Após ser depositada na cama do mesmo quarto onde havia dormido na noite anterior com o Conde, sentiu Adeline terminar de tirar suas roupas deixando-a nua mais uma vez.

– O Conde estava certo em fazer-lhe isso, mereceu. Até mesmo eu que sou uma criada sei que uma mulher não deve fugir de seu marido. — disse Adeline maldosamente enquanto esfregava um pano molhado no corpo nu da menina ferida.

– Cale-se, Adeline! Não me interessa saber sua opinião! — em um momento de fúria, Angelique disse em um tom de voz alto para a escrava que mordeu o lábio com raiva.

Angelique ainda não tinha percebido por estar concentrada na própria dor, mas Theodor já havia chegado no canto do quarto para observar enquanto Adeline trabalhava limpando seus ferimentos e colocando algumas ervas curativas que causavam ardor.

Um brilho diferente se fez presente nos gélidos olhos azuis do nobre ao ouvir a reação da garota com Adeline, não chegou a escutar o que a mulher havia dito para deixar a menina tão brava, mas apreciou aquela forma arrogante com a qual Ange se portara colocando Adeline em seu lugar e sentiu-se orgulhoso da escolha de sua Condessa.

Afastou-se dali antes que ambas notassem sua presença e abriu um sorriso falando em um tom baixo para si mesmo enquanto caminhava pelos corredores do Castelo.

– Agora devo começar a segunda parte do plano, minha pequena Angelique. Já lhe fiz provar o sabor da dor, agora lhe farei provar o sabor do poder. — sorriu de maneira maliciosa enquanto caminhava até uma sala onde algum criado poderia lhe servir uma bebida.

Naquela noite não voltou ao próprio quarto onde Angelique dormia, sabia que a garota necessitava de um pouco de descanso afim de recuperar-se de seus ferimentos, mas havia mandado que chamassem o joalheiro da região e o alfaiate. Estava na hora de demonstrar o quanto podia ser generoso se sua pequena esposa estivesse disposta a obedecê-lo.


Na manhã seguinte quando Ange acordou, mais uma vez encontrou os olhos do Conde, mas dessa vez ele não tocava em seu corpo. Estava bem vestido e aproximou-se sentando-se ao seu lado na cama.

– Bom dia, Angelique. Vejo que está descansada, hoje vou provar que se for boa e obediente sua vida aqui poderá ser mais agradável. Adeline a ajudará a trocar de roupas e depois a levará até o Salão onde estarei aguardando. — informou Theodor fazendo uma pequena carícia no corpo da menina antes de levantar-se saindo do quarto para deixar Ange a sós com Adeline.

A garota permaneceu sem reação enquanto a criada despia-lhe a camisola inspecionando os ferimentos antes de colocar-lhe um vestido azul no corpo e prender-lhe os cabelos com um laço de fitas.

Assim que chegou no local onde o Conde a aguardava, espantou-se ao ver que havia outro homem ao seu lado, o que não era comum, já que o costume era não receber visitas tão recentemente ao período das núpcias.

Ao aproximar-se notou que se tratava de um homem que vendia jóias, o homem mostrava um belo colar de turquezas ao Conde colocando-o em suas mãos.

– Angelique, venha. Aproxime-se, diga o que acha desse colar. Lembra a cor de seus olhos, não? — Theodor declarou enquanto mostrava a bela jóia para sua jovem esposa.

Ange não ligava muito para jóias, sentia-se tão triste e acuada que não se importava com a beleza do ouro e das belas pedras do Conde, mas viu-se na obrigação de respondê-lo, caso contrário seria castigada de novo.


Ainda era capaz de sentir em seu corpo a dor dos espinhos que entraram em sua delicada pele.

– São bonitas. — respondeu com pouco entusiasmo.

– Aproxime-se, quero ver como fica em seu pescoço. — insistiu o Conde.

A jovem não sentiu vontade de se aproximar, a última coisa que queria era chegar perto daquele homem que lhe causava medo depois de tudo o que havia lhe feito desde que se casaram, mas tinha que aproveitar enquanto sua fala estava mansa e ele não parecia estar disposto a fazer-lhe mal naquele momento.


Talvez se fosse boazinha, não o contrariasse e se comportasse bem ele a pouparia, não lhe machucaria muito quando estivessem a sós.

Ao menos naquela sala estava segura, certamente ele não a obrigaria a deitar-se no chão e levantaria-lhe a saia na frente do vendedor.

Com passos lentos e prendendo a respiração como se o simples barulho do ar entrando em seus pulmões pudesse irritar Theodor, Ange foi até ele ficando de costas.

O Conde afastou-lhe os cabelos loiros do pescoço sentindo o delicioso aroma de garota inocente que havia neles. O pescoço de Angelique parecia tão fino e frágel, cabia perfeitamente em suas mãos.


Colocou a pesada jóia ali feita para ser usada por uma mulher madura e não para alguém com um físico tão infantil, mas Theodor gostou do resultado final, dando a Angelique um toque de menina com trajes de mulher.

Era assim que ele queria que Angelique parecesse agora.

– A Condessa ficará com elas, quero também alguma coisa em vermelho. Rubis para as orelhas e o pescoço. Prefiro cores mais fortes. — ordenou Theodor e logo o homem abria mais algumas caixas mostrando colares de ouro com rubis cravejados. — Perfeito, ficarei com todos.

Após receber seu pagamento, o vendedor saiu dali com os olhos brilhantes deixando o casal a sós. Theodor sentou-se na imensa cadeira que lembrava um trono.


– Venha, Angelique. Sente-se aqui no meu colo. Está muito bonita com essas jóias novas. — elogiou.

Seu tom de voz agora não era tão benevolente como quando o joalheiro estava presente naquela sala, por isso o coração da garota bateu mais acelerado dentro do peito. Aproximou-se e sentou-se no colo do Conde mantendo os olhos baixos.


Theodor levou a mão até seu queixo erguendo-o forçando a menina a fitar seus olhos frios.

Notou que aqueles azuis inocentes agora não tinham mais o mesmo brilho, permanecendo sem vida, o que provava que ele estava perto de conseguir seu intento: Matar tudo o que Angelique tinha de bom, doce e inocente para depois lapidá-la como desejasse.

Sim, Angelique era uma pedra preciosa que ele havia achado e comprado para si, agora só precisava lapidá-la fazendo com que sua personalidade fosse do jeito que ele desejava além de seu exterior que já considerava perfeito.

– Comprei tecidos novos, está na hora de usar cores mais escuras, prefiro assim. Uma moça virá para fazer seus vestidos, a mesma que foi contratada para fazer seu vestido de noiva. Não está feliz, Angelique? Deve agradecer quando ganha um presente. — insistiu avaliando até que ponto conseguia intimidar a menina, que para sua surpresa demonstrava-se suscetível e mansa.

Sabia que ela agia dessa forma para agradá-lo e era exatamente dessa maneira que queria.

– Obrigada. — agradeceu sem demonstrar qualquer emoção.

– Não é assim que se agradece ao marido, estamos a sós, nada de convenções. Deixemos isso para quando estivermos na frente dos outros. Deve beijar meus lábios quando for agradecer por alguma coisa, Ange. — ordenou o Conde.

Angelique vagarosamente inclinou o corpo na direção do conde até chegar em seus lábios encostando os lábios ali em um beijo, afastando-se em seguida.

Theodor acariciou-lhe a cintura.

– Ainda não está bom, mas vou aceitar que seja assim dessa vez. Tenho alguns afazeres no Castelo, enquanto isso pode aproveitar para conhecer melhor o local, uma vez que aqui é sua nova casa, mas espero vê-la no jantar. — disse o Conde retirando a pequena de seu colo que tratou de afastar-se dali aliviada.


Notas finais
Boa Leitura!