Inocência
13 Vilão ou Herói?
Notas iniciais
Capítulo 12 -Vilão ou Herói?
Pov. Percy*
Annabeth me olhou confuso e no segundo seguinte um clarão se passou em sua mente, era incrível como perto dela eu ultrapassava alguns limites que eu tinha colocado em minha vida. Não era para eu ser o coitadinho, coisa que eu não era, e também não era para eu falar nada da minha vida com ela. Mas ela me deixava muito à vontade e eu acabava soltando a língua. E ela parecia já me conhecer tão bem. Mesmo que eu não tivesse passado muito tempo ao seu lado.
– Percy... — Ela começou, mas eu a cortei.
– Estou falando besteiras! É o efeito da bebida de ontem! Se esqueça de tudo o que falei e vamos começar nossa aula. Acho que Athena não vai gostar nada de eu estar enrolado nos nossos estudos. Ela quer se ver livre de mim logo, sabe? — Eu ri fraco e olhei para Annabeth. Ela ainda me olhava parada no mesmo canto.
– Venha! Eu vou te ensinar muitas coisas hoje. — Ela veio para onde eu estava e se sentou.
– Se você não quer falar tudo bem! Mas saiba que estou aqui tudo bem? — Eu não falei nada, comecei a explicar tudo o que podia a ela. Depois de alguns anos com meu pai, eu tinha ido passar um tempo com minha mãe. E ela como a escritora de sucesso que agora era, me deu aulas o suficiente para eu não me atrapalhar tanto por causa do déficit. Ela ficava com seu novo marido, Paul, e eu não gostava muito de ficar quando ele estava lá. Ele era um cara legal, divertido e eu adorava jogar basquete com ele nos fins de semana, mas eu me sentia um pouco deslocado, por isso tinha decidido ficar definitivamente com meu pai. Mesmo que minha mãe não tenha aprovado muito isso de inicio. Eu nunca mais tinha ido a visitar, acho que estava mesmo na hora.
Quando a minha aula com Annabeth acabou, eu a liberei e fiquei olhando alguns livros da biblioteca, minha mãe tinha pedido que eu os levasse para ela. Athena tinha feito um ótimo arsenal de livros raros ali. Para mim Annabeth tinha saído, mas quando ela falou meu nome baixo e bem perto de mim, eu olhei para ela.
– O que aconteceu? Tem dúvida em alguma coisa?
– Não é nada, só queria saber como você estava. — Ela indagou parecendo preocupada. Era natural de ela fazer isso. Ela mexeu as mãos nervosamente. Eu sorri sarcasticamente, só assim para ela me deixar em paz. Coloquei minha máscara e atuei.
– Eu nunca estive melhor. Acho que é somente a falta de álcool e uma boa balada.
– Você não foi ontem?
– Acho que não foi suficiente! – Terminei.
– Para onde você vai agora? Quer dizer, você não pode sair de casa, não é? — Ela disse enquanto me seguia para fora do quarto. Eu segui pelo corredor e estava quase ultrapassando a porta.
– Meu pai me liberou. Eu falei com ele para onde ia.
– Vai para balada? — Sorri.
– Não. Ele não deixaria...
– Não deixaria mesmo, eu acabei de falar com ele. Ele disse que ainda vai falar conosco sobre nossa fugidinha! — Thalia apareceu do nada. — Athena está com muita raiva, ele disse que ela está insuportável, mais do que o habitual, mas aí ele falou algo sobre Afrodite estar acalmando os nervos dela, para não deixar Annabeth sair daqui. Sabe, eu acho que tem algo errado nisso tudo... — Eu olhei confuso para Thalia. Afrodite? Metida nessa bagunça? De repente uma luz se acendeu em minha cabeça.
– Obviamente ela está querendo unir o novo casalzinho! — Thalia se sentou no sofá e olhou para os livros em minha mão e riu.
– Mande um beijo meu para Tia Sally. Faz tempo que eu não a vejo. Sabe é muito mais perigoso ir ver ela, do que ir para a balada. São muitas pessoas em uma balada e mesmo que nosso cheiro seja forte, é mais complicado de os monstros sentirem. -Eu assenti, ela tinha razão. Era muita sorte irmos para balada e poucas vezes nos incomodarem.
– Tudo bem, Thalia. Tchau! — Eu sai de casa e relaxei.
– Hey, Percy! — Me virei quando ouvi a voz de Annabeth. Ela estava parada na porta e acenava para mim.
– O que foi?
– Posso ir com você? — Neguei.
– Não! Meu irmão não vem aqui hoje? — Ela corou na mesma hora, me fazendo rir.
– É que eu queria conhecer sua mãe. — Pensei sobre isso em um segundo e acho que roubar um pouco o tesouro do meu irmãzinho não faria mal algum. Pois apesar de só querer ficar um tempo a mais com Annabeth por causa de Tritão, ela era uma boa companhia. E acho que minha mãe adoraria conhecer ela.
– Tudo bem, você tem dois minutos! — Ela correu para dentro de casa no mesmo segundo e ouvi ela gritar alguma coisa lá dentro, no segundo seguinte Thalia saiu.
– Você vai levar ela?
– Ela quis. E qual o problema?
– É que você está bonzinho demais e isso me assusta! — Eu ri fraco.
– Thalia, eu sempre fui um cara legal, ainda mais com garotas bonitas!
– Tipo naquela vez que você trouxe uma garota para casa, transou com ela no sofá e deixou a garota nua e desacordada no mesmo lugar, e foi mais legal ainda quando ela acordou e você a mandou vazar colocando uma nota de dinheiro nos seios dela? — Eu ri gostoso nessa hora. — Percy eu não acredito que você possa ser legal com nenhuma garota. E eu já te avisei...
– Então não precisa avisar mais... — Annabeth saiu de casa e eu apertei as bochechas de Thalia, ela me deu um tapa e jogou blasfêmias para cima de mim. — Não se preocupe Thalia, não vou fazer isso com Annabeth, pelo não a parte de trata — lá como qualquer, mas se ela quiser a parte de transar, por mim, tudo bem? Acho mesmo que está faltando um par de chifres na cabeça do meu pequeno irmãozinho. — Thalia na mesma hora mostrou Aegis e eu dei um passo para trás.
– Porque você sempre leva tudo na brincadeira, Percy? Eu devia te dar uma lição, uma qual você nunca deveria se esquecer. — Olhei para o escudo e engoli em seco, minha base tremeu um pouco, desviei o olhar para Thalia e seus olhos azuis. — Mas, não irei fazer isso, não agora! — Ela disse fechando Aegis fazendo meu peito relaxar por um segundo.
– Eu estarei preparado Thalia!
– Você pode ser impulsivo, idiota, estúpido, galinha...
– Vá logo ao ponto!
– Mas não faria essa burrice de dar em cima da Annabeth e tratar ela como qualquer, não é? — Olhei para Annabeth que estava parada na varanda de casa, olhando para nós e neguei para Thalia.
– Ótimo! Pode vir Annabeth! Já falei tudo o que eu precisava com Percy! Eu espero que se divirtam! — Annabeth pegou em minha mão e eu fiquei sério. Era legal provocar Thalia, Nico e Tritão por causa de Annabeth. Mas por mais que acontecessem mil provocações eu quando olhava para ela não tinha vontade de nada além de ser um eu mesmo, sem manter a fachada do debochado. A inocência dela me fazia trazer quase meu “Eu” e isso era de algum modo bom.
...
Pov. Annabeth*
Percy me guiou a todo tempo pelas ruas de Nova York. Ele não falou nada no caminho, mas sempre apontava o caminho certo durante o trajeto. Eu ainda me perguntava o que ele e Thalia estavam conversando, mas não quis perguntar já que a cara de Percy ao meu lado não era nada agradável e com certeza ele não me responderia. Subimos pelo elevador no prédio de onde Percy disse que era a casa da mãe dele e eu fiquei gelada de uma hora para outra, acho que eu queria muito conhecer Sally.
Paramos na frente da porta do apartamento e Percy apertou a campainha. Segundos depois a porta se abriu e uma mulher morena abriu a porta. Ela estava com o olhar virado para baixo, mas quando os levantou e viu Percy, seu sorriso foi estonteante. Ela arfou.
– Percy! Meu filho faz tanto tempo! — Percy sorriu tão lindamente para ela que eu me perguntei quem era aquela pessoa que tinha tomado o corpo dele. Ou talvez, pensei melhor, fosse à parte que algumas pessoas não conheciam aquela pessoa que eu achava que ele era. A morena se afastou dele e olhou para mim.
– Essa é Annabeth, mãe! Namorada e futura esposa de Tritão! Lembra-se do que te falei há algum tempo atrás?
– Três meses, duas semanas e dois dias exatamente Percy! -Ele corou e desviou o olhar quando ela disse isso, ela sentia mesmo falta do filho. — E é claro que me lembro! Olá, Annabeth! Você é linda. — Eu corei na mesma hora também. Sally sorriu.
– Entrem! Não quero que passem o dia inteiro na porta, não é? Percy fiz bolo azul, eu pressenti que você veria hoje. — Os olhos dele se iluminaram e ele entrou com tudo, jogou os livros que ele ainda carregava no sofá e foi para a cozinha, eu acho. Sally riu e fechou a porta.
– Não se assuste. Ele é assim mesmo. Principalmente quando eu falo para ele de bolo e se for azul!
– Ele gosta de coisas azuis?
– Ele ama coisas azuis e adora comer, então... — Sally deu de ombros e olhou para os livros.
– Vamos para cozinha? Eu boto um suco para vocês e você me conta Annabeth como está sendo viver com meu filho! Que tal? — A segui para cozinha e vi Percy comendo que nem um esfomeado um pedaço enorme de bolo azul. Ri fraco. Sally me ofereceu suco de laranja e me deu um pedaço. O bolo era delicioso.
– Está sendo diferente, eu nunca tive muito contato com o esse mundo. Sempre foi dentro do meu mundinho sabe? Ficar em casa, andar de cavalo escondida de minha mãe. Não era ruim, mas não era o que eu queria. Eu sempre fui curiosa demais.
– Você é neta de Athena não é? — Concordei. Sally e eu passamos um bom tempo conversando. Percy só ficava olhando-nos e se empanturrando de bolo azul. Descobri sobre os livros de Sally e ela me deu um de seus exemplares, disse que quando eu começasse a ler e se eu quisesse já tinha o que ler. Mesmo que depois ela tivesse dito que livros que não iam faltar.
– Percy! Fale-me como você está? Fiquei preocupada! Pensei que você tinha se enfiado em outra missão novamente. Ainda me lembro de quando Hermes perdeu seu celular, foi o celular? — Sally perguntou duvidosa.
– Sim, mãe! Foi!
– Você demorou meses para voltar para casa novamente. — Ela olhou para mim. — Ele me preocupa muito quando se enfia nessas missões, teve uma vez que ele apareceu em casa junto com Nico e tinha uma fúria atrás deles, naquele dia eu quase tive um ataque.
– Mãe! Ela só se desfez em pedaços na sua frente, nada mais. Eu e Nico não ficamos com nenhum arranhão.
– Mas mesmo assim foi horrível! — Sorri para Sally, ela disse exasperada, enquanto colocava as mãos fechadas em punhos na bancada. A cena foi engraçada.
– Não se preocupe Sally. Poseidon está tentando colocar seu filho nos eixos novamente.
– Ainda bem! Não sei se agüentaria mais uma de suas missões Percy!
– É minha vida, é normal mãe! — Ela beijou o topo da cabeça dele.
– Eu sei que vai haver milhares delas ainda e que me preocupo, mas o que importa é que você volte vivo. Só isso! — Percy se levantou.
– Nós já vamos embora, mãe. – Anunciou. — Poseidon disse que não era para nós ficarmos muito! Eu iria dormir aqui, mas como Annabeth veio, não posso. — Sally concordou.
– Obrigada pela visita, pelos livros, e obrigada por ter vindo, Annabeth. — Eu sorri com a gentileza dela.
– O prazer foi meu. — Ela me abraçou e fomos para a porta.
– Paul queria te ver. — Percy assentiu.
– Eu sei, mas fica para a próxima mãe. Cuide-se! — Ela piscou para ele e saímos do apartamento de Sally. Andamos até o elevador e quando entramos no mesmo eu quebrei o silêncio.
– Sua mãe é muito legal!
– Eu sei. — Percy estava um pouco seco. Será que eu devia ter vindo? Ele parecia incomodado com a minha presença e isso me deixou mal.
– Desculpe por ter vindo com você! Eu não devia ter vindo!
– Porque diz isso?
– Porque você parece que não me queria por aqui. – Resmunguei. Ele me olhou e sorriu.
– Se eu não quisesse você aqui, eu teria dito não. Acredite, eu quero sua presença.
– Então, porque não falou nada durante nossa visita com sua mãe? — Eu me expressei rapidamente.
– Porque eu não queria falar nada. Além disso, você e minha mãe falaram muito por mim, não é? — Ele revirou os olhos e sorriu de lado. O elevador abriu e me puxou pela mão com força.
– Vem! Temos pouco tempo!
– O que quer dizer com isso? — Eu disse assustada. Quando saímos logo ele estava correndo comigo.
– Já vai anoitecer e tem uma coisa que eu quero que veja. Tenho certeza que vai gostar e que meu irmãozinho não te mostrou. — Eu somente o segui depois dessas palavras. Passamos em uma loja e Percy pediu que eu esperasse. Ele voltou com algumas sacolas e não me deixou ver o que tinha dentro. Andamos um bocado e eu já estava ficando cansada. Meu cabelo estava se bagunçado e eu estava soando.
– Percy!
– Considere isso parte do treinamento... — Ele riu quando viu eu me arrastando ao seu lado. Acho que estávamos subindo um morro, uma ladeira. Tinha diversas casas de um lado ou do outro, mas a ladeira era enorme.
– Onde estamos?
– Pare de falar, venha! — Disse me puxando. Depois de mais alguns minutos, ele parou e disse:
– Chegamos — Anunciou
– Onde? — Eu olhei ao redor, vi uma mansão na frente e um pouco de mato. Já estava escuro e meu estomago roncava, mesmo que eu tivesse comido na casa de Sally. Percy apontou na direção contraria a que eu estava olhando e quando eu vi meu queixo quase caiu. Eu via a cidade inteira. As luzes piscavam, elas eram de diversas cores. Percy andou no meio do mato e eu vi um pequeno coreto coberto por madressilvas.
– Que lugar é esse?
– É o antigo parque da cidade, quase ninguém sabe sobre ele. Diferente do central Park, esse tem um coreto e eu acho muito mais bonito, principalmente pela parte da noite. É ótimo para ficar aqui e pensar um pouco. — Ele me ajudou a subir no coreto e eu me sentei em cima do mesmo, me segurando somente em uma das estruturas do mesmo.
– Cuidado para não cair. — Percy me advertiu enquanto abria as sacolas.
– É grosso, não vou cair. Só meu cabelo que vai se acabar ainda mais...
– Então saia daí!
– Não ligo. — Dei de ombros. Ele me estendeu um copo e eu sorri vendo que era refrigerante. Ele pegou uns sacos e vi que eram salgadinhos. Ele se sentou do mesmo modo que eu e começamos a comer.
– Gostou?
– É muito bonito! — Admiti olhando as luzes e sentindo o vento passar. Comi mais um pouco e disse:
– Sabe, estou tentando decifrar um pouco mais você!
– Não era você que me conhecia? — Ele sorria olhando para frente.
– Você me confunde! – Confessei mostrando minha chateação.
– É normal.
– Qual é o verdadeiro, o idiota ou o carinha legal? — Ele me olhou e disse:
– Eu acho que é o idiota. O carinha legal é só uma ilusão. — Ele levantou o copo dele. — Um ótimo papel para um ator como eu. Acredite em mim, eu sou o vilão dessa história.
– Só é o vilão porque quer! E não se permite ver verdadeiramente, ou tentar fazer o seu melhor. — Sorri. — Ou acho que de agora em diante, e pensando em todos os contos de fada que minha mãe já contou pra mim, passei a gostar um pouco mais dos vilões, talvez eles sejam as partes incompreendidas da história e só precisem mostrar um pouco mais de cada um.
– Então talvez você deva mesmo tentar entender eles princesa. Já que gosta deles. — Ele sorriu e ficamos em silêncio. Eu sorri ao pensar em Percy desse modo, quem sabe o conto de fadas não tenha um rumo diferente dessa vez, não é? Talvez as princesas devessem olhar mais para os vilões. Agora só uma coisa ficou em meu pensamento, porque eu me importava tanto se ele era o vilão ou o herói?
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