Innocence NejixTenten

10 Senhor e Senhora Hyuuga


Notas iniciais
Como o próprio título já diz, me baseei, ainda que superficialmente (porque não é uma comédia), no filme "Sr. e Sra. Smith", da 20th Century Fox. Gostaria de alertar que este capítulo apresenta teor violento [difícil adivinhar, Mieko, muito difícil... u.ú], logo, se você for sensível o suficiente, aconselho que passe para o próximo. Creio que não haverá problemas de entendimento da trama, já que o contexto dessa parte será abordado posteriormente. Por hora, acho que é só isso... As capas no blog estão desatualizadas, mas colocarei as coisas em dia até o final de Janeiro. Os dois próximos capítulos serão postados sequencialmente ainda hoje; depois disso, só em Fevereiro. Aguardem e divirtam-se! o/

A princípio assustou-se com a abrupta queda, sem se desconcentrar, porém, em devolver em ódio todo o desprezo que aquele olhar esverdeado trazia. O ar malévolo não lhe era estranho; já a tinha visto em algum lugar. Não precisou pensar para seguir em frente com um belo golpe sobre a pele macia de seu rosto, mas um ser que não esperava ver a interrompeu.

Agora encarava o Hyuuga de horas atrás, o qual segurava seu punho fechado no ar. Livrou-se dele, afastando-se. Estava sério e despreocupado como de costume, o que a fez desprezá-lo um pouco também.

— Tenten-chan! – Hinata docilmente chegou-se ao seu lado, analisando qualquer possível machucado. Ela estava bem.

— Não foi nada, Hina... – continuava encarando com desdém a criatura que só lhe era superior pelas guetas altas que usava.

— Por que me olha assim? – indagou sem gosto na voz. – Garotas ingênuas e fracas como você só servem para agradar os outros e nada mais – um sorriso frio se desfez tão rápido quanto surgiu ao ouvir a resposta da ninja de cabelos castanhos.

— Ao menos sirvo para alguma coisa! – enfatizou, entrando na ironia a fim de evitar uma briga e fazendo surgir um ar de riso discretíssimo no rosto de Neji antes que ele se virasse para continuar seu caminho.

— Hiashi-sama não vai esperar a tarde inteira, apressem-se! – referia-se às duas acompanhantes, com favorecimento à Hinata.

— Quem é essa mal-encarada? – indagou Tenten quando a tal mulher já estava alguns passos à frente.

— É a Hatsune-san, considerada parente distante da família, apesar de não ter muita semelhança conosco...

— Absolutamente nenhuma – concordou, encarando o balançar dos cabelos loiros e longos, presos numa amarração no topo da cabeça, que quase podiam tocar o chão. – Quando essa idiota, com todo respeito a vocês, vai embora?

— Bem... Pelo visto ela veio sem data para voltar. Ela não é daqui... Do País do Fogo.

— De onde, então? – atiçou sua curiosidade.

— Ela não fala sobre isso... É difícil tirar qualquer informação dela. Na verdade, só a consideramos como parente porque o clã de onde ela vem já prestou muitos serviços ao nosso – explicava educadamente, apesar de não parecer muito à vontade para falar de Hatsune.

— Tsunade-sama me meteu numa missão estranha. Tenho que preparar algumas coisas, faltam poucos dias.

— Ela mandou um comunicado a nós Hyuuga dizendo que durante a próxima missão de rank B não deveríamos usar nosso Byakugan...

— Mas isso não faz sentido! Ela disse o porquê?

— Não, só... Disse que isso nos faria “pensar mais humanamente”. Também achei estranho, mas... Agora tenho que ir.

— Tem razão, eles vão sentir a sua falta – parou frente ao desvio que levava até sua casa.

— Ao menos o Neji-kun vai – riu timidamente, despedindo-se. Então, correu para alcança-lo.

Viu Hinata se afastar depressa até chegar ao seu lado. Ele nunca parecia triste quando perto dela. Eram primos, afinal. Primos... Era difícil convencer-se disso; não para as garotas que achavam ter alguma chance com Neji, mas para ela, que passara anos ao seu lado, anos sem ele, e um longo período de meditação para tentar esquecê-lo a todo custo. Jamais pensou que fora totalmente bem sucedida.

Acabou ignorando tudo aquilo por um tempo, e assim foram os dias seguintes, enquanto seus momentos de folga se aproximavam. Daquela ocasião em diante não os vira mais. Ocorrera outro atrito entre eles, somando-se a estar confusa com a lembrança da manhã na floresta, que a amofinava. “Ele tentou... Me beijar...”, memorava durante o café da manhã. E durante o banho, e durante a caminhada até o local da tal missão. As semanas correram sem que percebesse.

*~*~*~*

Carregava uma bolsa com alguns pertences e cercara seu corpo com pergaminhos e armas de fácil manuseio, ao menos para ela. Adentrou com cautela as proximidades da área de treinamento 12, dirigindo-se à casa em questão, com sua máscara ANBU bem posicionada.

Com katanas longas em mãos, apresentou-se com um chute na porta. Analisou com cuidado os cômodos pelos quais passava, vendo-os cheios de documentos e louças antigas, coisas que Tsunade de fato não queria mais, mesmo. Aproximou-se de uma mesa de madeira ao centro do que parecia ser uma sala de jantar. Abriu um compartimento óbvio em um dos pés de sustentação e lá estava o pergaminho chave. Era o que o oponente esperava.

De relance, o viu atacar, guardando o objeto em um dos bolsos na simultaneidade de uma ação defensiva com a espada à esquerda. Ainda no nível do pavimento amadeirado, tentou acertar-lhe um chute, do qual o oponente desviou a tempo. Uma luta corpo a corpo a deixava em desvantagem com suas armas.

Um salto a levou para cima da mesa antes que traçasse sua rota para o cômodo seguinte. A fumaça da kunai-explosivo deu para ela alguns segundos de reflexão, e lá estava ele a atacando de novo, parecendo já ter notado seu pouco apelo ao taijutsu e usando isso contra suas escassas ideias. Embainhou as espadas, notando em uma a trinca grave, e o esperou vir.

Ela, então, atingiu seu rosto com um punho fechado, ouvindo um leve estalo em seu pescoço. Não poderia não ser um homem, vista a força com a qual revidou, prendendo seus braços para jogar um dos joelhos de encontro ao seu estômago, causando-lhe náuseas e uma dor profunda que lhe alcançava a medula.

Ainda de pé, agarrou-se ao pescoço dele, segurando com força seus cabelos presos e lançando sua cabeça três vezes contra um armário alto de madeira, o que lhe custou uma rachadura na máscara que também usava. Em contrapartida, fora apanhada pela cintura e atirada contra um bloco de gesso que compunha uma das paredes, o qual se espatifou quando ela caiu, rasgando uma costura do colete acinzentado.

Levantou-se com dificuldade, vendo que o pergaminho caíra de seu bolso a uma curta distância de onde estava. Quando a mão masculina tentou tocá-lo, fora gentilmente acariciada por uma lâmina de arremesso, tendo uma segunda fincada em seu braço à distância. Removeu-a depressa, lançando-a de volta... Em um tronco de árvore.

Sentiu o impacto em suas costas. Ela o derrubou, ágil, carregando o pertence quase roubado para outra sala e puxando a espada novamente. Tentou ataques mais baixos que não eram compatíveis com a excelência dele em combate com armas brancas, conseguindo, ao menos, cravar a lâmina Akinori na lateral de seu ombro, numa ferida profunda que o desequilibrou. Não chegando ao ponto de queda, permitiu que a jovem recebesse um corte na perna como retribuição.

As lâminas se encontraram num reflexo de movimentos, perdendo as mãos de seus portadores e não lhes dando tempo de recuperá-las. Logo, fora criativa ao disparar um pode de vidro na cabeça dele, que revidou com as taças de vinho vindas de um canto de prateleira da velha cozinha. Partindo dali, valeria qualquer coisa suficientemente danosa. Sem intenção, a clara tentativa de aniquilarem-se acabou por divertir os dois shinobis, só não ao nível de abandonarem a missão ou o desejo mortífero.

Impelida de encontro a uma cadeira, e quebrando-a na colisão violenta, aproveitou para recuperar sua espada, estando a do oponente fora do alcance de ambos. Acertava-o sem piedade com o gume perversamente afiado, tentando transpor a lasca da mesa que ele usava como escudo. Sua irritação deu-lhe impulso para mais um salto, atingindo a lateral de sua cabeça com o joelho esquerdo.

Impedindo um dano severo, a figura máscula tateou a parede com as mãos, girou cento e oitenta graus e lançou-a de um lado a outro da acomodação inteiramente destruída, com um forte golpe vindo de seus punhos. Não fosse o fato de não ter visto o que a atingiu, aquele seria um estilo naturalmente reconhecível de luta para ela.

Permaneceu no chão por um momento, esgueirando ao redor ou procurando por uma saída prática. Levantou-se aos cambaleios, derrubando os restos de um tijolo aparente ao apoiar-se nele e sentindo dor, no instante em que passara uma das mãos sobre o próprio rosto. Era simples conceber um motivo para as formações rosadas que via pelo canto dos olhos, as quais se tornavam cada vez mais escuras com o passar do tempo. Olhou para os pedaços de sua máscara ao chão, ou do que restara dela, chutando-os lateralmente.

— Sabe de uma coisa? – trocava com ele suas primeiras palavras. – Adoro brincar de dona de casa! – disse ao sorrir sarcasticamente, antes de descontar sua insanidade com uma avalanche de prazer e talheres prateados e pontiagudos, que haviam caído de um suporte na prateleira, acompanhados pela parede.

Não imaginou que fosse dar certo de alguma maneira. Ele desviava certeiramente, porém os sinais de cansaço começaram a surgir, fazendo com que uma faca ou outra o atingissem em pontos consideravelmente fáceis de defender. Parecia estar parando.

— O que foi? – acometia-o. – Está só começando pra você! Venha...! Garotinho tolo! – disse assistindo sua queda numa nuvem de fumaça. Apenas depois percebeu que havia falado demais.

Todo o lado direito de seu corpo viu-se esmagado pela brutalidade como alcançara o solo lenhoso. O rasgão dorsal em suas vestes mais externas prendeu-se a alguma coisa na trajetória da queda, removendo completamente a proteção de couro revestida. Sobrou-lhe uma camiseta, rasgada apenas nas mangas desprotegidas, com um decote curto em “V” que punha em evidência suas costelas e sua respiração descompassada.

Recostara-se discretamente a um velho armário enquanto sua cabeça girava. Quando retomou o equilíbrio, uma porção vaga de algo rutilante e quente cruzou-lhe a garganta, indo para fora. Não poderia se encontrar em um estado maior de pânico no momento em que fora levantada, carregada a certa distância e jogada novamente contra o móvel, demolindo uma de suas parcelas logo após ter o pergaminho arrancado de seu bolso.

A velocidade que ele ainda tinha, apesar de bastante ferido, fora contra seu tronco novamente, inutilizando os músculos centrais. Sentia como se vomitasse sem ter ingerido coisa alguma; e estava, mas não era comida. Num esforço final, pegou a última kunai restante em seus compartimentos semi-inteiros e fê-la penetrar com força em seu peito, protegido somente pelo projeto do que antes eram roupas. Arremessada, em resposta à dor do adversário, foi de encontro ao suporte frontal do que restou da cristaleira, que a engoliu em uma nuvem de pó, abrindo um corte profundo em sua cintura com uma das lascas vítreas.

Calculando rapidamente, permaneceram desacordados por pouco mais de uma hora, ainda sentindo a adrenalina a pulsar em suas veias quando abriu os olhos em desespero. Sentia-se agridoce, num misto de suor e sangue. Batimentos desmedidos a tornavam agitada. Arrastou-se para longe dos estilhaços maiores sobre o chão e voltou-se completamente para cima, com gemidos que mal a permitiam falar. Não sabia como proceder. Seu olhar vagou para o local onde o shinobi se encontrava; apenas o pergaminho estava lá. Imaginou que teria fugido, mas seria uma tolice tamanha depois de tanto. Avistando o teto novamente beirou um enfarte.

Uma gota de sangue atingiu-lhe o rosto, direto da máscara do homem que cambaleava em direção a si, caindo como um simples monte de carne ao seu lado. Seu rosto virou-se. Encarava-o de ponta-cabeça e sua máscara deslizou o suficiente para ver um dispositivo que todo o tempo dificultara as coisas para ele.

— Mas isso é... – tocou o metal escuro com a ponta dos dedos avermelhados. – Uma... Grade[1]?!

— Você... – assustou-a ao sussurrar. – Essa voz... Tenten...? – mexeu levemente a cabeça.

— Não... – associou a voz rouca à ferida peitoral. Uma batida falha transformou seu corpo em gelo. – O que eu fiz? – lágrimas machucaram-na ao passar pelo seu rosto. O incômodo que dilacerava a carne castigou suas mãos ao ser removido de forma bruta e, com um esforço excessivo, tomou para si a singeleza momentânea do rosto que via, a fim de apartar aquilo que lhe roubava a vida.

Como a rapidez de um sopro, os olhos claros acenderam-se, contrariando o incômodo dos castanhos, imersos, que o encaravam numa sensação corporal penosa. Aos poucos, sentia que alguma força voltava a si, dobrando-se para frente a tempo de amparar a queda dos músculos fatigados sobre seus braços. Sentia-se perdido por não ter visto o que aconteceu. Perdido na insensatez do sangue derramado por ele. Por mãos e juízo que passaria a condenar.

[1] Grade é um termo criado e adicionado a esta história, referente a uma “prisão de chakra”. Seria um dispositivo, colocado geralmente sobre os olhos, que impediria que jutsus oculares (Kekkei Genkai) fossem usados, bem como parte do chakra total do shinobi. Se aplicado em um ninja, diminuiria sua capacidade de percepção, sua eficiência em combate e, se roubasse chakra demais, poderia levar o indivíduo à morte. Tal dispositivo não existe na trama original (mangá/anime).

Notas finais
Hey, pessoal já falei pra vocês sobre a minha promessa de começo de ano? Eu me fiz prometer que não marcaria mais prazos de entrega para os capítulos... Parece ruim, mas não me levem a mal. É melhor dizer que os próximos saem "em Fevereiro", do que no dia "2 de Fevereiro" para saírem no dia 20... Isso para que vocês não se irritem mais do que já ficam tendo que esperar (minha mente nem sempre trabalha em parceria comigo, é melhor ter uma boa ideia do que escrever bobagem). Espero que compreendam. Músicas para este capítulo (enquanto o blog não é atualizado): "Goodnight, Goodnight", by Maroon 5; e "Assassin's Tango" - Mr. and Mrs. Smith Theme Song.