Inocência Ultrajada
10 Capítulo 10 DIGA-ME COM QUEM ANDAS...
Na garupa do cavalo, Kagaho agarrou-se, firmemente à cintura do cavaleiro. Ao deparar-se com as muralhas de pedra maciça da Fortaleza que se erguiam majestosamente diante de seus olhos, ele sorriu e não havia nada de inocente naquele sorriso.
- Você está com frio? – perguntou Aiolia sentindo-o retesar-se atrás de si.
- Um pouco, mas nada demais. – Kagaho respondeu com voz tímida.
- Você se aquecerá em uma das lareiras da Fortaleza, enquanto se alimenta.
Kagaho assentiu sorrindo, porém quando olhou para dentro de um cômodo próximo dos estábulos, seu olhar se estreitou e algo maligno se revelou nos inocentes olhos castanhos. O homem que trabalhava na forja chamou sua atenção. O belo rosto alvo, os cabelos com reflexos arroxeados, o corpo bem proporcionado e aquela aura luminosa e estranha...
- Quem é aquele milorde? – perguntou ele, apontando na direção da forja.
- Deve ser o artesão de armas, não sei bem. Ele pertence ao grupo de lorde Ikki, um homem que não detém minha simpatia. – disse Aiolia olhando de forma indiferente.
Foi neste instante que Mu olhou na direção da porta e um estranho zumbido tomou conta de seu corpo. Ele estava lá, belo e majestoso como quando o vira à distância, mas também havia outra energia próxima ao lorde. Algo que o deixou de sobreaviso...
Entretanto, estava trabalhando para entregar todas as armas a tempo e a cor azulácea do fogo indicava o ponto da têmpera do aço. Imediatamente, baixou os olhos retomando o seu trabalho e deixando para depois, a tarefa que teria de cumprir com o orgulhoso lorde.
Apesar do olhar rápido, Aiolia sentiu uma vibração ao fitar o rosto daquele homem. Aqueles olhos expressivos e a delicadeza nos ângulos do rosto chamara a sua atenção por poucos segundos, já que ele baixara os olhos, interrompendo a conexão. Foi o suficiente para que ele retornasse sua atenção para o menino que olhava para tudo e não parava de fazer perguntas.
- Bem, agora você deve ir ficar com sua gente. Shaka os encaminhou até o grande salão para que sejam alimentados. É a terceira porta, contando a partir dos estábulos.
- Está bem, milorde! Agradeço muito a sua gentileza. – disse o menino sorrindo de forma cativante.
Aiolia ajudou-o a descer do cavalo e dirigiu-se às escadas que levavam ao interior da Fortaleza. No caminho, um dos criados informou-lhe que Shaka tinha ido direto para seus aposentos banhar-se e que jantaria lá, porém ele já mandara servir os homens de Aiolia, os de Ikki e os camponeses que agora habitavam a Fortaleza.
- Muito bem, então. – disse Aiolia respeitando a decisão de Shaka, sabendo que ele precisava de um pouco de solidão.
Em silêncio, ele olhou em volta e o fogo na grande lareira atraiu-o para perto. Só então ele percebeu que havia barulho somente de seus homens que já se acomodavam nos sólidos bancos de carvalho e começavam a roda das conversas. As tochas dispostas ao longo das paredes destacavam o brilho das jarras de prata e das canecas e o cheiro do pão e da carne assada preenchia o ambiente, fazendo-o salivar.
Onde estaria aquele lorde metido e insuportável? Pensou ele quando não localizou Ikki e nem seus homens, no grande salão. Entretanto, antes que respirasse aliviado por não encontrá-los, Ikki surgiu imponente e, logo atrás dele, os homens que comandava, conversando animadamente como se tivessem participado de uma grande aventura.
- Pensei que tinha ido embora, milorde ou que estava esperando o tempo passar, enquanto eu e Shaka fazíamos o trabalho. – disse Aiolia interpelando-o com um brilho de triunfo nos olhos verdes.
- Não pense que me atinge com suas palavras vãs, milorde! Não sou homem de se deixar levar por provocações e saiba que estou decepcionado, esperava mais que provocações infantis de um homem que se diz tão experiente em batalhas! – respondeu Ikki com um indisfarçável brilho de fúria nos olhos.
- Podemos resolver isso com a espada... Prometo não decepcioná-lo ao mostrar que minhas habilidades não se restringem a simples provocações e que não são nada infantis. O que acha? – perguntou Aiolia entre dentes.
- Eu adoraria, mas agora tenho algo mais importante para tratar. Vá treinando e me espere... – disse Ikki sorrindo sarcástico como se falasse com uma criança, enquanto dava as costas à Aiolia e dirigia-se para a escadaria que dava para os aposentos da Fortaleza.
Aiolia cerrou os punhos. Tinha gana de acabar com aquele sorriso arrogante que Ikki fazia questão de exibir sempre que o encarava. Antipatizara com ele desde que notara a afeição de Shaka por aquele estranho. Sim, percebera o olhar do seu amigo de infância para com um homem que ele não conhecia e que se portava como se fosse íntimo do seu amigo.
Não que tivesse por Shaka, sentimentos além da profunda amizade, mas era da sua natureza ser possessivo com seus afetos, principalmente depois do que acontecera à Shaka. No fundo, culpava-se por não estar por perto quando ele e Dohko mais precisaram de sua presença. Entretanto, agora seria mais vigilante e seletivo com quem se aproximava daquele que amava como a um irmão.
Ikki estava subindo a escadaria até os aposentos de Shaka. Ele pensara muito antes de tomar a decisão de vê-lo. Sabia que Shaka o estava evitando, mas ao vê-lo retornar, sentiu necessidade de ao menos falar com ele antes de executar seu plano.
Respirou fundo e abriu a pesada porta do quarto e sem qualquer cerimônia, entrou. O cômodo estava aquecido pela lareira e iluminado à luz de velas. Havia um perfume de lavanda no ar. Por um momento, Ikki não viu ninguém, embora pudesse ouvir um som de vozes do outro lado de um biombo colocado no centro do quarto. Ele aproximou-se do biombo e ficou pasmo.
Shaka estava sentado numa enorme tina de madeira com água. Seus cabelos estavam molhados e escorriam como um veio de ouro puro por seus ombros nus. Sua pele estava pálida e as gotas d’água que escorriam, pareciam pequenos cristais iluminados pela luz das velas. Ele parecia inocentemente vulnerável e desejável. Ikki mordeu o lábio inferior e sentiu uma vontade imensa de arrancá-lo da água e beijá-lo até ficar sem ar.
Um criado estava prestes a derramar outro balde de água na tina, mas quando olhou para o lado e viu Ikki, soltou o balde, derramando água perfumada no piso de pedra e nas botas de Ikki.
- M-milorde! – exclamou ele com os olhos arregalados.
Shaka olhou-o com seriedade e surpresa. Não esperava que ele tivesse coragem de invadir seu quarto, depois de tudo o que acontecera entre eles. Porém, mesmo que sentisse o corpo estremecer, fitou-o como se não estivesse abalado com sua presença.
- Estava tão ansioso para falar comigo que não podia esperar que terminasse meu banho, milorde? – disse Shaka afundando-se na tina d’água.
O queixo de Shaka estava no nível da água, mas embora a lavanda tivesse deixado a água com um tom leitoso, Ikki ainda podia ver a silhueta de seu corpo abaixo da superfície e isso o perturbou.
O criado olhou para Shaka e depois para Ikki vendo que os dois se encaravam como se estivessem num duelo de expressões faciais.
- Alcance-me o lençol de banho e pode sair. – disse Shaka ao criado.
O criado foi pegar a peça e Shaka se levantou. Mais uma vez a água se derramou nas botas de Ikki, mas ele nem notou. Toda a sua atenção estava concentrada no corpo alvo e nu que se levantava sem nenhum pudor e, pelo qual, a água escorria como se fosse um afago lento e sensual...
O calor deixara a pele de Shaka rosada, seus cabelos estavam grudados no corpo como fios dourados e o perfume que exalava dele, parecia convidar ao toque. Ikki estava hipnotizado, os olhos viajando pelas formas perfeitas de Shaka, o quadril estreito, o torso bem proporcionado, as coxas bem feitas...
Shaka o encarou, sentindo dentro de si emoções contraditórias. De um lado estava feliz que Ikki o tivesse procurado. De outro, temia não conseguir disfarçar seu desejo e seu amor por ele. Tinha decidido afastar-se dele, sentia-se perseguido pela morte sombria e toda a sorte de malefícios. Não desejava envolver Ikki nos acontecimentos que se seguiriam, mas parecia que sua decisão se fragilizava ao tê-lo tão perto de si...
Instintivamente, Ikki arrancou o lençol das mãos do criado e envolveu Shaka nele. O criado saiu quase correndo e quando a porta bateu, Ikki puxou Shaka de encontro a si.
- Porque tenta negar algo que é tão forte entre nós? Mesmo que tente me humilhar, eu sei o que sente por mim, então desista! – disse Ikki, próximo ao ouvido de Shaka.
- Não quis humilhá-lo... – a voz de Shaka saiu num sussurro. – Apenas não posso envolvê-lo nisso.
- Agora é você que tenta me enfraquecer, milorde.
- Ikki... eu...
- Não diga mais nada. Não sou fraco para guerrear, nem para matar meus inimigos, mas você... Você é o único capaz de fazer isso comigo. – disse Ikki.
Segurando o rosto de Shaka entre as mãos, ele roçou os lábios na boca rosada e úmida. Uma fome surgiu com força entre eles e suas bocas se uniram ferozes, as línguas tomadas por um frenesi de desejo que ecoou em todo o corpo.
Ikki mordiscava os lábios de Shaka e sentia-o suspirar dentro de sua boca. Suas mãos fortes se moviam para cima e para baixo nas costas delgadas até chegarem às nádegas roliças e as apertarem com força junto à extensão de sua rigidez...
Beijaram-se com sofreguidão e o lençol de banho caiu no chão entre eles. Ikki correu as mãos pelo corpo de Shaka, agora gelado por causa do frio, mas ainda com um suave aroma de lavanda.
Shaka entregava-se e colava o corpo ao de Ikki, suas mãos buscavam o rosto viril que lhe tomava a boca com tanto ardor. O fogo acendeu dentro dele com uma fúria jamais sentida e ele se deixou incendiar...
Inebriado, Ikki saqueava a boca quente, invadia o calor úmido e já não era o bastante. Sentia a respiração em sua face e queria mais... Ouvia os gemidos baixos e sentia o sangue inflamar-se de um desejo sem precedentes. Queria estar dentro dele, penetrá-lo fundo, fazê-lo, somente, seu...
O perfume na pele de Shaka lhe tomou o íntimo e temperou-lhe o beijo até ele pensar que nunca mais respiraria sem sentir-lhe o gosto... E isso foi o bastante para fazê-lo recuperar o controle ou o que restava dele.
Com relutância afastou sua boca de Shaka e diminuiu a força com que o abraçava. Lembrou-se do abuso, da forma como ele havia sido tratado e não queria fazer o mesmo. Não aproveitaria a fragilidade e a dor que sabia estar impregnadas em seu íntimo, para saciar o próprio desejo.
- Perdoe-me... Não quero que pense que eu apenas... — disse ele e lhe faltaram as palavras, porque a sede do corpo ainda falava alto.
- Me deseja? – perguntou Shaka afogueado e, ao mesmo tempo, decepcionado com o rompimento do contato.
- Não sou nenhum santo, sou homem e o desejo como jamais desejei alguém. Mas é muito mais que isso... está além da luxúria. É um sentimento que sempre me perguntei se era capaz de sentir e ao conhecê-lo, a resposta me atingiu como uma lança... Eu o amo, Shaka. – disse Ikki com o coração martelando-o no peito.
Shaka sentiu-se estremecer e não era de frio.
Amor! Uma simples palavra que ele nunca tinha ouvido e sempre tivera cuidado de nunca dizê-la. Era uma palavra importante demais para ser dita sem pensar ou no ardor do prazer erótico. No entanto, agora, ao ouvi-la, seu coração parecia crescer dentro do peito e o calor que ela emanava encontrava ressonância nos seus sentimentos mais profundos...
Uma onda efervescente percorreu-lhe as veias e foi a vez dele tomar a iniciativa.
- Eu também te amo... – disse num sussurro bem próximo aos lábios carnudos de Ikki.
Então, beijou Ikki com volúpia, sua boca tomando a dele completamente. Ao mesmo tempo em que o tomava para si, oferecia-se numa doce entrega permitindo-se sentir uma emoção genuína, livre de subterfúgios ou jogos de sedução.
Amava, desejava e queria dar vazão àquilo que se acumulava em seu corpo e lhe queimava a pele, ansiando por Ikki, pelas mãos calejadas, pela boca que lhe incendiava o sangue, pelo falo possuindo-o e fazendo-o esquecer da humilhação, da dor e de tudo o que viera antes...
Ele ouviu Ikki gemer no fundo da garganta e o som lhe deu um prazer inesperado e intenso. Então alimentou o desejo dele, enlaçando-o pelo pescoço e dando mais firmeza ao encontro de suas bocas...
Sôfrego, Ikki tomou o corpo nu de Shaka e o levou para a cama. Tirar suas próprias roupas pareceu demorar tempo demais, mas atiçou-o ver o olhar desejoso de Shaka percorrer seu corpo com avidez, mesmo que exibisse inúmeras cicatrizes, longas e finas que marcavam indelevelmente sua pele amorenada.
Olhou-o com os olhos escuros de tanta ânsia e um sorriso capaz de colocar por terra qualquer resistência que porventura Shaka tivesse. Demoradamente, passou as mãos pelo corpo esguio, perfazendo os contornos, trazendo-o para junto de si.
Gemeu ao roçar sua ereção na de Shaka, descobrindo uma vibração latejante e prazerosa no encontro das coxas, das peles, dos falos túrgidos...
Lembrando-se das instruções de Milo seus dedos se moveram para dentro do corpo de Shaka e se dirigiram para um ponto específico que o fizeram ofegar e retesar o corpo, primeiro com desconforto e depois com prazer...
Devagar e num ritmo que casava com o movimento de sua boca sobre a dele, Ikki fazia seus dedos entrarem e saírem do corpo de Shaka até ele libertar a boca da sua e deixar a cabeça cair para trás, arquejando como se estivesse se afogando na sensação...
- I-Ikki! – o nome dele foi arrancado de sua garganta num gemido alto e profundo.
Ikki sorriu, retirou os dedos e mergulhou a cabeça no pescoço de Shaka, beijando, mordendo, passando a ponta dos dentes em sua pele. Sentiu-lhe o pulso acelerado, o olhar brilhante e febril e acariciou os mamilos túrgidos com a língua, sentindo-os enrijecer ainda mais em sua boca.
Provou-o em cada centímetro de pele, sentindo um prazer tão delicioso e torturante que seu membro gotejava de excitação e pulsava de encontro às coxas de Shaka.
Gemendo de prazer, Shaka puxou o ar pela boca e sorriu , trazendo para perto de seu rosto corado de excitação os lábios molhados de Ikki. Ele o segurou com força, as mãos correndo pelas costas rijas e com a marca das cicatrizes.
O contato, cada vez mais íntimo fez o suor brotar em pequenas gotas, criando uma fina camada nos corpos que se uniam num ritmo pulsante, lento e de plena cumplicidade erótica...
Com os olhos tomados pela paixão, Ikki gentilmente afastou as pernas de Shaka com as suas, penetrando-o lentamente, sabendo que a dor viria, mas mesmo assim, tentando amenizá-la ao máximo.
Ficou imóvel um tempo, observando o rosto de Shaka molhado de suor, numa expressão que mesclava êxtase e dor, os lábios entreabertos, os olhos fechados...
Então, como se despertasse, Shaka abriu os olhos e Ikki mergulhou dentro do azul úmido e transparente sentindo-se afogar no amor que emanava dele... Por um pálido instante, ambos pareceram mergulhar em um mar tempestuoso, que os levava para as suas profundezas numa viagem sem volta...
- Você não vai me machucar... N-Não tenha medo de me fazer seu... – sussurrou Shaka erguendo os quadris e dando a Ikki pleno acesso para dentro de si.
Ikki moveu-se sobre ele, precisando se completar, se sentir inteiro dentro dele... Com um ofego, Shaka abriu mais as pernas, forçando seu centro admitir a penetração. Sentiu a resistência, o interior ceder, então, subitamente o sexo poderoso foi até o fundo, dentro de si. Podia senti-lo pulsando em seu interior, sentir a resposta tensa de seu próprio corpo e, ao mesmo tempo, ser invadido por uma completude inédita e inexplicável..
As peles brilhavam com a transpiração, os corações batiam descompassados e o contato entre os corpos fez evanescer tudo ao seu redor. Só havia Ikki ofegando junto a si, as mãos fortes apertando sua carne, os olhos lúbricos devassando sua alma. Shaka fitou-o com a mesma paixão e sorriu, sussurrando-lhe para que se mexesse.
Obrigando-se a controlar a fúria de seu desejo, Ikki começou a estocar devagar, subindo e descendo numa cadência lenta, enquanto buscava a boca de Shaka para beijar, lamber-lhe os lábios voluptuosamente...
Shaka gemia alto, a dor misturando-se a um prazer inédito, primitivo que crescia fazendo-o desejar que Ikki se aprofundasse mais e aumentasse o ritmo. As bocas, entreabertas, respiravam rápidas, e Ikki sorvia do gosto do suor, do som impetuoso que escapava dos lábios de Shaka, enquanto era pego pela voragem deliciosa de sentir-se engolido pelo corpo quente dele...
Os quadris moviam-se agora num ritmo frenético que acometia ambos os corpos de torrentes desorientadoras, fazendo-os perder-se no fogo que queimava entre eles. Enlouquecido Ikki quase saiu de dentro de Shaka para projetar-se mais forte e fundo, arrancando gemidos roucos, fazendo-o se contorcer sob o seu corpo.
Shaka sentia-se tomado por uma febre insuportável, uma sensação de que estava se dissolvendo e, ao mesmo tempo, a certeza da carne exultando em êxtase a cada investida, toque e movimentação. Cerrou as coxas, prendendo o falo rijo em si, desejando cada vez mais a possessão que o dilacerava num prazer lúbrico e veemente...
Seu corpo foi acometido por um tremor violento e ele ouviu-se gritar, um grito rouco de êxtase que irrompeu sem que ele o pudesse controlar e que fez todos os seus músculos se contraírem, para relaxarem logo a seguir, quando seu gozo inundou a pele de Ikki...
Ele se contraiu e Ikki tomou-lhe a boca de novo, a língua exigindo a dele enquanto ele gemia com a força intensa do orgasmo.
Um grunhido soou na garganta de Ikki, como se algo selvagem e, ao mesmo tempo muito humano estivesse sendo libertado. O controle dele se rompeu e ele segurou os quadris de Shaka com ambas as mãos, puxando-o para si, enquanto investia dentro dele com força.
Num movimento profundo, ele inclinou a cabeça para trás, os dentes cerrados, o pescoço retesando-se com a força do clímax... Shaka sentiu o líquido quente da liberação tão fundo dentro de si como se Ikki estivesse tocando-o além do corpo, atingindo-o, onde jamais fora ...
O orgasmo pareceu se prolongar, forte e dominador, arrebatando os corpos dos dois e levando-os para um patamar inédito de entrega e sensualidade...
Quando os tremores cessaram e a ânsia arrefeceu, ambos estavam totalmente esgotados, porém plenos e saciados...
Com um sorriso que misturava ternura e encantamento, Shaka aconchegou-se no peito largo e beijou-o no queixo, enquanto Ikki, também sorria e fechava os olhos, tão feliz e completo, que mal podia se mover.
Por um breve instante, os dois deixaram os medos e planos de lado e permaneceram abraçados, entregues ao único momento em que nada poderia amedrontá-los.
Tentando aprisionar o enlêvo que sentia, Shaka fechou os olhos e Ikki percebeu-o suspirar e enterrar o rosto em seu peito, a nudez pressionada contra a dele numa deliciosa intimidade...
Acariciou-o longamente até senti-lo adormecer. Depois, sem se dar conta, cerrou os olhos e permitiu-se arrebatar para a utopia momentânea de felicidade...
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O ar da noite era frio e Ikki sentia Shaka junto a seu corpo aquecendo-o. Acariciou a mão bem feita que lhe tocava o peito vendo-o dormir profundamente. Puxou um cobertor com os dedos dos pés e cobriu o corpo alvo, ouvindo-o murmurar algo inteligível.
Respirou fundo e voltou os olhos para o teto. Não conseguia mais dormir, pois o silêncio agora o transportava para a decisão que tomara. Beijou Shaka nos cabelos ainda,levemente, perfumados e deixou-o na cama, tomando cuidado para não acordá-lo.
No pátio, Milo o aguardava, junto com Afrodite, Máscara da Morte, Aldebaran e Mu. Quando ele chegou, os olhares percorreram-no com cumplicidade e malícia, porém Ikki nada comentou. Ao receber sua espada da mão de Milo, apenas disse:
- Então, senhores, vejo que estão dispostos a começar. Então, vamos à execução da primeira parte do plano.
De repente, Mu sentiu a mesma vibração estranha que sentira antes e que fazia subir um arrepio desagradável pela sua espinha. Sinalizou para que Ikki interrompesse sua fala e ele olhou em volta, não constatando nenhuma presença além da guarda nas ameias. Entretanto, Afrodite também sentiu o perigo e seus olhos se estreitaram.
- Vamos voltar ao alojamento. – disse Afrodite, mantendo um tom casual.
- Mas o que aconteceu? – perguntou Aldebaran.
- Pode ser apenas uma impressão, mas não podemos arriscar. – falou Mu, enquanto buscava perceber e ver num plano mais sutil.
Ikki ficou sério e prestou atenção nos sons da madrugada, assim como Máscara da Morte que, silenciosamente, posicionou-se de forma que pudesse perceber qualquer movimentação na retaguarda do grupo.
De súbito, uma rajada de vento gélido formou-se entre eles e a respiração de todos transformou-se em pequenas nuvens de vapor. Mu e Afrodite se olharam e logo compreenderam o que estava acontecendo. Entretanto, como negava-se a usar magia, o belo cavaleiro piscou para Mu e caminhou na direção dos estábulos, espiando através da porta entreaberta. Seu olhar pousou sobre uma pequena figura deitada sobre o feno, parecendo dormir.
- É apenas um menino! Quem será ele? – perguntou Aldebaram com ares de solidariedade, ao aproximar-se junto com os dois cavaleiros.
Sinalizando para Afrodite, Mu sacou um punhal feito de prata. Ikki adiantou-se e, mesmo que não pudesse ver o que seus homens tinham percebido, foi tomado por uma sensação de perigo iminente.
- Afastem-se! – disse Ikki desembainhando a espada e encarando o garoto.
Porém, antes que Ikki esboçasse qualquer atitude, Kagaho abriu os olhos e havia um brilho avermelhado neles, assim como um sorriso malévolo por saber que somente Mu e Afrodite podiam percebê-lo.
Então, antes que um dos dois o atacasse, ele gritou a plenos pulmões:
- Socorro! Lorde Aiolia, salve-me!
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