Inocência
38 Mistake
Notas iniciais
Capítulo 37 – Mistake
Pov. Annabeth*
Eu acordei sendo abraçada por trás, suspirei reconhecendo e me aconchegando no abraço dele. Percy beijou meu pescoço desnudo e abaixou a alça fina da camisola para continuar seu percurso. Eu ainda estava preocupada com seu estado, mas seu conforto foi mais forte naquele momento. Ele deixou beijos molhados em meu pescoço e foi para minha orelha. Mordeu e eu me virei. Ele sorria lindamente para mim e eu sorri do mesmo modo.
– Você está melhor? Sua cabeça? – Ele parou de sorrir e me fitou confuso.
– Dor de cabeça? Quando? – Ergui as sobrancelhas e beijei seus lábios.
– Ontem. Viemos cedo por causa de uma dor de cabeça sua.
– Não me lembro de nada. Talvez tenha sido álcool? – Ele perguntou inseguro.
– Você não estava com nenhum pingo de álcool... – Eu respirei fundo. É paranóia, paranóia. Definitivamente isso não é paranóia! Peguei no rosto de Percy e analisei seus olhos. Levantei da cama depressa, e ele me chamou alarmado.
– Annabeth? Annabeth? – Corri para a sala e vi Nico e Thalia sentados na mesa.
– O que foi? Annie, você está bem? – Apontei para Percy.
– Tem alguma coisa acontecendo... Ele não se lembra de nada. – Thalia analisou Percy e ele deu de ombros.
– Talvez tenha sido só...
– O que pode explicar isso Thalia? Ele não bebeu, ou algo do tipo...
– Ele pode ter comido flor de lótus? – Nico sorriu zombeteiro. Rolei os olhos. Sentei-me à mesa.
– Olha, eu posso estar enlouquecendo ou coisa do tipo, mas definitivamente tem alguma coisa aqui... – Percy veio até mim e beijou o alto da minha cabeça.
– Relaxe Annie. Tenho certeza que não foi nada demais. É normal a gente fazer as coisas e se esquecer. Talvez a dor de cabeça tenha sido forte demais e tenha me deixado assim. Não fique preocupada demais. – Eu me silenciei e assenti. O dia foi normal, fui trabalhar e Percy também. Quando chegamos fizemos o almoço e pela parte da tarde Nico e Thalia me levaram para andar de cavalo. Foi realmente incrível sentir aquela sensação de correr em alta velocidade novamente, do galope constante, do vento passando e embaraçando os meus cabelos. Lembrei-me de quando eu não tinha nenhuma preocupação alheia, e quando o máximo que eu sabia era pelo que mamãe me falava. Eu era realmente inocente. Sentia falta daquilo. Voltamos para casa no horário certo que Percy largava o trabalho. Compramos material para fazer Pizza, pois Nico queria que eu fizesse uma caseira e eu aceitei. Chegamos em casa e Percy já estava ali. Acenei para ele, dei um selinho quando cheguei mais perto e coloquei as sacolas na mesa. Fizemos a comida em silêncio, somente Thalia que odiava ficar no silêncio por muito tempo, resolveu colocar alguma música um tempo depois, e eu pude me concentrar em outra coisa não sendo em meus pensamentos caóticos.
...
Thalia e Nico tinham ficado alguns dias e tinha sido suficiente para me dar um pouco de paz. Percy nunca mais tinha sentido dor de cabeça, e eu conclui que aquilo realmente tinha sido uma loucura minha. Eu acho que estava com problemas demais acumulados em minha cabeça. Thalia deu uma de doutora e disse que poderia ser o estresse afetando demais minha mente, ou uma nevoa fazendo um trabalho muito bom. Eu só pude rir das suposições dela. Eu fiquei muito triste que eles não pudessem ficar muito tempo conosco, mas eles diziam que tinham coisas a fazerem e concordamos que eles voltariam em breve.
– Annabeth... Temos que ir. Nico e eu... Bom, estamos planejando algumas coisas. Sei que estamos passando por um momento difícil, vocês precisam de nossa aju... – Eu a interrompi.
– Thalia, pelo amor dos deuses, não empate sua vida por causa da nossa. Sei que você e Nico se amam e que vocês possuem planos. – Nico sorriu para mim.
– Sim.
– Acho que devemos contar para ela. Thalia? – Nico perguntou e eu senti uma ruga se formar em minha expressão.
– Queremos morar juntos. – Ela disse como um foguete. – Queremos nos casar. – Eu arregalei os olhos e ri da cara de Thalia. Ela estava vermelha e parecia realmente envergonhada. Nico se inclinou na minha direção e cochichou:
– E a idéia partiu dela, por isso que ela está dessa cor. – Ele apertou as bochechas dela. Ela lhe deu um tapa. Eu e Nico rimos quando Thalia se zangou em seguida. Andei para frente e a abracei. Ela passou seus braços em volta de mim e ficamos coladas por um segundo.
– Essa foi à melhor idéia que você já teve! Nico é um presente divino, e você realmente deveria agarrá-lo. – Olhei para Nico. – Digo o mesmo para você, mesmo com todos os defeitos de Thalia, ela é uma das pessoas mais especiais que eu conheço.
– Hey, porque você não falou dos defeitos dele também? Por acaso, só eu sou imperfeita aqui? – Os abracei mais uma vez e eles foram embora, cochichando e reclamando; como sempre. Entrei em casa rindo e fui estudar, fazia um tempo que eu não ficava sozinha realmente, e seria bom para colocar em dia as matérias pendentes. Depois de algumas horas eu ouvi a porta da frente se abrir. Levantei-me e corri para a sala. Percy sorriu para mim.
– Hey, como foi o resto do seu dia?
– Muito bom. Thalia e Nico foram que horas?
– Algumas horas atrás. Não muito. – Contei a ele sobre o pedido de Thalia enquanto fazíamos pipoca e escolhíamos um filme para assistir. Sentei no sofá e Percy ao meu lado. Ele passou os braços ao redor de mim e começamos a comer pipoca enquanto assistíamos ao filme, não falamos nenhuma palavra sequer, e não precisava, pois tudo que eu queria e precisava estava bem ali.
...
Sentei-me na areia da praia e observei o sol, ele parecia estar mergulhando na água e estar dando espaço para a lua e para as estrelas. Eu adorava ver isso. Eu adorava essa fase, às vezes via aquilo como se fosse minha vida, de um jeito estranho. Afundei minhas mãos na areia enquanto suspirava e senti alguém tocar em minha pele.
– Annie? – Levantei meu rosto e encarei os olhos verdes de Percy. Surpreendi-me ao ver ele ali. Ele nunca vinha atrás de mim quando eu estava ali.
– Oi. – Me levantei e bati em minha calça para tirar à areia dos dedos. Eu analisei Percy e o vi engolir em seco. Ele estava nervoso. Perguntei-me o que poderia ter acontecido para ele ficar daquele jeito.
– Eu tenho algo importante para te falar! – Anunciou.
– Pode falar... – Disse.
Ele passou as mãos pelos cabelos e olhou para mim, me encarando, como se quisesse ver minha alma, e eu encarei de volta. Um arrepio passou por meu corpo.
– Eu quero terminar com você! – Eu me engasguei com o nada. Eu só podia não estar escutando direito. Era brincadeira? Ri.
– Percy... Você está enlouquecendo? Essa brincadeira não tem graça! – Ri mais um pouco, tentando entender do porque ele estava fazendo aquilo comigo num momento como aquele. Levantei o rosto e sorri para Percy. – Diga que está brincando!? – Falei esperançosa. Isso tinha sido definitivamente um mal entendido.
– Desculpe Annie... – Eu cai com tudo, parecia que meu corpo estava sem forças. Olhei para cima e senti meus olhos começarem a arder. Enterrei meus dedos na areia.
– O que aconteceu? Qual é a explicação? Estávamos felizes... – Saiu fraco. Não tinha sentido nada disso. Eu analisei os olhos verdes e tinha um brilho diferente. Parecia de maldade. Ele se sentou na minha frente.
– Não aconteceu nada. Eu só cansei.
– Cansou? Você está louco? – Ele riu. Eu senti as lágrimas se acumularem. Eu não queria chorar, eu não podia chorar. Mas meu coração já estava quebrado. Isso era um sonho ruim, e eu desesperadamente queria acordar. Uma brincadeira de mau gosto. – Você não pode cansar do nosso amor, de nós! Você disse que era real... Eu vi... você... Você... Ama-me.
– Eu só fiz isso por causa de Tritão! Eu o odeio! Queria que ele sentisse a mesma dor que eu sempre senti quando ele tirava algo da minha vida, algo que me pertencia! Você sempre foi o melhor modo de fazer isso. Queria que doesse... – Ele parou e eu não pude controlar minhas lágrimas. Ele desviou o olhar de mim. – Passei um mês esperando que ele viesse atrás de você, que mostrasse sua dor, mas ele não veio... E eu já cansei de você! Você é irritante! – Eu senti as lágrimas quentes deslizando por meu rosto. Meu nariz começava a escorrer. Era nojento, mas eu não conseguia me controlar, meu corpo estava entrando em convulsão, em uma dor que deixaria marcas, parecia estar criando um buraco grande e profundo dentro de mim. Eu não queria acreditar, mas... Não existia isso, não existia nada.
– Olhe para mim! Repita isso olhando nos meus olhos! – Era minha última esperança. Eu sabia de tudo olhando naqueles olhos verdes. A sua boca podia me trair, mas não os olhos dele. Ele me encarou.
– Eu não te amo! Você foi um utensílio para fazer uma ferida no meu irmão! Você é ingênua demais Annabeth! – Ele pegou em meu rosto. – Foi uma ótima diversão, e uma ótima aprendiz. Mas você me conhece... Eu gosto de experimentar um pouco de tudo... – Ele me soltou e beijou minha face. Eu bati em sua mão. Eu não queria acreditar, mas seus olhos eram frios, sem dor. Aquilo me doeu tanto. Meu coração parecia que tinha sido arrancado e eu não conseguia respirar.
– Percy... Você não pode...
– Eu posso... Desculpe-me. Eu gosto de você, mas não o suficiente para ir com isso para frente. Volte para Tritão. Eu vou embora e nunca mais aparecerei na sua frente de novo. Finja que morri, que não existo, aniquile seus sentimentos, eles nunca serão correspondidos. – Eu bati na areia da praia.
– Eu não vou voltar... Minha vida... Minha vida... – Solucei. Eu senti uma mão em meu ombro e gritei:
– Não me toque... Se tudo não passou de uma mentira, não me toque! – Eu queria que ele me tocasse, que tudo fosse mentira, queria sentir seu conforto, seu toque quente de todos os modos possíveis... Queria amá-lo.
– Tritão irá aceita-la novamente... Só peça. Ele a ama. – Eu senti minha garganta fechar. Não queria falar mais nenhuma palavra. – Vá!
– Saia daqui! – Levantei o rosto novamente. – Você só me usou todo esse tempo! Não deve mais se meter na minha vida! Você é um idiota, estúpido, não é a pessoa que eu amo! – Ele por um segundo arregalou os olhos, mas se compôs de forma extremamente rápida. Então, deu as costas e eu senti minhas forças irem embora.
– Vá Annabeth! Você sabe o que fazer! – Eu fiquei ali, olhando para ele andar decidido para longe de mim. Para longe do que construímos. Para longe de tudo, e me deixando despedaça. Totalmente quebrada. Quando eu pensava que estava inquebrável e que nunca quebraria.
...
Pov. Autora*
Lavínia olhou para o relógio mais uma vez, não agüentava mais esperar. Estava frio e o corpo jogado ao seu lado lhe dava náuseas. Olhou para o corpo quase sem vida e suspirou. Olhou para as feições daquele rosto e sorriu. Ela não sabia quando tinha passado a gostar daquele cara, mas gostava dele, de seu jeito, e em tudo nele, por mais que ele fosse fascinado em outra pessoa. Nada importava. Ela não era ciumenta. E tudo nele mexia com ela. Talvez era por isso que estava indo contra as vontades da mãe e mexendo com o que não devia, contra tudo que era correto. As conseqüências não importavam agora. Somente ele. A porta foi aberta e um corpo se jogou ao lado dela. A respiração estava pesada e seu corpo tremia.
– Como foi? – Lavínia perguntou curiosa.
– Eu o fiz. Ela caiu. Está acabada. – O moreno sorriu. Olhou para as mãos. – O efeito está passando, quase não consegui. – Lavínia o puxou e selou seus lábios rapidamente, se afastou e fez careta.
– Gosto mais daquele corpo ali! – Tritão sorriu.
– Tudo bem. Temos que levá-lo daqui. Logo teremos trocado de corpo e eu o quero bem longe dela. – Sorriu. — Ela finalmente vai ser minha, e nada vai o fazer tirar ela de mim agora.
...
Percy acordou com uma dor na sua cabeça que parecia que podia fazê-la explodir. Ele não conseguiu abrir os olhos. Tentou se lembrar de onde poderia estar, mas não conseguia, a única coisa que se lembrava era de alguém bater em sua cabeça no caminho de casa e depois apagar. Ele não sentiu nenhuma presença, somente aconteceu. Ele se sentia desleixado com o acontecimento, mas não podia mudar sua situação. Ele abriu os olhos, e se mexeu, seu corpo estava amarrado e seus olhos demoraram a assimilar onde ele estava. Mais quando sua visão clareou, ele nunca sentiu tanto medo em sua vida. Ele podia dizer que não estava assustado, mas estava. Seu primeiro pensamento foi em Annabeth. E a primeira palavra que saiu de sua boca seca também foi o nome dela.
– Oh irmãozinho. Até quando acorda só sabe pensar nela não é? – Percy não queria ter ouvido aquela voz, mas assim que Tritão entrou em sua visão, viu que seu pior pesadelo estava acontecendo. Tinha chegado a hora.
– O que você fez?
– Fiz o que devia ter feito há muito tempo! Acabar com você de uma vez por todas por sempre querer as coisas que me pertencem. – Percy somente fechou os olhos e suspirou.
– Ela não te ama. Você pode te-la de volta, mas ela nunca vai te amar. Só EU tenho o amor dela. Annabeth nunca acreditaria em você! Eu nunca disse a ela que não a amo... – Tritão riu e gritou o nome de Lavínia.
– Lavínia... Quer fazer as honras? Já está preparado o que pedi para você? – Lavínia sorriu assentindo quando apareceu. Virou-se para Percy e disse:
– Feitiço simples de Memória, especialmente para você! – Ela murmurou algumas palavras e uma nevoa apareceu na frente do rosto de Percy. – Isso foi há dois dias... – A cena toda da praia apareceu, todas as lágrimas, as palavras. O choro de Annabeth.
– Eu nunca... Nunca disse nada... – Percy gritou. – Annabeth...
– Eu disse! – Tritão disse orgulhoso. – E ela caiu como um patinho. – Riu — Annabeth deve estar vindo para cá agora mesmo depois de passar os últimos dois dias chorando... Eu vou consolá-la muito bem irmãozinho. Pode deixar. – Percy não teve mais vontade de fazer nada. Tritão se aproximou e a única coisa que recebeu foi um cuspe em sua face. Ele limpou e olhou para o irmão. Bateu nele com toda sua força e Percy não soltou um pio. Percy se lembrou de um dia que Annabeth estava lendo na cama e ele pediu que ela lesse para ele com a intenção de dormir mais rápido. Lembrou-se das palavras que ela disse e que ele viu se encaixar nesse momento agora. Ele odiava muito o irmão, mas tinha aprendido muito com Annabeth, e isso o havia feito estar se controlando naquele momento. Ela era como uma salva-vidas em uma vida sempre conturbada. Ele não estava se entregando, só estava esperando a oportunidade aparecer e ele sabia que viria.
"E ali se vê a distinção entre nossos sentimentos: ele estivera no meu lugar e eu no dele; embora eu o odiasse com um rancor que transformou minha vida em bile, jamais teria erguido minha mão contra ele. Você pode estar incrédulo; se lhe apraz! Jamais o teria banido de sua sociedade, o que ela desejava. Cessado o momento de respeitá-la, eu teria arrancado o coração e bebido seu sangue! Mas, até então -- se não acredita em mim, não me conhece --, até então, eu teria morrido pouco a pouco antes de tocar um único fio de seu cabelo! — O morro dos ventos uivantes — Emily Bronte
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