Inocência Roubada
17 Chapitre - Le goût du pouvoir
Parada próxima aos portões do Castelo, Angelique assistia a carruagem partir levando seu algoz, desejando que tão cedo ele não retornasse. Pelo que tudo indicava, a viagem de Theodor seria longa e de repente uma idéia lhe ocorreu, ao pensar que não precisava ficar sozinha naquele imenso Castelo tendo como companheiros apenas os criados.
– Lenore, quero que mande uma mensagem para Lady Point Du Lake para mim e também para minha irmã caçula, Zélie. Quero convidá-las para passar uns dias comigo no Castelo para me fazer companhia enquanto o Conde viaja. — explicou.
Na mesma hora Lenore providenciou contente com a idéia de que aquele lugar frio e escuro se enxeria de vida com a presença de novas visitantes. Lady Josephine era extremamente agradável e divertida apesar de sofrida por ter um marido com fama de garanhão além de ser tão cruel quanto o próprio Theodor embora fosse muito mais atraente em aparência.
Já a pequena Zélie deveria ser um primor de menina.
Logo após a mensagem ter sido recebida, as duas convidadas partiram lisonjeadas para as Terras dos Lefrebve e Angelique se viu sendo felicitada pela Lady que tinha como amiga através de um abraço caloroso.
– Condessa Lefrebve, seu convite foi como uma benção aos meus olhos. Gerard já está a um tempo em viagem e aquele Castelo tem sido um completo tédio para mim que não tenho filhos. Mas vejo que embreve não saberá mais o que é isso. soube que embreve dará a luz a uma criança. — disse Josephine fazendo uma discreta carícia no ventre de sua amiga Condessa.
Angelique sentiu as faces corarem e sorriu com orgulho. Por um momento sentiu pena da pobre Josephine que não conseguira conceber um herdeiro e não sabia como era a felicidade que estava sentindo naquele momento.
Logo depois uma nova carruagem adentrou os portões e a verdadeira Lenore apareceu trazendo a pequena Zélie que havia crescido mais um pouco desde o dia do Baile quando lhe perguntara se gostaria de brincar com bonecas.
Para a surpresa de Angelique, a irmã também decidira abandonar as belíssimas bonecas de porcelana no momento em que soube que a mais velha deixara de brincar.
– Não trouxe sua boneca dessa vez, Zélie? — perguntou.
– Não, também estou crescida demais para isso. — disse a menina embora não fosse verdade, pois ainda não havia completado nem dez anos de idade.
A frase arrancou risadas de Lady Josephine e também das duas criadas que compartilhavam o nome "Lenore" a sua volta.
Infelizmente a mãe de Angelique não conseguira permissão do marido para se ausentar, uma vez que Le Blanc era um marido possessivo que gostava de ter a esposa perto de si.
Foi praticamente um milagre ter permitido que Zélie passasse alguns dias com a irmã mais velha.
Isabelle sentiu-se tranquila ao menos em saber que Lenore estaria com sua filha para cuidar dela por pouco tempo e com certeza quando retornasse traria notícias sobre a rotina de Angelique.
As janelas do imenso Castelo foram abertas por ordem da Condessa que agora apreciava o poder que tinha com a distância do Conde. Tudo o que desejava bastava ordenar que todos os criados lhe traziam exatamente da maneira como desejava.
Mandou que decorassem casa cômodo com belíssimas e perfumadas flores primaveris e de repente a construção não tinha mais aquele ar escuro, pois o Sol e as cores adentravam.
Josephine embora tivesse o hábito de exagerar no vinho, era uma companhia extremamente divertida tornando-se confidente de Angelique que por sua vez gostava de brincar com sua irmã correndo com ela pelos jardins uma vez que estava livre das recriminações e proibições do Conde. Era como se uma sombra negra tivesse se afastado do Castelo.
– Minha Senhora, não deveria abusar nesse estado, é melhor pegar leve nos passeios e nas correrias com Zélie e Milady Point Du Lake para não prejudicar o bebê. — avisou a Lenore que tinha conhecimento do ofício de parteira, mesma que havia descoberto sobre a gravidez.
Quando recebia o aviso, Angelique procurava sentar-se interrompendo a correria e acariciava o ventre enquanto aproveitava para fazer piqueniques pela propriedade.
Havia aprendido a atravessar o labirinto onde Theodor lhe havia violado no segundo dia de casada e ele dava para uma belíssima clareira onde costumava passar as tardes com a irmã, a amiga e as duas amas.
Ás vezes esquecia-se do aviso e voltava a correr como costumava fazer na propriedade dos Le Blanc.
Certo dia inventou de fazer um passeio de barco com Lady Josephine e Zélie, afinal que mal poderia haver ficarem sentadas dentro de um pequeno barco enquanto um jovem criado remava?
Foi durante esse passeio sobre as águas cristalinas de um rio que corria perto da propriedade que Angelique sentiu uma pequena cólica, semelhante a quando suas regras desciam. Odiava aquela sensação, mas deu pouca importância. Talvez estivesse realmente abusando demais e devesse ficar mais quieta pelo bem do bebê que carregava.
Quando terminou o passeio decidiu não acompanhar Josephine em mais uma de suas conversas divertidas após o jantar, deixando-a na companhia de Zélie que demonstrava ser bem madura para sua idade ao contrário dela mesma e foi deitar-se mais cedo.
Nada poderia dar errado, Theodor demoraria a voltar, pois Gerard o estava acompanhando na viagem e havia escrito uma carta para Josephine avisando que demorariam mais tempo para retornar e quando o fizesse, certamente seria na companhia de Theodor, o que deixou a Condessa mais tranquila.
Sentia que aquela era a fase mais feliz de toda a sua vida, pois nem mesmo quando morava com os Le Blanc tivera tanta liberdade e sonhara tanto. Podia brincar apenas até o ponto em que não incomodasse seu pai que parecia estar sempre de mau humor fazendo-lhe cobranças para que crescesse e tinha sempre que respeitar as regras que eram impostas em sua casa.
Naqueles dias não haviam regras para ela, pois ela mesma era quem decidia tudo naquele Castelo.
Fechou os olhos e pensou que aquilo poderia durar para sempre.
A única coisa que faltava para que ficasse perfeito era ter seu bebê logo em seus braços, aí sim sua felicidade estaria completa.
"Seria tão bom se o Conde nunca mais voltasse. Ele bem que poderia sofrer algum acidente no meio do caminho e morrer. Ou quem sabe pegar alguma daquelas febres?".
Não sentiu culpa por esse pensamento, mesmo sabendo que era errado desejar a morte de alguém. Naquela noite desejou ardentemente que aquilo acontecesse, pois era só o que faltava para que fosse feliz para sempre.
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