Notas iniciais
Heey, pessoal! o/ Aqui vai o segundo capítulo de hoje. Essa parte da história se passa numa ilha, o que eu não pretendia escrever porque é muito comum em fanfictions de Naruto, mas acabei pensando em alguns trechos depois de me arrastarem pra praia (rs). No final consegui encaixar. Espero que gostem! Deixem seus reviews! ~Onegaishimasu!!~

— Onde será que aqueles dois estão? – reclamava Naruto, curioso, enquanto fitava o teto do aposento.

— Ou o que estão fazendo... – completou Kiba, num ar de deboche. – Aqueles ali são umas figuras! Num dia vão juntos pra tudo quanto é missão, no outro estão se matando de ódio, não dá pra entender...

— Está dizendo que o Neji gosta dela? – retrucou Shikamaru desistindo de dormir.

— O quê? O Neji? – riu. – Se liga! É mais fácil a Ino e o Rock Lee terem um caso do que aquele carrancudo gostar de alguém!

— Olha como fala da Ino! – protestou sem pensar.

— O que é isso, vira-lata? Tá gostando da problemática da minha equipe? – zombou.

— E-Eu não estou!! Quero dizer... A Ino é legal, merece alguém melhor... – falava escondendo no escuro o rubor em seu rosto.

— Ah, entendi! Alguém como você?! – o Nara o provocava sem medo de não estar certo; – Pensando bem, desde o festival de Tanabata[1] você tem uma queda por ela e, até onde eu sei, não fez nada a respeito... Por acaso tá precisando de ajuda?

— Você está falante demais, não acha, idiota preguiçoso? Vê se dorme e cala a matraca!

— É meio impossível dormir no mesmo quarto que vocês. Vou negociar isso com o professor Asuma pela manhã...

— Hum... É, pensando bem, o sobrancelhudo e a porca loira não combinam...

— Naruto! Eu já mandei parar de...

— Hey! Fala baixo, cata-ossos!! Não vê que são mais de quatro da madrugada? – reclamava em tons baixos. – E você! Naruto!

— Hum? – virou-se para ele, alheio à confusão.

— Para de falar mal daquela loira complicada! Eu ainda quero dormir!

— Ah, obrigado por se preocupar com o meu problema!

— Você não disse que queria ajuda, agora se vira! Dá um jeito! Eu vou é dormir... – cobria-se com o lençol pesado, ignorando a presença dos dois shinobis no quarto.

— Mas e você, Naruto? Gosta de alguém da turma ou é que nem o lerdão aqui... – apontava para Shikamaru. – Que só vê graça nas “estrangeirinhas”?

— Eu ouvi isso! – sua voz era abafada pelas cobertas.

— Bom, eu era apaixonado pela Sakura, mas ela nunca deu muita bola pra mim, é mais como uma amiga... – continuava a apoiar a cabeça sobre os braços, estirado no topo do beliche onde dormia sozinho. – Não sei bem se gosto de alguém agora... Na verdade, não sei o que pensar dela.

— Fala da Hinata? – chamou a atenção de quem quase dormia.

— Faz um drama por causa da minha companheira de equipe e entrega a sua desse jeito? – indignou-se por um instante. – E ainda mais pra um idiota?

— Não estou “entregando”, tá? Só quero saber em quem o cabeça-de-vento tá interessado...

— Hey, mas... De qual idiota cabeça-de-vento vocês estão falando?

— Ah, esquece! Pelo menos já sabemos quem é a coitada que vai ter que te aturar, né, Akamaru? – acariciou o pelo alvo de seu amigo sob a cama, que não dava a mínima aos três ninjas, num sono de criança.

— Hum... Não sei... Do que estão falando... – após bocejar longamente, o queixo do loiro rolou até o travesseiro, de onde só levantaria horas mais tarde, com raios fortes de sol despontando no céu.

*~*~*~*

Uma luz forte a incomodou, fazendo suas pálpebras doerem. Sentia uma dor intensa na mandíbula e um desconforto enorme nas pernas. Quando finalmente identificou a situação, reconheceu uma das enfermeiras do hospital de Konoha trabalhando minuciosamente sobre seu tronco, agora levemente arroxeado.

— Bom dia! Seu nome é Tenten, não é? – sorriu simpática.

— Hum... Sim, eu... Acho que sim... – coçou os olhos descobrindo, ao levantar um dos braços, que também estavam doloridos. Gemeu com a leve picada.

— Não se preocupe, já usei um de nossos jutsus de cura em você. Esse processo é só para aliviar o que restou da dor. Demorado, mas bastante eficaz!

— Não estamos no hospital... Quem me trouxe pra cá? – recobrava a consciência aos poucos.

— Realmente não se lembra de nada, mesmo? – questionou, surpresa. – O senhor Hyuuga a trouxe, foi ele quem me chamou ontem à noite... – continuou o serviço com concentração.

— Ontem à noite? Mas... – uma suave dor de cabeça a incomodou. – Há quanto tempo estou dormindo? – fê-la rir.

— Está mesmo confusa, mas é bom saber que a sua memória ainda está no lugar! – sorriu. – Pode fazer mais perguntas, se isso a ajudar a lembrar... – seguiu-se um silêncio curto.

— Por acaso sabe se... – a enfermeira a encarou. – Ele parecia... Incomodado com alguma coisa?

— Bom, eu sei... – falava convicta, colocando mais uma agulha na lateral de sua cintura – Que ele estava de fato preocupado com alguém – prosseguia com um tom encorajador.

— Mas você disse que falaram ao telefon...

— Sim, sim! Mas sabe? – aproximou-se dela para sussurrar-lhe algo. – A gente sempre sabe quando é alguém especial! – disse-lhe alegrando-se novamente.

Ainda deitada, e voltando o olhar para o teto de madeira, impediu que uma sensação boa tomasse conta de seu rosto. Mudara de assunto, aparentemente decepcionando a mulher ao seu lado.

— E o senhor Hiashi e... – lembrou-se do gênio ruim de Hatsune. – A sua... Acompanhante? – suavizou.

— Ah, aqueles que também moram aqui? O senhor Hyuuga disse que viajaram a negócios, só vocês estão na mansão. Até aquela adorável garotinha que atendemos com frequência está aproveitando o recesso da Academia Ninja!

— Hum... Sei... – parecia desinteressada em qualquer outra coisa, concentrando-se em ouvir os ruídos que vinham de seu estômago.

— Bem, eu já terminei por hora. Tente não se mexer muito, querida. Quero que fique assim por, no mínimo, trinta e cinco minutos.

— Há! Não se preocupe, não vou a lugar algum! – fez pose de sentido para a gentil senhora.

— Eu sei que não, minha jovem! – recolhia os materiais que usava em um canto, indo em direção à porta corrediça. – Eu vou sair um pouco, preciso esterilizar mais agulhas para os seus braços. Não demoro! E... – virou-se antes de ir, mais uma vez aos sons baixos. – Se quer saber, ele parecia bem nervoso! Acha que isso é um bom sinal? – fez um sorriso tímido surgir e alegrou-se novamente.

Tomou um susto quando viu que a figura de quem falava encostava-se bem ao lado da porta, encarando-a de maneira não tão amigável. Sem jeito, foi para a cozinha em busca de água quente e mais chá. O rapaz entrou no quarto enquanto a kunoichi em repouso encarava os raios de luz que vinham da janela. O estalo da tranca ao tocar a ombreira da porta tirou-lhe a atenção.

Nunca se sentira tão desconfortável ao olhar para ele. Percebeu as faixas que envolviam seu peito e seus braços. Estava sem camisa, de cabelos soltos e vestindo uma calça de linho folgada, provavelmente escondendo ataduras também. Ele não a olhou, passando direto para a vidraça. Era como se nada tivesse mudado desde que eram crianças. O contato escasso serviu de conforto por algum tempo.

— Como está se sentindo? – perguntou sério, de braços cruzados.

— Estou bem... Dói bastante, mas estou bem... – sorriu, ainda que ele não visse, tentando transmitir alguma segurança.

— Como pode dizer que se sente bem se ainda sente dor? É tolice, não acha? – construía tons frios ao longo da conversa.

Ela entendia perfeitamente bem que aquele era o jeito próprio e único dele. Era como se protegia quando não sabia o que dizer ou quando simplesmente não gostaria de dizer coisa alguma, ainda que devesse. Suspirou pesadamente, sentindo o beliscar das agulhas longas e finas abaixo do seu tórax.

— Neji... – chamou-o, fazendo com que voltasse brevemente a cabeça para o lado, fitando o chão em madeira castanha clara como se o confundisse com seus olhos. – Sabe que nada disso é culpa sua, não sabe? – parecia uma pergunta inocente para ela, mas ele havia entendido.

— Eu deveria ter percebido aquela jogada suja antes... – explicava, depois de mudo por segundos. – Ela disse “para que sejam mais humanos”... Eu deveria ter imaginado que ela enviaria você, ou o Lee, ou... – sua voz denunciava tormenta.

— Ela só queria que pensássemos sobre quem pode ser o nosso inimigo antes de atacar... – sua voz dócil quase o fez olhar para trás. – Se os melhores ninjas pensassem assim, não precisaríamos de conflitos como esse para resolver entraves. Menos ainda de guerras – concluiu.

— Se sabia, então por que...

— Eu não sabia – interrompeu. – Não nos sentiríamos assim agora se soubéssemos.

— Mas eu poderia ter usado o Byakugan. Poderia ter ignorado as regras – continuava fitando a explosão laranja em sua frente, tocando calorosamente seu rosto. – Por que não me culpa por isso?

— A missão é o que importa — fora direta, antes de balançar a cabeça para o lado onde ele se encontrava. — Você não abandonou seus princípios por pena, Neji. E isso eu sempre admirei em você...

Sentiu algo estranho lhe percorrer o rosto ao colocar-se em posição diferente para vê-la. Não conseguira a tempo de enxergar o encanto que esperava em seus olhos, mas ao menos poderia assisti-la dormir. Repousou a mão no peito, sobre a ferida aberta por ela duas vezes. “Sempre acertando o alvo...”. Mas agora tinha certeza: ela fora mais fundo do que seu Byakugan podia ver.

*~*~*~*

Acabava de amanhecer quando abriu a porta da frente. A luz penetrava em seus olhos verdes refletindo a bela cor de forma extraordinária. Sentou-se sobre a cerca de madeira, envolvida por gavinhas e folhas trepadeiras, que separava o espaço natural externo do vão que rodeava os dois andares da casa. Sorria ao lembrar-se de um sorriso mais jovem, divagando, até que um barulho num canteiro próximo a assustou.

— Q-Quem está aí? – perguntou inclinando-se um pouco para fora, insegura por desconhecer o terreno.

O vento matutino era frio e ainda podia senti-lo interrompendo a trajetória dos raios de sol. Desceu a escadaria de três níveis em frente à casa, procurando alguma evidência do que ouvira. Um pássaro a fez saltar quando voou de um arbusto diante de si, porém, um ruído vindo do outro lado a deixou alerta novamente.

— Ah! Pelo amor de Deus, Lee!! O que faz aí embaixo numa hora dessas?! Quase me matou de susto! – protestou ao ver o amigo entre plantas perenes, buscando por algo escondido sob o piso elevado de madeira.

— Sakura-chan? – tornou a ouvir o som abafado, mais forte, quando ele bateu a cabeça.

— Err... Está procurando alguma coisa?

— Estava tentando pegar isso pra você! – mostrava-lhe um recipiente de vidro com uma tampa de rosca metálica; um ser simpático e cor-de-rosa dançava sobre a pequena flor colocada em seu interior oco.

— Bom, começar o dia com uma... – recebia o objeto da figura sorridente. – Borboleta...? Nada mal... – impressionava-se com a simplicidade e leveza do bichinho.

— Ela é a sua cara! Gostaria que ficasse com ela.

— Mas, Lee, nós não podemos...

— E não vamos, é que eu estava pensando... – coçou a bochecha removendo um pouco de terra do rosto, à medida que este tomava tons rosados. – Eu vi onde o restante delas se esconde. Será que... Você não gostaria de vir comigo e leva-la de volta, Sakura-chan...? – certa insegurança teimou em aparecer.

— Eu adoraria! – sorriu pura e singelamente, tirando quaisquer palavras dele.

~*~

O som das ondas quebrando na costa era audível de onde estavam. O céu passava de laranja para tonalidades finíssimas de azul e as primeiras aves praieiras podiam ser vistas, voando distantes.

— É por aqui? – perguntava dentre diversas dunas cobertas por um tipo de grama média, que apesar da aparência, nada tinha a ver com as algas encontradas no mar.

— Mais ou menos... – tomou a frente, afastando um grupo de galhos que caíam por sobre um tronco mais firme. Alguns metros adiante, protegidas no aconchego de uma sombra larga e fresca, incontáveis criaturinhas iguais a que permanecia aprisionada pairavam entre folhas extensas, misturando-se com pequenas flores e quase sendo confundidas com elas.

— Elas são lindas! – respirava com calma, recebendo alegremente a boa vibração que o local trazia; logo libertou as copiosas asas do confinamento.

— Bem... Imaginei que gostaria de vê-las... – deixou-se intimidar pela satisfação feminina.

— E como não? – um sorriso bobo acertava os sentidos do observador humano ao seu lado. Não tinha medo de tocar a natureza vibrante que defrontava seus olhos para, em seguida, mesclar-se com ela.

Chegada a hora de voltar, caminharam em direção ao oceano brando que avançava paulatinamente ao longo do dia. Acompanhou-a quando ela permitiu que a areia a tocasse, enredada em seus pés pálidos e bem desenhados. A jovem abraçou os joelhos, sorrindo ao sentir a brisa que levava seus cabelos róseos para trás das orelhas.

— O Koi-chan continua doente... – comentou após algum tempo observando todos os tons azulados diante de si, ocultando o nervosismo com sucesso num primeiro momento.

— Você está sempre preocupada com ele, não é mesmo? – roubou-lhe um sorriso lisonjeado. – Por que tem tanto cuidado?

— Ele teve uma infância difícil. É órfão e mora com os avós, do País da Grama. Eles o trouxeram pra cá depois que os pais morreram em um acidente, já que a mãe dele nasceu aqui... Quando se recuperou a ponto de poder iniciar um treinamento, decidiu ingressar na Academia e tocar a vida como ninja dali em diante. Disse que era o que seus pais iriam querer... – observava os grãos espessos do chão com tristeza proclamada no olhar.

— E... Os avós moram com ele? – interessou-se pela história.

— Passam a maior parte do tempo aqui, mas quando têm que trabalhar, ele fica conosco no hospital. Não incomoda, já que ele ajuda a cuidar dos doentes... – riu de uma de suas memórias. – Uma vez ele fez a mãe de uma paciente, que recebia alta na ocasião, ser internada porque o viu segurando um camundongo que encontrara no jardim. Ela teria nos processado se não fosse aquela vozinha doce pedindo desculpas no saguão do hospital... – suspirou ainda aos leves risos.

— Mas, Sakura-chan... Como foi que ele ficou doente?

— Acreditamos que ele tenha entrado em contato com um composto tóxico durante algum treinamento – tornou-se séria novamente. – Só não conseguimos descobrir o quê. Começou como um resfriado, depois atacou os rins, o fígado... E por último o coração – a vontade pelo choro surgia ao passo em que as recordações se aprofundavam.

— Quer dizer que... Se tivessem tentado interromper o coma... – deduzia dolorosamente.

— Não teria suportado muito mais, Lee... – sentia-se culpada por trazer tal tormenta a mais alguém. – Eu sinto muito por falar nele o tempo inteiro, é que eu... Eu sou vista como uma irmã pra ele, não posso fingir que não está acontecendo nada e tentar esquecer... – saudades alfineteavam seu coração.

— Entendo perfeitamente... – concordava. – Não peça perdão por isso – sorriu e ela de volta.

— Não me controlo, é que ele... Ele faz tudo parecer tão fácil! – quase desacreditava da simplicidade do garoto. – Ele não se abala com nenhum tratamento! Não aconteceu durante a transfusão de sangue, nem na primeira cirurgia ou na terceira, ou... Quando... – jogou fora as lágrimas finas da lembrança.

— Sakura-chan... – fora impedido de tocar em seu ombro pela sua negação à pena. Quis ouvi-la até o final.

— Antes que ele entrasse em coma... – respirou. – Ele disse: “eu confio na Sakura onee-chan[2] porque...” – as gotículas que profanavam a beleza de seu rosto continuavam a cair. – “Porque ela nunca disse que não ia dar certo”.

Mantinha um olhar carinhoso e de extrema admiração, acolhendo seus prantos em um abraço lateral enquanto, de forma realmente vagarosa, ela se acalmava, secando o rosto com as mãos finas e manchadas de areia.

— Mas sabe, Lee... – enchia-se de uma alegria generosa, após algum tempo. – Toda a coragem e o esforço do Koi-kun, apesar da aparência não... O deixam cada vez mais parecido com você.

Logo, o sorriso dela iluminou o seu pensar. Estava feliz. Em parte por ser lembrado de forma tão singular e, de outro modo, pelo simples prazer de estar ao seu lado.

— Eu... Também vou me esforçar, Sakura-chan! – aspiravam a brisa vinda do horizonte distante e imenso, ao longo do levantar do sol, num dia brilhante e repleto de esperança.

[1] Comemoração de origem japonesa, celebrada na sétima noite, do sétimo mês do ano.

[2] “Irmã mais velha”, em japonês.

Notas finais
Continuem acompanhando! o/ Músicas para este capítulo (enquanto o blog não é atualizado): "Won't Go Home Without You" by Maroon 5; e "Green Eyes" by Coldplay.