Innocent Assassin
1 A vida de Jin
Notas iniciais
– MARAVILHOSO.
Abaixei minha cabeça, e continuei a correr. Meus curtos cabelos roxos começaram a molhar por causa da chuva. E eu ODEIO a chuva.
Meu nome? Pode me chamar de Jin Ward. Tenho 17 anos. E eu posso ser considerado um assassino profissional. Mais um psicopata do que um assassino profissional.
Eu não estou fugindo da polícia, se é o que você está pensando. Eu e a polícia não nos entendemos, é verdade. Mas se ela não me pegou, ou nem suspeitou de mim pelos graves casos que estão acontecendo em Londres... Posso ficar tranquilo.
Porque eu mato? O motivo é simples. Por PURA diversão. É claro, tenho "real" um motivo. Eu costumava ser um menino quieto, simples, rico e extremamente respeitado pelos meus amigos e colegas de turma.
Isso, porém, até o primeiro ano do colegial.
Meu pai era um advogado justo, e minha mãe era uma cirurgiã renomada. Eles tinham muito dinheiro. Mas meu pai tinha uma grave doença cerebral, porém apenas descoberta logo depois de minha mãe descobrir que estava grávida, e ele morreu antes mesmo do meu nascimento. Minha mãe estava desolada, mas graças ao seu “filinho brilhante e perfeito”, ela conseguiu forças para voltar a trabalhar. Graças ao dinheiro da herança de meu pai, e o dinheiro que minha mãe conseguiu trabalhando, éramos extremamente ricos. Como eu era filho único, sempre fui muito mimado, mas apesar disso, muito modesto, segundo meus “amigos”. Apesar de eu achar que tinha a vida perfeita, ela foi construída de mentiras. Eu me sentia em um videogame, onde eu era controlado por outra pessoa.
Se você está pensando que eu fui adotado, está errado. Mas foi feita de mentiras sim, porque achei que eu era respeitado pelas minhas notas e pelo o que eu era, e não pelo meu dinheiro. Aliás, eu era respeitado PORRA nenhuma.
Foi em outubro do ano passado, se não me engano. Mês do meu aniversário, e o mês que a partir de agora eu mais odeio. Os meus “amigos” raptaram minha mãe, e depois pediram dinheiro em resgate pra mim, e não, eu não vou falar quanto era, porque isso me deixa transtornado. Às lágrimas, concordei pela troca, e combinamos de eu entregar o dinheiro – e de esquecê-los completamente, como dizia o trato – em uma praça em que brincávamos quando crianças. Arrumei o dinheiro em uma maleta, e andei aos prantos até o local combinado. Mas quando cheguei lá, tive uma surpresa.
Eu só lembro-me de estar com a maleta do dinheiro na mão, em frente à praça. O carro onde meus “amigos” e minha mãe estiveram há pouco tempo estava capotado. Dois dos quatro meninos sobreviveram. Os outros dois, e minha mãe morreram na hora. Descobri depois que o garoto que dirigia o carro estava bêbado. Isso mesmo: dirigindo bêbado com 16 anos. Que belas amizades eu tinha.
Mas aquele sentimento de vingança não quis sair da minha cabeça. Sem conseguir encarar a cena, voltei pra casa, as lágrimas escorrendo mais do que antes. Taquei a mala com o dinheiro na cama, e comecei a pensar, tentando controlar as várias lágrimas que me escapavam dos olhos. Depois, fui até uma loja de cosplays. Comprei vários pares de lente de contato vermelhas, e agora não saio de casa sem usá-las. Depois fui até um salão de beleza, onde pintei meu cabelo de roxo. Eu estava irreconhecível, pelo o que eu era antes. Além do mais, o brilho inocente dos meus olhos se fora.
Comprei ainda vários canivetes, que levo comigo escondidos na jaqueta escolar pra onde quer que eu vá. Mas aquele dia... Aquele dia fora incrível.
Depois de três dias de preparos psicológicos e de cuidar do enterro de minha mãe, resolvi ir a casa desses meus dois “amigos” sobreviventes, de nomes Brendan e Akihito.
Coloquei uma lente de contato vermelha, apenas. O meu outro olho ficou verde, para que naquela morte deles, eles pudessem se lembrar do meu olhar que antes tão vivo, agora estava psicótico, sedento por sangue.
Arrumei os canivetes, e segui andando para a casa deles, que ficava na periferia do sul da Inglaterra. Não era um lugar rico. Pelo jeito, os quatro moravam juntos, em um tipo de república. A casa (e que na verdade era menor que um sobrado) cheirava a drogas e bebida. Com um olhar de repugnância, abri a porta com cuidado. Incrivelmente, ela não rangeu. Eles estavam assistindo a um filme de terror pelo jeito, e meus passos foram abafados pelo grito de horror de uma menina que estava sendo perseguida pelo assassino. Dei sorte pelo fato de o sofá estar totalmente de costas para a porta de entrada. A sala estava iluminada por uma fraca luminária, que logo deveria ser trocada. Olhei para as paredes. O papel de parede estava descascando, e todas as paredes estavam construídas de um jeito apressado e inútil. Algum dia aquilo iria cair. Quatro colchões estavam espalhados pela sala, e naquele mesmo aposento, várias garrafas de bebida e seringas vazias estavam espalhadas pelo chão. O cheiro era mais nauseante do que quando eu estava o sentindo por fora. Olhando ao redor, aquele aposento se dava para apenas mais duas salas. Pelo jeito uma era para o banheiro, e outra para a cozinha. E pensar que eu achava que aqueles quatro meninos eram garotos bondosos, em que eu poderia confiar a minha vida, e que eu passara mais da metade dela acompanhado por eles.
Eu queria rir ali mesmo, vendo a condição de vida horrível de meus “amigos”. E foi o que eu fiz. Dei uma alta gargalhada psicótica, e os dois viraram as cabeças pra mim, com olhares assustados.
– Brendan. Akihito. Que prazer ver vocês. – eu tirei dois canivetes da minha jaqueta.
– Quem é você? – perguntou Brendan, com sua voz grossa, se levantando do sofá – Como sabe meu nome?
– Como eu não poderia saber? – me aproximei dele. Quando estava a mais ou menos quatro metros de distância deles, ambos viram meus olhos de cores diferentes.
– Jin...?! – exclamou Akihito, engolindo em seco – O que aconteceu com seu olho e com seu cabelo?
– Eu pintei meu cabelo, e coloquei uma lente de contato vermelha. Eu acho que esqueci de colocar a outra – disse, abrindo um sorriso inocente. – Me desculpem!
– O que veio fazer aqui? – perguntou Brendan, enquanto Akihito se levantava também.
Olhei para os dois rapazes. Brendan era um cara alto, musculoso, de cabelos negros e ralos, com olhos castanhos e redondos. Usava uma bermuda jeans e uma camisa branca sem mangas. Akihito era um garoto de descendência asiática, cujos cabelos e olhos eram da cor negra. Era um pouco mais baixo do que Brendan, e muito mais magro que ele. Usava uma camiseta de gola “V” preta, e uma calça jeans. A aparência de ambos estava consumida pelas drogas e álcool. Nem pareciam dois garotos de 16 anos.
– Vocês sabem o porquê de eu ter escolhido a cor vermelha para minhas lentes? – ambos balançaram a cabeça – É pra combinar com a nova cor do chão... Vermelho. Do sangue de vocês. Irá ficar incrível.
Para minha surpresa, os dois vieram ao meu encontro com os punhos cerrados. Eu esperava que eles ficassem com medo, mas ainda sim, estavam um pouco tontos por causa das drogas e por causa do álcool, então foi fácil desviar deles. Joguei um canivete no pescoço de Brendan, que o atingiu em cheio. Ele tentou retirar o canivete, mas foi lerdo demais. Eu cheguei por trás dele, sussurrando “Adeus, meu amigo” e terminando de atravessar o canivete pela garganta dele.
– Matei... – eu disse pra mim mesmo, quando vi Brendan cair no chão, morto. – Eu matei meu “amigo”! Isso foi divertido! Eu adorei! – eu ri descontroladamente, fazendo Akihito recuar alguns passos – Mas o sangue dele é inútil... Todo consumido pelas drogas... Não combina com as minhas lentes... E o seu, deve combinar, Akihito?
Peguei o canivete do chão, enquanto disparava contra Akihito. A minha sorte era que o aposento era pequeno, e Akihito muito lerdo. Bastou eu cravar meu canivete em seu coração, e ir rasgando desde dele até a garganta, deixando-o cair morto. O sangue dos dois estava espalhado pela sala. Eu continuei rindo.
– SEUS IDIOTAS! – eu berrei para o nada, começando a passar minhas mãos pelo sangue dos dois, enquanto sorria – VOCÊS ME PAGARAM POR TER ESTRAGADO MINHA VIDA! GOSTARAM DO PREÇO?!
Com as mãos, escrevi na parede, em inglês:
“I’ll never forget you. I’ll never forget the people who changed my life. I hate all of you, your fucking bitches. Now I know the happiness of kill.”
Olhei para o que eu havia escrito, ainda sorrindo. Tirei uma caixa de fósforos no meu bolso. Acendi-o, e joguei-o em uma das cortinas. Sai correndo da casa, a ponto de vê-la pegando fogo. Eu ri novamente, enquanto voltava pra casa. Lavei minhas mãos, ao chegar lá, primeiramente. Meu preparo psicológico deu certo. Eu não me incomodava com o fato de eu ter matado meus dois “amigos”. Era até feliz...
Depois disso, comecei a matar mais pessoas. Por pura diversão. Mas apenas aquelas pessoas que um dia fizeram um mal tão grave quanto o que Brendan, Akihito e os outros dois fizeram a mim. Depois, comecei a eliminar os amigos dessas pessoas. E por assim foi... Até hoje.
A polícia não descobriu que fui eu, já que eu sempre destruo todas as pistas que podem levar até mim. Eu ainda frequento as aulas, e sou um dos melhores alunos da classe como sempre fui, apenas com o novo detalhe do cabelo roxo, e que a diretora me dera uma bolsa. A minha fama de inocente é mantida até agora. Tenho até conhecido algumas pessoas verdadeiras lá na classe, que estão me dando apoio desde a morte da minha mãe. Mas se alguma me trair... Irei mostrar a minha verdadeira personalidade à elas. Aquela que ninguém quer ver, aquela que ninguém acredita...
Eu moro sozinho, porque além do mais, eu não tenho parentes em Liverpool, e nunca cheguei a conhecer “de verdade” os meus parentes por parte de pai. A herança de minha mãe foram milhares de libras, mais a casa. Então eu legalmente posso morar nela. É meu covil secreto.
É onde as vezes, eu posso ser o novo eu mesmo. O novo garoto de cabelos roxos e olhos vermelhos psicóticos, que antes era um garoto de cabelos castanhos e olhos verdes vivos.
Cheguei em casa, traçando a porta, e escapando da chuva. Eu ri descontroladamente de novo. Lembrar do dia em que matei meus amigos me traz...
Ótimas lembranças.
Fale com o autor