Inocência
16 As conseqüências de um beijo
Notas iniciais
Capítulo 15 — As conseqüências de um beijo
Pov. Autora*
Afrodite estava tão animada que não conseguiu evitar sair pulando por todo o Olimpo, e mesmo quando todos estavam preocupados com Perséfone ela simplesmente queria comemorar. Ela queria beijar Poseidon – na bochecha-, irritar Athena e dar uns amassos com Ares de tanta felicidade. Ela caminhou em direção a sala dos tronos enquanto sorria em êxtase e o primeiro que viu foi Apolo.
– Hey Dite! O que aconteceu para esse sorriso aparecer em seu rosto? Saiu à nova coleção na Chanel? — Afrodite revirou os olhos e disse:
– Estou tão animada que até ouvir um de seus Haicais me faria feliz agora. — Afrodite riu saindo de onde ela estava com o Apolo e somente o ouviu gritar:
– O que você quer dizer com isso? — Afrodite mandou beijos pelo ar e foi para o seu trono. Ela se sentou e viu que tinha companhia. Athena estava com os olhos grudados nela e não estava nada feliz, pelo jeito ela já sabia do que tinha acontecido, o que Afrodite já esperava. Não se pode esconder nada dos deuses, principalmente de Atena.
– Está feliz com isso? Minha neta merece coisa muito melhor do que... Do que aquele bad boy metido e filho de Poseidon.
– Que eu saiba ela ia se casar com um filho de Poseidon também, não é? — Afrodite contra-atacou.
– Um erro! Mas eu ia convencer a Poseidon desfazer isso, mas você sempre se mete onde não é chamada!
– Pelo visto Athena, você anda cometendo muitos... Muitos erros novamente, não é? — Athena sem querer corou e começou a falar mal de Afrodite, enquanto a deusa do amor só ria.
– É melhor que ninguém além de nós duas saiba dessa história, por enquanto, pelo menos. Não sei se Poseidon iria querer manter segredo. — Afrodite disse para Athena. — E olhe nem pense em ser uma tola e começar a falar quando vocês... — Athena pegou a primeira coisa que tinha a seu alcance e jogou em Afrodite. Essa desviou rapidamente de um celular, era de Hermes.
– Hermes vai te matar se ele souber que fez isso!
– Ele não se atreveria! E mesmo se prestasse tal papel eu o agradeceria, pois o que eu mais quero agora é dar uma boa surra em alguém hoje! — Afrodite riu.
Poseidon entrou na sala junto com Tritão e Zeus no segundo seguinte. Athena fechou a cara ainda mais.
– Como Perséfone está? – Perguntou Afrodite
– Ela está do mesmo jeito. Athena acho que eu devia apressar Percy e os outros... Hades está ficando muito preocupado com ela. Apolo está tentando de todo modo ajudar ela, mas ele não sabe mais o que fazer. — Afrodite assentiu pensando na cara triste que Apolo demonstrava a segundos atrás.
– Sim, eu sei. Mas Annabeth ainda não sabe manejar uma espada corretamente, se colocássemos eles na missão agora, deixaríamos Annabeth a mercê de seus instintos e dons. Sei que os outros seriam capazes de ajudar ela, mas creio que o orgulho dela seja como o da avó, ela não quer depender de ninguém para se proteger. Acho que devíamos dar um pouco mais de tempo.
– Sei para o que você quer esse tempo. — Athena disse resmungando.
– Tudo bem, eu darei mais algum tempo. — Disse Zeus sentando em seu trono.
– Obrigada. — Afrodite sorriu para Poseidon. Ele acenou e Tritão se pôs ao seu lado.
– Pai? Ainda irá precisar de mim hoje? Eu queria ver Annabeth! — Poseidon olhou para o filho, mas Afrodite foi bem rápida, ela não queria que absolutamente ninguém estragasse seus planos hoje, e ela já tinha cuidado de tudo, então ninguém além da conta iria se meter nisso.
– Tritão! Meu querido! Annabeth hoje não vai poder ficar com você. Queremos que essa missão aconteça o mais rápido possível, então eu peço que no momento não atrapalhe Annabeth. Tenho certeza de que quando ela voltar e Perséfone estiver a salvo, ela será toda sua. — Afrodite piscou sorrindo amigavelmente e jogando todo seu charme em Tritão. — Não se esqueça, o amor está do seu lado. — Tritão se ajoelhou-se diante da deusa e Athena revirou os olhos. Tritão saiu da sala e Athena disse:
– Sua manipuladora! — Afrodite negou com um dedo.
– Você ainda não viu nada, Athena. O amor é capaz de cometer loucuras. Eu adoro Tritão, mas a história ficaria muito sem graça se fosse tudo muito fácil. E olhe, não fale mais nada sobre mim. O que as pessoas pensariam? A não ser se você quiser provar de suas próprias palavras. — Athena ia responder, mas Afrodite já tinha desaparecido de seu trono, deixando somente uma fumaça rosa no ar e o cheiro de seu perfume a exalar.
– O que você quis dizer com manipuladora? — Poseidon perguntou assustando Athena.
– Não é nada da sua conta. — Poseidon fez uma carranca. — Você conhece Afrodite. — Athena revirou os olhos com a cara de desentendimento de Poseidon. — Você é muito lerdo! Zeus me livre. — Athena se dissipou em fumaça e Zeus revirou os olhos.
– Nem eu tenho como livrar ela da sua lerdeza! — Zeus sumiu rindo e Poseidon olhou para o nada.
...
Pov. Annabeth*
Eu nunca me senti daquele jeito. Meu estomago se revirava, mas não era como quando eu comia algo que me fazia mal, e sim, de um jeito bom. Minhas mãos provavelmente estavam geladas pelo modo como se enroscavam no cabelo negro de Percy. Mas ele parecia gostar enquanto me envolvia com seus braços. O cheiro de mar, que agora eu conhecia era muito bom, era o cheiro dele. O gosto dos seus lábios, o toque macio e aveludado. O gosto de sua língua se enroscando com a minha, era indescritível, nunca senti aquela sensação em toda minha vida. Senti que estava sem ar e consegui me afastar de Percy, seus olhos estavam escuros e eu não conseguia saber o que aquilo significava. Meus lábios estavam vermelhos, e a respiração entrecortada.
Percy acariciou meu rosto e disse:
– Acho que posso confirmar a idéia do meu irmão, talvez seja verdade. — Eu olhei confusa para ele. — Talvez eu queira mesmo roubar você para mim. Acho que você possa ser uma das únicas coisas qual eu quero de verdade. — Eu vacilei e olhei para seus lábios. Meu coração batia e saltava e isso era tão estranho, tão bom. Passei a mão pela bochecha de Percy e disse:
– Foi errado. Não posso! — Ele tocou em meus lábios e só olhei para seus olhos, eu não sabia o que fazer.
– Não fale nada. Depois você pensa no que quiser, e até no que você quer. Mas agora só me deixe desfrutar um pouco de você. — Ele disse me levantando dali e me jogando devagar em direção a parede. Eu pisei para trás e senti a parede se chocar com meu corpo. Passei a mão pelo ombro de Percy e ele se inclinou na minha direção, ele puxou meus lábios dando uma mordidinha que me fez tremer o corpo todo. Eu puxei Percy para aprofundar o beijo, mas assim que senti que ele estava me apertando e fazendo suas mãos passearem pelo meu corpo me fazendo sentir arrepios, senti uma batida nas minhas costas e logo a voz da Thalia entrar nos meus ouvidos.
– Percy! — Eu empurrei Percy na mesma hora. Ele falou algo enquanto se virava e eu somente tentei respirar novamente enquanto me ajeitava para ir pro meu lugar. Corri para a mesa e Percy foi até a porta. Ele estava com sua cara séria e nem parecia que aqueles beijos tinham acabado de acontecer.
– Thalia! — Exclamei nervosa quando a vi. Ela entrou olhando de Percy para mim, parecia desconfiada. Será que ela tinha reparado algo errado? Percy tinha seu jeito habitual, então, se ela descobrisse algo provavelmente eu seria a culpada. Mas eu iria contar, eu acho. E para Tritão? Eu teria coragem de contar para ele, com seu jeito fofo e que me deixava tranqüila? Feliz? Como seria que ele ia reagir? Eram tantas coisas que se passavam na minha cabeça. Senti-me uma traidora. Essas eram as conseqüências de um beijo.
– Oi Annie, eu queria saber se você não pode me ajudar com o almoço? Eu e Nico trouxemos algumas coisas para fazermos ele. — Eu assenti me levantando. Percy ergueu o olhar.
– Percy eu vou ajudar Thalia. Já acabamos por agora, não? — Eu nem dei tempo para ele responder, só lhe mandei um olhar desesperado. Thalia me levou para a cozinha e eu só queria ir para meu quarto e me trancar no mesmo para poder pensar um pouco. Thalia se sentou comigo e puxou para mais perto dela.
– Eu não sei mais o que fazer comigo Annabeth! — Eu arregalei os olhos.
– O que aconteceu?
– Eu venho me sentindo tão confusa esses dias, confusa quando estou perto de Nico, eu nunca mais tinha me sentindo assim, odeio me sentir assim. Odeio gostar de Nico, odeio sentir o que estou sentindo, mas é inevitável. Eu estou apaixonada por Nico. — Eu sorri apertando sua mão. — Annabeth, eu não sei mais o que fazer comigo mesma. Estou parecendo boba e sensível. E sabe, eu fiz essa armadura de garota durona para tentar esconder isso, mas ela está caindo aos poucos cada vez que vejo que esse sentimento é forte. — Ela bateu na mesa e eu passei a mão por seus cabelos, ela encostou a cabeça na mesa e me olhou. Fiz a mesma coisa que ela e olhei para seus olhos azuis.
– Acho que você deva falar. Nico é tão... — Suspirei não sabendo definir meu amigo. Ele era especial, acho que era isso. E tudo que uma garota como Thalia pudesse querer.
– Eu sei. Ele é especial! — Ela disse sorrindo.
– Fale! Tenho certeza que ele vai responder positivamente. E olhe, sinceramente não espere por ele. Esperar por ele não combina com você! — Ela sorriu rindo. Eu não sorri. Thalia era como uma irmã para mim, eu devia falar para ela, ou eu me sentiria mal com isso entalado na minha garganta.
– Tenho uma coisa para te contar, mas espero que você não fique brava. — Ela assentiu com os olhos. Respirei fundo e fechei os olhos enquanto falava:
– Beijei Percy!
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