Innocence NejixTenten

12 Desistindo das Nuvens


Notas iniciais
Último capítulo do mês de Janeiro, gente! o/ A história está bem encaminhada a partir daqui, tenho muitas ideias pra ela ainda. Compartilhem, comentem, e todas essas outras coisas. Espero que estejam gostando! (Não tenham medo de comentar... -w-)

Gritos insanos roubaram seu sono. Direcionou o olhar para a figura infantil que o encarava, sorrindo sem dó do descanso interrompido.

— Bom dia, chefe! Tudo bem?

— TUDO BEM UMA OVA! O QUE VOCÊ PENSA QUE TÁ FAZENDO ME ACORDANDO DESSE JEITO?!! – pulou do beliche acertando um cascudo na cabeça do indivíduo.

— Calma aí, chefe! Eu só quero conversar... – apalpou a testa sentindo um inchaço em formação.

— Conversar?! Conversar?!! – berrou, irritado. – Hunf! É melhor que tenha um bom motivo pra ter vindo me acordar desse jeito...

— Ah, qual é... – cutucou-o com o cotovelo. – Vai me dizer que você estava sonhando com a sua garota? – um sorriso malicioso rendeu-lhe mais um golpe.

— Ela não é a minha garota!! – ruborizou, fora de si. – E além do mais, isso não é da sua conta, pirralho! – cruzou os braços e livrou-se da visão que tinha, voltando-se para a janela.

— Mas... Mestre! – protestou, clamando por atenção.

— Essa não! Já passam das onze horas! – olhou para o garoto, acertando-o novamente.

— Você quer, por favor, parar de me bater?! Eu não fiz nada!! – a voz infantil, gradativamente grave, sublevou-se.

— Você me acordou tarde demais! Marcamos um jogo em menos de dez minutos! – apressou-se, pegando uma toalha e uma camiseta jogadas sobre sua mochila.

— Não me culpe se queria acordar cedo! Agora dá pra me ajudar com meu problema?

— Eu não tenho tempo pra isso agora! – saiu às pressas do quarto. – Volta amanhã que eu... – tropeçou passando pelas escadas da pior maneira possível. O garoto bateu a mão na testa em reprovação e fechou a porta.

— Droga! – disse derrotado, jogando-se na cama inferior do beliche.

~*~

— O que você conseguiu Konohamaru? – inquiriu Udon, vendo o amigo se aproximar.

— Nada – estava chateado. – Parece que vamos ter que pedir ajuda a outra pessoa...

— Tá, mas... – analisou o local, endireitando os óculos. – Cadê a Moegi?

— Não sei... – achou desimportante. – Vamos!

*~*~*~*

Organizava algumas roupas no varal improvisado, resmungando sobre a criatura ausente.

— Aquele estúpido! – apanhou uma toalha molhada. – É preguiçoso demais para me ajudar com a roupa, mas não é para ficar jogando vôlei com aquele bando de idiotas...

A cesta vazia chutada num tropeção acidental fora carregada pelo vento até o vão de entrada. Indo busca-la, reconheceu o ser alto de cabelos compridos.

— Já era hora de aparecerem! – avistou-os, feliz. Ele chegara com a morena, que dormia, em seus braços. Traços cansados em seu rosto. – Ela está bem? – fez sumir o riso quando percebeu.

— Só treinou demais – subiu as pequenas escadas. – Se é que me entende...

— Sim... – memorou outra conversa. – Ela me contou – trocou um olhar de concórdia com ele, que logo adentrou a moradia, cauteloso para não prestar mais esclarecimentos.

~*~

Cuidava-lhe como a uma criança. Naquele estado até as plumas de um colchão macio eram capazes de machuca-la. Lentamente a pôs em repouso sobre a cama, no cômodo iluminado que lhe permitia ver claramente suas feições brandas.

Sem perceber, encarava-a tão singelamente como nunca antes. Um olhar tenro e doce, que para ela sempre tivera vergonha de mostrar. Sentia uma energia boa ao analisar o rosto delicado, e aparentemente comum àqueles que não tiveram o prazer ou oportunidade de conhecê-la em caráter.

Fê-lo relaxar até que visse as minúcias daquela situação. Suas mentiras, ou a forma como escondia a verdade; a luta que tiveram outro dia por causa das malditas regras que, às cegas, eram obrigados a cumprir. Agora fitava o chão, atordoado.

— Neji... – sua voz ergueu as vistas distraídas.

— Apenas descanse — aproximou-se antes que dissesse qualquer outra coisa, tentando ser breve. — Nós podemos... – interrompeu a si próprio ao tocar-lhe o dorso da mão com as pontas dos dedos, chamando o olhar de ambos para a cena. – Conversar sobre isso depois... – quebrou o contato depressa, parando num suspirar, atrás da porta, após fecha-la.

Via-se segura, mesmo ao assisti-lo ir. Uma expressão de plena tranquilidade surgiu antes que dormisse novamente, e voltasse a sonhar com o calor, diferente da luz ultravioleta, que antes sentia.

*~*~*~*

Não sabia se deveria sair num dia tão bonito. Parecia estranho, mas eram justamente os mais desconfortáveis dos dias, devido à imensa probabilidade de ver aquele sorriso.

Era impossível para ela odiá-lo, porém a insegurança a trazia uma sensação desesperadora. Decidiu por dar meia volta e gastar bons momentos ajudando na limpeza da casa. Afastou uma toalha do varal para que passasse, descobrindo que a solução recém-adquirida estava longe de durar muito.

— Hinata-chan! Pensei que estava na praia com os outros... – dizia surpreso o ninja loiro que saía da sala de visitas para a varanda. – O pessoal marcou o jogo, mas eles se esqueceram de levar a rede e eu tive que... Hinata...? Você tá legal? – parou seus dizeres ao ver a inércia com a qual o olhava.

Uma cortina felpuda cerrou-se em seu rosto, revelando uma jovem acanhada, que batia progressivamente um indicador no outro, quando reaberta.

— Hina-chan... – tocou-lhe o ombro descoberto pelo vestido longo que usava, sentindo um tremelique medroso.

Queria a visão dos olhos dela nos seus e o fez, girando-a delicadamente. Era capaz de enxergar muito além da timidez em pérolas ou do rubor extraordinariamente violento que costumava invadir seu rosto. Sem demora aqueceu-a com um abraço forte, não se preocupando se mais alguém poderia ouvir suas palavras.

— Quero que saiba que eu te admiro muito... – contentou-se com tal sentimento. Se parasse para pensar, ele talvez fosse tão tímido quanto ela. Não viu, então, necessidade de expor-lhe a face rosada que também tinha. Uma sensação de plenitude preenchia o ar.

*~*~*~*

— Heey, pessoal! Voltei! – apressava-se fazendo o comum estardalhaço. – Eu trouxe a rede! – ergueu o objeto no ar.

— Já tava na hora, hein, Naruto?! – queixou-se Kiba, roubando-lhe tal equipamento.

— Ainda há pouco, quando a Ino passou por aqui, parecia que o mundo tinha virado pó... Você não estava com tanta pressa, não é? – atiçou Shikamaru.

— Já que você está de reserva mesmo, por que não vai ver o que a sua namorada quer, Bambi-chan? – falou alto o suficiente para as pessoas que estavam em volta escutarem.

— É Nara! Imbecil... – devolveu a provocação sem que Kiba, já iniciando a partida, escutasse.

Distante da área do jogo, uma garota notavelmente vestida com um yukata curto arrastava sua atenção despreocupada para ela. Caminhou sem pressa até alcança-la, recebendo mais do que um olhar raivoso quando chegou.

— Quer jogar, Problemática?

— Ah, claro! Jogar você na droga da máquina de lavar! – ameaçou, dando-lhe um empurrão memorável. – Como é que no dia em que nos escolheram no rodízio de limpeza da casa, que é de seu professor, você me deixa lá para trabalhar sozinha?! – enforcava-o com os olhos.

— E você se incomodou o bastante para vir até aqui me dizer? – misturava indignação com sagacidade.

— É óbvio que não! O que estou dizendo é que não custa nad... – gritou. – O que está fazendo, idiota?! Ponha-me no chão, já! – debatia-se em seus braços quando pega desprevenida.

— Vamos lá... – satirizou. – Só não quero que suje seus pés...

— Acho que não conheço alguém menos desprovido de inteligência do que você! Se eu chamasse o Gaara aqui, ele poderia...

— Segura a onda aí! Eu não sou mais estúpido do que o Naruto! E acontece que o seu irmãozinho não está aqui, então... – aproximou-se de sua orelha – Chega de complicações por hoje...

— M-Mas... Será que você realmente não tem nada melhor pra fazer ao invés de passar o dia me amolando?! – estava corada – Poderia estar jogando com aquele bando de adolescentes desocupados e... E... Pare de me carregar para dentro d’água! – agarrou-se instintivamente a ele.

— Digamos que... – encarou-a com um sorriso promissor. – A primeira opção me dá menos preguiça – concluiu derrubando-a nos centímetros molhados abaixo de seus joelhos.

— Ora, seu...!

— Suas roupas são bem escorregadias, não acha? – riu da expressão colérica banhada em sol. Viu-a se levantar abruptamente e parou-a a tempo de não levar uma surra.

— Possessão da Sombra? – tornou-se zombeteira diante da saída encontrada por ele. – Espero que tenha consciência dos riscos, caso resolva voltar para casa... – sorriu ardilosamente.

— Ao menos seu leque não veio com você – movimentou-se no meio líquido para perto dela, fazendo-a tocar seu rosto e tomar-lhe os lábios delicadamente. Sabia que ainda estava irritada, apesar de não vislumbrar sua expressão; e, ainda assim, correspondia, até o momento em que fora jogado contra a água, espalhando-a severamente.

Permaneceu onde estava enquanto a jovem tomava distância, deixando uma trilha de pegadas submersas que tão logo seriam desfeitas. Se arriscasse um olhar de retaguarda, teria a chance de ver a realização como imagem impressa dos orbes escuros, pouco interessados nas nuvens do meio-dia.

Notas finais
Músicas para este capítulo (enquanto o blog não é atualizado): "Lullaby" by The Spill Canvas; "She's Killing Me" by A Rocket to The Moon. Acompanhem as atualizações pelo Facebook: https://www.facebook.com/nipponystories/