Inocência Roubada

9 Capítulo - Règles Theodor


"Inocência não significa o mesmo que bondade.

Até mesmo uma criança inocente pode sentir desejo

de ferir e machucar intencionalmente"


O pobre rosto de Angelique ficara branco como neve, os olhos continham todo o sofrimento que ela havia passado nas noites anteriores desde sua chegada ao Castelo do Conde Lefebvre e seus atos insanos.



Adeline ajustava o belo vestido cor de carmesim, apertara tanto o espartilho que a pobre menina sobressaltou-se de dor, por causa de seus arranhões.


–Menina mimada. – resmungou Adeline terminando de formar o laço de cetim que prendia os sedosos fios louros de Ange.

Naquele momento Angelique adoraria arrancar os olhos da criada com apenas um puxão.


Os pequenos e amendoados olhos azuis da jovem Condessa permaneciam fixados em Adeline através do espelho oval cheios de ódio direcionado á mulher.


Por fim a criada pegou uma das gargantilhas de ouro branco cravejado de rubi e colocou sobre o fino pescoço de Angelique, eram pesados para sustentar, mas para quem reclamaria?

–Vamos, o Conde Lefebvre,lhe espera e não queira saber o que ele faz com os desobedientes. – anunciou Adeline com cinismo na voz. – Aliás, você sabe muito bem, Condessa Lefebvre.

Angelique sentiu seu sangue ferver dentro das veias, toda maldade que praticara com suas bonecas de porcelana nos dias em que se chateava em sua antiga casa ou quando brigavam consigo ela estava pagando nas garras do Conde pervertido.


Manteve-se calada em todo o percurso. O corredor era enorme e seus pés estavam doloridos por causa de sua fuga mal sucedida. Adeline parou em frente a uma porta enorme, para o horror da garota assim que a criada abriu revelou uma sala vazia e fria.


–Por que da demora? – vociferou o Conde levantando-se de sua cadeira.

Adeline arregalou os olhos e fez a reverência tradicional.


Antes que pudesse se explicar sobre o atraso da menina, a expressão do Conde se modificou para um sorriso sádico que surgiu- lhe nos lábios turvos ao notar que sua Angelique usava as jóias que lhe dera naquela tarde,.


Ele fez um sinal para a criada sair deixando-os a sós.

Ange caminhou com dificuldade na direção da mesa, aquele colar era pesado para seu frágil corpo. Nem sequer o encarara nos olhos de tanto medo.

–Carmesim lhe cai muito bem minha pequena. — observou o conte ostentando um olhar cheio de luxúria e orgulhoso da forma como sua pequena boneca parecia mais bela naqueles trajes que ele escolhera com sua cor favorita.

A menina ameaçou um sorriso falso para agradar lhe, pois sabia que Conde Lefebvre era impaciente e odiava não ter respostas para suas perguntas. ele sentou-se e fixou seus olhos na menina que se sentara na outra ponta da imensa mesa de cedro.

O Conde começara a falar como se achasse que não deveria haver mais objeções a serem feitas, mas haviam outras considerações... Considerações importantes se eles iam viver juntos como marido e esposa.


Habitavam na mesma casa, compartilhando os mesmos arranjos domésticos. E é claro que ninguém deveria ficar sabendo de suas intimidades, nem mesmo sua antiga família, afinal embora não houvesse nada que os Le Blanc ou qualquer outro pudesse fazer para tirar a pequena de suas garras, o Conde sabia que suas práticas sexuais eram mal vistas perante a sociedade com aquele bando de hipócritas que em casa com suas mulheres as possuíam embaixo dos cobertores enquanto saciavam seus desejos com criadas ou prostitutas fora de suas propriedades.


Theodor não via motivo algum para tratar sua esposa diferente das outras de classe inferior nesse quisito, pois pensava que se uma mulher era sua, tinha o direito de satisfazer-se com ela como bem desejasse ainda que perante a sociedade seu tratamento devesse ser diferente levando-se em conta sua superioridade sobre as outras.

–Entendeu? Se contar a alguém eu corto -lhe a língua entre três e as dou de comida para os criados. – ameaçou de em seguida limpou a boca com o pequeno guardanapo – Agora que é de minha posse e ostenta meu sobrenome deve me obedecer e não contar a ninguém o que acontece aqui.

Eram penosas as palavras do Conde, pareciam facas afiadas na direção de Angelique que mal tocara no prato. Temia ter que ficar mais instantes na presença de seu esposo.

–Ande coma ou não agüentara essa noite. – anunciou.

A menina mexeu com o talher fazendo uma ervilha rolar para o lado do feijão, não estava com fome.


Detestava aquela comida daquele lugar e principalmente o Conde. Nos pensamentos dela era... Assustador.


Sim, e terrível.

Ela nunca sucumbiria a nenhuma tentativa de sedução por parte dele, não se venderia por rubis e esmeraldas.

Lefebvre arqueou uma sobrancelha friamente. Angelique estava testando sua paciência novamente, ela iria ter seu castigo novamente naquela noite fria de outono.


O Conde berrou para a criada a tirar de sua presença já que ela não estava disposta a comer nada.


Adeline com passos ágeis se apresentara no mesmo instante que fora solicitada.


Angelique levantou-se da mesa, mas a voz rude do Conde a fez paralisar.


–Peça minha permissão, garota má educada. – vociferou largando o garfo cravado na enorme coxa de frango.

Ange sentiu seu estomago embrulhar de ódio contido.

–Sua permissão, meu senhor? – pediu de forma baixa e frágil.

Lefebvre fez um gesto fazendo pouco caso com as palavras da menina.


Ange caminhou na direção de Adeline que segurava-se com um olhar zombadeiro.


Uma vez que Ange a considerava desprezível era de admirar que Adeline sempre tentasse lhe dizer coisas ultrajantes? Provocar, zombar e irritar.

Ambas caminharam pelo corredor em silêncio cortante, a pequena segurou um riso ao lembrar-se de quando arrancara a cabeça de uma das bonecas para discipliná-la descontando sua raiva no dia em que sua mãe não a deixara sair para brincar no jardim por causa da chuva que caía lá fora.


Adeline baforou logo atrás da Condessa desejando saber de seus pensamentos.


–Ande depressa, pois preciso tirar lhe esse vestido cheio de nós. – resmungou limpando ambas as mãos no tecido da saia de seu vestido velho. – E lhe aprontar lhe para sua noite.

As mãos de Adeline trabalhavam de forma rápida para soltar os vários laços do belo vestido de galã, Ange estendeu os braços para que a camisola fosse colocada logo sobre sua cabeça.


–Esta pronta! – anunciou Adeline que parecia se divertir com tudo aquilo.


Lançando um olhar de ódio para a criada que logo se retirava do aposento, Angelique deitou-se na cama para esperar pelo Conde. Dessa vez não lhe daria o gosto de ver suas lágrimas escorrendo, ficaria ali imóvel até que ele viesse e mesmo que doesse não reclamaria, pois já havia aprendido que seu sofrimento aumentava a satisfação do marido.

Logo ouviu o barulho dos passos do Conde se aproximando, sem paciência ele trazia uma espada na mão.


Por um momento os olhos azuis da menina arregalaram-se ao imaginar que ele a degolaria com aquela espada como castigo por seu mal comportamento.


O coraçãozinho acelerava-se dentro do peito quando ele deslizou o metal por seus tornozelos levantando a saia na altura de suas coxas.

Agora ela estava com medo, mais do que quando ele a possuíra na primeira noite ou de quando a machucara no labirinto de espinhos.

Mas a espada não cortou a pele alva de Angelique e sim o fino tecido da camisola que ela usava, de uma vez só rasgando o tecido.

– Já disse que não gosto de possuí-la quando está vestida. Adeline já deveria saber disso. Meu gosto para o prazer não é tão refinado. — disse com ironia. — prefiro mulheres nuas a moda antiga.


Os olhos gélidos pousaram sobre o corpo de Ange que ainda demonstrava marcas de ferimentos, mas ela não olhou para o Conde.



Pôde ouvir quando ele guardou a pesada espada e em seguida ele próprio se despia enquanto caminhava para a cama analisando o corpo da menina.


– Está crescendo, seus seios parecem maiores do que na primeira noite. Tenho que aproveitar enquanto ainda é uma menina. — observou agarrando os seios de Ange com suas pesadas mãos de forma violenta e levando a boca ao pescoço distribuindo-lhe chupões e mordidas, marcando-lhe a pele. — Na próxima vez mandarei que Adeline não lhe tire as jóias, quero possuí-la usando os rubis. Por conta da falta deles farei com que seu pescoço fique vermelho.

Disse ferindo toda sua pele alva com a boca.


Angelique a tudo suportava fitando o teto procurando algo em que pensar.


Focou seu pensamento em Adeline, que tanto lhe insultava. Sim, gostaria de atacá-la e fazê-la sofrer por toda a dor já que não podia fazer isso com o Conde.

Logo sentiu quando Theodor separava-lhe as pernas erguendo seus joelhos dobrados ao ponto de encostarem no abdômem de forma que sua intimidade estava completamente exposta e foi nessa posição que seu membro entrou.


A dor não foi tão forte como nas outras vezes, pois era como se seu corpo começasse a se acostumar com aquilo.


Theodor ia firme, fundo e forte dentro do corpo da menina sem querer poupá-la de nada não só por sua desobediência, mas pelo seu prazer.

Aproximou os lábios dos ouvidos dela.

– Diga que me ama, Angelique. Diga! — ordenou em tom de comando.

– Eu te amo, senhor. — disse Ange com a voz fraca para agradá-lo e então sentiu o líquido preenchendo-a.


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Notas finais
Boa Leitura!