soldado, porém Ikki o tinha tirado das ruas quando tentara roubá-lo e o ensinado a lutar e tornar-se honrado como um cavaleiro.


– Obrigado, Lancel! Agora vá e coma alguma coisa. – disse Ikki.


Mil homens contra sessenta soldados, mais duzentos e cinquenta civis compostos por velhos, mulheres e crianças. Analisou Ikki enquanto olhava para o grande salão e via Aiolia movimentar-se dando ordens e sendo preparado para a batalha.


Passando a mão nos cabelos, Ikki chamou Aiolia para perto:


– Nós dois temos guerreiros fortes e experientes, mas, mesmo assim estamos em número inferior. Meu batedor trouxe a informação que eles já se puseram em marcha. Vamos ter que traçar uma estratégia juntos e tentar impedi-los de cercar a Fortaleza.


Aiolia virou a cabeça, avaliando a colocação de Ikki.


– Vou sair com meus homens e faremos emboscadas nos lugares mais protegidos. Nesse meio tempo, usem a passagem e tirem Shaka da Fortaleza. O objetivo de Saga é submeter o senhor de Virgo e tomar a Fortaleza para si. Vamos deixar Shaka a salvo e partir para cima deles!


– Shaka não aceitará ser deixado fora da batalha e nem acho que deva. Ele é o senhor e deve mostrar-se competente para proteger a si mesmo e seus vassalos.


– Ele é... inexperiente, temo que não suporte o que é exigido em uma batalha como essa. Ele é seu amante, Fênix, deve protegê-lo!


– É inexperiente, mas forte. E mesmo que eu o ame com toda a verdade do meu coração, não posso enfraquecê-lo, deixando-o de fora.

– Conversa! Quem ama, protege! – gritou o leonino.


– Não, meu amigo... Quem ama, confia. Principalmente quando se ama um guerreiro. Sei do que Shaka é capaz e de sua habilidade com a espada. A única proteção que posso oferecer é combater ao lado dele e fazer com que estes gêmeos demoníacos engulam sua prepotência.


Aiolia encarou os olhos azuis de Ikki e o que viu neles o fez sorrir.


– Que seja! Qual é o seu plano para botar esses gêmeos e seus homens para correr e com o rabo entre as pernas? – disse Aiolia estendendo a mão para Ikki.


– É um plano um tanto suicida, mas... – respondeu Ikki apertando a mão que lhe foi estendida.


– Então já começo a gostar dele! – falou Aiolia retendo a mão de Ikki entre as suas.



Notas finais
Agradecimentos especiais a todos!!!
Sion Neblina, minha amada, obrigada pelo apoio. E a todas que torcem , silenciam, cobram e vibram, um grande abraço!!
As Banshee provêm da família das fadas, e é a forma mais obscura delas. Quando alguém avistava uma Banshee sabia logo que seu fim estava próximo: os dias restantes de sua vida podiam ser contados pelos gritos da Banshee. Alguns diziam que o grito de uma Banshee era ensurdecedor, além de levar à morte.