A brisa da tarde soprava gelada na praia de La Push, trazendo consigo o som cadenciado das ondas e o cheiro forte do mar. A areia escura estava quase vazia, exceto por uma figura solitária caminhando devagar à beira-mar, encolhida dentro de um sobretudo claro.

​Era Claire. Ela parou perto de um grande tronco de árvore arrastado pela maré, levando a mão ao ventre que já se sobressaía com nitidez sob o casaco. O olhar dela estava fixo no horizonte cinzento, perdido em pensamentos sobre a nova rotina, o bebê a caminho e a solidão que agora preenchia seus dias.

​Um som de passos lentos na areia úmida fez Claire se virar. Seth aproximava-se devagar, vestindo um moletom escuro e trazendo um gorro na cabeça. O sorriso dele era calmo e acolhedor, desprovido de qualquer julgamento.

​— Sabia que o vento aqui na praia fica forte demais essa hora da tarde? — disse Seth com a voz suave, parando a uma distância respeitosa. — Você devia estar bem agasalhada em casa, Claire.

​Claire deu um pequeno sorriso de canto de boca, ajeitando uma mecha de cabelo que o vento levava para o rosto.

​— Eu precisava caminhar um pouco, Seth. Ficar presa dentro de quatro paredes estava fazendo a minha cabeça girar demais.

​— Eu te entendo perfeitamente — respondeu ele, aproximando-se e indicando o tronco com a cabeça. — Se incomoda se eu me sentar um pouco com você? Prometo que sou uma boa companhia e não falo de nada pesado.

​— Claro que não. Por favor — disse ela, aceitando a oferta.

​Seth tirou a própria jaqueta corta-vento que vestia por cima do moletom e a estendeu sobre o tronco para que Claire pudesse se sentar sem se sujar ou sentir o gelado da madeira molhada. A gentileza espontânea fez os olhos de Claire brilharem por um segundo.

​— Você é atencioso demais, Seth — comentou ela, acomodando-se com cuidado enquanto ele se sentava ao lado, na areia seca.

​— É o mínimo — disse ele, encarando o mar antes de virar-se para ela. — E então... como está esse bebê? Está te deixando dormir ou já começou a chutar as suas costelas?

​Claire soltou uma risada fraca e genuína, a primeira em dias, e colocou a mão sobre a barriga.

​— Na verdade, ele anda bem agitado hoje. Acho que gosta do som das ondas. O médico disse que está tudo bem no último ultrassom... O desenvolvimento está perfeito.

​— Fico muito feliz em ouvir isso — disse Seth, com uma sinceridade transparente no olhar. — De verdade, Claire. Você está sendo extremamente forte. Todo mundo na reserva sabe o quanto você foi corajosa e digna.

​Claire baixou o olhar para as próprias mãos cruzadas no colo. A mágoa e a incerteza do futuro ainda pesavam em seu peito, mas a presença tranquila de Seth trazia um alívio inesperado.

​— Às vezes eu me sinto assustada, Seth — confessou ela, a voz saindo baixa, quase abafada pela brisa. — Criar um filho, mesmo com a presença do Jacob como pai, sabendo que o meu relacionamento com ele ruiu... É difícil encarar as pessoas na cidade. Todo mundo olha como se eu fosse uma vítima.

​— Você não é uma vítima, Claire — cortou Seth com firmeza e doçura, buscando o olhar dela. — Você é uma mulher gigante que se respeitou em primeiro lugar. E sobre o bebê... você nunca vai estar sozinha nesta reserva. O Jacob vai ser um bom pai, eu sei disso, mas você também tem amigos. Eu estou aqui para o que você precisar. Se precisar de uma carona para o médico, de alguém para carregar sacolas pesadas ou só de uma conversa boba na praia para distrair a mente... pode contar comigo.

​Claire olhou bem no fundo dos olhos doces e sincoros de Seth. A amargura que a acompanhava desde a separação pareceu dar lugar a uma sensação reconfortante de amparo.

​— Por que você é tão bom comigo, Seth? — perguntou ela, engolindo a seco, tomada pela emoção. — Depois de tudo o que aconteceu com você, com a Nessie... você ainda consegue ter essa empatia toda?

​Seth deu um sorriso leve, encolhendo os ombros.

​— Porque nós dois passamos por tempestades parecidas, Claire. E quando a tempestade passa, a gente precisa se ajudar a reerguer o que sobrou. Não adianta guardar rancor do mundo. A vida continua, e você tem uma vida nova gerando aí dentro. É isso o que importa agora.

​Claire deixou uma lágrima discreta escorrer pela bochecha, mas dessa vez acompanhada de um sorriso sincero. Ela estendeu a mão e segurou a de Seth, apertando-a com carinho.

​— Obrigada, Seth. De verdade. Você não imagina o quanto essa conversa me fez bem hoje.

​— Que bom — disse ele, levantando-se e oferecendo a mão para ajudá-la a ficar em pé. — Agora, chega de vento frio por hoje. Vamos que eu te levo até em casa antes que a maré suba.