Inocência Ultrajada

8 Capítulo 8 SORTILÉGIO...


Hilda fechou os olhos e depois os abriu, lentamente.

Este homem é perigoso, mas de nada adiantará... Ele será meu e depois... Adeus! Pensou ela, enquanto Máscara da Morte se afastava de seu corpo.

Mordendo o lábio inferior, ela falou numa língua estranha e Máscara da Morte sentiu uma fisgada de dor na cabeça, tão forte que cambaleou. Aproximando-se, ainda mais, ela o apoiou, aproveitando para roçar seu corpo no dele e percorrer com os olhos o objeto de seu desejo.

Ele estava excitado, mas seu instinto mandava recuar, evitar aquele contato. A dor ficou mais forte, seguida de uma espécie de névoa em sua mente, um torpor estranho que, ao mesmo tempo em que o tirava do momento presente, causava um ardor progressivo em todo o seu corpo.

Hilda levou a mão ao baixo-ventre de Máscara da Morte enquanto sorria e deslizava os dedos delicados pelo membro inchado, afagando-o com carícias demoradas.

- Hummm... Você é grande milorde... irá me dar muito prazer, antes de eu me livrar de você...

Máscara fechou os olhos e gemeu deliciado. Sua mente vagava, enquanto o corpo ansiava por Hilda, seus toques, seu corpo...

O ambiente foi ficando denso, como se uma névoa brotasse do chão, das paredes, envolvendo-os num abraço tênue como um delicado véu...

Quando a porta se abriu e Afrodite entrou, Hilda tocava o espaço entre os olhos de Máscara da Morte com os dedos, fazendo seu mundo desaparecer e o cavaleiro ficar totalmente à sua mercê.

Os olhos penetrantes de Afrodite cravaram-se na face de Hilda. A névoa se abriu como se tivesse sido cortada com uma espada.

- Afaste-se dele, feiticeira.

- Feiticeira? E-Eu milorde? Nunca. – falou Hilda fingindo inocência.

Afrodite sorriu de um jeito demoníaco. Olhou para a criada adormecida, depois para Máscara da Morte e, finalmente, para Hilda.

- Muito bem... Vamos fingir que eu acredito em você. Mas, antes, deixe-me contar uma história. Havia um menino que foi criado como menina. Sua mãe era louca e seu pai, um pervertido que abusava dele. Então, quando o menino cresceu, descobriu que, além da criação bizarra, tinha algo de estranho com ele... Coisas aconteciam, sem explicação, sabe? A criada de confiança de sua mãe, no dia em que ela morreu, contou ao menino uma história muito interessante. Ela lhe confidenciou que ele, na verdade não era filho legítimo e sim fruto de uma relação adúltera de sua mãe com um homem pertencente à linhagem dos Antigos.

Ao ouvir a palavra, Hilda empalideceu. Olhou para o homem com redobrada atenção. Os olhos acinzentados dela perderam-se num mar azul e revolto que a fuzilava, parecendo tragá-la para o seu interior.

Quem era aquele homem, cuja beleza ímpar escondia um furor que conseguia amedrontar cada centímetro de sua pele?

Como se estivesse entre amigos, Afrodite continuou com toda a calma:

— O menino não entendeu muito bem essa história de linhagem dos Antigos, mas percebeu que certas coisas se concretizavam quando ele as desejava... Seu odioso pai acabou sendo assassinado e ele foi salvo de um destino de abuso... Ele detestava a Fortaleza onde tinha nascido e acabou liberto e solto pelo mundo. Então, o menino cresceu, aprendeu mais sobre si mesmo e permaneceu ao lado do homem que salvou a sua vida e que lhe é muito caro. E acredite, ele não permitirá que este homem seja abusado por uma vadia... como você!

Os olhos de Afrodite faiscaram e o ar estalou em torno dos três. Hilda ergueu a mão em posição de proteção, mas teve sua cabeça jogada para trás, batendo na madeira da porta com um estalo seco, enquanto Máscara da Morte permanecia de pé com o olhar parado como se estivesse em transe.

Hilda estava pálida e suas mãos tremiam quando afastou os cabelos do rosto. Um pouco zonza, ela puxou o ar e se inclinou para frente, decidida a enfrentar Afrodite. Reuniu seus poderes mais ocultos, mas o belo e terrível cavaleiro a encarava com um olhar tão poderoso e feroz que ela sentiu faltar-lhe o ar e uma pressão no peito expandiu-se, rápido e de forma esmagadora.

De repente, ela não conseguia lembrar as palavras e seu corpo começava a gelar, como se a vida se esvaísse dele...

— P-Por favor, m-milorde... Sou sua serva... F-Farei tudo o que ordenar! – sibilou sufocada.

Afrodite relaxou, encostando-se à cabeceira da cama onde Eilinora dormia placidamente. Tocou os cabelos ruivos da criada e a sua visão se abriu...

Hilda sendo questionada pela mulher que havia sido assassinada...

Você não é uma criada, você é Hilda! Hilda de Polaris a feiticeira! Eu conheço você! Você é uma devoradora de homens! Gritava a mulher quando, inesperadamente, Hilda lançou-se sobre ela, as unhas longas com algo metálico rasgando a garganta da mulher como se fossem garras.

A expressão de terror no instante da morte...

Beowulf num canto, rosnando quando um pó foi lançado sobre seu focinho e parte do sangue que jorrava respingado, propositalmente, sobre o pelo sedoso...

Eilinora chegando logo a seguir e sendo acrescida à cena horripilante. Sua mente simples, distorcida pelo toque frio e ensanguentado em sua fronte...

- Você causou uma grande confusão, não foi? A morte daquela mulher, o cão... e agora, pretendia agir como uma viúva-negra: copular e depois matar. Não sabia que uma feiticeira tinha tanto prazer em sujar as mãos de sangue... – falou Afrodite, suspirando.

— M-Milorde... Eu apenas... cumpro o meu papel. Somos da mesma linhagem! – gritou ela.

— Não, não somos. Você é patética clamando por forças que estão além das suas aptidões e enredando-se nos jogos sombrios de feiticeiros corrompidos! E eu, apesar de partilhar dessa herança, não a quero. Prefiro a justiça de uma espada à sordidez de feitiços e maldições! Vou entregá-la ao senhor desta Fortaleza. Ele decidirá o que fazer com você.

— Não! Por favor, não faça isso. Sou tão nobre quanto o senhor e sou uma aliada que lhe pode ser muito útil. Seu poder, milorde... ele rivaliza com o do mestre, não o renegue! Veja, eu sou a escolhida! Meu corpo possui os dois sexos, eu posso servi-lo! – disse ela levantando o vestido, os olhos refletindo o brilho da loucura.

O som da risada de Afrodite reverberou nas têmporas latejantes de Hilda. Ele olhou-a com desprezo e depois, calmamente, foi na direção de Máscara da Morte.

— Acho que está louca, milady... Não existe poder algum. Tudo o que aconteceu aqui foi fruto da sua mente doentia. Tanto seu lado masculino, quanto feminino, vão encontrar o mesmo destino. Vou cuidar para que não machuque mais ninguém. – disse Afrodite de forma tão natural como se nada tivesse acontecido.

— Como... – Hilda não conseguiu completar a frase. Afrodite tocou em Máscara da Morte e o tirou do local, batendo a porta com força.

Hilda estendeu a mão em sua direção e uma parede de flores vivas formou-se diante dela, cercando-a.

- O que... – ela repetiu, dando um passo para trás.

A cerca viva, num movimento extraordinário, foi se entrelaçando com rosas brancas, cobertas de gigantescos espinhos que espetavam a sua pele cada vez que ela tentava sair daquele cerco.

– Socorro! – gritou ela em desespero.

Não houve resposta. Hilda tentou passar pelos espinhos e rosas para aproximar-se do ferrolho, mas sua mão ficou lacerada e encharcada de sangue provocando uma dor aguda. Ela recuou, olhando para Eilinora que estava fora do cerco. Chamou por ela, mas a criada continuava dormindo tranquila e alheia ao seu sofrimento.

- Mestre! Ela gritou, enquanto caía de joelhos. — Não quero morrer! Ajude-me! Socorro!

Quando Shaka e Ikki chegaram ao cômodo, viram Hilda estapear-se no vazio, as vestes rasgadas como se ela as tivesse arrancado ao lutar contra algo invisível. O suor escorria por seu rosto e seus olhos estavam arregalados numa expressão de insanidade total. Ela estendeu a mão, mal ouvindo a própria voz em meio às pétalas que se avolumavam junto com os espinhos afiados ao redor de si. Imagens que só ela podia ver...

Afrodite já os tinha avisado que Hilda era uma espiã e que, ao ser desmascarada por Máscara da Morte, sua loucura viera à tona.

- Mestre! Eu lhe fui fiel. Tire-as de mim!– ela berrava desesperada, confirmando a teoria do cavaleiro.

Shaka sinalizou para que dois criados a levassem para o calabouço dentro da Fortaleza. No pátio, todos olhavam para a bela criada que ganhara a simpatia e confiança de muitos deles. Os ombros alvos descobertos, a pele arranhada pelas próprias unhas, o olhar aterrorizado como se estivesse sempre cercada por algo terrível e os gritos desesperados que depois se somaram às risadas tresloucadas que ela emitia ao ser arrastada.

Pobrezinha! Diziam alguns. É uma louca assassina! Merece ser enforcada! Diziam outros. Então Shaka posicionou-se no centro da multidão para esclarecer o que havia acontecido:

- Estamos tendo uma longa noite, porém daqui a algumas horas, vai amanhecer. Sir Afrodite e sir Máscara da Morte prestaram um grande serviço, descobrindo que o inimigo havia infiltrado alguém para nos espionar e prejudicar. Infelizmente, não pudemos evitar a morte de um dos nossos, mas agora que a responsável foi pega, a justiça será feita. Peço que se recolham e descansem bem, pois quando o inimigo souber que parte de seu plano falhou, certamente irá nos atacar.

Um silêncio pesado se fez sobre todos. Os olhares viajavam em todas as direções e podia-se ver o cansaço estampado no rosto de criados e soldados. Em seguida, todos obedeceram à ordem de seu senhor e se embrenharam dentro de suas casas.

O alojamento, já estava mergulhado na mais completa escuridão quando Afrodite aproximou-se de Máscara da Morte e acariciou-lhe a testa. As pálpebras do cavaleiro estremeceram ligeiramente, parecendo reconhecer o toque. Afrodite contornou as sobrancelhas negras e arqueadas com a ponta do dedo e alisou-lhe os cabelos. Fechou os olhos e inspirou, profunda e demoradamente, deitando-se ao lado dele.

Ao sair daquele cômodo, ele trouxera Máscara de volta à consciência e o fizera lembrar-se de ter flagrado Hilda manipulando ervas e escondendo as provas de seu crime: o pó, as garras e a testemunha que ela forjara com drogas e ilusões. Ele tinha resistido um pouco, mas com uma pequena ajuda, reforçou a história e ainda acrescentou detalhes por sua conta.

Felizmente, com o cansaço e os acontecimentos vertiginosos unidos ao encantamento que ele colocara em Hilda, conspiraram para que tudo se encaminhasse para aquele final. Ela era uma assassina doentia que deixara muitas pistas de sua loucura. Perfeito. Agora, tudo voltava aos seus eixos e ele continuaria a ser, apenas, um cavaleiro como sempre fora. Um sorriso formou-se nos belos lábios avermelhados de Afrodite, enquanto entregava-se ao sono... bem merecido!

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O sol ainda não tinha saído, quando Milo se exercitava no pátio deserto, exibindo uma complicada série de movimentos com a espada. Não conseguira dormir. Aquela noite parecia não ter fim e uma excitação, somada à irritação impedia seu corpo de relaxar. Tinha até pensado em beber até dormir, mas não queria acordar de ressaca ainda pior.

Kamus também não dormira e, ao ouvir o som de uma respiração ofegante, foi verificar quem era.

Milo girava a espada acima da cabeça e, com os joelhos dobrados, baixou-a e depois tornou a erguê-la novamente atingindo um alvo feito de palha.

- Mais cem! – disse para si mesmo e depois riu, completando. – Terei sorte se aguentar mais vinte!

- Quem o treinou? – perguntou Kamus se aproximando e lhe oferecendo uma concha com água.

Estreitando os olhos, Milo aceitou, lavou a boca e cuspiu, jogando o restante da água sobre a cabeça.

- Aprendi sozinho. Quando era menino, limpava os estábulos e depois ia ao campo de treinamento dos cavaleiros e ficava observando. Aprendi o básico e depois... Bem, depois eu tive a sorte de ser acolhido pelo pai de sir Ikki e treinar com os próprios.

Milo tinha arregaçado as mangas da camisa que lhe grudava no corpo suado revelando os contornos da rija musculatura do peito e dos ombros. Kamus pegou-se olhando-o e tratou de desviar o olhar, sentindo a boca secar de repente.

- Seu estilo é muito bom para quem aprendeu somente olhando. – disse, após pigarrear e abstrair as sensações incômodas que teimavam invadir seu corpo.

- Já tive dias melhores! Agora, não sei por que, mas... meu fôlego está curto. Deve ser porque não estou podendo respirar direito. – falou Milo com sarcasmo.

- Ainda não agradeci pelo que fez... – disse Kamus ignorando a provocação.

- Está falando do seu cão ou porque servi de alvo para a sua falta de humor? – provocou Milo.

- Eu me dispus a... ser educado, mas você continua sendo um... homem irritante! – falou Kamus dando as costas à Milo.

Entretanto, antes que conseguisse se afastar Milo o segurou pelo braço e olhou-o bem dentro dos olhos. Depois seu olhar desceu para os lábios finos e entreabertos de surpresa.

Antes que pudesse parar para pensar no erro que estava para cometer, ele sorriu malicioso e beijou Kamus com vontade.

No instante em que os lábios se encontraram Kamus teve o ímpeto de se afastar, porém algo insólito o fez abrir a boca como se estivesse se dissolvendo no gosto do outro.

As línguas se tocaram, seu corpo vibrou e... Ele voltou à razão. Ofegante e afogueado, se desvencilhou do contato e recuou cambaleante, sem saber o que dizer.

Milo ainda custou um pouco a abrir os olhos, mas quando o fez, também ficou em silêncio, não querendo se atrever a acreditar no que acabara de sentir com aquele beijo.

O que tinha sido aquilo? No início, era apenas uma brincadeira, uma forma de passar o tempo. Mas agora, algo mexera com as suas entranhas e quando isso acontecia, era problema.

Kamus virou-se, o vento repentino a agitar as pontas de seus cabelos ruivos, a expressão inescrutável, apesar do rubor. Pela primeira vez, uma experiência daquele tipo o deixava sem ação.

Já tinha beijado, já provara dos prazeres do corpo, embora nada do que experimentara tivesse aquele ardor que o tirava do centro de seu famoso equilíbrio. O desejo nunca fora algo que o fizesse ansiar pelo sexo, como sentia agora e isso era um grande problema.

Milo continuou a encará-lo, agora sério, sem sorrisos e sem piadinhas. Levou a mão à nuca e inspirou, tentando achar as palavras que, extraordinariamente, ficaram presas na garganta.

O silencio entre os dois pareceu adquirir corpo, cor e cheiro, até Beowulf surgir de Deus- sabe- onde e fazer festa para os dois homens de sua vida.

Abençoado cão. Kamus tratou de levá-lo dali e Milo foi ver onde tinha largado a espada. Cada um foi para o seu lado com o coração aos pulos e uma amarga sensação de vulnerabilidade...

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O vento nos rochedos chicoteavam Kanon com uma fúria que combinava com o seu humor. Ele ajustou a capa e, com os punhos fechados, retomou o passo, as botas esmagando o musgo rico e suave das rochas íngremes. Tivera um pesadelo noturno onde vira Hilda de joelhos num lugar escuro, seguido de um grande buraco escuro que ameaçava tragá-lo junto com ela.

- Qual o problema, irmão? – perguntou Saga aproximando-se por trás.

- Hilda não enviou nenhuma mensagem. – respondeu Kanon.

- Já disse que essa espera interminável me entedia. Temos homens suficientes para um pequeno ataque experimental... — disse Saga beijando Kanon no pescoço.

Kanon fechou os olhos e sorriu aproveitando a carícia. Uma ideia malévola ocorreu-lhe para satisfazer o desejo do irmão. Saga teria sua diversão e ele, cada vez mais, se tornaria indispensável aos olhos dele...

O povo da Fortaleza Virgo, estendia-se muito além do interior do castelo.

Ikki tinha se impressionado com a quantidade de camponeses que trabalhavam nos campos verdejantes e férteis e com o bem-estar que se podia notar no modo de vida daquela gente humilde.

Dohko tinha desenvolvido um sistema justo e diferente de organização das glebas, de modo que o alto padrão de vida dos agricultores era único naquelas terras. Havia abundância, tanto vindo dos campos semeados, quanto dos rebanhos de gado e ovelhas que cresciam e se alimentavam da tenra e viçosa relva irlandesa.

A aldeia já passara por muitos contratempos naturais, invasões, perdas. Porém nada semelhante ao que viveria dali a algumas horas...

Alheios ao perigo, os meninos corriam e brincavam de guerrear, quando o som de cascos irrompeu pela aldeia como se os trovões tivessem deixado o céu e descido à terra, incorporando-se aos homens que abriam caminho como se fossem entidades sobrenaturais.

Vestidos de negro e com o estandarte contendo um dragão da mesma cor, Saga e Kanon cavalgaram por entre as cabanas derrubando os caldeirões que fumegavam e assustando as mulheres e crianças que corriam, tentando não ser atropelados pelos cascos poderosos dos corcéis.

Gritos e lamentos juntaram-se ao riso e a voz forte de Kanon:

- Sabemos que são leais à lorde Shaka! Então vamos deixá-los ter a honra de levar ao seu senhor este recado. Digam a ele que, em breve, a Fortaleza Virgo pertencerá a nós e que estamos loucos para tê-lo sob o nosso domínio.

- P-Por f-favor milorde... Piedade! – gritou um velho.

Kanon olhou-o. Embora de idade avançada, o homem era robusto e parecia bem alimentado. Um sorriso maligno formou-se nos lábios do gêmeo mais novo.

- Vejo que ainda tem saúde, velho. Pois bem, eu terei piedade se... estiver disposto a ser meu mensageiro especial.

O homem adiantou-se, curvando-se perante a ele em aceitação. Os camponeses se amontoaram, esperando que a ação corajosa interrompesse a violência gratuita que se abatera sobre eles.

Kanon levou a mão num gesto calmo, quase casual até que ela descansasse sobre o cabo de sua espada. Então, gesticulou com a cabeça para que um de seus soldados se aproximasse com a lança.

Encarando o velho que tremia, ele desembainhou a espada com rapidez, decepando-lhe a cabeça com precisão. O som oco, quando a cabeça tocou o chão e o rio de sangue que verteu do corpo fizeram crescer um murmúrio entre os camponeses, que foi seguido de gritos, choro e desespero.

Tomando a lança de seu subordinado, ele espetou a cabeça do homem como se o fizesse com uma fruta e ordenou que a colocassem na entrada da aldeia. Depois, elevou a mão e ordenou:

- Queimem os campos e matem o gado!

- Maldito! Você disse que teria piedade! – gritou uma mulher jovem, aos prantos.

Kanon olhou-a e Saga colocou-se a frente dele, fitando a mulher que arfava. Analisando o corpo bem proporcionado, as curvas generosas...

- Acho que ela deseja ser uma mensageira especial também... – disse Saga com malícia.

Instantes depois, o corpo nu da mulher foi amarrado a um cavalo.

Morta por estrangulamento, após sofrer toda a sorte de violência e humilhação, ela tivera os olhos vendados, os pulsos amarrados com finas tiras de couro e, em sua boca, uma mensagem especial para o senhor da Fortaleza Virgo.

- Entregue em mãos! — gritaram os gêmeos, enquanto o cavalo seguia em disparada e uma labareda elevava-se nos campos.

Perto dali, Radamanthys olhava sério para o alaranjado que se formara no horizonte em meio à fumaça negra que serpenteava rumo aos céus.

O olhar carregado de mistério parecia em transe, enquanto ele procurava algo, além daquelas paisagens... O nariz adunco e os lábios finos formavam o conjunto de seu rosto que, se não tivesse uma expressão tão má, poderia ser, extremamente, belo e sedutor.

De repente, ele pareceu voltar de algum lugar e seus lábios se abriram num esgar. Murmurando palavras numa língua desconhecida, ele apenas gesticulou e, na fortaleza Virgo, o coração de Hilda parou de bater...

Notas finais
BEIJOS, AGRADECIMENTOS,AFETO!!!PARA QUEM COMENTA,UMA SUPER REVERÊNCIA, PORQUE SEI QUE O TEMPO É ALGO ESCASSO NO ESTILO DE VIDA QUE TEMOS.PARA QUEM LÊ EM SILÊNCIO, O MEU RESPEITO. ATÉ O PRÓXIMO CAP!!!XD