Inocência
23 Missão
Notas iniciais
Capítulo 22 — Missão
Pov. Autora*
Percy não conseguiu dormir naquela noite. Ele passou o resto do dia pensando naquele momento com Annabeth, aquela tinha sido no mínimo uma experiência diferente para o mesmo, nada tinha sido como ele tinha imaginado. Alguma coisa o puxou para ela de forma tão intensa e poderosa que ele sentiu medo daquele sentimento que se apoderou dele, ele teve vontade de ter ela e insistiu com isso até consegui — lá, e ele conseguiu. Na verdade, Annabeth agora fazia parte de seu mundo de um modo estranho, ele pensava nela a todo tempo, queria ter ela ao lado dele a todo o momento, era como se somente ela o entendesse. E ser o primeiro dela, tinha sido maravilhoso, os olhos dela naquele momento deles ao descobrir uma coisa nova, tinha sido bom. Ele estava ali, não o irmão. Percy se perguntava se essa atração não era realmente pelo motivo que Annabeth já o acusara ter. Será que era só porque ela era do seu irmão, ou algo que antes era inalcançável? Mas quando ele pensou nisso depois do acontecido, ele não teve nenhuma intenção de se afastar permanentemente dela, ao contrário, pensou ainda mais nela. Pensou tanto que estava se achando quase louco. Nunca mais tinha ido para uma festa, seu castigo já estava acabando, mas ele não ligava mais. Ficar ali era bom.
Percy rolou na sua cama e suspirou. Ele ouviu um movimento na cama ao lado, mas antes de olhar ouviu Nico falar:
– O que foi cara? — Ele se virou olhando para o amigo. Ele estava do mesmo modo, parecia que ainda não tinha dormido nada, e também parecia pensativo.
– Não foi nada. – Resmungou. Nico arqueou uma sobrancelha.
– Sei que você não gosta muito de falar comigo, mas sou seu melhor amigo Percy e eu te conheço. — Percy sabia que era verdade, só que não queria falar o que tinha acontecido com Annabeth e ele para o amigo. Então resolveu ir pelas beiradas.
– É que eu estava pensando em Annabeth. — Admitiu.
– E o que estava pensando? — Nico perguntou interessado.
– Que desde que ela veio para cá, eu me sinto um pouco diferente. É como se ela tivesse virado a nossa razão de o mundo estar girando, o que eu acho estranho. Sei que estamos todos tecnicamente presos aqui e somente amanhã poderemos mesmo sair, mas é complicado.
– Annabeth é mesmo contagiante, alegre, bonita, carinhosa... — Percy arqueou uma sobrancelha pro amigo. — Eu sou estou falando a verdade, por acaso é mentira? — Percy negou jogando a cabeça contra o travesseiro e olhando para a parede.
– Esqueci de meus objetivos com ela aqui.
– Eu no inicio achei que você estava a usando, e ainda achava até uns segundos atrás, mas acho que me enganei. — Percy olhou para o amigo e disse friamente:
– Eu odeio meu irmãozinho, mas nunca usaria Annabeth para fazer o que eu quero fazer.
– Eu até hoje não entendo esse ódio crescente que você tem do seu irmão. Sei o quanto que foi difícil para você, mas nada justifica sua vingança Percy.
– Você não sabe da metade das coisas que ele fez contra mim. — Percy suspirou pensando em seu passado e no que tinha acontecido por causa de Tritão, ele nunca contara aquelas coisas para nenhuma pessoa, somente ele e sua mãe sabiam. Sua mãe não queria mais saber daqueles acontecimentos, mas Percy não esquecia e nunca iria esquecer.
– Você nunca me contou e pelo jeito não irá me contar não é? — Nico perguntou, Percy negou.
– Eu sabia. Percy eu juro que não te entendo, mas creio que exista uma boa razão! Por isso, tudo bem. Só não quero que use a Annabeth para fazer nada do que planeja. E cuidado com o futuro, ele pode acabar machucando vocês dois, e eu não quero isso para nenhum. Já que são pessoas que eu estimo muito. — Percy sorriu para o amigo, um sorriso verdadeiro, nenhum pingo de deboche em seus lábios. Nico viu e disse:
– Eu bati em Luke! — Percy pulou da cama e quase gritou:
– Como assim? — Nico repassou os detalhes da sua briga com Luke. Briga que não houve ele ressaltou, já que ele nem deixou o Castellan chegar perto dele. Percy caiu na risada e trocou um aperto de mão com Nico.
– Não acredito até agora. Como eu queria ter estado nesse momento. Luke teve o que mereceu.
– Eu acho que ele merece ainda muito mais por ter feito a Thalia de idiota! — Percy se sentou e olhou para o amigo que estava com os punhos fechados.
– Hey caveirinha! Você já contou o que sente pela minha prima? — Nico negou.
– Sinceramente cara, o que você está esperando?
– Eu não sei! — Nico confidenciou parecendo um pouco exasperado. Ele queria a morena, queria cuidar dela, dizer que ela era sua. Só que tudo nele travava quando ele estava prestes a se declarar, e da última vez que iria falar o Castellan apareceu e estragou tudo.
– Tem medo de levar um fora?
– Não! É só que é... A Thalia! — Percy sorriu entendendo o amigo. Eles já tinham passado tempo demais juntos, se conheciam muito bem e Percy sabia como era o temperamento da filha de Zeus, sabia que ela era esquentada, valentona e irônica, mas sabia que no final de toda aquela pose, existia uma garota frágil, aquela mesma que quase se acabou quando Luke a fez de boba.
– Eu acho que você deveria aproveitar que amanhã estaremos fora desse lugar e falar com ela. Se quiser eu te ajudo, faço com que Annabeth não os atrapalhe. — Nico sorriu e assentiu agradecendo.
– Obrigada cara, mas não se preocupe, eu vou falar. Vou saber o momento certo! O pior que pode acontecer é...
– Ela vai te matar! — Percy riu e Nico acompanhou.
– Acho que é bom nos irmos dormir! Amanhã terá nossa missão e nos não saberemos quando teremos uma cama como a nossa para dormir novamente, ainda mais tranquilamente, não é? — Eles concordaram e depois de alguns minutos acordados, acabaram caindo no sono.
...
Annabeth acordou cedo naquela manhã. Ela tomou um banho gelado e se sentou por um segundo no chão do seu banheiro enquanto sentia a água gelada escorrer por entre seus cabelos e seu corpo. Pensou automaticamente em Percy. Ela se sentia perdida, sem saber onde se segurar em uma situação daquela. Pensou no dia anterior, quando ela teve sua primeira vez e suspirou. Percy tinha dado e compartilhado algo com ela que ela simplesmente sabia que nunca esqueceria. Mas todas as decisões que implicavam seu futuro davam medo nela. Seus sentimentos davam medo nela. Ela nunca pensou que passaria a gostar de alguém, que queria bem a ela, mas que não a corresponderia. Ela nunca pensou que isso aconteceria isso com ela, e agora tudo estava acontecendo. Ela se enrolou em uma toalha e se arrumou rapidamente, colocou tudo que Thalia disse que ela precisaria na missão em uma bolsa e foi para a cozinha preparar o café da manhã. Fez um bem reforçado e se preparou. Tritão não apareceu ontem e ela sabia que hoje ele apareceria. Ela se sentou-se à mesa da cozinha e pegou uma xícara de café. A campainha tocou e ela correu para atender. Abriu já sabendo quem era, não que ela estivesse ansiosa para vê-ló, mas ela se sentia culpada, ela tinha o traído. Annabeth sorriu quando viu o moreno e ele amostrou seu sorriso radiante para ela, acolhedor.
– Vim ver você antes que vá! — Ele disse dando um selinho na loira e a puxando para dentro de casa. — Eu sinceramente não acho certo que você vá para essa missão, mas já que meu pai disse que você deveria ir, eu não posso ir contra. — Annabeth se sentiu aliviada, ela queria muito ir em uma missão de verdade, mesmo que tivesse um pouco receosa em não ser útil em nada. Queria saber como era adrenalina que Thalia já falara para ela algumas vezes, e que Percy quando se encontram e a levava para o palácio de Poseidon descreveu uma vez. É como andar de cavalo, a adrenalina correndo em suas veias. Annabeth se lembrou das palavras. Sorriu com a lembrança naquele instante.
Tritão se sentou junto com Annabeth e a mesma colocou uma xícara de café para ele. Ele agradeceu e tomou um gole.
– Annabeth... — Annabeth se virou surpresa quando ouviu a voz de Percy. A voz foi morrendo assim que o moreno viu o irmão ali. Annabeth se sentiu intimidada por um segundo, mas logo Thalia e Nico apareceram então àquela tensão se dissipou um pouco. Ela se levantou e disse:
– Tem café para vocês! Eu fiz bem reforçado. E vamos logo... Que estamos atrasados seus dorminhocos! — Nico riu chegando perto da loira e beijando sua bochecha. Pegou um pão da mesa e disse:
– Obrigada Annabeth. — Thalia sorriu para a amiga e a fez a mesma coisa que Nico. Percy continuou parado e Annabeth teve que tocar nele, para ele ter alguma reação.
– Não quer café? — Percy não tirou os olhos de Tritão enquanto respondia.
– Eu já venho! Só queria saber se você viu onde estava uma blusa minha. Thalia disse que você lavou nossa roupa da última vez?
– Se for à branca, está em cima da maquina de lavar. Eu a dobrei e a deixei ali. -Percy olhou para Annabeth e sorriu.
– Obrigada Annie! — Sorriu cinicamente para seu irmão e saiu da cozinha. Nico sorriu para Thalia e falou:
– Ele acordou de bom humor. — Thalia acenou. Tritão não comentou nada, somente tomou mais um gole de seu café e Annabeth foi para seu lado. Quando ele acabou foi na mesma hora que Percy chegou para tomar seu café.
– Annabeth e eu ficaremos lá fora esperando vocês. — Tritão disse e Percy falou enquanto se sentava:
– Porque você não vai logo embora? Não tem nada de importante que você precise fazer?
– O importante agora é minha namorada! — Ele disse sorrindo passando a mão pela cintura de Annabeth.
– Papai não vai gostar nada de saber que o principezinho dele anda se descuidando de suas tarefas. — Percy retribuiu o afeto.
– Chega pessoal! Não quero ouvir nada pela manhã! — Thalia gritou fazendo os dois pararem. Annabeth olhou agradecida para amiga e logo tirou Tritão dali.
– Você não dá uma trégua Percy!
– Ah, deixe-me em paz Thalia! — E ela o deixou mesmo, mas porque não estava a fim de brigar logo pela manhã cedo.
...
Quando eles todos já estavam preparados para irem embora. Poseidon apareceu juntamente com Athena. A loira sorriu para a neta e essa a abraçou.
– Annabeth! Como você está?
– Eu estou bem vó! — Athena ainda o fato de ser chamado de avó estranho, mas gostava de ser chamada assim por Annabeth. Ela era uma cópia sua e isso a dava muito orgulho. Poseidon sorriu para a loira.
– Só viemos nos despedir e dizer que temos poucos dias para que essa missão obtenha sucesso. Perséfone está por um fio e seu pai, Nico, não sabe mais o que fazer. Ele está com esperança de que o mal-feitor, tenha a solução para o mal causado. — Todos suspiraram pensativos.
– Tudo bem! Devemos ir, não podemos mais perder tempo. — Nico disse e os deuses presentes assentiram.
Tritão virou Annabeth e disse pegando em seus cachos:
– Se cuide tudo bem? Eu confio em você! — Annabeth assentiu. Ela ia somente abraça-ló, mas Tritão queria mais, então atacou a boca dela ali mesmo, passou os braços possessivamente sobre o corpo da loira e a apertou contra ele. Percy olhava a cena e Athena que estava ao seu lado, se segurou. Olhou para o moreno que estava ao seu lado.
– Afrodite está brincando com vocês. — Dito isso, saiu. Percy que escutou só fez concluir suas suspeitas. A deusa do amor adorava brincar, mas ela não tinha o poder de influenciar nada mais que uma atração, amor era forte demais, para nascer do nada. E Percy sabia que aquilo que ele sentia por Annabeth, era somente pelo modo como ela a compreendia, se algo o mudasse estaria perdido, ele não podia. E não era por causa do seu irmão, era por causa dele mesmo e de Annabeth. Tritão afastou Annabeth e sorriu.
– Tudo bem, vá! — Annabeth ajeitou a mochila nas costas e deu um tchau caminhando até Nico. Que já tinha levado Percy e Thalia. Só faltava ela. Ela sentiu um enjôo tomar conta dela quando ela fechou os olhos e apertou ainda mais a mão de Nico. Quando Nico pegou em seu braço, ela soube que tinha acabado. Abriu os olhos e viu Percy e Thalia encostados na parede do beco, olhando para ela.
– Está certo! Vamos começar, já está mesmo na hora de resolvermos esse mistério! — Nico disse e Annabeth o seguiu concordando.
– New Jersey, aí vamos nós!
...
Nico e Thalia compraram passagens e sentaram em uns banquinhos que tinham ali na estação. Percy estava ao lado de Annabeth e os quatro olharam para o nada por alguns segundos.
– Estou nervosa! — Annabeth admitiu quebrando o silêncio. Thalia foi para o lado dela e segurou sua mão.
– Não se preocupe, estamos aqui. E nós vamos aproveitar para te dar aulas somente de esgrima nesse tempo que estivermos em missão. — Annabeth assentiu.
– Acho que é porque nunca sai de casa e da nossa casa para outros lugares assim. Para explorar. — Annabeth disse mordendo sua unha. Ela realmente estava nervosa, Percy e Nico observaram.
– Eu acho que você vai gostar, afinal de contas, não é isso que você quer? Descobrir o mundo? — Annabeth assentiu. — Essa é sua chance, Annabeth. E não se preocupe você vai adorar. — Os meninos sorriram e eles viram o ônibus chegar. Eles subiram rapidamente e Annabeth se sentou em uma cadeira perto da janela. Percy se jogou ao lado dela e disse:
– Acho que poderemos repassar algumas lições já que ficaremos um tempinho juntos! — Ele sorriu para ela, e a única reação que Annabeth teve foi corar imediatamente. Oh, meu Deus, ela estava enlouquecendo. Se ela não fosse internada até o fim dessa missão ela sinceramente acharia que só poderia estar morta. Essa missão iria mesmo ser interessante, e a qual resultaria em muitas descobertas.
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