Inocência
24 Estúpida Razão
Notas iniciais
Capítulo 23 — Estúpida razão
Pov. Autora*
Nico sorriu quando sentou ao lado de Thalia, ele estava temeroso. Estava com tantas dúvidas na cabeça, falar ou não falar? Esse era o momento certo ou não? O medo da resposta o corroia, mas ele já tinha aceitado que a dor de não falar nada era pior, então tentou encarar isso da melhor forma que podia. Olhou para frente sem saber o que falar e disse olhando para Annabeth e Percy, que agora pareciam ter engajado em uma conversa.
– Eles têm alguma coisa, não é? — Ele disse se curvando em direção a Thalia. A morena que estava distraída olhando a janela, analisou o garoto moreno e olhou para os amigos em seguida. Ela voltou-se novamente para o garoto e disse:
– Sim, e eu tenho medo disso. Sabe, nunca fui temerosa com amizades, nunca me importei, mas quando Annabeth entrou em minha vida passou a importar. — Nico sabia que era aquele efeito que a garota loira também causava na vida dele, e então logo concordou com a morena.
– Eu sei. Tudo mudou, não é? — Thalia olhou para ele curiosa, ele falou suspirando e isso não era muito normal que ele fizesse quando eles estavam sozinhos, na verdade, ela percebeu que quase nunca ficavam sozinhos e quando ficavam não falavam quase nada. Thalia abriu a boca para falar algo, mas logo a fechou rapidamente. Nico pegou na mão da morena a chamando atenção. Thalia olhou assustada para Nico.
– O que aconteceu? Você está bem? — Nico parecia aflito, e ele se sentia mesmo assim, com vontade de despejar todas as palavras em cima de Thalia, falar de seus sentimentos.
– Não. Nada está bem. — Ele disse se inclinando ao ouvido de Thalia, ela se assustou com o ato, mas esperou. — Desde aquele dia na cafeteria eu queria te falar algo, mas como sempre tudo dá errado na nossa vida, eu não consegui, mas agora nada vai me impedir. — Ele respirou fundo fazendo Thalia se arrepiar por causa da respiração em seu ouvido e disse: — Eu estou apaixonado por você, Thalia. Não consigo parar de pensar em você, a todo instante é só você que... — Nico parou tentando achar as palavras certas. Olhou para a morena a sua frente e viu que ela lhe olhava vidrada. — Eu sempre fui um idiota por não ter falado isso mais cedo, mas eu estava com medo de estragar isso que temos, que você não correspondesse da mesma forma, ou que ainda gostasse de Luke...
– Eu não gosto do Luke, você deveria saber disso. — Thalia falou baixo. Nico engoliu em seco.
– Mas não gosta de mim desse jeito também não é? — Thalia sorriu e pegou no rosto do moreno o puxando para ela.
– Cala a boca, Nico. Você já disse o suficiente! — E dito isso colou os lábios dela nos dele com urgência. Thalia parecia que poderia soltar fogos de artifício a qualquer momento, se sentiu tão bem com os lábios de Nico colados ao dela. Nico segurou à morena e passou a mão por entre os cabelos dela enquanto aprofundava o beijo. Sentiu-se aliviado assim que a morena o puxou par a ela e extasiado quando ela o beijou. Todo seu corpo estremeceu e poderiam até sido derretidos se fossem de manteiga. Era mil vezes melhor do que um dia ele já imaginara. Saber que Thalia poderia corresponder seus sentimentos era bom. Eles se separaram depois que o ar faltou e Nico acariciou o rosto de Thalia.
– Então...
– Sim, bobo. Eu gosto de você também! — Ele riu e roubou um selinho dos lábios de Thalia novamente. Ela se separou dele e levantou o pequeno apoio que os separava ali. Ele passou os braços ao redor da morena e ela se deitou em seu peito.
– Quais eram suas hipóteses com relação a minhas reações? — Nico riu no ouvido dela.
– Não sei se você vai querer escutar!
– Claro que quero escutar, será com certeza boas idéias para serem usadas em um futuro próximo.
– A primeira era você me dar um tapa!
– E porque não um soco?
– Você seria tão rude a esse ponto? — Nico fez careta, mas sim, ele sabia que era realmente mais possível um soco do que um tapa.
– É claro que eu seria. Agora fale as outras... — Thalia disse interessada e Nico riu começando a falar para ela. A cada revelação a morena ria ainda mais, se divertindo com a imaginação do filho de Hades, mas ela logo parou.
– O que nós seremos? Ficantes? — Thalia perguntou rapidamente. Nico negou, queria que Thalia fosse sua namorada, nunca tinha tido uma, mas já sabia o suficiente sobre seus sentimentos e da morena para saber que ele queria aquilo dela.
– Quer ser minha namorada? — Thalia sorriu puxando o moreno e antes de encostarem os lábios disse:
– É claro que sim, fantasminha.
...
Athena entrou na sala dos tronos e viu que não havia ninguém ali. Suspirou sentando-se em seu trono. Colocou a mão em sua cabeça e por um segundo pensou na dor de cabeça em que havia conseguido. Afrodite era a única que conseguia mexer com seus nervos daquele modo. Ela tinha visto tudo o que tinha acontecido com sua neta e tinha entrado no dia anterior no templo de Afrodite e tinha quebrado quase metade somente de raiva, foi uma atitude irracional, ela admitira a si mesma, mas assim que Afrodite chegara ficara pior.
– Athena minha querida... O que está acontecendo? Você parece tensa! Eu estava fazendo um tratamento para a pele, você não quer experimentar também? — Athena foi até Afrodite e sibilou:
– Eu disse que não queria minha neta com aqueles idiotas, nenhum dos filhos de Poseidon! Ela vai se machucar, e mesmo que você tenha me chantageado não vai adiantar de nada, pois eu não me importo mais...
– Então, creio que não irá se importar se eu for falar agora com Zeus, ele irá adorar saber o que aconteceu entre sua filha mais brilhante e donzela... — Afrodite deu um risinho. — Com seu irmão. — Athena grunhiu de raiva.
– Isso é capaz de desencadear uma guerra Afrodite! — Afrodite sorriu se sentando.
– Então pense racionalmente Athena. Você quer uma guerra entre os deuses agora? Ou quer que sua neta tenha seu próprio rumo, faça suas próprias escolhas? Você acha que eu faço tudo com relação ao amor, mas você está enganada! — Afrodite andou até Athena que suspirava tentando se controlar e disse:
– Eu sei que não fui generosa com você com minha chantagem, mas acredite isso não é uma coisa com qual você deva se meter. Annabeth tem que tomar suas decisões sozinhas. E tudo isso depende dela e do coração dela, não de mim, nem de você, somente dela.
– E Poseidon? Você definitivamente teve algo a ver com isso! — Athena disse e Afrodite sorriu.
– Tem certeza? Já escutou seu coração uma vez na vida, e não sua estúpida razão? — Athena saiu em disparada pela porta e Afrodite riu quando ouviu a deusa da sabedoria gritar:
– Escutar o coração é para os tolos, a razão sempre vence. O amor machuca.
– Aí é que está minha querida Athena, todos somos tolos. — Afrodite falou somente para ela. — E o amor realmente machuca, mas é a única coisa que nos deixa vivos.
...
Annabeth se mexeu desconfortável ao lado de Percy. Era para ela se sentir assim? Tão desconcertada depois do acontecido? Ela se sentia uma tola por ainda pensar que estava ruborizando na frente de Percy. Ela queria ter ele ao seu lado agora, eram companheiros? Não! Eram namorados? Nunca seriam... Era somente algo que não era para ter acontecido, um erro. Annabeth se sentia mal de pensar isso, mas era a verdade.
– Percy... — Annabeth começou. Percy a interrompeu.
– Eu já sei o que você vai dizer e pode ir parando por aí... Tritão não merece isso, não merece você. — Annabeth se irritou.
– E você merece? Merece-me? Fui uma idiota por ter cedido aos meus desejos e seus desejos, mas Percy como pode dizer isso quando você é completamente o contrário do seu irmão? Como posso ter certeza de que ele não merece isso se você não fala nada o porquê que ele não merece? Pois sinceramente em minha percepção seu irmão é perfeito, carinhoso, bondoso, fofo e romântico... Quer-me ao seu lado, e não me pressiona a cada decisão... — Percy fechou a cara para Annabeth. Annabeth se sentiu chateada por ter falado tudo aquilo, mas era o que ela achava. Ela sabia que aquela rixa estava passando dos limites, se existia alguma razão para Percy odiar tanto o irmão, e falar tão mal dele, ela queria saber e iria descobrir. — E que não merece o que eu fiz com ele. Fui... Fui...
– Foi humana. — Annabeth olhou pela janela com as palavras frias de Percy e o ignorou. Percy suspirou, não gostava de falar disso, e nem de pensar, mas ao ver a loira o ignorar foi um pouco doido, mesmo que ele não quisesse admitir. Ela era uma das únicas que o entendia, que o já entendeu e que poderia entender ele. Ela era a única pessoa que ele poderia compartilhar esse segredo. A única que precisava saber.
– É uma longa história. -Annabeth se virou para ele.
– Estou escutando... E temos tempo. — Percy olhou para a estrada e assentiu. Annabeth analisou os traços dele e viu como ele tinha ficado sério, e não do modo que ele ficava sempre, de um modo sereno, como se sua lembrança o tornasse mais humano.
– Tudo começou desde quando eu ainda estava sendo gerado por minha mãe. Tritão era o filho que meu pai tinha e o único. Sua mulher, Anfritite não dava muita bola para as traições de meu pai. Minha mãe foi à traição que Anfritite teve mais medo, pois minha mãe era alguém por quem meu pai realmente se apaixonou. Ele a amava muito, percebia-se pelo olhar que lançava a ela todas as vezes que se viam. Minha mãe disse que ela foi realmente feliz ao lado dele, mas ela sabia que não duraria para sempre, ele era um deus e ela uma simples mortal, nunca daria certo. Então, tudo começou quando Anfitrite recebeu a noticia que minha mãe estava grávida, piorou toda a situação. Ela não queria que eu nascesse, ficou com medo, mas meu pai disse que não era para ela fazer nenhum mal a mim, ou ela sofreria as conseqüências. Minha mãe pensou que isso seria serviria para que nada acontecesse a nós em sua gravidez. Ela estava completamente errada. Só quem sabia da gravidez dela era meu pai, sua mulher e seu filho, que escutou atrás da porta no dia em que seus pais brigavam. E sim, esse era Tritão, como pode já ter notado. — Percy suspirou olhando para Annabeth, engoliu em seco e continuou: — Então, para vingar sua mãe, e também por querer proteger seu lugar de único filho de Poseidon veio atrás de mamãe. Ele o atormentou de diversas formas possíveis, colocou monstros atrás dela diversas vezes, a tentou matar inúmeras vezes ainda mais, e meu pai não sabia de nada, pensava que tudo aquilo era obra do destino... Na verdade, ele nunca soube da verdade. Minha mãe... — Percy abaixou a cabeça. — É boa demais. E eu tenho orgulho disso. Eu só nasci porque ela pode ficar no acampamento meio-sangue até eu nascer. Tritão e sua mãe Anfitrite odiaram quando eu pude nascer com vida. E desde criança eu fui perseguido por monstros além da conta, e não só por causa de minha força, mas porque eles dois sempre me odiaram... E é por isso que eu odeio o meu irmão. Mamãe não queria que eu ficasse com esse ódio dentro de mim, ou que procurasse vingança, mas eu não consigo me conter. Só de lembrar o que ele fez minha mãe passar, eu o odeio com todas minhas forças. Minha mãe é tudo para mim, tudo. — Percy acabou de contar a história e olhou para os lados, não queria encarar Annabeth, não queria saber o que se passava na mente dela. Talvez ela pensasse que fosse uma razão estúpida ou algo do tipo. Simplesmente não queria. Só ele sabia o que era ruim pensar o quanto nossa mãe sofreu, ainda mais se fosse por sua causa. Annabeth mordeu os lábios olhando para o moreno a sua frente, não sabia o que dizer. A história que ele contara, abalara completamente todas suas estruturas. Abalara de tal modo que ela também sentiu ódio de Tritão. Quer dizer que por trás daqueles sorrisos e gestos singelos existia alguém capaz de fazer isso? Existia alguém frio a tal ponto? Ela não conseguia acreditar. Mas estava escrito nos olhos de Percy que ele nunca mentiria e que aquilo era doloroso demais para ele falar com qualquer pessoa. Annabeth se lembrou de Sally e quis chorar, ela era tão boa, não merecia nenhum tipo de sofrimento.
Annabeth pegou no ombro de Percy e o fez olhar para ele. Ele encontrou os olhos cinza dela e ouviu-a dizer:
– Agora eu te entendo. E era só isso que eu queria conseguir fazer.
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