Inocência Roubada

10 Capítulo- Prix ​​pour bonne conduite


Até agora, a culpa por seu pequeno pecado a devastava e a fazia se sentir envergonhada.

De qualquer forma, arriscou uma olhada para Adeline no canto segurando um velho vestido de forma distraída, a pequena Ange ajeitou-se na beirada da imensa janela.

Encarava o belo jardim por onde pensou escapar das garras do Conde.

A criada parecia mansa naquela manhã quente de quinta-feira, Angelique tramava dentro de si para derrubá-la em uma emboscada, deixando-a em maus lençóis com o Conde, ajeitou-se novamente na janela e fixou seus olhos azuis em Adeline.

–Poderia guardar um segredo, Adeline? – questionou com uma sutileza.

A criada ergueu seus olhos na direção da menina, balançou a cabeça com receios embora isso fosse um sinal de trégua, Ange não podia evitar se perguntar por que Adeline aceitara de forma tão repentina. E por que ela achava tão fácil acreditar que a criada estava sendo honesta sobre guardar seu segredo, e se ela realmente faria isso?

–Diga. — disse a criada com um súbito interesse.

Angelique permanecia com seus olhos fixados em Adeline que ostentava uma expressão de curiosidade, um rápido sorriso turvo surgiu nos delicados e rosados lábios da menina.

–O mouro me pedira segredo, mas devo contar a alguém antes que o Conde desconfie. – anunciou com um olhar cínico. – Sem dizer que desconfio que ele já saiba de que um dos serviçais anda se encontrando nos depósitos do Castelo.

Os olhos castanhos de Adeline se arregalaram em espanto, se o Conde sonhasse que seus serviçais estavam mesmo se encontrando sorrateiramente na calada da noite mandaria dar uma surra de criar bicho. Ela largou o velho vestido de lado e levantou -e, estava branca feito cera.

–Quem lhe disse isso, sua garotinha abusada? – disparou.

Angelique levantou-se novamente e um sorriso sádico brotou em seus lábios, a criada notara que a menina não estava brincando com o assunto. Ange contaria?Teria essa coragem?

Adeline praticamente marchou na direção de Ange que permanecia inerte com um brilho sombrio nos belos olhos azuis. A criada levantou a agulha de crochê de forma ameaçadora.

–Vamos Adeline, faça. – a menina provocou.

O rosto de Adeline ferveu, sentia-se dominar pela raiva contínua dentro de si por causa da garota. Angelique não tinha crescido num ambiente tão opulento, mas o Castelo do Conde a estava fazendo se transformar em algo ruim, como se a dor e a mágoa estivessem se transformando em uma força vital crescente de poder.

A criada sabia que se atacasse sua senhora acabaria sendo açoitada sem dó pelos homens de Lefebvre. Adeline ajeitou o velho vestido e saiu do caminho de Ange deixando-a sozinha no imenso quarto de hóspedes.

Por um minuto a menina se divertiu com aquela maldade, quem disse que as Bonecas não sabem ser más? Ange aprendia aquelas atrocidades com seu senhor.

Ouviu o barulho proporcionado das rodas da charrete do Conde se aproximar, seu sangue ferveu nas veias. Ange aproximou-se da imensa janela que tinha como vista o jardim da frente.

A carruagem parou do lado de fora do Castelo de pedra imponente, um lacaio uniformizado saiu de trás do mordomo, descendo os degraus e abrindo a porta da carruagem, ele ergueu os olhos para fitar as imensas janelas, não havia uma mudança óbvia no semblante de Lefebvre.

O Conde olhou para trás quando o mordomo ordenou que o cocheiro levasse a carruagem para os fundos do Castelo. Ange afastou-se da janela com receios de que ele a tivesse visto, mas quando ouviu a batida na porta sentiu seu coração paralisar de medo, a porta se abriu lentamente revelando um Lefebvre com expressão sombria, sua mão direita escondia algo atrás de sua costa, ele lhe deu aquele... Aquele olhar. Ela ficou tensa.

-Advinha o que lhe trouxe, minha pequena? – anunciou.

Ange engoliu seco, temia ser algo que o Conde usaria para machucá-la novamente. A menina abaixou os olhos e com um gesto negou-se a adivinhar, os lábios de Lefebvre curvaram-se em um sorriso sombrio. Ele estendeu uma caixa mediana na direção de Angelique.

-Vamos, venha ver. – atiçou.

Os olhos da menina brilharam de curiosidade, estava desejosa para abrir e matar aquela maldita curiosidade que a secava por dentro, com passos tímidos se aproximou do Conde.

- Pegue. – ofereceu novamente.

Sem receios a menina estendeu sua frágil e delicada mão e pegou a caixa, que a princípio achara um tanto pesada. Recuou na direção do divã, sentou-se e começou a desembrulhar o caixa. Seus olhos cresceram ao ver o que o interior daquela caixa lhe reservava.

–Gostou, é porcelana chinesa. – anunciou com orgulho.

Era uma boneca! Sim, uma perfeita boneca de porcelana, continha cabelos ondulados louros iguais aos seus e os olhos azuis celeste. Angelique se identificara com o presente. Conde Lefebvre continha um bom gosto para presentes, quando desejava algo em troca.

-Deve me agradecer, não acha? – disse com brilho no olhar. – Essa boneca não fora tão barata.


Lembrou-se no dia em que ele a ensinara como deveria fazer para agradecer toda vez que ganhasse um presente, independente de gostar do mesmo ou não.


"Deve beijar meus lábios quando for agradecer por alguma coisa, Ange."


Ela havia aprendido muito bem o suficiente para saber como as coisas funcionavam agora, bastava obedecer as ordens do Conde, não tentar fugir e deixar que ele usasse seu corpo sem reclamar que ele não lhe faria mal, tornando-se o mais gentil que poderia ser.

Nos últimos dias foi assim que procurou agir, respondendo apenas o que lhe fosse perguntado e falando quando fosse solicitada de forma a não irritar seu marido.

Até mesmo acostumara-se a ter seu corpo invadido por ele todas as noites desde que se casara.


Aproximou-se dele vagarosamente pondo-se na ponta dos pés e encostou os lábios nos dele em um delicado beijo, Lefrebve segurou-a pelos ombros abrindo espaço com a língua para o interior da boca rosada da menina, começando um beijo mais demorado enquanto apertava seu corpo de encontro ao dele.


A voracidade do beijo fez com que Angelique percebesse que ele não se limitaria a um simples beijo, a boneca sairia cara para ela também, pelo que percebeu.

Theodor empurrou-a para uma pequena câmara que havia no aposento onde os criados não o incomodariam e encostou o corpo da menina contra a parede enquanto erguia-lhe a saia, retirando a roupa de baixo que ela usava. Aquela posição era incômoda para aquele ato, mas a menina não reclamou.

Logo ele colocava o membro para fora da calça e penetrava-a erguendo uma das pernas, com movimentos firmes e fortes sorvendo o aroma delicioso do pescoço da menina.

Os movimentos foram ficando mais fortes como ela já sabia e a velocidade aumentava até o ponto em que ele liberava aquele líquido branco e pegajoso.

Quando o Lefrebve retirou-se de dentro dela, sentiu que aquilo escorria-lhe pelas pernas, mas o vestido rodado não permitia que ninguém pudesse ver.

Com um sorriso gélido ele afastou-se dela dando-lhe as costas como que deixando a garota livre para aproveitar seu presente.


Como se nada tivesse acontecido Angelique retirou um dos lençóis da cama do quarto de hóspedes limpando sua intimidade e as pernas e em seguida caminhou até o jardim que não lhe era mais proibido uma vez que ficara claro que ela não teria como passar pelo labirinto e fugir.

Mais um pequeno prêmio por seu bom comportamento poder ficar na parte externa do Castelo tomando um pouco de Sol e foi assim que ela começou a prestar mais atenção na rotina dos criados como forma de distração, sabendo sobre os erros de cada um deles, mas claro que ninguém se importava, pois ninguém via Angelique com seu rosto de inocente como uma ameaça em potencial.


Enquanto caminhava sentiu uma pequena pressão no ventre, algo incômodo que nunca havia sentido antes, mas não se importou e sentou-se no gramado com seu novo presente, acariciando os cabelos da boneca tão iguais aos seus. A dor foi se tornando mais forte até o ponto em que sentiu que alguma coisa molhava-lhe o interior das coxas e dessa vez não era o líquido do Conde.


Levantou-se caminhando até o quarto onde levantou a saia, assustando-se ao ver uma grande quantidade de sangue.

Gritou o mais alto que pôde e logo Adeline veio com outras duas criadas da cozinha para ver o que lhe acontecia.


– Estou morrendo. — disse a menina sem saber o que lhe ocorria.


– Mas é mesmo uma garota mimada! Não, não está morrendo, isso é seu sangue, acontece com todas as mulheres uma vez por mês. Vou avisar ao Conde que aconteceu. Deve usar algumas toalhas e ficar quieta. — Adeline disse com frieza.


A criada da cozinha foi um pouco mais gentil trazendo-lhe um chá que aliviou a dor e naquela noite o Conde não veio deitar-se com ela, por isso Angelique considerou que a descida do sangue não era tão ruim assim.