Inocência
39 Give me Love
Notas iniciais
Capítulo 38 – Give me Love
Pov. Autora*
Annabeth passara os dias seguintes em um estado quase vegetativo, ela sentia uma dor excruciante passar por seu corpo, era como se ela não estivesse completa e ela realmente não estava. Um buraco se formava em seu peito e uma ânsia tomava conta dela quando pensava na cena que já tinha se passado tantas vezes na sua cabeça, e de todos os ângulos. Ela já tinha pensando em todas as razões, tanto possíveis e impossíveis que tenham levado Percy a falar tudo àquilo da boca para fora, mas era irreal, um sonho bobo, um conto de fadas. Nos primeiros dias só ficou ali, enrolada em sua cama, sentindo o cheiro dele e só saiu daquele lugar, pois não queria ir para nenhum outro, foi porque Thalia e Nico apareceram ali. Eles ficaram desesperados ao ver a garota loira daquela forma e não acreditaram quando depois de muito sacrifício a garota falou o que tinha o ocorrido. Ela estava fraca até para fazer o esforço de falar miseras palavras. Thalia se sentou ao lado dela e deu-lhe água. Nico estava arrumando a mala de Annabeth. E depois saiu para comprar algo bom para que ela comesse. Thalia pegou a loira em um abraço e pensou de maneira racional.
– Não fique dessa forma. Não agora. Você precisa ser forte mais do que nunca. – Annabeth não conseguia assimilar essas palavras direito. Thalia pensou na raiva que sentiu do primo ao ouvir Annabeth sussurrar o que tinha acontecido, mas parecia tão estranho, tão... Errado. Sentia que algo não estava certo. Então, focou no que era preciso fazer agora, que no caso, era ajudar Annabeth, que parecia uma porcelana, e que ela descuidasse um momento, ela ruiria entre seus dedos, e que não teria concerto.
Nico chegou com alguns sucos e coisinhas leves. Annabeth estava há alguns dias sem se alimentar e estava visivelmente fraca, seu estomago não aceitaria nada forte agora. Thalia estendeu a comida e suspirou quando Annabeth recusou.
– Você não vai morrer de fome, muito menos por causa do meu primo... Coma agora, ou terei que enfiar goela abaixo da pior forma. – Annabeth pegou a comida da mão de Thalia e começou a comer. Sabia que a amiga estava com razão e faria aquilo por ela, mas por ela mesma, morreria de fome.
– Annabeth será que não percebe como está sendo irracional? Você deveria ter nos chamado! Se não viéssemos dois dias depois do acontecido, o que poderia acontecer com você? Como te encontraríamos?
– Eu não morri, pois passei boa parte do tempo dormindo... Quando acordava chorava de novo até morrer de exaustão e dormia de novo...
– Não faz diferença! – Nico falou sério. Uma posição que ele nunca tomava quase, então Annabeth se assustou com seu tom. Olhou para Thalia, mas a morena só concordou com a cabeça.
– Sua mala está arrumada, compramos diversos suprimentos para a viagem e embarcaremos agora mesmo em um ônibus para irmos para casa. – Annabeth não perguntou os motivos de não irem pelas sombras e não questionou nada, apenas acenou em concordância e acabou de comer. Thalia mexeu em seus cabelos carinhosamente e disse:
– Você irá morar conosco... E não importa o que possa acontecer ninguém irá tocá-la antes que passe por mim ou por Nico. Entendeu?
– Protegeremos você Annabeth. – Nico concordou com a sua namorada. Annabeth não demorou muito a adormecer. Thalia a deixou confortavelmente na cama e foi com o namorado para a o outro cômodo. Eles se se sentaram à mesa e Thalia expôs seus pensamentos para o namorado. Nico concordou e pensou no que tinha dado errado. A última vez que falara e conversara com Percy era visível até sem palavras o quanto ele amava a loira do cômodo ao lado. Se você observasse o moreno de olhos verdes por alguns minutos, perceberia como os olhos dele sem intenção sempre corriam para a loira se estivesse no mesmo cômodo, e se ela não estivesse não demoraria até que o nome dela saísse de seus lábios. Então, o moreno agora olhando para sua namorada, não conseguia encontrar razões cabíveis para todas as palavras duras que o primo tinha utilizado. Aonde havia ido para tanto amor? Nenhum tipo de sentimento como aquele se extinguia como fumaça. Nenhum.
– Eu não sei o que poderia ter acontecido.
– Algo está errado! – Thalia disse estendendo as mãos para Nico. Ele as pegou e apertou. Sabia como a morena estava preocupada com aquela situação.
– Vamos procurar por ele e investigar. Tudo bem? – Thalia se levantou e meneou com a cabeça enquanto se sentava no colo do namorado. Ele pegou na nuca e ela se inclinou na direção dele, começando um beijo lento e descompassado, seguindo um ritmo estranho e que combinava com o que eles passavam e refletiam o que sentiam. Eles se separaram entre selinhos curtos e Nico passou para o pescoço da namorada, fazendo questão de morder e deixar marcas roxas. Thalia só sorria enquanto gemia fraco por causa das caricias que recebia. Thalia odiava ter que esconder as marcas depois, mas gostava do jeito possessivo que o namorado a tratava quando estavam entre quatro paredes. Ele era um louco. Entre as pessoas com que convivia ele era quase um anjo e nenhum pouco ciumento, mas adorava marcar seu território e fazer Thalia repetir que ela era dele. E Thalia adorava fazê-lo.
– Acho que devemos ir para casa. – Thalia se afastou contra seu gosto. Nico fez bico e mordeu o lábio da namorada. Ela levantou e eles se ajeitaram. Nico pegou Annabeth nos braços e Thalia fechou a casa. Pegou tudo que era necessário e começaram a ir para a rodoviária. No meio do caminho Annabeth acordou.
– Eu estou bem. Pode me soltar Nico... – Annabeth sorriu. Ele concordou e a deixou no chão. Thalia passou os braços ao redor da loira e lhe deu apoio.
– Eu queria saber por que vamos de ônibus?
– Queríamos te dar um tempo para pensar. Não estamos voltando para um lugar qualquer, estamos voltando para perto de Poseidon, de Tritão, da sua avó... – Thalia argumentou. – E seria cansativo para Nico além do mais. É extremamente longe da Califórnia para Nova York e mesmo que ele já tenha poder para isso fazendo paradas, nós queremos estar preparados para tudo quando chegarmos. Não sabemos o que pode acontecer. – Annabeth viu como eles estavam com razão e concordou.
– Se no caso você quiser, podemos chamar Sra. O'Leary, um cão infernal. – Annabeth negou e eles caminharam o resto do caminho em silêncio até a estação. Compraram as passagens assim que chegaram e esperaram pelo ônibus. Annabeth foi obrigada a comer novamente e ela pensou no que faria agora. Pensou em seu pai e sua mãe e a primeira coisa que veio a sua mente foi que iria morar com eles, e decidiu que seria a melhor coisa a fazer. Conversaria com Poseidon e lhe pediria desculpas pelo ato que tinha ocorrido. Thalia e Nico lhe ajudariam e quem sabe ela não poderia ir para casa e esquecer tudo isso. Poseidon não era mal e Annabeth sabia que ele podia perdoar. Sua avó seria bem diferente, mas não se importava muito com a opinião dela no momento. O ônibus chegou e os três embarcaram. Passaram-se horas e cada um estava em silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos. Annabeth só via uma imagem a sua frente, e era o do olhar carinhoso que o moreno lhe lançava todos os dias quando ela acordava nos braços dele. Essa era a imagem mais verdadeira da vida dela, e ela se negava a colocar que aquilo na sua cabeça era tudo uma completa mentira.
...
Percy não conseguia dormir. Os sonhos vieram-lhe com uma freqüência que ele não sabia se sentia feliz em te-los, ou odiava por saber de possíveis e futuros acontecimentos. O lugar onde estava era frio, sujo e não tinha luz do sol. Seu irmão – por quem ele odiava ainda pensar dessa maneira – aparecia, ele lhe trazia comida o suficiente para não morrer de fome, e lhe dava um pouco de água, mas só, o resto do dia ele ficava se corroendo enquanto pensava onde Annabeth estaria, o que estaria fazendo... Seus pensamentos só eram focados nela. O sorriso doce, a voz melódica, os ataques de irritação, as brincadeiras, as noites. Parecia um passado distante e Percy odiava isso. Ele não poderia ter perdido toda aquela felicidade assim, e aquela sensação lhe matava aos poucos. Ele ouviu uma porta se abrir e ele abriu os olhos, tentou se ajustar com a claridade que entrava pelo quarto e viu a silhueta de Lavínia entrando.
– Cadê Tritão? – Ele falou rouco pela falta de água e por não ter falado recentemente. Lavínia se curvou na frente dele e lhe estendeu um copo de água. Percy bebeu tudo, não deixando um mínimo pingo cair.
– Ele saiu. Precisava resolver algumas coisas. – Lavínia ergueu um lado da boca. – Todo mundo está procurando por você... A loirinha chegou à antiga casa de vocês. – Percy sentiu seu corpo se arrepiar ao a ouvir falar loirinha. Ele sabia que ela só poderia se referir a Annabeth.
– Ela chegou?
– Sim. E está desolada. Parecendo uma morta-viva. Pelo jeito... Ela te ama mesmo... Pena que você quebrou o coração da pobre moça. – Percy não respondeu ao comentário. Sabia que Lavínia tinha dito para provocar, e ele não iria cair. Tentou ao máximo deixar um lado dele mesmo de lado. Não queria ser provocado, não queria demonstrar fraqueza. Queria morrer aos poucos, mas dentro dele mesmo.
– Você não vai falar nada? Nem que a ama? Ou gritar por clemência?
– Você não merece ouvir nada de mim e não te daria esse gostinho... – Ele sussurrou ameaçadoramente que até Lavínia se encolheu, mas rapidamente, pois logo se recuperou. Ela saiu do quarto e pegou um prato de comida e começou a alimentá-lo.
– Há quantos dias estou aqui?
– Quatro. – Lavínia se sentou na frente de Percy e eles se encararam. Percy sorriu estranhamente, quase não tinha forças para fazer isso. – Porque você está fazendo isso? Tem algo contra mim? Annabeth? Pensei em diversas coisas e quase nada me vem à cabeça. Se sua mãe soubesse o que está fazendo você seria rapidamente... Assim como qualquer deus do Olimpo. – Lavínia deixou seus olhos passarem pela sala escura e não demonstrou qualquer tipo de emoção. Ela se levantou depois de resmungar alguma coisa sem nexo sobre Tritão deixar sempre a pior parte para ela e Percy deu sua última cartada.
– Você está apaixonada por ele! – Lavínia parou no mesmo instante, um ato inconsciente. Xingou e se amaldiçoou antes de sair pelo quarto e bater a porta com força. Percy sorriu como se aquilo tudo respondesse. E realmente respondia.
Nunca conseguiria nada com o irmão, mas com Lavínia seria mais fácil obter uma chance de manipulá-la, principalmente depois de concluir aquilo. Ela era a melhor chance que Percy tinha de fugir dali e ele iria usar.
...
Thalia analisou Annabeth enquanto elas chegavam em casa. O rosto dela estava mais corado e ela vinha comendo regularmente nesses dois últimos dias, mas nada mudava seu humor, ela estava acabada, suas olheiras estavam fundas por causa do choro e somente agora, com o sol tocando em sua face ela pareceu um pouco melhor. Nico guiou as duas para dentro da casa recentemente comprada. Nico e Thalia tinham feito o máximo para a casa parecer agradável, com a ajuda de Sally eles tinham obtido isso com maestria. Sally sempre alegrava lugares somente com sua presença. Annabeth tinha se sentia aliviada ao saber que não voltariam para aquela casa. E mesmo que não estivesse e soubesse que não estaria livre do resto, só de não ver aquele lugar, só de não sentir que as lembranças viriam com uma força enorme e de um jeito mais vivo era simplesmente um alivio.
– Entra! Acho que você vai gostar da nossa casa... Sally disse que logo estaria aqui... – Annabeth pensou em ver a mãe de Percy e mesmo sabendo que iria doer, assentiu, queria o consolo daquela mulher que já parecia quase como uma mãe para ela, mesmo que agora fosse diferente. Annabeth entrou na casa e analisou cada canto. A sala era toda branca e cinza. Um sofá grande com diversas almofadas ficava a esquerda. A televisão era enorme e ao lado dela tinha o home theater, junto com uma pilha enorme de CDs de Thalia. Annabeth olhou para os quadros penhorados na parede e viu as cortinas se movimentarem com o vento.
– A casa é linda pessoal!
– Mal espero que você veja a cozinha Annie, pensei em você enquanto decorávamos! – Nico disse tentando alegrar a loira. Puxou ela e disse: — Tenho certeza que você irá me salvar de Thalia! – Annabeth sorriu e agradeceu ao loiro por fazê-la se sentir um pouco melhor.
Sally chegou minutos depois com diversas sacolas, contendo Pizza, salgadinhos e sucos. Ela abraçou Annabeth e não falou nada. Ela sabia que não precisava.
– Vai ficar tudo bem? Okay? Thalia, Nico e eu falaremos e faremos o que for preciso para que você não se preocupe com Poseidon, Tritão e Athena. – Annabeth apertou a mão da mulher e agradeceu.
– Acho que irei fazer alguma coisa... Nico me pediu... – Annabeth ergueu os cantos da boca. Sally gesticulou.
– Não! Eu faço! Vá tomar um banho e depois venha comer... Sei que você deve estar cansada. – Annabeth não negou e fez o que lhe foi pedido. Ela tomou um banho demorado e vestiu uma roupa confortável. Sua cabeça estava vazia e se não tivesse ninguém ali, ela já teria se trancado no quarto e ido para debaixo dos lençóis. Ela saiu do quarto e foi para a sala e como um timing perfeito a campainha foi tocada. Annabeth paralisou, sabia que todos estavam na cozinha. Nico apareceu como um relâmpago, ou vindo das sombras, ele acenou para que ela fosse para a cozinha, e assim ela fez. Nico sabia quem era antes mesmo de abrir a porta, sua mão estava na sua espada e nada impediria um briga agora. Olhou para o homem parado em frente a sua casa e nem teve tempo de falar antes do moreno perguntar:
– Onde ela está?
– Ela não quer ver ninguém, muito menos você... – Nico foi interrompido.
– Eu não saio daqui sem vê-la! Ela me deixou sem nenhuma explicação, se ele a deixou é problema dele... A culpa é toda dele. Eu sempre soube que ele faria isso! Annabeth! Annabeth! – Os gritos de Tritão foram ouvidos por Annabeth e Thalia foi rapidamente ajudar o namorado.
– Saia daqui! Agora! Ela não quer falar com você, entendeu? Não quer!
– Eu não saio daqui se ela não vier me ver... Annabeth, por favor, meu amor... Eu te perdôo por ter me deixado, te perdôo por ter me magoado, eu só quero vê-la bem... – Annabeth cerrou os punhos e balançou a cabeça. Sally que analisava Annabeth viu a mesma levantar e ir em direção a sala. – Quero ter uma família com você, ter amar e te dar o que ele não foi capaz. Só eu a amo verdadeiramente e te amarei sempre...
– Annabeth o que você está fazendo? – Sally perguntou enquanto a seguia. Annabeth parou de frente para Tritão e ele se interrompeu. Seus olhos se acenderam de alegria. Thalia ficou na frente da loira e Tritão deu um passo para frente, querendo tocar em Annabeth.
– O que está fazendo aqui Annie? Pelo amor dos deuses...
– Eu quero falar com ele... Quero resolver essa situação. Agora. – Annabeth disse e Thalia semicerrou os olhos. – Então, deixe-me... Entendeu? – O sorriso de Tritão era largo enquanto via Annabeth vir em sua direção. Ela passou por ele e ele a seguiu com o olhar.
– Vai ficar parado aí? – Ouviu a loira falar alto. Ele sorriu para Nico e Thalia vitorioso e piscou para Sally em deboche. Para ele a vitória já estava próxima.
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