Inocência
14 Um Poder Diferente
Notas iniciais
Capítulo 13 — Um Poder Diferente
Pov. Thalia*
Eu estava preparando um “almoço” não era nada demais, quer dizer, era que eu sabia fazer, no caso um miojo. Nico que estava em casa, quando viu o que eu estava fazendo riu.
– Tem como me dar um pouco? — Ele falou depois que eu disse que Annabeth não estava em casa e que se eu não comesse aquilo iria passar fome. Peguei uma colher e depois fui para perto dele, estendi a colher e ele começou a comer comigo.
– Acha que Percy está aprontando alguma coisa? Eu sinto muita confiança no que ele fala. — Ele cochichou e eu olhei ceticamente para ele.
– Eu não acho, eu tenho certeza. Mas ele já está avisado. Esse garoto só me dá problemas, sabe o que é pior, eu passei a me importar por causa de Annabeth. Eu nunca liguei, mas me vejo no dever de ajudar ela. Ela é tão...
– Inocente. — Nico murmurou, concordei.
– Pois é!
– Acho que me sinto como você, mas é o Percy, e nós não podemos fazer muita coisa para parar ele se ele quiser fazer algo. — Dei o resto de miojo para Nico e ele comeu tudo. Olhei para o relógio e sorri.
– Que tal treinarmos alguma coisa agora? — Ele assentiu e eu concordei, saímos de casa. Andamos para a Arena e abri Aegis e pegando uma espada. Nico mostrou a sua espada e me olhou com raiva. Provavelmente ele estava querendo pagar a última surra que dei nele.
– Vamos Thalia! Venha com tudo, hoje eu vou acabar com você! E nem Aegis vai te salvar!
– Isso vai ser divertido. — Nós nos surpreendemos ao ouvir a voz de Poseidon. Olhei para os lados e o vi parado na arquibancada que tinha na arena.
– Poseidon! — Eu me abaixei devagar, ele sorriu. Ultimamente eu estava tão ligada a eles, que além de respeitá-los mais, eles nem ligavam para isso.
– Vamos, quero ver vocês lutando! Será uma distração agora, quero esperar Percy, pois depois de tudo que ele está aprontando devemos conversar. — Nico assentiu e começamos. Ele como sempre atacou primeiro. Eu desviei com facilidade, e fiz ele encarar Aegis, eu vi que ele tremeu um pouco, mas mesmo assim se manteve forte, sorri, ele era forte. Girei minha espada e sorri de lado.
– Vamos Thalia! Lute de verdade, não fique se escondendo atrás de Aegis. Nico deu esse passo tolamente, pois queria ver o que você iria fazer. — Poseidon gritou e eu tive que concordar com ele. Nico era melhor que aquilo, e eu também. Fiz Aegis voltar a ser somente meu bracelete e fiquei em posição de ataque. Movimentei-me primeiro, fui o mais rápido que pude, mas Nico parou meu ataque, nossas espadas se chocaram. Lutei com Nico o mais duramente possível. Desviei golpes, rodopiei quando foi preciso, só que estávamos empatados-como sempre- mas eu irei desempatar e logo. Ergui uma mão e senti uma camada de energia na minha mão, eletricidade do raio, eu tinha aprendido a absorve – lá depois de tanto tempo e era muito mais eficaz quando eu estava lutando com o Percy, já que ele só usava água.
Só que Nico não viu quando eu decidi fazer isso. Só Poseidon, que logo soltou uma gargalhada quando percebeu o que eu iria fazer. Avancei sobre Nico usando a espada em uma só mão e fazendo-o pensar em tomar cuidado com a espada e não com meu ataque. Ele deslizou a espada para interceptar meu golpe e se virou com velocidade deslizando a espada pelo outro lado de minha cabeça, se eu não fosse rápida o suficiente poderia ter me ferido e feio. Abaixei-me e quando ia tocar sua pele, ouvi a voz do irritante.
– Não jogue sujo Thalia! — Eu dei risada e ataquei Nico, fazendo ele receber um choque fraco em seu corpo, até porque aquilo tudo não poderia ser fritado. Sorri quando Nico ficou na mesma altura que eu, ofegante, com os olhos e punhos fechados, resistindo a dor. Eu tinha usado menos que podia, mas mesmo assim, era doloroso demais.
Sua respiração quente tocava meu rosto e estava me deixando extasiada. Senti-me perder um pouco os sentidos, mas voltei à realidade e logo vi Nico me atacando. A espada em minha garganta, seu corpo em cima do meu, Aegis tinha caído um pouco afastado e minha espada estava com Nico. Nico sorriu e eu não pude evitar sorrir mentalmente, mas por fora eu não parecia tão feliz, eu estava morrendo de raiva. Ele saiu de cima de mim e sorriu me ajudando a levantar.
– Bela luta! — Poseidon gritou e olhei para onde eles estavam. Percy, Annabeth e Poseidon estavam ali. Annabeth aplaudia e Percy sorria cínico e debochado como sempre.
Andei até eles e sorri vendo que Annabeth estava bem.
–Thalia! Ela não tem nenhum arranhão, eu não fiz nada. Viu? — Poseidon se virou na mesma hora para Poseidon e o repreendeu. Ele já esperava isso, então só escutamos.
– E é bom que não tenha mesmo. Sabe como está sendo difícil segurar Athena com seus ataques matinais querendo matar você. Ela quase não faz mais os deveres dela, ela fica de olho em vocês o dia todo! — Percy riu e Annabeth se encolheu. — Percy, por favor, eu te imploro meu filho... — Poseidon falou de um jeito que eu nunca vi, parecia tão pessoal aquela conversa que tive vontade de sair dali no mesmo segundo. Encarei Percy e ele tinha uma expressão estranha no rosto, provavelmente também nunca tinha sentido tanto afeto vindo do pai. Aquele cabeça dura, era mesmo um idiota, sempre fazia tudo errado e queria que Poseidon se orgulhasse.
– É para seu próprio bem. Nem tudo que você pensa é assim, nem tudo que parece é tão fácil. — Poseidon se recompôs, e disse tocando o ombro de Percy. — Tenho uma tarefa para você!Vocês na verdade... — Ele disse rodando e olhando para mim e Nico.
– Uma missão?
– Tecnicamente sim. Afrodite me disse que sei pai está precisando de ajuda Nico, no tártaro. Perséfone está agitada esses dias, ela estava no jardim quando de repente algo a acertou em cheio. Suas flores morreram e ela agora não estava conseguindo quase respirar...
– Como uma deusa pode ter sofrido algo assim? — Eu perguntei chocada. Nico ao meu lado estava mexido, dava para sentir, ele estava nervoso. Peguei em sua mão. Ele tinha tido diversas desavenças com Perséfone, mas tinha passado a gostar da madrasta quando passou uma temporada no Tártaro.
– Nos não sabemos até agora. Hades está furioso, mas não quer sair ao lado da esposa. Ele sente a força dela indo embora. E até Apolo não soube o que fazer e nem sabe a origem. — Todos nos estávamos chocados.
– O que quer que nos façamos?
– Não podemos sair daqui...
– Vocês estarão liberados para sair temporariamente somente para resolver isso. Hades e eu estávamos analisando o jardim depois que fui analisar o que Afrodite disse e olhamos onde Perséfone estava no momento e acabamos encontrando uma pista sobre quem pode ter feito isso com Perséfone.
– Eu só não entendi onde Afrodite entra nisso? Ela não se importa com esse tipo de coisa. — Poseidon colocou a mão na cabeça quando Nico perguntou isso. E eu tive que concordar.
– Na verdade em nada. Ela só disse que nunca tinha visto algo assim e estava curiosa e queria ajudar. Sinceramente eu nem sei o que pensar sobre o aquela maluca quer, já basta tudo o que ela faz ou quer. — Um raio cortou o céu e vimos à personificação da beleza ao lado de Poseidon. Revirei os olhos, deuses enxeridos, sempre vendo o que os outros estão fazendo.
– Thalia nós não somos enxeridos! Somente falaram em meu nome, então não pude deixar de aparecer, estava no tédio. Ares está mais interessado naquela droga de espada nova do que em mim. — Ela olhou para Percy e Annabeth e abriu um sorriso enorme. Afrodite estava morena, olhos negros, e altura mediana, lábios carnudos e avermelhados, ela era mesmo divina de qualquer modo. — E Poseidon, pare de falar de mim, só estou tentando ajudar! — Senti cheiro de muita armação por trás daquele sorriso e daquele olhar. Ela olhou diretamente para mim e sorriu.
– Thalia, sempre inteligente. — Travei meu maxilar, mas ela logo trocou de assunto. — Mas o importante agora é que vocês saibam tudo que sabemos por causa dessa força estranha, esse poder é muito diferente.
– Vocês nunca viram poder assim? — Poseidon negou, mas depois olhou para mim e disse:
– Thalia, como você faz aquela coisa com o raio de seu pai? — Eu não entendi aonde ele queria chegar.
– É simples, pelo menos agora... — Dei de ombros. — No raio do meu pai, tem sempre energia, eletricidade, só basta eu me concentrar, pedir o raio e absorver a eletricidade dele e depois descarregar. — Poseidon assentiu. E eu perguntar o que tinha a ver, mas Annabeth me interrompeu.
– E eu? — Afrodite e Poseidon trocaram um olhar. Afrodite parecia excitada, Poseidon não parecia animado com aquilo.
– Você irá com Percy, Thalia e Nico. — Eu me opus na mesma hora.
– Nem pensar... — Poseidon me interrompeu.
– Athena concordou... — Afrodite assentiu. Tinha dedo nela nisso, com certeza. — E Annabeth vai com vocês. Vocês são capazes de lidar com isso e proteger ela, além disso, ela irá aprender muito.
– Qual é a pista? Alias temos que achar o culpado não é mesmo? — Poseidon assentiu e pegou algo no bolso de seu short. Olhei para o colar assim que tilintou e Poseidon apontou para as palavras que tinha no minúsculo pingente redondo.
– Provavelmente era da pessoa que esteve lá. Não sabemos como ela entrou no tártaro e escapou ilesa, mas deixou isto. — Annabeth foi até Poseidon e pegou o cordão.
– Aqui diz: “Vivo em um mundo cheio de mágica. A mágica sou eu.” — Annabeth veio pro meu lado e eu analisei junto com ela.
– Mas isso não quer dizer... absolutamente nada.
– Sabemos disso, por isso, queríamos que analisassem esse cordão e tentassem decifrar essa mensagem. Podem ficar aqui por enquanto, Poseidon e eu iremos ver analisar os campos de Perséfone novamente e qualquer outra pista será traga para vocês. Percy continue ensinando Annabeth, agora mais do que nunca ela precisa aprender tudo... E rápido! — Percy assentiu e Afrodite nos deu Tchau. Poseidon ficou mais um pouco e depois também se foi. Percy, Annabeth, Nico e eu ficamos na arquibancada analisando o cordão. Annabeth o movia entre seus dedos, ele era de prata, e era grosso, e tinha o formato de uma bola.
– Sei que é tudo meio louco isso agora. Nunca pensamos em poder assim, mas devemos focar. Tudo bem? — Annabeth assentiu e me levantei.
– Vamos entrar! Já está tarde e eu estou cansada. — Todos concordamos e fomos para dentro de casa.
...
Pov. Annabeth*
Entrei em casa analisando o colar em minhas mãos. Thalia pegou o colar de mim e colocou em cima da mesinha de centro.
– Não quero que ninguém veja isso agora. Sei que é sério, mas acho que precisamos descansar, sinto que foi um dia cansativo para todos. — Nico assentiu e Percy também, e eu não pude deixar de concordar. Depois que eu e Percy acabamos de conversar sobre vilões e heróis não falamos absolutamente nada, somente o necessário, mas na minha cabeça tudo se passava.
– Eu irei tomar um banho. — Fui a primeira a me manifestar. Acenei para os meninos e fui para o meu quarto. Peguei uma toalha e uma roupa para dormir e fui pro banheiro. Tomei um banho gelado e sai do banheiro, vestida e pronta para dormir. O ar gelado que passava pela minha janela me dava mais sono ainda. Os deuses tinham mesmo uma força e poder incrível para fazer aquilo ali acontecer, aquela cúpula, e se os deuses não conheciam esse poder, era no mínimo perigoso. Mas eu tinha fé que tudo se resolveria. Queria mesmo era ver minha mãe e meu pai, eu sentia falta deles.
Sai do quarto e para mim todos já estavam dormindo, pois as luzes estavam desligadas. Fui até a sala e resolvi ir para cozinha pegar um copo de leite para tomar antes de dormir, eu estava com vontade.
Esquentei o leite e sai com o copo em mãos.
– Boa noite. — Escutei uma voz fraca soar enquanto eu passava pela sala, só faltei gritar e pular na hora. Só não gritei, pois reconheci a voz. Olhei para os olhos verdes dele e o vi analisando o colar. Sentei ao seu lado no sofá e disse:
– Chegou a alguma conclusão?
– Estou pensando em mil e uma coisas... Eu queria tanto resolver isso. — Eu senti algo diferente em sua voz, e eu sabia o que poderia ser. Ele estava com vontade de orgulhar o pai, ele queria resolver aquilo, mas eu não disse que eu sabia isso para ele. Peguei o meu copo e bebi um pouco de meu leite.
– Tenho certeza que vocês se saíram bem nessa missão!
– Acho que você não devia ir Annabeth, para onde quer que fossemos! O dono dessa magia pode estar em qualquer lugar, e não será fácil andar com três semideuses por ai sem chamar atenção, além disso, você é uma neta de uma deusa também... O cheiro fica muito forte.
– Não me preocupo, irei ajudar com o que for preciso. Só preciso que me ensine essa semana Percy! Por favor? — Percy tocou em meu rosto e sorriu.
– Adoro esse seu jeito, sabia? Você é linda, Annabeth. — Ele se inclinou um pouco para mim e eu senti meu coração se acelerar um pouco, mas ele somente beijou minha bochecha, a centímetros de minha boca e se levantou do sofá. — Boa noite cunhadinha.
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