Inocência Insana.
2 Branquelo.
— Você esta bem? – Aquela voz é um delírio. Eu não respondi apenas curvei um pouco minha cabeça para o lado e avistei os jovens que junto a ele estavam a alguns minutos.
— E ai cara, quem é essa? – O ruivo me olhou, como se eu fosse um monstro...
— Não sei, ela não deve falar- Disse o Branquelo todo divertido. Recolheu sua mão e a guardou no bolso de sua jaqueta.
—Chega, vamos sair daqui essa garota deve ser retardada ou algo do tipo. – Mellanie disse, para minha surpresa aquilo me deixou furiosa. Preciso me controlar, se meus olhos mudam ele percebem e me matam. Quero o Adam aqui, agora. Fechei meus olhos e pude sentir uma lagrima rolar. O abri novamente e todos me olhavam estranho. Vi o ruivo andar um pouco mais a minha direção, abaixou um pouco e me puxou pelo braço me fazendo ficar de frente pra ele, ele cheirava estranho, a bebida com alguma outra coisa...Estava me machucando então em um ato de coragem puxei meu braço de volta para mim. Aconteceu rápido demais, essa sensação de coragem foi embora quando pensei em correr.
— Gente, estou ficando assustada. Melhor irmos, esta frio e meus pais não sabem que matei aula- Disse Keila em um tom de preocupação.
—Qual é o seu nome?- Me perguntou o Branquelo, ignorando totalmente o pedido de Keila que naquele momento também era o meu. Que fossem embora.
—Anna...Annabel...- Respondi em um sussurro.
— Até o nome é estranho – Disse o ruivo rindo e fazendo as meninas rirem junto. Se controla Annabel, se controla...
— Cala a boca David, pode ir se quiser. Não quero ficar perto de vocês com esse cigarro ai. Esse cheiro vai ficar impregnado em mim.- O branquelo estava nervoso, ele me defendeu
— Tudo bem, mas se essa maluca ai for uma assassina e te matar, eu não estive aqui. Vem Keila, eu te levo em casa já que a merda do carro quebrou logo aqui – Disse o ruivo, ele parecia estar bravo com a situação e comigo... Virou as costas de se quer despedir-se do amigo e de Mellanie. Keila deu um breve sorriso para eles e seguiu o ruivo chato.
—Você vai me levar em casa né Oliver?- Ela disse como se aquilo fosse realmente muito importante, acho que notei um tom de malicia em sua voz. Só acho. Oliver, se virou para a garota com uma perfeita feição de tédio.
— Você já é grandinha o suficiente para fumar essas coisas, creio eu que já seja para achar o caminho de casa. – Ele disse rude a garota que agora estava perplexa com a sua atitude. Ela voltou seu olhar para mim, parecia querer me matar.
— VÁ SE FERRAR SEU IDIOTA, EPERO QUE ESSA LOUCA TE MATE! – Ela gritou nervosa, apontando para mim. Senti meus olhos mudarem de cor, e uma leva queimação na area. Mellanie me olhou apavorada. Respirei fundo e olhei para baixo tentando buscar minha devida calma. Oliver continuou a fitar Mellanie que parecia ter engolido suas palavras, espero que sim junto com seu veneno. Ela deu alguns passos para trás balançou a cabeça negativamente virou e se foi. Ela deve achar que o que acaba de presenciar seja efeito do “cigarro” dela. Eu realmente espero. Voltei meus olhos para Oliver que olhava para minha barriga. Pervertido!
— Sua barriga, esta ferida- Ele disse preocupado. Neste caso acho que a pervertida sou eu por pensar besteira. Segui seu olhar e vi que minha barriga sangrava manchando toda a minha blusa. – Acho melhor eu levar você pra casa Anna, esta ventando e você esta ferida.- Mostrou preocupação, realmente muito fofo mas se Adam descobre me mata. Gosto de como ele diz: “Anna”.
— Hum, eu...eu posso ir sozinha – Tropecei em minhas palavras. Ele riu, como sou idiota.
— Não se faça de rude, você não me parece ser assim. – Disse sorridente e logo levou sua mão a cabeça a coçando – Ah, e desculpa por derrubar você. – Ele disse sem graça
— Tudo bem, não machucou- Menti, provavelmente eu já estava vermelha de vergonha.
—Me diz onde mora, eu levo você lá, esta ficando tarde pra você ir só – ele deu uma pausa- O que estava fazendo na floresta esta hora? – Que homem curioso, céus.
—Bom, eu moro aqui..Quer dizer, em uma casa bem próxima. –Respondi ainda sem graça.
— Certo. Então vamos, te levo até lá – Ele fazia tanta questão, acho que um belo “não precisa” não adiantaria. Então me virei e fui andando em direção a minha casa, ele me seguiu já era de se imaginar.
—Ér..Você mora aqui a muito tempo Anna?- ele perguntou quebrando aquele clima tenso enquanto caminhávamos-
—Sim, me mudei para cá quando tinha quatro anos. – Disse rápida.
—Ah, e onde você morava antes? – Perguntou tirando alguns galhos que atrapalhavam nossa passagem.
— Brasil- Ele me olhou surpreso, acho que gostou.
—Nossa, eu ouvi falar pouco de lá mas tenho certeza que deve ser melhor que aqui – Disse risonho, eu o fitei por algum tempo e desviei meu olhar.
—Bom, eu não me lembro muito bem do Brasil, meu irmão e eu tivemos que nos mudar para cá depois que nossos pais foram mortos, não temos família no Brasil – Expliquei
—Sinto muito pelos seus pais – Ele disse novamente sem graça. E novamente aquele silêncio tenso se fez presente, ouvíamos apenas o som dos galhos secos sendo pisados por nós. Avistei minha casa a alguns metros e logo relaxei.
— Você mora aqui? Nunca vi esse lugar, nunca nem vim aqui- Disse indiferente.
—Sim- Disse ríspida. Por fim estávamos em frente a minha casa, eu agradecia por Adam não estar ali, ele odiaria saber que estou conversando com um humano. Eu não sei por que Adam sente todo esse rancor dos Humanos, quer dizer também somos humanos, só que diferentes. Agora vi que eles não são uma ameaça. Fui tirada de meus devaneios quando sinto ele tocar minha barriga, o arrepio foi inevitável .
—Acho melhor cuidar disto, pode ficar feio- Disse preocupado.
—Pode deixar, eu sei me virar. Obrigada por me trazer aqui, espero que não seja um problema você voltar sozinho – Sorri rapidamente mostrando gratidão-
—Pode deixar, eu sei me virar. – Usou minhas palavras a jogando em meu rosto sem pudor. E sorriu – Tchau Anna, até algum outro dia – Disse se afastando. Eu queria que ele ficasse, queria conversar, saber mais sobre ele mas tudo que fiz foi me por em meu lugar e sorrir. Ele se virou e caminhou voltando para a floresta logo a mesma o engoliu. Posso dizer que eu estava feliz com a minha primeira experiência com um humano. Eu gostei, e muito. Queria vê-lo novamente mas é melhor assim. Meu lugar é isolada de tudo e de todos.
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