Inocência
17 Simples Atração
Notas iniciais
Capítulo 16 — Simples Atração
Pov. Thalia*
Eu sabia que uma hora ou outra aquilo iria acontecer. Meu primo idiota colocaria suas asinhas para fora e atacaria a Annabeth, só que o brilho no olhar de Annabeth me dava uma sensação completamente estranha. Acho que era o medo de magoa – lá com o que eu iria falar sobre Percy e sobre essa atitude dele. Eu não queria que ele estivesse a usando, eu sabia da rixa que ele tinha com tritão e às vezes achava o irmão dele um estúpido e idiota, mas não apoiava usar Annabeth para fazer com Tritão tivesse ainda mais raiva. E sinceramente, isso era bem a cara do Percy. Às vezes eu queria que ele se apaixonasse de verdade, que aprendesse com isso, que se tornasse algo melhor. E não jogasse o jogo que sempre joga. Mas Percy é tão imprevisível que é difícil acompanhar seu verdadeiro status de falso ou de verdadeiro.
Eu definitivamente não sabia se ele estava mentindo ou não, usando ela ou não. Mas eu não iria tirar satisfações com ela, até porque não tenho esse direito, e muito menos iria tirar satisfações com Percy, mas iria avisa-ló novamente sobre o que ele anda fazendo. Se tudo isso não passar de mentira ou mais um jogo, ele simplesmente vai se ver comigo e dessa vez não terei pena dele. Mas agora, no entanto só quero saber de Annabeth.
– E o que você sentiu? — Ela olhou para mim como se eu tivesse assustada. Será que disse algo errado?
– Eu não sei... Eu nunca beijei ninguém. Ainda sinto um formigamento em meus lábios, ainda sinto o cheiro dele em meu nariz... — Sorri. Annabeth era tão Annabeth.
– Não posso dizer se gosto de saber disso. Só queria que não se metesse com Percy, Annie. Eu já te avisei, não é? Mas eu não posso fazer nada, você toma suas decisões, e terá que cuidar das conseqüências depois. Só você. — Ela assentiu pegando minha mão. — Então, se o que acontecer daqui para frente for o que você quer ou deseja por mim, tudo bem? Só não quero que se machuque, pois dói. — Sua cara foi de entendimento e eu acho que ela compreendeu.
– Vai contar para Tritão, aliás, você está namorando ele, não é? — Eu queria saber se ela tinha pensando nele quando beijou Percy.
– Eu não sei se devo contar. Eu estou me sentindo tão mal pelo que fiz, eu pensei nele, mas depois, quando bateu a culpa. Eu estou traindo ele. — Assenti. — E se eu contasse provavelmente iria criar mais uma briga entre os irmãos, coisa que eu não quero.
– Mas manter isso em segredo, provavelmente tornará as coisas piores? Sabe disso, não é? Quando ele descobrir se sentirá muito traído e não confiará em você!
– Ele não vai saber. Só quem sabe somos nós três. Nenhum de nós vai contar! — Assenti, reforçando que não contaria.
– E Percy? O que vai fazer com ele?
– Eu não vou fazer nada. Foi só um beijo. -Ela fez careta. Provavelmente nunca pensou que sei primeiro beijo fosse acontecer assim, e que isso iria sair da sua boca. Essas palavras saíram como se o beijo não fosse nada, e para uma garota o primeiro beijo é tudo, tem que ser inesquecível, ou talvez tivesse sido tudo para Annabeth e ela só não queria demonstrar para mim. Isso -o beijo- com certeza seria capaz de até mudar seus sentimentos, eu não duvidava nada. Só espero sinceramente que ela não se embaralhe com tudo isso.
– Tudo bem, Annie! Acho que já chega de falar de sentimentos, não é? — Levantei meu rosto e ela fez o mesmo.
– Vamos fazer o almoço. Thalia corte alguns legumes para mim. — Eu revirei os olhos.
– Eu sei que só sei fazer isso! — Ela me bateu e disse:
– Ainda vou te transformar em uma mestra cuca. — Eu ri, isso era impossível.
–x-
Pov. Athena*
Odiei ver minha neta tão desorientada, tudo aquilo era culpa de Afrodite que adorava usar seu poder para manipular os outros. Ruim que as armadilhas dela eram as piores. Nenhuma das minhas estratégias funcionava, ou livros davam respostas. Coisas que eram impossíveis descrever. Eu queria fazer algo, mas não podia. Afrodite, maldita Afrodite.
– O que está pensando Athena? — Falando na maldita. Ela se sentou ao meu lado no jardim do Olimpo e sorriu pegando minha mão, que logo fiz questão de soltar.
– Não quero falar com você!
– Não seja tola, Athena. Sabe que posso resolver seu problema em um passe de mágica não é? — Eu não queria saber do que ela se referia, mas meu coração se apertou e eu não pude deixar de soltar.
– Como? Vai matar a esposa daquele lerdo? — Coloquei a mão na boca e Afrodite sorriu.
– Não seria uma má idéia não é? Mas Athena, vocês se amam...
– Eu não amo aquele idiota, eu odeio aquele cara de peixe, lerdo.
– Tudo bem. Depois não diga que eu não quis te ajudar.
– Você definitivamente só atrapalha a vida das pessoas! — Eu gritei para ela, e ela somente sorriu mandando beijos no ar enquanto saia rebolando. Sentei-me novamente e gritei em frustração. Aquela noite tinha acontecido por um deslize, um erro, mas eu não amava aquele idiota, era só uma simples atração. Só isso. Coisa que logo iria estar definitivamente excluído.
–x-
Pov. Annabeth*
Estávamos almoçando. Acho que não sei definir como estávamos, era um silêncio completo e ninguém falava nada e nem parecia que iriam ter iniciativa. Percy me mandava olhares e eu desviava. Thalia olhava de Nico para mim, de mim para Percy. Comi o mais rápido que pude para sair dali, e me trancar em meu quarto. Mas tinha minhas aulas. A próxima seria com Nico e isso era um alivio, mas só de pensar que mais tarde estaria com Percy não consigo me sentir bem. Mas eu tinha que estar sobre controle, eu moro com Percy e foi somente um beijo. Quer dizer, não houve nada, além disso, não é?Ah, nunca estive tão confusa na minha vida. O ruim de não conhecer nada sobre a vida é isso. Thalia falou para mim tão bem como se sentia, queria ter isso. Saber como me sinto. Queria não me sentir tão culpada pelo beijo. Foi meu primeiro, foi especial para mim. E eu sempre sonhei com ele a vida toda. Mas não esperava que ele complicasse tudo em mim vida e me fizesse sentir isso.
Levantei-me da mesa e coloquei o prato na pia e logo o comecei a lavar.
– Você nem comeu direito, Annie! — Nico falou parecendo preocupado.
– Eu não estou com muita fome. Mas comerei depois alguma coisa, não se preocupe.- Ele voltou a comer.
– Não se esqueça da nossa aula, viu? Mais tarde! — Assenti acabando de lavar meu prato.
– Eu vou para meu quarto, quero ficar um pouco sozinha! — Eles não disseram nada, olhei para o balcão e olhei para o colar da missão, a nossa única pista. O peguei e disse:
– Eu vou ficar um pouco com isso. Se eu descobrir algo pelo menos já farei algo útil na nossa missão. — Corri da cozinha para meu quarto e me joguei na cama. Peguei um travesseiro e quis gritar um pouco para me aliviar. Acho que eu mais queria agora era andar de cavalo. Sentir o vento em meu rosto, falar com meus pais.
Bateram na minha porta.
– Quem é?
– Annie, sou eu! — Thalia disse abrindo a porta. — Olha, você vai ser muito importante nessa... — A interrompi.
– Tem alguma forma de eu falar com meus pais? Estou morrendo de saudades deles. — Ela assentiu e eu me levantei da cama.
– Venha, vou te levar até o quarto dos meninos.
– Por quê?
– Você não quer falar com seus pais?- Assenti. — Pois bem, é uma forma que os semideuses têm de se comunicar, já que celular está fora da questão? — Olhei confusa para ela.
– Celular?
– Annabeth, não me diga que nem isso você conhece? — Eu ri.
– Estou brincando. Eu sei o que é um celular. Só estava confusa porque vocês não podem usar.
– Monstros! Eles chamam monstros como se estivéssemos soltando fogos de artifícios. — Concordei e logo estávamos entrando no quarto dos meninos, sem ao menos avisar ou pedir.
– Thalia! — Gritamos os três juntos quando eu e Thalia entramos.
– Desculpa meninos. Mas precisamos da fonte! — Olhei para onde ela apontava e desviei o olhar dos meninos. Eu estava vermelha, eles estavam sem blusa. -Tem dracmas Percy? — Ele jogou algo para Thalia e ela pegou. Ela falou alguma coisa estranha que quase não entendi, mas era algo como “Oh, deusa Íris receba essa minha oferenda. Mostre-me Atena Chase”. Nem quis perguntar o que exatamente ela tinha dito, pois no segundo seguinte eu vi minha mãe e meu pai, na cozinha de casa a conversarem. Lágrimas denunciavam cair de meu rosto, mas eu só pude gritar o nome deles de felicidade.
– Mãe! Pai! — Eles olharam ao redor como se tivessem escutado algo da memória deles. Quando me viram ali e, possivelmente meus amigos também — Que estavam ao meu lado de joelhos- quase não acreditaram.
– Filha! Annabeth! — Mamãe disse enquanto limpava a mão com um pano. Papai sorriu, e sinceramente aquele sorriso me fez querer abraça-ló. Sentir sua presença e seu conforto.
– Como você está meu amor?
– Mãe! Eu estou com tantas saudades de vocês!
– Nós também filha! — Papai disse abraçando mamãe. Ver aquelas expressões em seus rostos, já era suficiente.
– Eu estou bem. Estou me adaptando aqui. Não é fácil sair daí, fugir do meu mundinho e aceitar esse em que vivo agora, ver o mundo e ver como tudo é de verdade.
– Eu queria tanto ter te preparado para tudo isso, mas não podíamos... Tem tantas coisas que eu gostaria de ter falado. -Minha mãe já estava quase desabando em lágrimas. Thalia botou a mão em meu ombro e eu sorri erguendo as mãos em direção a mamãe.
– Mãe, não chore. Olhe, estou bem... Estou bem. Agora, deixe-me apresentar vocês aos meus amigos, a quem estão fazendo isso por vocês. — Mamãe olhou pro lado e corou, papai ergueu uma sobrancelha. Entendi na mesma hora quando olhei para Percy e Nico que ainda estavam sem blusa. Thalia quase matou os dois.
– Vocês poderiam ter vestido uma blusa!
– Você entrou no nosso quarto sem ao menos bater, a pessoa errada aqui é você, Thals. — Nico rebateu. Suspirei.
– Mãe, essa é Thalia. Esses são Nico e Percy! — Eu disse apontando para eles.
– Não se preocupe Dona Atena estamos cuidando bem da sua filha! — Mamãe riu.
– Estou vendo! — Mamãe riu e piscou para mim.
– Mãe!
– Vocês estão morando na mesma casa? — Meu pai perguntou mexendo em seus óculos.
– Sim, senhor. Meu pai deixou Annabeth sobre nossa responsabilidade, nós estamos ensinando a ela a lutar, a ler, escrever... — Percy disse para papai.
– Você está gostando, Filha?
– É maravilhoso mãe. — Eu disse meio nervosa e acho que ela percebeu.
– Meninos vocês podem sair do quarto um minutinho, eu queria ter só um minuto sozinha com Annabeth, antes de a mensagem acabar! — Eles assentiram e eu os vi saindo do quarto. Mamãe olhou para Papai e ele rolou os olhos.
– Tudo bem. — Depois que ele saiu minha mãe suspirou enquanto ajeitava seu cabelo loiro.
– Queria ter essa conversa pessoalmente. Mas vou ser rápida e objetiva. Você está apaixonada? — Eu engoli em seco e logo confessei tudo para minha mãe, falei sobre o beijo, sobre Percy e Tritão e falei sobre como eu me sentia. Quando ela acabou de escutar sorriu.
– Filha, siga seu coração. Sei que tudo é diferente, mas o amor é assim mesmo. Experimente tudo que ele te oferece. Vá atrás de quem faz seu coração bater, sua cabeça rodar e que faz borboletas voarem no seu estomago. Não era assim que acontecia nos livros que eu lia para você? — Assenti.
– Mãe, aqui é tão diferente. Eu não sei o que fazer.
– Não precisa saber o que fazer. Somente viva intensamente, cada segundo, cada momento. Sempre escute seu coração, ele sempre vai estar certo. E por mais que você não seja igual a eles, você sempre será melhor... Porque você é você! -Eu deixei uma lágrima cair e vi que a fumaça estava se dissipando.
– Amo você, mãe. Amo Papai também. — Ela sorriu e disse:
– Eu também amo você! — A imagem se dissipou.
–x-
Pov. Thalia*
Puxei os meninos que agora tentavam escutar por detrás da porta e achei a oportunidade perfeita para conversar com Percy.
– Deixem de ser curiosos. — Nico riu, mas eu nem liguei, meus olhos estavam grudados em Percy.
– Annabeth me contou.
– Contou o quê? — Ele disse se se sentando à mesa e cruzando os braços.
– Sobre o beijo de vocês! — Ele arregalou os olhos, parecendo surpreso. Provavelmente pensou que Annabeth não falaria.
– Olhe aqui Jackson. Eu já estou cansada de te avisar. — Suspirei. — Essa é a última vez, não quero mais me meter nisso. Se isso for um jogo por causa do seu irmão, não o jogue mais. Annabeth vai sofrer e nem toda essa sua visão de injustiça sobre sua cabeça vai valer a pena. Agora se for verdade, diga para mim, ficarei do lado de vocês, ou do que Annabeth quiser. — Nico me olhou e disse:
– Annabeth e Percy?
– Olhe aqui Thalia. Não sou mentiroso, então vou te falar a verdade, serei honesto sobre Annabeth. Eu não estou apaixonado por ela, não a amo. Sinto um carinho especial, ela é gentil, parece me entender, sei lá. — Eu o encarei. — E apenas rolou, foi uma atração, química, ou sei lá o que foi, mas foi um sentimento de ambos. E acredite, não tem nada a ver com meu irmão, se acontecer alguma coisa entre nós, vai ser por causa de Annabeth. Cansei de ficar com essa briguinha com Tritão, eu sempre sai por baixo. Agora é minha vez de sair por cima, de tentar meu melhor. — Eu sorri de lado com as palavras dele. — E sobre Annabeth, se isso for algo mais, eu prometo que direi diretamente para ela. Por enquanto ela não é nada mais do que uma simples atração.
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