Inocência Roubada
15 Chapitre - Revoir Le Blanc
O belo convite com bordas de seda azul chegara ao belo castelo do Conde Lefebvre, anualmente lord Le Blanc reunia os homens de maior influencia na sociedade Parisiense. Theodor estava vestindo um casaco de lã marrom, colete azul, camisa branca aberta no colarinho e calça bege larga, sua expressão estava serena e seus olhos pareciam se perder nas linhas de cor dourada.
- Avise a condessa a respeito desse baile. – ordenou para um dos criados.
A criada que agora era nomeada Lenore entrou no quarto para dar o aviso a sua jovem dona que se encontrava com expressão de tédio enquanto fitava a boneca recém deixada de lado com pouco interessante.
Angelique estava mais alta do que quando havia chegado naquele Castelo e suas formas femininas mais bem marcadas embora ela não fosse uma bulher de alta estatura e tampouco com curvas exuberantes. Já fazia quase um ano desde que se casara com o terrível Conde, mas o tempo lhe pareceu passar de maneira muito rápida.
Ao receber o convite, um novo brilho surgiu em seus olhos azuis, pois finalmente iria rever sua família e o lugar onde crescera depois de tanto tempo naquela prisão ao lado do Conde.
Lefebvre olhou para o relógio de ouro sobre a abóbada da lareira, e viu que eram quase 5h da tarde, deu uma rápida olhada na direção da porta pousou os olhos sobre a garota loura com um vestido rose e um laço carmesim que prendia seus cabelos cacheados que se derramavam em forma de cascata sobre o franzino ombro.
- Esta noite iremos até sua antiga casa, sua nova criada irá te ajudá-la a se vestir. Esteja pronta antes das sete da noite – ordenou sem ao menos se mover da confortável poltrona. – Agora pode se retirar. – ordenou.
Ange girou sobre os calcanhares e voltou na direção da escadaria onde seria preparada para acompanhar o marido até sua antiga casa, por um tempo chegou a pensar que nunca mais voltaria para aquele lugar e nunca mais veria os Le Blanc.
De qualquer forma, aquilo não satisfaria a imensa vontade de Ange, que era voltar para sua antiga vida.
As horas passaram como o vento, sua nova criada começara a preparar os pequenos detalhes do vestido azul celeste, a menina permanecia sentada na beirada da imensa cama macia.
- Ficará linda minha senhora. – disse a criada finalizando o vestido.
Pela primeira vez em semanas Angelique mostrara-lhe um sorriso, Lenore pediu com apenas um gesto para a menina se aproximar.
A criada começoua despir a menina para colocar-lhe o belo vestido azul com seda branca nas bordas, Lenore apertou o pequeno espartilho para dar formato no corpo franzino de Angelique, colocou o saiote e por fim apertou o belo laço azul marinho sobre a cintura da condessa. A menina caminhou na direção do espelho e se admirou, estava igual a uma boneca de porcelana, sua pele alva feita à neve realçava seus belos olhos azuis. Lenore pegou a escova para pentear os sedosos fios louros.
- Está pronta minha senhora. – disse terminando de prender os fios louros de Ange em um belissismo rabo de cavalo.
Lenore acompanhou a jovem condessa até a sala de espera onde Conde Lefebvre aguardava ansioso com uma expressão fria, sem dizer se quer nem uma palavra caminhou na direção da saída onde a charrete os esperava.
Assim que avistou os portões de sua antiga casa, sentiu o pequeno coração saltando dentro de seu peito, mas o olhar frio de Lefrebve sobre si indicava que teria que se comportar como A Condessa, de maneira educada e fria, pois não era mais uma garotinha brincalhona que corria por aquela casa quebrando as regras impostas por seu pai sobre bom comportamento. Tinha plena noção da ameaça que o Conde representava, assim como havia perdido um pouco de seu entusiasmo para brincadeiras.
Um dos criados ajudou-a a descer da carruagem e ao adentrar o local onde acontecia o Baile, se viu sendo recebida por sua família.
Isabelle estava diferente, alguns fios brancos começavam a contrastar com o restante de sua cabeleira loira, fios de preocupação com sua jovem filha que nunca mais dera notícias. Le Blanc foi o primeiro a pronunciar-se.
- Meu caro genro, seja bem vindo! Vejo que o casamento está fazendo bem a Angelique. Agora sim parece uma dama. Vejo que cresceu desde a última vez que a vi. Estou orgulhoso. — disse Lord Le Blanc ao ver a maneira como sua filha se portava.
Uma pequena menina muito parecida com Ange aproximou-se com uma boneca de porcelana na mão que logo foi reconhecida pelos olhos da Lefrebve, pois havia sido uma de suas bonecas favoritas no passado herdada por Zélie depois que tivera que ir embora para as terras do marido.
- Ange, que saudades! Olhe, cuidei bem dela pra você! — disse a voz infantil enquanto exibia a boneca.
Embora sentisse falta de sua irmã, Angelique imaginou-se segurando aquela boneca e jogando-a longe só para ver a porcelana se quebrar da mesma maneira como ela mesma havia sido quebrada por dentro. A boneca era a mais parecida com a própria Angelique que era já tivera. Mas agora, a jovem Condessa não era mais uma menininha movida por seus impulsos que podia cometer atos impensados.
Havia aprendido a se controlar muito bem, graças a Theodor, pois todas as suas ações agora vinham acompanhadas de severas consequências.
- Zélie, não perturbe sua irmã, ela agora é uma Condessa, não brinca mais com bonecas. — ralhou Le Blanc olhando para a caçula com severidade.
O Lord mal podia esperar para que Zélie também chegasse na idade de arranjar um casamento como Angelique havia conseguido.
A menina ainda lançou um olhar esperançoso para a irmã, como se esperasse que de repente ela fosse sair de perto daqueles adultos e ir com ela até um dos quartos da casa para que pudessem brincar como faziam juntas.
- Papai tem razão, Zélie. Não sou mais uma criança. — disse com frieza despertando um largo sorriso dos lábios de Le Blanc.
Isabelle foi a única que enxergou a frieza e amargura que as palavras de sua filha continham.
Aquela jovem de frente para si não era mais a Ange que conhecera, doce e inocente. Não estava apenas maior e com um corpo mais desenvolvido.
Embora Angelique ainda tivesse aquele mesmo rosto angelical, seus olhos estavam mudados e sua mãe levou uma das mãos ao coração em uma onda de preocupação e horror ao imaginar como o sofrimento ao lado daquele Conde a teria mudado.
Mas não havia nada que pudesse fazer, não podia gritar e arrancá-la dos braços do próprio marido, não quando o próprio Le Blanc estava completamente satisfeito com o genro.
Tudo o que lhe restou foi aproveitar o máximo de tempo que poderia naquela noite ao lado de Angelique e continuar a rezar por ela quando fosse embora daquela festa.
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